“NO TERCEIRO DIA, UMA LUZ VINDA DOS CONFINS DO UNIVERSO, COMO UM METEORO, VAI DIRETO ATÉ O SEPULCRO, QUANDO UM ESTRONDO SACODE A TERRA, AFASTANDO A ENORME PEDRA QUE O SELAVA, E OS GUARDAS ROMANOS FICAM ATORDOADOS. A LUZ ENTÃO ENTRA NO CORPO INERTE DE JESUS, QUE EM SEGUIDA LEVANTA, TRANSPASSANDO OS PANOS DA MORTALHA COM SEU CORPO IMATERIAL FULGURANTE. RESSUSCITANDO DOS MORTOS COM UMA MATÉRIA INCORPÓREA DE INTENSA LUZ, CONHECIDA APENAS POR DEUS, DE UMA BELEZA INDESCRITÍVEL.”

terça-feira, 18 de julho de 2017

A PALAVRA ETERNA



TERCEIRO ANO DA VIDA PÚBLICA DE JESUS

A PALAVRA ETERNA

Jesus abre, então, os braços, no seu gesto habitual de quando está para falar, afim de chamar a atenção e impor silêncio. Ele diz:
“Neste lugar, o que vêem os olhos do homem? Vales cavados mais profundamente do que a natureza os criou, colinas com montões de terra e aterrados feitos pelo homem, estradas sinuosas ou que avançam pela superfície do monte, formando como que umas tocas de animais. E tudo isso para quê? Para deter um perigo que não se sabe de onde vinha, mas que se percebe que nos está ameaçando como uma chuva de pedras que vem num céu tempestuoso.
Em verdade, aqui se procedeu humanamente, com forças humanas e meios humanos, até desumanos, a fim de se defender e preparar, os meios de ofender, esquecidos da palavra do Profeta, o qual ensina ao seu povo , como pode defender-se das desventuras humanas, com meios sobre-humanos, que são os mais válidos. Ele grita: “Consolai-vos, tornai a consolar Jerusalém, porque a sua escravidão terminou, a sua iniqüidade está expiada, tendo recebido da mão do Senhor o dobro do merecimento por seus pecados.” E, depois da promessa, diz qual o modo a seguir-se para traduzi-la em realidade: “Preparai os caminhos do Senhor, endireitai na solidão os caminhos de Deus. Todo vale será terraplenado, toda montanha será arrasada, os caminhos curvos se tornarão retos, e os acidentados planos. Então, aparecerá a glória do Senhor, e todos os homens, sem exceção, a verão, porque a boca do Senhor falou.” Estas palavras foram tornadas do homem de Deus: João, o Batizador, e só por sua morte é que elas foram canceladas em seus lábios.
Eis ali ó homens, a verdadeira defesa contra as desventuras do homem. Não arma contra arma, defesa contra defesa, não orgulho, não ferocidade. Mas armas sobrenaturais, mas virtudes conquistadas na solidão, isto é, no interior do indivíduo, sozinho consigo mesmo, que trabalha para santificar-se, elevando montes de caridade, abaixando cumes de soberba, endireitando os caminhos curvos da concupiscência, tirando de seu caminho os obstáculos da sensualidade. Então aparecerá a glória do Senhor, e o homem terá a defesa de Deus contra as insídias dos inimigos, espirituais e materiais. Que quereis que sejam umas poucas trincheiras, uns poucos bastiões, uns poucos fortes contra o castigo de Deus, atraído pelas iniqüidades ou até pelas tibiezas do homem? Contra estes castigos, cujos nomes serão: os romanos, como já os tiveram nos tempos antigos, os babilônios, os filisteus, os egípcios, mas que na realidade são uma punição divina, e somente esta, como punição atraída pelos demasiados orgulhos, pelas sensualidades, pelas cupidezes, as mentiras, os egoísmos, as desobediências a Lei Santa do Decálogo. O homem, por mais forte que seja, pode ser morto por uma mosca. A cidade, por mais fortificada que seja, pode ser expugnada, quando para ele ou para ela não houver mais proteção de Deus, proteção da qual fugiram por causa dos pecados do homem ou da cidade.
Diz ainda o Profeta: “Todo homem é como a erva, e toda sua glória é como a flor do campo. A erva seca, e a flor cai, logo que toca nela o sopro do Senhor.”
Vós, por minha vontade, olhai hoje com piedade para estes que até ontem havíeis olhado como para umas máquinas, obrigadas a trabalhar para vós. Hoje, porque Eu vo-los enviei, como irmãos entre irmãos, como pobres irmãos ao meio de vós ricos e felizes, hoje os estais vendo como o que eles são: homens. O desprezo ou a indiferença caíram de muitos corações, e entrou neles a piedade. Mas considerai-os mais em seu interior, além de sua carne oprimida. Dentro desta, dentro dele existe uma alma, há um pensamento, há sentimentos como em vós. Um dia eles foram como vós: sãos, livres, felizes. Depois não o foram mais. Porque somos como a erva que seca, e a vida do homem é ainda mais frágil em seu bem-estar. Aqueles que hoje estão sãos, amanhã podem estar doentes, os que hoje estão livres, amanhã podem ser escravos, os que hoje estão felizes, amanhã podem ser infelizes. Entre eles certamente há culpados. Mas não julgueis a culpa deles, nem vos regozijeis por sua expiação. Amanhã por muitas causas, poderíeis vós também ser os culpados e obrigados a pesadas expiações. Portanto sede misericordiosos, porque não sabeis como será o vosso amanhã, que poderia ser cheio da necessidade de toda misericórdia divina e humana, poderia ser muito diferente deste dia de hoje. Sede inclinados ao amor e ao perdão. Não há homem na terra que não tenha necessidade do perdão de Deus e de qualquer dos seus semelhantes. Procurai, pois, o perdão, para poderdes ser perdoados.
Diz ainda o Profeta: “A erva seca, a flor cai. Mas a Palavra do Senhor permanece para sempre.”
Aqui está a arma e a defesa: a Palavra eterna tendo-se tornado a lei para todas as vossas ações. Levantai este baluarte verdadeiro contra o perigo que vos ameaça, e sereis salvos. Portanto, acolhei a Palavra, Este que vos está falando, mas não a acolhais materialmente, por a terdes durante uma hora dentro dos muros da cidade, mas principalmente em vosso coração, para sempre, porque Eu sou O que sabe, o que opera e rege com poder. E sou o Pastor bom, que apascenta o rebanho que se lhe confia, e de nenhum Eu deixo de cuidar, nem do que é pequeno, nem de quem está cansado, nem de quem está ferido, ou golpeado pela má sorte, nem de quem está chorando por seus erros, nem do que está rico e feliz, mas não deixa de dar atenção a tudo o que faz a verdadeira riqueza e felicidade, que é a de servir a Deus até a morte.
O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque o Senhor me mandou anunciar a Boa Nova aos mansos, curar os de coração arrependido, pregar a liberdade aos escravos e a libertação aos prisioneiros. E não se pode dizer que Eu sou um sedicioso, porque Eu não instigo ninguém a revolta, nem aconselho a evasão aos escravos e prisioneiros, mas ao homem acorrentado, ao homem escravizado ensino a verdadeira liberdade, a verdadeira libertação, a que não lhe pode ser tirada, nem tampouco limitada, e que cresce tanto mais, quanto mais a ela o homem se entrega: a liberdade espiritual, a libertação do pecado, a mansidão na dor, o saber ver Deus acima daqueles homens que os acorrentam, saber crer que Deus ama a quem o ama, e perdoa as coisas que o homem não perdoa, o saber esperar um lugar eterno, que será o prêmio para quem sabe ser bom na desventura, arrependido dos seus pecados e fiel ao Senhor.
Não choreis, vós, a quem Eu especialmente estou falando. Eu vim para consolar, para acolher os rejeitados, para pôr luz em suas trevas e paz em suas almas, para prometer uma morada de alegria, tanto a quem se arrepende, como a quem não tem culpa. Nem há para vós um tempo passado, que possa impedir a realidade deste tempo presente, que está esperando no céu aqueles que agora sabem servir ao Senhor, na sorte em que agora se encontram.
Não é difícil, ó pobres filhos, servir ao Senhor. Ele vos deu um modo fácil de servi-lo, porque vos quer felizes no Céu. Servir ao Senhor é amor. Amar a vontade de Deus, porque amais a Deus. A vontade de Deus se esconde até nas coisas aparentemente mais humanas. Porque Eu falo a vós que talvez tenhais derramado o sangue de irmãos; porque, se certamente não era vontade de Deus que vós fôsseis violentos, agora é vontade Dele que na expiação anuleis as vossas dívidas para com o Amor. Porque, se não era vontade de Deus que vós rebelásseis contra os inimigos, agora é vontade Dele que vós torneis humildes, assim como num tempo passado vos tornastes orgulhosos, para prejuízo vosso. Porque, se não era vontade de Deus que com fraude, grande ou pequena, vós apropriásseis daquilo que não era vosso, agora a vontade de Deus que sejais punidos por não unir-vos a Deus, tendo o pecado em vosso coração.
E isso não deve ser esquecido pelos felizes de agora, os que se crêem seguros, os que, por essa estulta segurança não preparam em si o Reino de Deus, e serão, na hora da prova, como filhos afastados da casa do Pai, sob o domínio da tempestade, sob o açoite da dor.
Trabalhai todos com justiça, e levantai os olhos para a Casa do Pai, para o Reino dos Céus, que, quando tiver escancarado as portas por Aquele que veio para abri-las, não se recusará a acolher a alguém que tenha praticado a justiça. Ó mutilados na carne, ó estropiados, ó eunucos, e ó mutilados no espírito, estropiados e eunucos nas faculdades do espírito, excluídos de Israel, não tenhais medo de não encontrardes lugar no Reino dos Céus. As mutilações, os aleijões, os defeitos da carne terminam com a carne. Os defeitos imorais, como a prisão e a escravidão, cessarão também um dia. Os do espírito, isto é, os frutos das culpas passadas se reparam com a Boa Vontade. E as mutilações materiais não têm importância aos olhos de Deus, ao passo que as espirituais se anulam, aos seus olhos, quando são cobertas por um arrependimento amoroso.
O fato de serem alguns estranhos ao Povo Santo não é mais impedimento para servir ao Senhor. Porque chegou o tempo no qual as fronteiras da terra cessam diante do Único Rei, do Rei de todos os reis e povos, que reúne todos os povos em um só, para fazer deles o seu novo Povo. Aquele povo do qual ficarão excluídos somente os que procuram enganar o Senhor, com um mentiroso obséquio ao seu Decálogo, que todos os homens de boa vontade podem seguir, sejam eles hebreus ou gentios, ou idólatras. Porque, onde houver boa vontade, há também a tendência natural para a justiça, e quem se inclina para a justiça, não acha dificuldade em adorar o verdadeiro Deus, quando chegar a conhecê-lo, a respeitar o seu Nome, a santificar as suas festas, a honrar os seus pais, a não matar, não roubar, e não dar falso testemunho, a não ser adúltero e fornicador, a não ser ávido daquilo que não é seu. E se até agora ainda não fez assim, que de agora em diante o faça, para que se salve a sua alma e seja conquistado um seu lugar no Céu.
Está escrito: “Eu lhes darei um lugar na minha Casa, se cumprirem o seu Pacto comigo, e os tornarei alegres.” E isso está dito a todos os homens de vontade santa, sendo o Santo dos Santos Pai comum de todos os homens.
Tenho dito. Eu não tenho dinheiro para esses. Nem ele seria útil a eles. Mas Eu digo a vós, de Gamala, vós que tanto progredistes no caminho do Senhor, desde a primeira vez que nos encontramos, que ergais a mais forte defesa de vossa cidade, a do amor entre vós, e por estes e socorrê-los em meu Nome, enquanto eles se cansam por vós. Vós fareis isso?”
“Sim, ó Senhor”, grita a multidão.
“Então, vamos embora. Eu não teria entrado para dentro dos vossos muros, se a dureza dos corações tivesse respondido “não” à minha pregação. Vós que ficais sede abençoados...Vamos...”


(de Jesus à Valtorta – O Evangelho como me foi Revelado, Vol. 7, pg. 167 a 171)  

sábado, 15 de julho de 2017

A BEM AVENTURADA ESPOSA DO AMOR ETERNO



TERCEIRO ANO DA VIDA PÚBLICA DE JESUS

A BEM AVENTURADA ESPOSA DO AMOR ETERNO

“Deus te abençoe meu Filho, neste dia.”
“Deus esteja contigo, minha Mãe. Foi difícil a noite para ti?”
“De fato. Mas também muito feliz. Parecia-me ter-te em meus braços, quando eras pequeno. E eu sonhei que algo como um nó de ouro saísse de sua boca, produzindo um som de uma doçura indizível, e que uma voz me estivesse dizendo. Oh! Mas que voz: “Esta é a Palavra que enriquece o mundo e que dá felicidade a quem a ouve e lhe obedece. Ela não tem limite em seu poder, nem no tempo, nem no espaço. Ela salvará.” Oh! Meu Filho! E és Tu, o meu Filho, esta Palavra! Que farei para viver tanto e para fazer tanto, quanto é necessário para poder agradecer ao Eterno por me ter feito tua Mãe?”
“Não fiques pensando nisso, minha Mãe. Cada batida do teu coração já é um agradecimento a Deus. Tu és o louvor vivo a Deus, e sempre o serás, minha Mãe. Tu lhe agradeces desde que existes.”
“Não me parece que estou fazendo isso o tanto que é necessário, Jesus. É uma coisa tão grande, a que Deus me fez! Afinal que eu estou fazendo a mais do que o fazem todas essas boas mulheres que, como eu, são tuas discípulas? Dize-lhe isto, meu Filho, dize ao nosso Pai que me dê um modo de agradecer-lhe, como o dom recebido por mim o merece.”
“Minha Mãe! E achas que o Pai tenha necessidade que Eu lhe faça essa pergunta por ti? Ele já preparou o sacrifício que tu lhe deverás oferecer, para este louvor perfeito. E perfeita o serás, quando o tiveres oferecido.”
“Meu Jesus!... Eu compreendo o que queres dizer... Mas, serei eu capaz de pensar naquela hora? A tua pobre Mãe...”
“És a bem-aventurada Esposa do Amor Eterno! Minha Mãe, tu és isto. E o Amor pensará em ti.”
“Tu o estás dizendo, meu filho, e vou descansar sobre a tua Palavra... Mas Tu... reza por mim, naquela hora, que nenhum desses entende, e que já está para chegar... Não é verdade? Pois não é verdade mesmo?”
Dizer qual a expressão do rosto de Maria, durante este diálogo, é impossível. Não há escritor que possa traduzi-la em palavras, sem deixar de alterá-la com afetações, ou tintas imprecisas. Somente quem tem coração, e um coração bom, mesmo sendo um coração viril, é que pode dar ao rosto de Maria, com o poder de sua mente, a expressão que ela tem neste momento.
Jesus olha para ela. E essa é outra impressão intraduzível em nossas pobres palavras. E lhe responde: “E tu, reza por Mim, na hora de minha morte. Sim. Nenhum desses entende... Mas é culpa deles. É Satanás que cria as fumaças, para que eles não vejam, e fiquem como uns ébrios, sem entenderem, e por isso, não estão preparados... e mais fáceis de ser derrubados. Mas Eu e tu os salvaremos das insídias de Satanás. Desde agora, Eu os confio a ti, minha Mãe. Lembra-te destas minhas palavras. Eu tos confio. Dou-te a minha herança. Sê para eles a Nutriz. Há pouco Eu estava pensando em quantos, através dos séculos, irá tornar a viver o homem de Keriot (Judas Iscariodes), com todas as suas taras. Estava pensando que alguém, que não fosse Jesus, haveria de repelir este ser tarado. Mas Eu não o repelirei. Eu sou Jesus. Tu, durante o tempo em que ainda ficares na terra, como segunda depois de Pedro, na hierarquia eclesiástica, ele como cabeça e tu como fiel, a primeira de todos como mãe da Igreja, tendo dado à luz a Mim, que sou Cabeça deste Corpo Místico, tu não repelirás os muitos Judas, mas socorre e ensina a Pedro, aos irmãos, a João, a Tiago, a Simão, a Felipe, a Bartolomeu, a André, a Tomé e a Mateus a não repelir, e a socorrer. Defende-me em meus seguidores, e defende-me contra aqueles que quererão dispersar e desmembrar a Igreja nascente. E, através dos séculos, sê tu sempre a que intercede e protege a que defende e ajuda a minha Igreja, os meus sacerdotes, os meus fiéis do Mal e do Castigo, e também deles mesmos. Quantos Judas, ó Mãe, através dos séculos! E quantos, como uns deficientes que não sabem entender, ou uns cegos e surdos, que não sabem ver ou ouvir, ou estropiados e paralíticos, que não sabem vir. Mãe, todos sob o teu manto! Somente tu podes e poderás mudar os decretos de castigos do Eterno para um ou para muitos. Porque a Trindade nunca poderá negar nada à sua flor.”
“Assim farei meu Filho. No que depende de mim, vai em paz, rumo à tua meta. A tua Mãe está aqui para te defender em tua Igreja sempre.”
“Deus te abençoe, minha Mãe. Vem! Eu colherei para ti cálices de flores cheios de orvalho perfumado, e com ele refrescarás o teu rosto, como Eu fiz. Preparou-os para nós o nosso Pai Santíssimo, e os passarinhos nos mostraram. Olha como tudo serve na ordenada criação de Deus!Esta esplanada que está a boa altura, e perto do lago, tão fértil por causa das névoas, que sobem do Mar da Galiléia, e por causa das altas árvores, que atraem as orvalhadas, oferecem condições para este vicejar de ervas e de flores, até mesmo no mais forte calor de verão. Estas chuvas abundantes de orvalho servem para encher estes cálices, a fim de que seus filhos possam lavar seus rostos. Vede quantas coisas o Pai pôs à disposição dos que o amam. Toma. Água de Deus, servida em cálices de Deus, para que se refresque a Eva do novo Paraíso.


(de Jesus à Valtorta – O Evangelho como me foi Revelado, Vol. 7, pg. 160 a162) 

VIVER SEM MANCHA



TERCEIRO ANO DA VIDA PÚBLICA DE JESUS

VIVER SEM MANCHA


E Jesus sorrindo: “Ainda há muita água para a sede do Filho do homem. Há água colocada pelo Pai nos poços profundos. E o Filho do homem ainda tem as mãos livres para fazer com elas uma concha. Dia virá em que não terei mais nem estas nem aquela, e não terei mais nem a água do amor para matar a sede do Sedento. Agora encontro tanto amor ao redor de Mim.”, e vai para a frente, levando com as duas mãos o cesto grande redondo e fundo, para colocá-lo sobre a grama, a alguns metros de João, e dizendo-lhe: “Pega e come. É o banquete de Deus.”
Depois Ele volta para o seu lugar. Oferece e abençoa o alimento, e o faz distribuir aos presentes, que ajuntaram com Ele tudo o que tinham. Todos comem com gosto e com uma pacífica alegria, enquanto Maria se ocupa, cheia de maternal doçura, com Alfeu. Depois, terminada a refeição, Jesus se coloca entre o povo e o ex-leproso, começando a falar, enquanto as mães apanham no colo os seus filhos saciados de alimento e de brinquedos, e os ninam para fazê-los dormir, a fim de que não fiquem perturbando.
“Ouvi, todos vós. Em um Salmo de Davi, o Salmista faz esta pergunta: “Quem habitará no Tabernáculo de Deus? Quem repousará no monte de Deus?” E passa a enumerar quem serão os afortunados, e por quais motivos o serão. Diz Ele: “Aquele que vive sem mancha e pratica a justiça. Aquele que fala de coração, com verdade, e não usa de enganos com sua língua, que não causa dano ao próximo, que não aceita palavras infamantes contra o seu semelhante.” E, em poucas linhas, depois de ter dito quem entrará nos domínios de Deus, diz o que é que esses bem aventurados fazem de bem, depois de já não terem feito o mal. Diz assim: “Aos olhos deles, o malvado é um nada. Eles honram aos que temem a Deus. Aos que jurando ao seu próximo, não o enganam. Não emprega o seu dinheiro em usura. Não recebe presentes para prejudicar um inocente. “ E termina: “Quem faz estas coisas nunca vacilará. Em verdade, em verdade Eu vos digo que o Salmista disse a verdade, e confirmo com a minha sabedoria que quem faz estas coisas não vacilará nunca.
A primeira das condições para entrar no Reino dos Céus é “Viver sem mancha.”
Mas pode o homem, uma criatura fraca, viver sem mancha? A carne, o mundo e Satanás, em um contínuo fervedouro de paixões, de tendência e de ódio, esguicham seus borrifos para manchar os espíritos, e, se o Céu fosse aberto somente para aqueles que vivem sem mancha desde o uso da razão em diante, pouquíssimos seriam os homens que chegariam à morte sem terem conhecido doenças mais ou menos graves durante sua existência. E então? Desse modo, o Céu fica fechado aos filhos de Deus? E estes terão que dizer: “Eu o perdi”, quando um assalto de Satanás, ou uma tempestade da carne os fizeram cair, e se vêem manchados em suas almas? Não haveria mais perdão para quem tiver pecado?Não haverá nada para cancelar a mancha que deturpa o espírito? Não temais o vosso Deus com um temor injusto. Ele é Pai, e um pai estende sempre uma mão aos filhos vacilantes, oferece ajuda aos que querem levantar-se, conforta-os com meios suaves, para que o aviltamento deles não degenere em desespero, mas floresça em um humildade cheia da vontade de se tornarem diletos do Pai.
Eis. O arrependimento do pecador, boa vontade em querer prestar reparação, são duas coisas nascidas de um verdadeiro amor para com o Senhor, que limpam a mancha da culpa, e o tornam digno do perdão divino. E, quando Este que vos está falando tiver cumprido a sua missão sobre a terra, ás absolvições do amor, do arrependimento e da boa vontade unir-se-á, poderosíssima, a absolvição que o Cristo vos terá obtido, a preço do seu Sacrifício. Mais cândidos em suas almas do que meninos há pouco nascidos, porque para quem crer em Mim, brotarão de seu seio rios de água viva, que limpam até a culpa original, que é a causa primeira de toda fraqueza do homem, podereis aspirar ao Céu, ao Reino de Deus e aos seus Tabernáculos. Porque a graça que estou para dar-vos, vos ajudará a praticar a justiça, a qual vai aumentando tanto mais, quanto mais for praticada, e esse direito vos dará um espírito sem mancha para entrar no Reino dos Céus.
Nele entrarão os pequenos e gozarão, pela felicidade dada gratuitamente, gozarão porque o Céu é alegria. Mas nele entrarão os adultos, os velhos, aqueles que viveram, que lutaram e venceram, e que, à cândida coroa da Graça unirão a coroa multicor de suas obras santas, de suas vitórias sobre Satanás, sobre o mundo e a carne, e grande, muito grande será a sua felicidade de vencedores, grande a um tal ponto, que o homem nem pode imaginar.
Como se pratica a justiça? Como se conquista a vitória? Com a honestidade de palavras e de ações, com a caridade para com o próximo. Reconhecendo que Deus é Deus, e não colocando os ídolos das criaturas, do dinheiro, no lugar de Deus Santíssimo.Dando a cada um o lugar que o espera, sem procurar dar mais ou dar menos do que é devido. Aquele que, porque alguém é seu amigo ou parente poderoso, o ama e o serve até nas coisas não boas, não é justo. Aquele, pelo contrário, dá prejuízo ao próximo, porque sobre ele não pode esperar levar vantagem daquela espécie, e jura contra ele, ou se deixa comprar com presentes, para depor contra o inocente, ou para julgar com parcialidade, não segundo a justiça, mas segundo os cálculos do que aquele injusto juízo lhe pode obter de quem é o mais poderoso entre os contendores, não é justo, e vãs são as suas orações, as suas ofertas, porque estão manchadas pela injustiça aos olhos de Deus.
Vós estais vendo que isto que Eu digo é ainda do Decálogo. Porque o bem, a justiça, a glória está no cumprimento do que o Decálogo ensina e ordena que se faça. Não existe outra doutrina. Outrora ela foi dada por entre os esplendores do Sinai. Agora é dada por entre os fulgores da Misericórdia, mas a Doutrina é aquela. E não muda. Nem pode mudar. Muitos, para se desculparem, dirão em Israel, para justificarem o porque não são santos, mesmo depois de sua passagem pela terra do Salvador: “Eu não tive nem modo para acompanhá-lo e escutá-lo”. Mas esta desculpa deles não tem valor algum. Porque o Salvador não veio para estabelecer uma Lei nova, mas veio reafirmar a primeira, a única Lei. E até mesmo veio para reafirmá-la em sua santa nudez, na sua simplicidade perfeita. Veio reafirmar com amor e com promessas de amor certo de Deus, o que antes havia sido mandado com rigor, por um lado, e ouvido com temor pelo outro.
...Os dez mandamentos são os dez mandamentos. O vosso Deus os esculpiu e colocou sobre o caminho que leva ao Tesouro eterno, e sofreu para conduzir-vos àquele caminho. Vós sofreis? Deus também. Vós tendes que forçar-vos a vós mesmos? Deus também. Sabeis até que ponto? Sofrendo por separar-se de Si mesmo e por forçar-se a conhecer o ser homem com todas as misérias que a humanidade leva consigo: a de nascer, de passar frio, fome, cansaço, ser tratado com sarcasmos, afrontas, ódio, insídias, e enfim, dando todo o seu Sangue, para dar-vos o Tesouro. Isto sofre Deus, que desceu para salvar-vos. Isto sofre Deus no alto do Céu, permitindo a Si mesmo o sofrer.
Em verdade Eu vos digo que nenhum homem por mais cansativo que seja o seu caminho, para chegar ao céu, não irá nunca por um caminho tão cansativo e doloroso como o que o Filho do homem percorre para vir do Céu à terra, e da terra ao sacrifício feito para abrir-vos as portas do Tesouro.
Nas Tábuas da Lei já está o meu Sangue. No caminho que Eu vos traço está o meu Sangue. A porta do Tesouro se abre por baixo da onda do meu Sangue. A vossa alma se torna cândida e forte, ao banhar-se e ao alimentar-se com o meu Sangue. Mas, vós, para que ele não seja derramado em vão, deveis andar pelo caminho imutável dos dez mandamentos.
Agora vamos repousar. Ao Pôr do sol, Eu irei para Hipo. João irá para a purificação e vós para vossas casas. A paz do Senhor esteja convosco.”


(de Jesus à Valtorta – O Evangelho como me foi Revelado, Vol. 7, pg. 135 a 138) 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

EX-LEPROSO SE TORNA DISCÍPULO



TERCEIRO ANO DA VIDA PÚBLICA DE JESUS

O EX-LEPROSO JOÃO TORNA-SE DISCÍPULO


29 DE JUNHO DE 1946

 “O meu Senhor!, grita o ex-leproso, jogando-se de joelhos, logo que vê Jesus aparecer na charneca, que fica perto do rochedo onde viveu durante tantos anos. E depois levantando-se, grita de novo: “Como? Estás voltando a mim?”
“Para dar-te uma provisão de palavras, depois de ter-te dado a de saúde.”
“A provisão se dá a quem vai viajar, e, de fato, vou viajar esta tarde para as purificações... Mas parto, para voltar e unir-me aos discípulos, se Tu me quiseres acolher. Não tenho mais casa nem parentes, Senhor. Já estou velho para exercer qualquer atividade,e assim poder viver. Far-me-ão a reintegração dos bens, mas, como estará a casa, se há quinze anos nela não morou ninguém? O que encontrarei nela? Talvez as paredes derrubadas... Eu sou um passarinho sem ninho. Deixa que eu me ajunte à fileira dos que te seguem. Afinal, eu não pertenço mais a mim mesmo, porque, por aquilo que me deste, eu sou teu, não pertenço mais ao mundo que me separou do seu convívio, justamente por ser eu um impuro, e por tanto tempo. Agora sou eu que acho que o mundo é impuro, depois de ter-te eu conhecido, e fujo do mundo para vir a Ti.”
“E Eu não te rejeito. Mas Eu re digo que quereria que fizesses uma parada nesta região. Aera e Arbela têm o seu filho discípulo, que está evangelizando. Que tu faças o mesmo em Hipo, Gamala, Afeca e lugares vizinhos. Eu, daqui a pouco desço para a Judéia, e não voltarei mais a estes lugares. Mas quero ter neles meus evangelizadores.”
“A Tua vontade me torna querida qualquer renúncia. Farei o que Tu queres. E o farei logo que completar as purificações. Eu tinha pensado que não teria que cuidar mais de minha casa. Agora, ao contrário, eu digo que a reaverei, de tal modo que possa morar nela e acolher nela, durante o inverno, as almas desejosas de ter notícia de Ti, e pedirei a alguns dos discípulos que te seguem que venham ficar comigo, porque se Tu queres que eu seja um pequeno mestre, eu preciso ser instruído por alguém que saiba mais do que eu. E na primavera irei com os outros pregar o teu Nome.”
“Teu pensamento é bom. E Deus te ajudará a realizá-lo.”
“Eu já comecei a destruir pelo fogo tudo o que me pertencia, Isto é, a pobre enxerga e os pobres móveis que eu usava, a veste com que eu estava até ontem, tudo aquilo em que eu havia tocado com meu corpo doente. A gruta em que eu vivia está preta, por causa do fogo que eu nela acendia para incinerar coisas e purificar o ambiente. Ninguém ficará contaminado, se entrar lá para refugiar-se em alguma noite de tempestade. E depois eu tinha um velho cofre, já bem velho, todo encarunchado... parecia que a lepra o tivesse corroído também... Mas para mim... ele era mais precioso do que as riquezas do mundo... Dentro dele estavam minhas coisas queridas... lembranças de minha mãe... o véu de núpcias da minha Ana... Ah! Quando eu o tirei, todo feliz, naquela tarde de núpcias, e contemplei aquele rosto tão belo, e puro como um lírio, quem me poderia ter dito que, poucos anos depois, eu o haveria de ver como uma chaga só! E... as roupas dos meus meninos, os seus brinquedos... seguros entre suas pequenas mãos, enquanto elas puderam segurar alguma coisa... e... É uma grande dor... perdoa o meu pranto... A chaga dói fortemente, agora que eu tive que queimá-las com razão... sem podê-las beijar... porque eram de leprosos. Mas Tu compadeces de mim. Eu destruí as últimas lembranças deles... e agora estou com alguém que se perdeu no deserto...”
O homem se agacha chorando junto ao montão de cinzas que é a lembrança do seu passado...
“Não estais perdido, João, nem estás sozinho. Eu estou contigo. Aqueles restos que te faziam lembrar-te dos que tinham ficado desfigurados pela doença, ou bonitos e cheios de saúde, antes daquela ventura. Tudo são lembranças de dores. Deixa-os entre as cinzas do fogo. Destrói-os com a certeza que Eu te dou: de que os reencontrarás belos e felizes na alegria do Céu. O passado morreu, João. Não chores mais por ele. A luz não para a fim de ficar olhando as trevas da noite, mas fica alegre por separar-se dela e poder brilhar, à medida que vão subindo para o céu com o sol de cada manhã. E o sol não fica parado no oriente, mas se ergue, voa para a frente, até chegar ao alto do firmamento. A tua noite terminou. Não fiques mais pensando nela. Sobe para lá com o seu espírito, para onde Eu, que sou a Luz, te levo. Pela doce esperança e pela fé. Lá sim, encontrarás alegria, porque a tua caridade poderá encontrar-se com Deus e com os teus queridos, que te estão esperando. Não é mais do que uma rápida subida, e logo estarás lá no alto com eles, Esta vida é um sopro. A eternidade é um eterno presente.”
“Tens razão, Senhor. Tu me confortas e me ensinas como superar esta hora com justiça. Mas Tu és o sol para estares perto de mim, enquanto te for concedido. Retira-te Mestre. Já me deste o suficiente. Poderia fazer-te mal este sol, que já está bem forte.”
“Eu vim para estar contigo. Todos nós viemos para isso. Sai de onde estás, vem para o lado das árvores, e estaremos juntos sem perigo.”
O homem obedece, deixando o penhasco, a cujos pés está o montão de cinzas, o passado, e ele vai na direção do lugar para onde Jesus se dirige, e onde estão comovidos os apóstolos, as mulheres, os moradores do povoado e aqueles que vieram da cidade para ouvirem o Mestre.
“Acendei o fogo, para cozinhar o peixe. Repartiremos o alimento em um banquete de amor”, ordena Jesus.

(de Jesus à Valtorta – O Evangelho como me foi Revelado – Vol. 7, pgs. 133 a 135)

O MESTRE FALA SOBRE AS RELAÇÕES CONJUGAIS



O MESTRE FALA SOBRE AS RELAÇÕES CONJUGAIS

TERCEIRO ANO DA VIDA PÚBLICA DA JESUS

“ A paz esteja com todos vós. Estáveis me esperando? Estáveis com medo de que Eu escapasse, sem saudar-vos? Eu nunca falto com minhas promessas. Hoje Eu estou convosco para evangelizar-vos e ficar convosco, conforme prometi, para abençoar as vossas casas, as hortas e as barcas, para que sejam santificadas todas as famílias, e o trabalho seja também santificado. Mas, lembrai-vos de que a minha bênção, para produzir frutos, deve ser ajudada pela vossa boa vontade. E vós sabeis qual é a boa vontade que deve animar uma família, para que seja santa a casa que a hospeda. Nela o homem deve ser chefe, mas não déspota, nem da esposa nem dos filhos, nem dos servos e, ao mesmo tempo, deve ser o rei, verdadeiramente o rei, no sentido bíblico da palavra. Estais lembrados do capítulo oitavo do primeiro livro dos Reis? Os anciãos de Israel se reuniram, e foram para Rámata, onde morava Samuel, e lhe disseram: “Eis que ficaste velho, e os teus filhos não estão andando pelos teus caminhos. Para julgar-nos, estabelece sobre nós um rei, como o têm todas as nações.”
Portanto, rei quer dizer “juiz”, e deveria ser juiz justo para não fazer de seus súbditos uns infelizes no tempo de guerras, de abusos, de impostos injustos, nem na eternidade, exercendo uma realeza completamente cheia de molezas e de vícios.
Ai daqueles que faltam com o seu ministério, que fecham os ouvidos às vezes dos súbditos, que fecham os olhos diante das chagas da nação, que se tornam cúmplices da dor do povo com alianças injustas, além de reforçarem o seu poder com a ajuda de aliados!
Mas ai também daqueles pais que faltam com sua obrigação, que são cegos e surdos às necessidades e aos defeitos, que são causa de escândalos e dor para ela, que descem dos membros da família compromissos de núpcias indignas, contanto que possam aliar-se com famílias ricas e poderosas, sem refletirem que o matrimônio é uma união querida para elevação e conforto do homem e da mulher, além de o ser para a procriação. É um dever, é um ministério. Não é um mercado, uma dor, não é aviltamento de um dos cônjuges, nem do outro. É amor, e não ódio. Portanto que o chefe seja justo, sem excessivas durezas ou pretensões, e sem excessivas condescendências e fraquezas. Mas, se tivésseis que escolher entre o excesso de uma coisa ou de outra, escolhei a segunda, porque pelo menos desta Deus vos poderá dizer: “Por que foste tão bom assim?”, e não condenar-vos, uma vez que o excesso da bondade pune o homem, com as prepotências que os outros se permitem contra os bons, enquanto que a dureza sempre vos reprovaria, porque é uma falta de amor para com o próximo mais próximo.
E justa seja a mulher, em sua casa para com o esposo, os filhos e os servos. A seu esposo dê obediência e respeito, conforto e ajuda. Obediência, enquanto esta não assumir substancialmente um consentimento para o pecado. A mulher deve ser submissa, mas não degradada. Olhai, ó esposas, que o primeiro que vos julga, depois de Deus, por certas condescendências culpáveis, é o vosso próprio marido, que vos leva a elas. Nem sempre são desejos de amor, mas também são uma prova de vossa virtude. Mesmo que no momento não se reflita, pode chegar o dia em que o esposo diga a si mesmo: “Minha mulher é muito sensual”, e por isso fique com suspeitas contra a vossa fidelidade conjugal.
Sede castas no casamento. Fazei que vossa castidade imponha ao esposo aquela cautela que se toma diante das coisas puras, e vos olhe como suas semelhantes, e não como escravas ou concubinas, mantidas somente para serem “prazer”, e rejeitadas quando não agradam mais. A mulher virtuosa eu diria, a mulher que, mesmo depois da união conjugal, conserva ainda aquele “que” de virginal em seus atos, nas palavras, nos abandonos de amor; pode levar o marido a uma elevação da sensualidade para o sentimento, pelo qual o esposo se despoja da luxúria e se torna verdadeiramente um único “que” com sua esposa, que ele passa a tratar com o cuidado com que cada pessoa trata uma parte de si mesma, e justo é que assim seja, porque a mulher é “osso de seus ossos e carne de sua carne”, e ninguém maltrata os seus ossos nem a sua carne, mas, ao contrário, os ama, para que o esposo e a esposa, como os dois primeiros esposos, olhem um para o outro, e não se vejam em sua nudez sensual, mas se amem pelo espírito, sem vergonhas aviltantes.
Que a mulher seja paciente, maternal com o marido. Que ela o considere como o primeiro de seus filhos, porque a mulher é sempre mãe, e o homem está sempre necessitado de uma mãe, que seja paciente, prudente, afetuosa, confortadora. Feliz aquela mulher que de seu próprio cônjuge sabe ser companheira, e, ao mesmo tempo a mãe, para ampará-lo, e a filha, para ser guiada. Que a mulher seja trabalhadeira. O trabalho, impedindo os devaneios, faz bem à honestidade, além de fazê-lo à bolsa. Que ela não fique atormentando o marido com tolos ciúmes, que para nada servem. O marido é honesto? O ciúme torna-o estulto, obrigando-o a sair de casa, o coloca no perigo de cair nas malhas de alguma meretriz. Ele não é honesto e fiel? Não serão as iras da ciumenta que irão corrigi-lo, mas, sim, o procedimento, sem mau humor e grosserias, com dignidade e amor, com amor digno, e isso é o que faz refletir e recuperar o juízo. Procurai saber reconquistar o marido, quando uma paixão o afastou de vós, com a vossa virtude, assim como em vossa juventude o conquistastes pela vossa beleza. E, para terdes força no cumprimento desse dever, e resistir à dor que poderia tornar-vos injustas, amai os filhos, pensai neles, no bem deles.
Tudo uma mulher tem em seus filhos: a alegria, a coroa real nas horas alegres em que ela é realmente uma rainha da casa e do marido, e o bálsamo nas horas dolorosas em que uma traição, ou outras penosa experiências da vida conjugal flagelavam sua fronte e sobretudo o coração com os espinhos de sua realeza como esposa e mártir. Julgai-vos tão espezinhadas, que quereis voltar para casa de vossos pais, ou procurar compensação e, algum amigo fingido, que tem desejo de mulher, mas finge ter piedade do coração da que foi traída? Não, mulheres, não! Aqueles filhos, aqueles filhos inocentes, já perturbados, já precocemente entristecidos pelo ambiente doméstico, que não é mais sereno, não é mais justo, têm os seus direitos sobre a mãe, sobre o pai, sobre o conforto em uma casa onde, se pereceu um amor, o outro ainda continua a velar por eles. Aqueles olhares inocentes deles olham para vós, vos estudam, e compreendem mais do que vós pensais e formam os seus espíritos pela medida daquilo que vêem e compreendem. Não sirvais nunca de escândalo para os vossos inocentes, mas refugiai-vos neles, como em um baluarte de lírios adamantinos entre as fraquezas da carne e as insídias das serpentes.
E que a mulher seja mãe. A mãe justa, que é irmã, ao mesmo tempo que é mãe, sobretudo e acima de tudo. Velar sobre os filhos e as filhas, corrigir amorosamente, ajudar, fazer meditar, e tudo sem preferências, pois os filhos são todos nascidos de uma semente e de um seio, e, se é natural que eles sejam bem queridos, pela alegria que dão os filhos bons, é também um dever que sejam amados, ainda que com um amor doloroso, e os filhos não bons fazem lembrar que o homem não deve ser mais severo do que Deus, o qual ama não somente os bons, mas também os não bons, e os ama para ver se os faz bons, e para dar-lhes o modo e o tempo de o serem, e suporta até à morte do homem, reservando-se o direito de ser justo, quando o homem não pode mais reparar.
...E, voltando ao assunto de como devem ser os componentes de uma família, os habitantes de uma casa, para que nela se mantenha frutuosamente a minha bênção, Eu vos digo, ó filhos, que vós sejais submissos aos vossos pais, respeitosos, obedientes para poderdes sê-lo também para com o Senhor vosso Deus. Porque, se não aprenderdes a obedecer as pequenas ordens de Deus, que vos estais vendo, como podereis obedecer às ordens de Deus, que vos são ensinadas em seu Nome, mas que vós não estais vendo, nem ouvindo? E, se não aprendeis a crer que quem ama, como um pai e uma mãe amam, e não podem mandar senão coisas boas, como podereis crer que sejam boas as coisas que vos foram ditas como ordem de Deus? Deus ama, é Pai, sabeis disso? Mas, justamente porque vos ama, e vos quer consigo, ó caros amigos. Ele vos quer bons. E a primeira escola em que aprendeis a sê-lo é a família. Nela aprendeis a amar e a obedecer, e nela é que começa para vós o caminho que leva para o Céu.
Portanto sede bons, respeitosos, dóceis. Amai vosso pai, mesmo quando ele vos corrige, pois ele faz assim para o vosso bem, e à mãe, se ela vos afasta de ações que sua experiência julga não boas. Honrai-os, não os fazendo passar vergonha por vossas más ações. O orgulho não é coisa boa, mas existe um santo orgulho, que é o de se poder dizer: “Não fiz sofrer nem a meu pai nem à minha mãe.” E isso que nos faz gozar da convivência com eles, enquanto estão vivos, é para vós uma paz sobre a ferida, que a morte deles vos causa, enquanto que as lágrimas que um filho fez seu pai derramar, hão de marcar com sulcos, como chumbo derretido o coração do filho mau, e, apesar de todo o trabalho para anestesiar aquela ferida, que continua a doer, a doer, e sempre dói mais, quando a morte do pau impediu ao filho de fazer uma reparação... Oh! Filhos, sede bons, sempre, se quereis que Deus vos ame.
Enfim, santa é aquela casa onde, pela justiça dos donos, tornam-se justos até com os sevos e os empregados. Lembrem-se os patrões que um mau comportamento irrita e desgasta o servo, e o servo que o seu mau comportamento desgosta ao patrão. Esteja cada um em seu lugar, mas com um liame de amor ao próximo, a preencher a separação que há entre os servos e os patrões. E, então, a casa abençoada por Mim conservará a sua bênção, e Deus morará nela. E assim também conservarão sua bênção, e portanto a proteção, as barcas, as hortas e as ferramentas de trabalho e de pesca, quando santamente forem usadas, nos dias permitidos, e santamente dedicados ao culto de Deus no sábado, e vós vivereis a vossa vida de pescadores e hortelãos, e não cometereis no vender e no pesar, não amaldiçoareis o trabalho, nem fareis tanto dele o rei da vossa vida, a ponto de dardes mais valor a ele do que a Deus. Porque, se o trabalho vos leva a obter um ganho, Deus vos dá o Céu.


(de Jesus à Valtorta – O Evangelho como me foi revelado –Vol. 7, pgs. 128 a 132)

segunda-feira, 10 de julho de 2017

UM DIA DE MUITOS MILAGRES



TERCEIRO ANO DA VIDA PÚBLICA DE JESUS

UM DIA DE MUITOS MILAGRES

“Jesus, escuta. Há uma mulher pedindo uma graça. Ela é estéril...”
“Não perturbes o Mestre por causa dela, mulher. As vísceras dela estão mortas”, diz um que não sabe que está falando com a Mãe de Deus. E depois, confuso pelo erro, pois já o informaram, procura ficar menor e desaparecer, enquanto Jesus responde a ele e a suplicante, ao mesmo tempo, dizendo: “Eu sou a vida. Mulher, que te seja feito o que estás pedindo”, e pousa, por um instante a mão sobre a cabeça de Sela.
“Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim!”, grita aquele cego de antes, que pouco a pouco foi chegando para perto da multidão, e ao lado dela vai dando os seus gritos de invocação.
Jesus que estava com a cabeça inclinada para ouvir as palavras suplicantes de Sela, torna a levantar o rosto e olha para o ponto de onde, entrecortada como a voz de alguém que está para afundar-se, chega até ele a voz do cego.
“Que queres que Eu te faça?”, grita Jesus.
“Que eu veja. Estou na escuridão...”
“Eu sou a Luz. Eu quero!”
“Ah! Eu vejo. Estou vendo! Estou vendo de novo. Deixai-me passar. Que eu possa beijar os pés do meu Senhor.”
“Mestre Tu curaste todos aqui. Mas há um leproso em uma cabana, lá no bosque. Ele nos fica sempre pedindo que te levemos a ele...”
“Vamos! A caminho.” Deixai-me ir. Não vos machuqueis. Eu estou aqui para todos... Vamos, abri alas! Não atropeleis as mulheres e as crianças. Eu não estou indo embora. Fico por aqui amanhã e depois estarei nesta região por cinco dias. Podereis acompanhar-me, se o quiserdes...”
....”Eis-nos chegados. Paremos aqui, para não nos contaminarmos. Estamos perto da tumba do que está vivo, e esta é a hora em que ele vem àquele maciço para retirar as ofertas. Ele era rico sabes? Nós nos lembramos dele. Era bom também. Mas agora é um santo. Quanto mais o feriu a dor, tanto mais ele se tornou justo. Não sabemos como foi... Isso é contado pelos peregrinos que ele hospedou. Eles iam para Jerusalém, como diziam. Pareciam sãos, mas certamente eram leprosos. O fato é que, depois de sua passagem, antes a mulher, depois os servos, depois os filhos, e por fim ele, pegaram a lepra. Todos. Em primeiro lugar, e pelas mãos, aqueles que haviam lavado os pés e as vestes dos peregrinos, e por isso dizemos que eles devem ter sido a causa de tudo. Dos meninos três morreram cedo, muito cedo. Depois a mulher, e mais pelo sofrimento, do que pela doença... Ele... Quando o sacerdote declarou que todos estavam leprosos, comprou para si esta parte do monte, com seus já inúteis haveres, e para que ai se colocassem provisões para si mesmo e para os seus, incluindo os sevos as enxadas e picaretas... e começou a cavar os seus túmulos, e, um por um, os foi colocando todos: os filhos pequenos, depois a mulher, os servos... E ficou somente ele, sozinho e pobre, pois tudo com o tempo vai se acabando, e já lá se vão quinze anos... E tudo sem um lamento. Ele era douto. Repetia de cor as escrituras. Ele as repete falando com as estrelas, as ervas, as árvores, aos passarinhos, e as repetia a nós que podemos aprender tantas coisas dele, e consola as nossas dores... ele, compreendes? Ele é que consola as nossas dores. Vêm pessoas de Hipo e de Gamala, de Guerguesa e de Afeca para ouvi-lo. Quando ele soube do milagre dos dois endemoninhados... Oh!, ele começou a pregar a fé em Ti. Senhor, se os homens te saudaram com o nome de Messias, se as mulheres te saudaram como vencedor e rei, se os nossos meninos sabem o teu Nome e que Tu és o Santo de Israel, é devido ao pobre leproso”, narra por todos o velho de idade avançada, que foi o primeiro a falar de João.
“Tu o curarás?”, perguntam muitos.
“E vós o pedis? Eu, que tenho piedade dos pecadores, que não terei para com um justo? Mas, não é ele que está vindo? Lá pelo meio daquelas moitas...”
“Certamente que é ele. Mas que vista tens, Senhor! Nós apenas ouvimos o barulho, mas nada vemos...”
Mas o barulho parou. Tudo é silêncio e expectativa...
Jesus está bem exposto à luz, sozinho, mas pouco a frente, porque chegou até perto do penhasco, onde foram colocadas as provisões. Os outros, à meia sombra de algumas árvores, desaparecem, confundindo-se com os troncos e as moitas da charneca. Até os meninos se calam, ou porque estão dormindo nos braços de suas mães, oi porque estão com medo do silêncio, dos sepulcros, das estranhas sombras que a lua forma das plantas e dos penhascos.
Mas o leproso deve estar vendo. Está vendo a alta e imponente estatura do Senhor, todo vestido de branco, expondo à brancura do luar. Tudo muito bonito. Os olhares cansados do leproso certamente se cruzam com os olhares resplandecentes de Jesus. Que linguagem estará saindo daquelas pupilas divinas, grandes e fulgentes como umas estrelas? O que sai da boca que se entreabre em um sorriso de amor? Que é que sai do coração, sobretudo do coração de Cristo? Mistério. Um dos muitos mistérios entre Deus e as almas em seus relacionamentos espirituais.
Certamente o leproso compreende, porque ele grita: “Eis o Cordeiro de Deus! Eis Aquele que veio para salvar toda a dor do mundo! Jesus, Mestre, Bendito, nosso Rei e nosso Salvador, tem piedade de mim!
“Que queres? Como podes crer no Desconhecido para ti e ver nele o Esperado? Quem Eu sou para ti? O Desconhecido.”
“Não. Tu és o Filho do Deus vivo. Como eu o sei e o vejo? Isso eu não sei. Mas aqui dentro de mim, uma voz gritou: “Eis o Esperado! Ele veio premiar a tua fé”. Desconhecido? Sim. Ninguém já viu o rosto de Deus. Por isso és o Desconhecido”, em tua aparência. Mas o Conhecido és Tu pela tua Natureza, pela tua Realeza. Jesus, Filho do Pai, o Verbo Encarnado, e Deus como o Pai. Eis ai quem Tu és, e eu te saúdo e peço, crendo em Ti.”
“E, se Eu nada pudesse fazer por ti,e tua fé ficasse desiludida?”
“Eu diria que isso era a Vontade do Altíssimo, e continuaria a crer e a amar, esperando sempre no Senhor.”
Jesus se volta para a multidão que, suspensa, está escutando o diálogo, e diz: “Em verdade, em verdade Eu vos digo que este homem tem a fé que remove montanhas, Em verdade, em verdade Eu vos digo que a verdadeira caridade, a fé, a esperança se provam na dor, mais do que na alegria, visto que o excesso de alegria às vezes, é ruína para o espírito ainda mal formado. Fácil é crer e ser bons, quando a vida não é mais do que um tranqüilo, senão gozoso decorrer de dias iguais. Mas aquele que sabe persistir na fé, na esperança e na caridade, mesmo quando as doenças, as mortes, as desventuras o fazem ficar sozinho, abandonado, evitado por todos, e que só sabe dizer: “Que seja feito o que o Altíssimo julga que é útil para mim”, em verdade este homem não só merece a ajuda de Deus, mas, Eu vo-lo digo, no Reino dos Céus está preparado o seu lugar, e ele não conhecerá permanência no lugar da purificação, porque a sua justiça já anulou todas as dívidas de sua vida passada. Vai em paz, que Deus está contigo.”
E se volta, ao dizer isso, e, com esse seu gesto, quando já está bem perto, bem visível, dá esta ordem: “Eu quero! Que tu fiques limpo!”, e parece que a luz da lua o limpa e o lave com seus raios de prata, tirando dele as pústulas, as úlceras, os nódulos e as crostas da horrenda doença. O corpo se recompõe e readquire todas as formas de um corpo são.
É um velho respeitável, ascético em sua magreza, aquele que tendo sido levado ao conhecimento do milagre pelos gritos de Hosana da multidão, inclina-se para beijar o chão, sem poder tocar em Jesus, nem em nenhum outro homem, antes do tempo prescrito pela Lei.
“Levanta-te. Vão trazer-te uma veste limpa, para que possas ir apresentar-te ao sacerdote. Mas procura andar sempre com a limpeza do teu espírito, diante do teu Deus. Adeus, homem. A paz esteja contigo!”

(de Jesus à Valtorta – O Evangelho como me foi Revelado – Vol. 7-pgs. 122 a 126

TRABALHAR QUANTO MAIS O MAL TRABALHA



TRABALHAR QUANTO MAIS O MAL TRABALHA

TERCEIRO ANO DA VIDA PÚBLICA DE JESUS

Jesus começa a falar:

“Meus filhos. Vós ouvistes que tremendos castigos estão reservados para Jerusalém, para o Israel que não é justo. Mas não vos alegreis com isso. É a nossa Pátria. Não fiqueis alegrando-vos, e pensando: “Nós talvez não ficaremos mais aqui.” Ela está sempre cheia de vossos irmãos. Não digais: “Bem feito para ela, porque é cruel para com o Senhor.” As desventuras da Pátria, as dores dos concidadãos devem sempre afligir aos que são justos. Não fiqueis medindo como os outros medem, mas como Deus mede, isto é, com misericórdia.
Que deveis então fazer para com esta Pátria, para com estes compatriotas, quer se entenda por Pátria e patriotas a grande Pátria e os seus habitantes, toda a Palestina, quer seja esta pequena cidade vossa, que é Cafarnaum, quer sejam compreendidos todos os hebreus ou estes poucos, que me são hostis nesta pequena cidade da Galiléia. Deveis praticar obras de amor. Procurai salvar a Pátria e os compatriotas. Como? Talvez por meio da violência? Ou com o desprezo? Não. Com amor, com um paciente amor, afim de convertê-los para Deus.
Vós ouvistes: “Se Eu encontrar um homem que pratique a justiça, usarei para com ele de misericórdia. Trabalhai, pois para que os corações venham a justiça, se tornem justos. Pois, na verdade, eles em sua injustiça, estão dizendo assim, a meu respeito: “Não é Ele”, e, por isso, crêem eles que perseguindo-me, não lhes advirá disso nenhum castigo. Na verdade, eles dizem: “Estas coisas não acontecerão nunca. Os profetas falaram a toa.”
E procurarão levar-vos a vós também a falar como eles. Vós, que estais aqui presentes, sois fiéis. Mas, onde está Cafarnaum? Isto que Eu estou vendo é toda Cafarnaum? Onde estão aqueles que nas outras vezes Eu via como vinham apinhar-se ao redor de Mim? Então o fermento que cresceu depois da última vez que aqui estive, terá produzido a ruína em muitos corações? Onde está Alfeu? Onde está Josué com seus três filhos? Onde está Ageu do Malaquias? Onde estão José e Noemi? Onde estão Levi, Abel, Saul e Sacarias? Tendo ficado esquecido o evidente beneficio recebido, por que palavras mentirosas vieram colocar-se no lugar deles? Será que palavras podem destruir fatos?
Vós estais vendo! Não é mais do que um pequeno lugar. Neste lugar onde os beneficiados são em maior número, o ódio foi capaz de destruir a fé em Mim. Somente os perfeitos na fé é que Eu estou vendo aqui reunidos. E poderíeis pretender que fatos de outros tempos, palavras antigas, podem manter todo Israel fiel a Deus? Isso deveria acontecer, porque a fé deve ser tal, ainda que não tenha fatos que a sustentem. Mas isto não existe. Quanto maior é a ciência, menor é a fé, porque os doutos se crêem isentos da fé simples e sincera, que crê por força do amor, e não pela ajuda da ciência.
É o amor que precisa estar aceso, e expandir-se. Para fazer isso ele precisa estar aceso antes. É preciso que estejais convictos, para poderdes convencer. Em lugar das grosserias, em resposta aos insultos, humildade e amor. E com estas disposições andar para a frente, lembrando as palavras do Senhor à quem não se lembra mais delas: “Temamos o Senhor que nos dá a chuva da primeira estação e a da última.”
 “Eles não nos compreenderiam! Pelo contrário, até nos ofenderiam, dizendo que somos uns sacrílegos, ensinando sem termos o direito de fazê-lo. Tu não deixas de saber quem são os escribas e os fariseus...”, grita um dos ouvintes.
“Não. Eu o sei. E, mesmo que Eu não o soubesse, agora o estaria sabendo. Mas não nos importa o que eles são. Importa é o que nós somos. Se eles e os sacerdotes batem palmas aos falsos profetas, que profetizam o que lhes dá alguma vantagem, esquecendo-se de que somente às boas obras é que o Decálogo manda bater palmas, nem por isso os meus fiéis devem imitá-los, nem ficar desanimados, nem começar a se considerarem uns derrotados, vós deveis trabalhar quanto mais o Mal trabalha.
...”Vós deveis trabalhar, quanto mais o Mal trabalhar, para edificardes em vós e ao redor de vós, a casa do Senhor, como Eu vos dizia no começo. Fazer com uma grande santidade, que Deus possa descer nos corações, e que não sabe que nimbos sombrios de desventuras se estão formando para ela no setentrião, na nação mais forte, que nos domina, e que sempre mais nos dominará, porque as ações dos cidadãos são tais, que só servem para desgostar o Boníssimo e excitar o forte. E, com a irritação de Deus e do dominador, quereis, por acaso, ter paz e bem-estar? Sede, sede bons, ó filhos de Deus. Fazei que não um, mas cem e mais cem sejam os bons em Israel, para desviar os tremendos castigos do Céu. Eu vos disse no começo que onde não há paz não pode estar a palavra de Deus que, pacificamente ouvida, produza frutos nos corações. E, vede bem que esta nossa reunião não foi tranqüila, nem será frutuosa. Há agitação demais nos corações... Ide. Teremos ainda algumas horas para estarmos unidos. E rezai, como Eu rezo, para que os que nos perturbam se arrependam...”

(de Jesus à Valtorta – O Evangelho como me foi Revelado – Vol. 7, pgs. 97.98,99)