quarta-feira, 21 de novembro de 2018

O VERBO DE DEUS - A LUZ DO MUNDO




O VERBO DE DEUS


506 - No Templo, o contestado discurso que revela em Jesus a Luz do mundo.

Diz Jesus: “ Eu sou a luz do mundo, e quem me segue não caminhará nas trevas, mas terá a luz da vida.” E fica calado, depois de ter enunciado o assunto da pregação, que Ele vai desenvolver, como faz habitualmente, quando está para pronunciar algum grande sermão. Cala-se para dar tempo ao povo de decidir se o assunto lhe interessa, ou não, e dar também tempo àqueles aos quais o tema proposto não interessa, para que se vão embora. Dos ali presentes, ninguém foi-se embora. E até os fariseus, que estavam de pé na porta, ocupados em uma conversação dissimulada e mentirosa, e que se calaram, e forçaram sua entrada na sinagoga, com aquele rompante de costume, abrindo alas para o interior.
Depois que cessou todo aquele barulho, Jesus repete a frase que antes disse, com voz ainda mais forte e continua:
“Eu sou a luz do mundo, sendo Filho do Pai, que é o Pai da Luz. O Filho é sempre semelhante ao Pai que o gerou, e dele tem a mesma natureza. Igualmente Eu a Ele sou semelhante e tenho a natureza daquele que me gerou. Deus, o Altíssimo, o Espírito perfeito e infinito, é Luz de Amor, Luz de Sabedoria, Luz de Poder, Luz de Bondade, Luz de Beleza. Ele é o Pai das Luzes, e quem vive dele e nele, vê, porque está na Luz, assim como é do desejo de Deus que as criaturas vejam. Ele deu aos homens inteligência e sentimento, para que eles pudessem ver a Luz, isto é, a Ele mesmo, e compreendê-la e amá-la. E deu aos homens olhos para que pudessem ver a coisa mais bela entre as coisas criadas, a perfeição dos elementos, aquelas coisas pelas quais se torna visível a Criação, a que é uma das primeiras ações de Deus Criador, e traz o sinal mais visível daquele que a criou, a luz incorpórea, brilhante, extasiante, consoladora, necessária, como é o Pai de todos: Deus Eterno e Altíssimo.
Por uma ordem de seu pensamento, Ele criou o firmamento e a terra, isto é, a massa da atmosfera e a massa do pó, o incorpóreo e o corpóreo, o que é leve e o que é pesado, mas ambos ainda pobres e vazios, ainda informes, porque encobertos pelas trevas e vazios ainda de astros e de vida.
Mas, para dar á terra e ao firmamento sua verdadeira fisionomia, para fazer deles duas coisas belas, úteis, aptas para o prosseguimento da obra criadora, o Espírito de Deus, que pairava sobre as águas, e que fazia um Ser com o Criador que criava e o Inspirador que o impelia a criar, a fim de poder amar não somente a Si mesmo no Pai e no Filho, mas também um número infinito de criaturas com os nomes de astros, planetas, águas, plantas, flores, animais que voam, que saltam, que se arrastam, que correm, que pulam brincando, que sobem e finalmente o homem, o mais perfeito entre as criaturas, mais perfeito que o sol, porque tem a alma; alem de ter a matéria, a inteligência além do instinto, a liberdade além da ordem, o homem semelhante a Deus pelo Espírito, semelhante ao animal pela carne, o semideus que se torna Deus pela graça de Deus e por sua própria vontade, o ser humano que, se quiser, pode transformar-se em Anjo, o mais amado das criaturas sensíveis, pelo qual, mesmo sabendo que é pecador, antes que existisse o tempo, preparou o Salvador, a vítima no Ser amado sem medida, no Filho, no Verbo, pelo qual tudo foi feito, mas para dar á terra e ao firmamento sua verdadeira fisionomia, como Eu dizia, mas que o Espírito de Deus, pairando sobre o cosmo, grita, e é a Palavra que, pela primeira vez se faz ouvir: “Que exista a luz”, e eis a luz, boa, saudável, forte durante o dia, mais atenuada durante a noite, mas imperecível, enquanto existir o tempo.
O oceano de maravilhas, que é o trono de Deus, o seio de Deus. Deus tira a jóia mais bela e é a luz que vem á frente da jóia mais perfeita, que é a criação do homem, no qual não está uma jóia de Deus, mas está o próprio Deus, com o seu sopro inspirado sobre o barro, para fazer dele uma carne, uma vida e um herdeiro no Paraíso Celeste, onde Ele espera os justos e os filhos, para felicitar-se neles, e eles Nele.
Se no início da criação Deus quis a luz sobre suas obras, e se para fazer a luz se serviu de sua palavra, se Deus aos mais amados dá a sua semelhança mais perfeita, a luz, luz material alegre e incorpórea, a luz espiritual sábia e santificante, poderá ter deixado de dar ao Filho do seu amor aquilo que é Ele mesmo? Aquele no qual Ele, desde a eternidade Ele se compraz, o Altíssimo deu tudo, e do tudo Ele quis que fosse a primeira e poderosíssima a Luz, porque sem esperarem subir ao Céu, os homens conhecessem a maravilha da Trindade, o que faz que os céus cantem em alegres coros, cantem pela harmonia de alegria admirável, que sentem os Anjos ao olharem para a Luz, isto é, para Deus, Luz que enche o Paraíso, e o faz ser a felicidade de todos os seus habitantes.
Eu sou a Luz do Mundo. Quem me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da Vida.
Assim como a luz sobre a terra informe permitiu a vida ás plantas e aos animais, assim a minha Luz permite aos espíritos a Vida Eterna. Eu, a Luz que eu sou, crio em vós a Vida e a mantenho, a aumento, vos recrio nela, e vos transformo, vos levo para a morada de Deus, por caminhos de sabedoria, de amor, de santificação. Quem tem em si a luz, tem Deus em si, porque a luz é uma só coisa com a caridade, e quem têm caridade tem a Deus. Quem tem em si a luz, tem Deus em si a Vida, porque Deus está onde é bem acolhido o seu Filho dileto.”
Um dos fariseus diz: “Tu dizes palavras sem fundamento. Quem foi que viu o que é Deus? Nem mesmo Moisés viu a Deus, porque sobre o Horeb, mal ele soube que era Deus que estava falando do meio da sarça ardente, cobriu o próprio rosto. E também nas outras vezes não pôde vê-lo, por entre os fulgores ofuscantes. E, tu dizes que já viste a Deus? A Moisés, que apenas o ouviu falar, ficou-lhe um resplendor no rosto. E tu que luz é que tens no rosto? Tu és um pobre Galileu, de rosto pálido, como a maior parte de nós. Tu és um doente cansado e magro. Em verdade, se tivesse visto a Deus, e Ele te amasse, não serias como um que está para morrer. Queres tu dar a vida, quando não a tens, nem mesmo para ti?”, e sacodem a cabeça, apiedando-se ironicamente dele.
“Deus é Luz, e Eu sei qual é a sua Luz, porque os filhos conhecem os seus pais e porque cada um conhece a si mesmo. Eu conheço a meu Pai, e sei quem Eu sou. Eu sou a Luz do mundo. Eu sou a Luz, porque meu Pai é Luz, e me gerou, dando-me a sua natureza. A Palavra não é diferente do Pensamento, porque a palavra expressa o que o intelecto pensa. E, afinal, vós não conheceis mais os profetas? Não vos lembrais de Ezequiel, e principalmente de Daniel? Descrevendo a Deus, visto na visão, sobre o carro de quatro animais, diz o primeiro: “Sobre o Trono estava um que em seu aspecto parecia um homem e, dentro dele, e ao redor dele, eu vi uma espécie de âmbar amarelo, com uma aparência de fogo, que resplandecia ao redor, com o aspecto do arco-íris, quando se forma na nuvem em dia de chuva. Tal era o aspecto do esplendor ao redor.” E Daniel diz: “Eu estava observando, antes de se terem levantado dos tronos e de ter-se assentado, o Antigo em dias. Suas vestes eram brancas como a neve, e seus cabelos como uma lã alva. Vivas chamas formavam o seu Trono, e as rodas do sei Trono eram fogo ardente. Um raio de fogo escorria velozmente diante de sua face.” Assim é Deus, e assim é que Eu estarei, quando vier julgar-vos.”
O fariseu diz: “O teu testemunho não é válido. Tu dás testemunho de ti mesmo. Por isso, que valor tem o teu testemunho? Para nós ele não é verdadeiro.”
“Ainda que Eu preste testemunho a favor de Mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque Eu sei de onde vim, e para onde vou, mas vós não sabeis nem de onde Eu vim, nem para onde vou. Vós considerais sabedoria o que vedes. Mas Eu conheço tudo o que é desconhecido pelo homem, e vim para que vós também o conheçais. Por isso é que Eu disse que sou Luz. Porque a luz é que faz conhecer o que estava escondido no escuro. No céu há luz, mas na terra domina as trevas, e escondem as verdades aos espíritos, porque as trevas odeiam aos espíritos dos homens e não querem que eles conheçam a verdade, nem as verdades a fim de que se santifiquem. E papa isso é que Eu vim. Para que tenhais a Luz e, portanto a Vida. Mas vós não me quereis acolher. Vós quereis julgar o que não conheceis, e isso não podes julgar, porque está muito mais alto do que vós, e é uma coisa incompreensível para quem quer que não a contemple com os olhos do espírito, um espírito humilde e alimentado pela fé. Mas vós julgais segundo a carne. E por isso não podeis estar na verdade em vosso julgamento Eu, ao contrário, não julgo a ninguém, sempre que Eu possa abster-me de julgar. Eu olho para vós com misericórdia, e rezo por vós. Para que vós abrais à Luz. Mas, quando Eu devo julgar mesmo, então o meu julgamento é verdadeiro, porque Eu não estou sozinho, mas estou com o Pai, que me enviou, e Ele vê, lá de sua glória, o interior dos corações. E, como Ele vê o vosso, vê também o meu. E, se Ele visse em meu coração um julgamento injusto, por amor a Mim e pela honra da justiça, Ele me adverteria. Mas Eu e o Pai julgamos de um só modo, e por isso somos dois, e não somente para julgar e testemunhar. Em vossa lei está escrito que o testemunho de duas testemunhas, que afirmam a mesma coisa, deve-se aceitar como verdadeira e válido. Portanto Eu dou testemunho de minha natureza, e comigo o Pai me enviou testemunhar a mesma coisa. Por isso, o que Eu digo é verdade.”
O fariseu: “Nós não ouvimos a voz do Altíssimo. Tu dizes que Ele é teu Pai...”
“Ele falou de mim no Jordão...”
O fariseu: “Está bem. Mas não estavas Tu sozinho no Jordão. Estava lá também João. Podia estar falando dele. Pois era um grande profeta.”
“Vós vos condenais com vossas próprias bocas. Dizei-me: quem é que fala pelos profetas?”
O fariseu: “O Espírito de Deus.”
“E para vós João era profeta?”
O fariseu: “E um dos maiores, se não o maior.”
“E, então, por que não crestes nas palavras dele, e não credes em nós? Ele me mostrou como o Cordeiro de Deus, que veio cancelar os pecados do mundo. A quem o interrogava se ele era o Cristo, ele dizia: “Eu não sou o Cristo, mas sou aquele que o precede. Atrás de mim vem alguém que na realidade vem a minha frente, porque ele já existia antes de mim, e eu não o conhecia, mas Aquele que se apoderou de mim, desde o ventre de minha mãe, e que me falou no deserto, me disse: “Aquele sobre o qual vires descer o Espírito Santo, É Ele que batizará com o Espírito Santo e com o fogo.” Não vos recordais disso? E, no entanto muitos de vós estáveis presentes... Por que é então que não credes no profeta, que me mostrou, depois de ter ouvido as palavras do Céu? Será que isso é o que Eu devo dizer ao meu Pai, que o seu povo não crê mais nos profetas?”
O fariseu: E onde é que está o teu pai? José, o carpinteiro, dorme, há anos no sepulcro. Tu não tens mais pai.”
“Vós não conheceis nem a mim, nem a meu Pai. Mas, se Me quisésseis conhecer, conheceríeis também o meu verdadeiro Pai.”
O fariseu: “És um possesso e um mentiroso. És um blasfemador, querendo sustentar que o Altíssimo é Teu Pai. E merecias ser apedrejado, como manda a Lei.”
Os fariseus e outros do Templo gritam ameaçadoramente, enquanto as pessoas olham para eles com olhares cheios de ira, querendo defender o Cristo.
Jesus olha para ele, sem acrescentar nenhuma palavra, e depois sai do salão por uma portinha lateral, que dá para um pórtico.

(O Evangelho como me foi Revelado – Maria Valtorta - vol. 8, pgs. 45 a 51)