quarta-feira, 26 de junho de 2019

NOSSA SENHORA MÃE DE DEUS






NOSSA SENHORA, MÃE DE DEUS


(O Evangelho como me foi revelado – Maria Valtorta – Vol 1 –pg. 21 a 26)


Ana, com um cântico anuncia que será mãe. No seu ventre está a alma imaculada de Maria.


Revejo a casa de Joaquim e Ana. Nada mudou no seu interior, se tirarem os muitos ramos floridos, colocados em ânforas aqui e ali, fruto das podas feitas nas árvores do pomar em flor: uma nuvem que varia do branco neve ao vermelho de certos corais. O trabalho de Ana também é diferente. Sobre um tear menor, ela tece algumas bonitas telas de linho, e canta, cadenciando o movimento do pé com o canto. Canta e sorri... A quem? A si mesma, a alguma coisa que ela vê no seu interior. Eis o canto, lento mas alegre, que escrevi à parte para segui-lo, porque o repete muitas vezes deleitando-se nisso, sempre mais forte e segura, como quem encontrou um ritmo no seu coração; primeiro o murmura em surdina, depois, segura, canta mais veloz e alto (aqui o transcrevo porque, na sua simplicidade é muito doce):
“Glória ao Senhor onipotente que dos filhos de Davi teve amor. Glória ao Senhor!
A sua suprema graça do Céu me visitou.
A velha planta colocou novo ramo e eu sou bem-aventurada.
Pela festa das Luzes a semente lançou a esperança;
ora a fragrância de Nisam o vê brotar.
Como a amendoeira na minha carne floresce a primavera.
O seu fruto, nesta tarde, ela sente transportar. Naquele ramo há uma rosa, há um pomo dos mais doces.
Há uma estrela reluzente, há uma criança inocente.
Há a alegria da casa, do esposo e da esposa.
Louvor a Deus, ao meu Senhor, que teve piedade de mim.
A sua luz me disse: “Uma estrela virá a ti”. Glória, glória!
Será teu este fruto da planta, primeiro e derradeiro, santo e puro como dádiva do Senhor.
Teu será e por causa dele venha alegria e paz sobre a terra.
Voa, oh lançadeira. O fio sé aperta sobre o tecido da criança. Ele nasce! A Deus glorioso vá o canto do meu coração”.
Joaquim entra quando ela está para repetir pela quarta vez o seu canto.
- Estás feliz, Ana? Pareces-me um pássaro que viu a primavera. Que canto é este? Nunca ouvi. De onde ele vem?
- Do meu coração, Joaquim.
Ana levanta-se e agora se dirige até o esposo, toda risonha. Parece mais jovem e mais bonita.
- Não te imaginava poetisa - diz o marido, olhando-a com clara admiração. Não pareciam dois esposos idosos. Em seus olhares, existia uma ternura de jovens esposos.
- Vim do fundo do pomar ouvindo-te cantar. Eram anos que não ouvia a tua voz de rolinha enamorada. Queres repetir-me aquele canto?
- Eu o repetiria mesmo que tu não me pedisses. Os filhos de Israel sempre confiaram ao canto os clamores mais verdadeiros de suas esperanças, alegrias e dores. Eu confiei ao canto o cuidado de dizer- me e dizer-te uma grande alegria. Sim, também dizer a mim mesma, porque é uma coisa imensa que, por quanto esteja certa, parece-me ainda não ser verdadeira...- e recomeça o canto, mas chegando ao ponto: “sobre aquele ramo há uma rosa, há uma maçã das mais doces, há uma estrela...” A sua voz bem entoada de contralto fez-se primeiro trêmula, depois se rompe e com um soluço de alegria olha Joaquim e, levantando os braços grita:
- Sou mãe meu deleite - E se refugia no seu coração, entre os braços que ele estendeu para encerrarem em torno de sua feliz esposa. O mais casto e feliz abraço que eu jamais vi, desde que estou no mundo. Casto e ardente, na sua castidade. E a doce repreensão entre os cabelos grisalhos de Ana: - E não me disseste antes? - Porque queria estar certa. Velha como sou... Saber-me mãe... Não podia acreditar ser verdade... não queria dar-te uma desilusão mais amarga ainda. Desde fins de dezembro sinto fazerem-se novas as minhas profundas entranhas e brotar, como posso dizer, um novo ramo. Mas agora sobre aquele ramo está seguro o fruto. Vês? Aquele tecido já é para aquele que virá.
- Não é o linho que comprastes em outubro em Jerusalém?
- Sim. Eu o teci depois enquanto esperava. Esperava porque no último dia, enquanto orava no Templo, o maior tempo que pudesse uma mulher ficar na Casa de Deus, até a noite... Tu te recordas que eu dizia: “Ainda, ainda um pouco”. Não podia afastar-me dali sem receber a graça! Pois bem! Na sombra que já descia do interior do lugar sagrado, que eu olhava com atração de alma para arrancar uma anuência do Deus presente, vi partir uma luz, uma centelha de luz maravilhosa. Era alva como a lua, contudo tinha em si as luzes de todas as pérolas e pedras preciosas que existem sobre a terra. Parecia que uma das estrelas preciosas do Véu, daquelas estrelas postas sob os pés dos querubins, se desprendesse uma e se tornasse esplêndida, de uma luz sobrenatural... Parecia partir um fogo para além do Véu sagrado, proveniente da própria Glória, vindo a mim veloz, e ao cortar o ar cantasse com voz celeste dizendo: “O que pedistes venha a ti”. É por isso que eu canto: “Uma estrela virá a ti”. Que filho será esse nosso, que se manifesta como luz de estrela no Templo e que diz: “Eu sou” na festa das Luzes? Que filho fez com que tu tenhas visto em mim uma nova Ana de Elcana? Como chamaremos a nossa criança, que doce como um canto de águas ouço falar-me no ventre com o seu pequeno coração que bate como o de uma rolinha apanhada na cavidade das mãos?
- Se for menino o chamaremos Samuel. Se for menina Estrela. A palavra que fortaleceu o teu canto para dar-me a alegria de saber-me pai. A forma que escolheu para manifestar-se entre a sacra sombra do Templo.
- Estrela. A nossa estrela, porque, não sei, penso que seja mesmo uma menina. Parece-me que carícias tão doces não possam vir senão de uma dulcíssima filha. Eu não a carrego, não tenho nenhum sofrimento. É ela que me carrega sobre uma vereda azul e florida, como se eu estivesse amparada pelos santos anjos e a terra já estivesse longe... Sempre ouvi as mulheres dizerem que conceber e gerar é sinônimo de dor. Mas eu não tenho dor. Sinto-me forte, jovem, fresca, mais do que quando te dei a minha virgindade na juventude distante. Filha de Deus, visto que é mais de Deus do que nossa aquela que nasce de um tronco árido, não dá dores à sua mãe. Ela traz somente paz e bênção: os frutos de Deus, seu verdadeiro Pai. - Então a chamaremos Maria. Estrela do nosso mar, pérola, felicidade. O nome da primeira grande mulher de Israel. Mas esta não pecará nunca contra o Senhor, e só a Ele dará o seu canto porque a Ele é oferecida, como hóstia, antes de nascer.
- A Ele é oferecida, sim. Homem ou mulher que seja, depois de nos alegrarmos por três anos com a nossa criança, nós a daremos ao Senhor. Hóstia também nós com ela, pela glória de Deus.
Não vejo nem ouço mais nada


Diz Jesus:

“A Sabedoria, depois de tê-los iluminado com os sonhos da noite, desceu àquela que é “vapor da virtude de Deus, certa emanação da glória do Onipotente”, e tornou-se Palavra para a estéril. Aquele que agora via próximo o Seu tempo de redimir, Eu, o Cristo, neto de Ana, quase cinqüenta anos depois, mediante a Palavra, farei milagres sobre as estéreis e as doentes, sobre as endemoninhadas, sobre as desoladas, sobre todas as misérias da terra.
No entanto, pela alegria de ter uma mãe, eis que murmuro misteriosamente a Palavra na sombra do Templo, que continha as esperanças de Israel. Templo agora no limiar da sua vida, porque o novo e verdadeiro Templo não contém mais as esperanças de um povo, mas a certeza de um Paraíso para o povo de toda a terra, por todos os séculos até o fim do mundo; Paraíso que está para vir sobre a terra. E esta palavra opera o milagre de tornar fecundo o que era infecundo. Dar-me uma mãe, que não teve apenas ótima proveniência, como era seu destino, nascida de dois santos; não teve somente um aumento contínuo de bondade pelo seu bem querer, não teve somente um corpo imaculado, teve também o espírito imaculado, sendo única entre as criaturas.
Tu vistes a geração contínua das almas de Deus. Agora imagines qual deva ser a beleza desta alma que o Pai almejou antes que o tempo existisse, desta alma que constituía as delícias da Trindade, que ardia por enfeitá-la com as suas dádivas para lhe fazer um dom a Si mesma. Ó toda santa, que Deus criou para Si e depois para refúgio dos homens! Portadora do Salvador, tu fostes a primeira salvação. Paraíso Vivente, com teu sorriso, começastes a santificar a terra.
A alma criada para ser a alma da Mãe de Deus! Quando, de uma mais viva palpitação do Trino Amor, brotou esta centelha vital, jubilaram os anjos, porque o Paraíso nunca viu Luz mais viva. Como pétala de uma rosa, uma pétala imaterial e preciosa que era jóia e chama, que era o hálito de Deus que descia para animar uma carne diferentemente das outras, que descia com fogo tão potente que a Culpa não pode contaminá-la, atravessando os espaços e encerrando-se num seio santo.
Ainda sem saber, a terra já tinha a sua flor. A verdadeira, única flor que floresce eternamente: lírio e rosa, violeta e jasmim, girassol e ciclame fundidos juntos, e com essas todas as flores da terra numa única flor, Maria, na qual se reúne toda virtude e graça.
Em abril, a terra da Palestina parecia um enorme jardim, as fragrâncias e as cores davam delícia ao coração dos homens. Mas a rosa mais bonita ainda era desconhecida. Ela já era florescente a Deus no segredo do ventre materno, já que minha Mãe amou desde que foi concebida, mas só quando a videira dá o seu sangue para fazer vinho, e o perfume dos mostos, açucarado e forte, enche as eiras e as narinas, ela iria sorrir primeiro a Deus e depois ao mundo, dizendo com o seu sorriso super inocente: “Eis que a Videira, que vos dará o Cacho espremido na prensa, como Remédio eterno contra o vosso mal, está entre vós”.
Eu disse: “Maria amou desde que foi concebida”. O que dá ao espírito luz e conhecimento? A Graça. O que leva a Graça? O pecado de origem e o pecado mortal. Maria, aquela sem mácula, nunca foi despojada da lembrança de Deus, da sua proximidade, do seu Amor, da sua Luz, da sua Sabedoria. Ela pôde por isto, compreender e amar até quando era apenas carne em torno de uma alma imaculada que sempre amou.
Depois, faço-te contemplar mentalmente a profundidade da virgindade de Maria. Terás uma vertigem celeste, como quando te fiz entender a nossa eternidade. Por enquanto, considera apenas como o trazer no ventre uma criatura isenta da mácula da ausência de Deus, dá à Mãe uma inteligência superior e a transforma em um profeta, mesmo tendo esta mãe concebido natural e humanamente. O profeta da sua filha, que a chama: “Filha de Deus”. Imagina o que seria se pais inocentes concebessem filhos inocentes, assim como Deus gostaria.
Ó homens, que vos dizeis semelhantes ao “super-homem”, mas com os vossos vícios vos assemelhais unicamente ao “super-demônio”, neste exemplo teríeis encontrado o meio de chegardes ao “super-homem”. Saber permanecer sem a contaminação de Satanás para deixar a Deus a administração da vida, do conhecimento, do bem, não desejando mais do que isto, que é pouco menos que o infinito. Deus vos teria dado poder de gerar em uma contínua evolução até a perfeição, filhos que fossem homens no corpo e filhos da inteligência no espírito, ou seja triunfadores, fortes, gigantes contra Satanás, que seria derrubado muitos milhares de séculos antes da hora em que o será, junto a todo o seu mal”.

O EVANGELHO COMO ME FOI REVELADO – MARIA VALTORTA

sábado, 1 de junho de 2019

COMO DEVEM SER OS SACERDOTES?






COMO DEVEM SER OS SACERDOTES?

(O Evangelho como me foi Revelado – Maria Valtorta – Vol.10 – pg 282 a 286)


Diz Jesus:

“Meus amigos, pensai na vossa dignidade de sacerdotes.
Antes, Eu estava entre os homens para julgar e perdoar. Agora Eu daqui me vou para o Pai. Eu estou de volta para o meu Reino. Não me foi tirada a faculdade de julgar. Ao contrário, ela está toda em minhas mãos, pois o Pai ma deferiu. Mas é um tremendo julgamento. Pois ele acontecerá quando não houver mais possibilidade de fazer-se perdoar com anos de expiação sobre a terra. Cada criatura virá a mim com o seu espírito, quando ela deixar, pela morte material a carne, como uns despojos inúteis. E Eu a julgarei por uma primeira vez. Depois a humanidade voltará com sua veste de carne, recebida de novo por uma ordem do Céu, a fim de ser separada em duas partes: os cordeiros com o Pastor, e os bodes com seu Torturador. Mas, quantos seriam os homens que estariam com o seu Pastor, se, depois do banho do Batismo, eles não tivessem tido mais quem os perdoasse em meu Nome?
É por isso que Eu crio os sacerdotes. Para salvarem os que foram salvos por meu Sangue. Mas os homens continuam a cair de novo na morte. É preciso que quem para isso tem poder os lave continuamente nele, setenta e sete vezes, para que eles não fiquem presos pela morte. Vós e os vossos sucessores fareis isso. Por isso, Eu vos absolvo de todos os vossos pecados. Porque vós tendes a necessidade de ver, e a culpa vos torna cegos, tirando dos espíritos a luz, que é Deus. Porque vós tendes o ministério de purificar, e a culpa emporcalha, porque tira do espírito a pureza, que é Deus.
Grande ministério é o vosso de julgar e absolver em meu Nome!
Quando consagrardes para vós o Pão e o Vinho, e deles fizerdes o meu Corpo e o meu Sangue, fareis uma grande, sobrenaturalmente grande e sublime coisa. Para fazê-la dignamente, deveis estar puros, porque ireis tocar naquele que é o puro, e vos nutrireis da Carne de um Deus. Puros de coração, de mente, nos membros e na língua devereis estar, porque com o coração deveis amar a Eucaristia, e não deverão estar misturados com esse amor celeste os amores profanos, pois seriam sacrilégios. E puros de mente devereis estar, porque devereis crer e compreender esse mistério de amor, já que a impureza por pensamentos mata a Fé e a inteligência. Fica em vós a ciência do mundo, mas morre em vós a Sabedoria de Deus. Puros nos membros devereis ser, porque ao vosso seio descerá o Verbo, assim como desceu no seio de Maria, por obra do Amor.
Tendes o exemplo vivo de como deve ser um seio que acolhe o Verbo, que se faz Carne. O exemplo é a Mulher sem culpa de origem, e sem culpa individual, a Mulher que me trouxe.
Observai como é puro o cume do monte Hermon, quando ele está ainda enfaixado pelo véu da neve invernal, olhado do Monte das oliveiras, ele parece um cúmulo de lírios despetalados, ou de espuma do mar, ajuntada pelo vento do mar, e que se eleva como uma oferta, ao encontro de outro candor, o das nuvens trazidas pelo vento de abril aos campos azuis do céu. Observai um lírio que abre agora a boca de sua corola para um sorriso perfumado. Mesmo assim sendo, tanto uma pureza como a outra são menos vivas do que a do seio materno que me trouxe. A poeira transportada pelos ventos caiu sobre as neves do monte e sobre a seda da flor, o olho humano não a percebe, por ser ela tão fina como é. Mas ela existe, lá está, e mancha o candor.
Outra coisa: olhai a pérola mais pura, que tenha sido tirada do mar, arrancada de sua concha nativa para ir adornar o cetro de um rei. Ela é perfeita em sua irisdescência compacta, que desconhece o contacto profanador de qualquer carne, tendo-se formado ela como podia ser, na cavidade da madrepérola da ostra, e isolada na safira fluídica das profundidades marinhas. Contudo ela é menos pura do que o seio que me trouxe. No centro dela está o grãozinho de areia, um corpúsculo muito miúdo, mas sempre uma coisa da terra. Naquela que é a Pérola do Mar não existe grãozinho de pecado, nem de concupiscência. Como uma pérola nascida no oceano da Trindade para levar à Terra a Segunda Pessoa. Ela é compacta ao redor do seu centro, que não é uma semente de concupiscência terrena, mas uma centelha do Amor Eterno. É uma centelha que, encontrando correspondência nela, gerou os turbilhões da Divina Estrela, que agora chama e atrai os filhos de Deus. Eu, o Cristo, a Estrela da Manhã.
Esta pureza inviolada é a que Eu vou dou para servir de exemplo. Mas quando, mais tarde, como uns vindimadores ao lado de uma tina, vós mergulhardes as mãos no mar de meu sangue, e introduzirdes nelas as estolas corrompidas dos miseráveis que pecaram, sede vós, além de puros, perfeitos, para não vos manchardes com um pecado maior, isto é, com mais pecado, derramando-o, e tocando com sacrilégio no Sangue de um Deus, ou faltando com a caridade e a justiça, negando-o, ou dando-o com um rigor que não é do Cristo, que foi bom para com os maus, a fim de atraí-los ao seu Coração, e três vezes bons para com os fracos, a fim de confortá-los com a confiança, usando deste rigor três vezes erradamente, porque indo contra a minha Vontade, a minha Doutrina e Justiça. Como é que podem ser rigorosos com os cordeiros, se eles são uns pastores ídolos de si mesmos?
Ó meus diletos, meus amigos, que Eu mando pelos caminhos do mundo, a fim de continuarem a obra que Eu iniciei e que será executada, enquanto existir tempo, lembrai-vos destas minhas palavras, Eu vo-las digo a fim de que as digais àqueles que vós consagrareis para o ministério ao qual Eu vos consagrei.
Eu estou vendo... Eu olho através dos séculos... o tempo e as multidões numerosas dos homens que irão existir, estarão todos diante de Mim... Eu estou vendo... as matanças e guerras, a pazes mentirosas e as horrendas carnificinas, o ódio e o latrocínio, a sensualidade e o orgulho. De vez em quando um oásis verde, um período de volta à Cruz. Como um obelisco que parece uma onda pura por entre as áridas areias do deserto, a minha Cruz será levantada com amor, depois que o veneno do Mal tiver tornado doentes de raiva os homens e, ao redor dela, plantai à beira da águas saudáveis, onde florescerão, as palmeiras de um período de paz e de bem no mundo. Os espíritos, como uns veados e gazelas, como umas andorinhas e pombas, irão para aquele repousante, fresco e nutritivo refúgio, para se curarem de suas dores e novamente ficarem esperando. E isso fará que as árvores entrelacem abundantemente os seus ramos, formando uma espécie de cúpula para os protegerem das tempestades e das canículas, e fará que fiquem longe as serpentes e as feras, por meio do Sinal que põe o Mal em fuga. E assim será enquanto os homens o quiserem.
Eu estou vendo... Homens e mais homens... mulheres, velhos, meninos, guerreiros, estudiosos, doutores, camponeses... Todos vêm e passam carregando o seu fardo de esperanças e de dores. Eu vejo como muitos vacilam, porque a dor é demais, e a esperança foi a primeira a desaparecer... do meio da carga pesada demais que, bem grande, caiu e se espalhou pelo chão. E muitos Eu vejo que caem às beiras da estrada, porque muitos, mais fortes ou mais sortudos em seu peso, que é mais leve. E muitos Eu vejo que, sentindo-se abandonados pelos que passam, e até pisados, e que, percebendo que vão morrer, chegam a odiar e a maldizer.
Pobres filhos! Entre esses perseguidos pela vida, que passam ou que caem, o meu amor tem intencionalmente espalhado os samaritanos piedosos, os médicos bons, as luzes da noite, as vozes no silêncio, a fim de que os fracos que caem encontrem uma ajuda, tornem a ver a Luz, tornem a ouvir a voz que lhes diz: “Espera. Tu não estás sozinho. Acima de ti está Deus. Contigo está Jesus.” Eu coloquei intencionalmente essas caridades operantes, para que os meus pobres filhos não morressem em seu espírito, perdendo a morada paterna, mas continuassem a crer em Mim Caridade, vendo nos meus ministros o reflexo de Mim.
Mas, que dor faz sangrar a Ferida do Coração, como quando foi aberta lá no Gólgota! Mas, que é que estão vendo os meus olhos divinos? Será que não há sacerdotes por entre as numerosas turbas que vão passando? Será por isso que sangra o meu Coração? Ou será que estão vazios os seminários? O meu divino convite será que não chega aos corações? Ou o coração do homem não é mais capaz de ouvi-lo? Não. Durante os séculos haverá seminários, e neles haverá levitas. Deles sairão sacerdotes, porque na hora da adolescência, ele terá feito ouvir como aquela voz celeste em muitos corações, e eles terão atendido a ela. Mas outras, muitas outras vozes chegar-lhe-ão depois com a juventude e a maturidade, e a minha voz ficará dominada naqueles corações. A minha voz que, durante séculos, fala aos seus ministros, a fim de que eles sejam sempre o que agora vós sois: os Apóstolos na escola de Cristo. A veste ficou. Mas o sacerdote morreu. Sombras inúteis e escuras não serão uma alavanca que levanta, nem uma corda que puxa, uma forte que dessedenta, um grão que mata a fome, um coração que é uma almofada, uma luz nas trevas, uma voz que repete o que o Mestre lhe diz. Mas eles serão para a pobre humanidade um peso de escândalo, um peso de morte, um parasita, uma putrefação... Que horror! Os Judas maiores do futuro, Eu os terei ainda, e sempre, em meus sacerdotes!
Meus amigos Eu estou na glória e ainda choro. Tenho piedade dessas turbas infinitas, desses rebanhos sem pastores, ou com pastores raros demais. Sinto uma piedade infinita. Pois bem. Eu o juro pela minha divindade, que aos que foram eleitos, Eu lhes darei o pão, a água, a luz, a voz, o que os que foram eleitos para estas obras não querem dar. Eu repetirei através dos séculos o milagre dos pães e dos peixes. Com uns poucos e desprezíveis peixinhos e com uns escassos pedaços de pão, ó almas humildes e leigas. Eu darei de comer a muitos, e com isso eles ficarão saciados, e assim será para os futuros, porque Eu tenho compaixão deste povo, e não quero que ele pereça.
Benditos aqueles que merecem ser tais. Não benditos porque são tais. Mas porque o terão merecido com seu amor e seu sacrifício. E benditos aqueles sacerdotes, que souberam permanecer Apóstolos: pão, água, luz, voz, repouso e remédio para meus pobres filhos. Com uma luz especial eles resplandecerão no Céu. Eu vo-lo juro. Eu, que sou a Verdade.
Levantemo-nos, meus amigos e vinde comigo para que Eu vos ensine ainda a rezar. A oração é o que alimenta as forças do Apóstolo, porque ela o une intimamente com Deus.”

O EVANGELHO COMO ME FOI REVELADO – MARIA VALTORTA