sábado, 20 de abril de 2019

PORQUE A MULHER NÃO PODE SER SACERDOTISA?






PORQUE A MULHER NÃO PODE SER SACERDOTISA?

Quando Deus em seu pensamento perfeitíssimo, decidiu criar o homem, criou Adão como representante primeiro e representante único desta perfeita criação, fundindo carne e espírito, semelhante ao Criador, no que se refere a espiritualidade. A mulher, foi criação secundária, um complemento para o homem, como diz a Bíblia: “para agradar ao homem”, que se sentia sozinho, mesmo diante de toda a criação divina. Sendo assim Adão adquiriu a responsabilidade de ser representante da raça humana terrestre. Ah! Mas sem a Eva não haveria posteridade humana. A resposta para este questionamento é a de que: a união de macho e fêmea não é a única forma de dar posteridade à uma espécie, porque no pensamento infinito de Deus tudo é possível. Lembrando que no Céu não existe homem e mulher, mas anjos criados pelo Criador, e nós, semelhantes aos anjos celestiais, numa composição espiritual belíssima, conhecida apenas por Deus.
Os representantes de Deus posteriores a Adão, foram homens, mantendo esta disposição divina durante os séculos. E principalmente depois que Jesus instituiu o Missal com a Eucaristia, o Sacrifício Perpétuo, ficou mais evidenciado a necessidade de ser um homem e não uma mulher na celebração desta eterna dádiva divina. O próprio Jesus Cristo foi o primeiro homem a realizá-la, indicando como teria que ser feito. No ritual Eucarístico o pão e o vinho verdadeiramente se transformam sobrenaturalmente, (ocorrendo a transubstanciação) em carne e sangue de Cristo.  E quantos, quantos milagres Eucarísticos confirmam isso. Enfatiza-se esta verdade, porque como sabemos, a mulher é diferente do homem, ela por ter que gerar filhos ao Senhor, durante alguns dias de cada mês,  tem o processo biológico da menstruação. Nesta condição, não se pode permitir que dois tipos de sangue estejam sendo apresentados, durante o Sagrado Rito Eucarístico. O Sacrifício Perpétuo não pode ter concorrência, não pode ser usurpado pela presença de um outro sangue. Seria um sacrilégio, uma ofensa gravíssima a Deus, que nos remete a pensar em outros tipos de cultos não cristãos.
Por mais santa que seja a mulher, não poderá exercer esta magnífica demonstração do Sacrifício de um Deus para com seu povo, onde se apresenta sobrenaturalmente materializado diante dos fiéis. Este é o mais forte motivo da impossibilidade de se ter uma sacerdotisa celebrando um Missal.
Nem mesmo Nossa Senhora, a obra mais perfeita entre as criaturas, e também entre os espíritos, ousou requerer esta ordenação. Existem serviços menores dentro da Igreja, que as mulheres são muito mais capazes, mais adequadas do que o homem para fazê-los, agregando amor, compaixão, amizade, solidariedade, acolhida e unicidade para a grande tarefa, que é trazer novos redimidos ao seio do Senhor.
Outro direcionamento importante que deve ser abordado, é o fato de que o representante de Deus na Terra, que celebrar os Ritos Sagrados da Eucaristia, deve ser ordenado pela Igreja Católica, única Igreja fundada por Jesus. Deve ter plena consciência e conhecimento, do que significa o rito do Missal, e mais ainda, deve ser casto. Porque? Porque a castidade é, aos olhos de Deus, uma devoção sega e irrestrita do Sacerdote, desencadeia uma forte luz de amor absoluto, delicias espirituais emanadas por uma alma pura e inviolável e insuportável para os demônios. Desta forma Deus estará presente para, junto com o Sacerdote, servir a Carne e o Sangue Salvador de seu Filho, aos fiéis na hora da entrega da Comunhão com os homens. E quem recebe esta dádiva divina, o Pão que desceu do Céu, deve estar sem pecado, e se ajoelhar recebendo na boca o santíssimo Cordeiro.
Mais um pensamento que nos remete à inadmissibilidade de sacerdotisas, se deve a atuação do Espírito Santo, desde a fundação da Igreja a 2000 anos atrás, até hoje, nunca instruiu Papas, Cardeais, Bispos, Padres, ou Santos e Mártires, na aceitação de mulheres para esta tarefa. Muito pelo contrário, orientou a não fazê-lo. Jesus já nos disse que depois dele viria o Espírito Santo Paráclito, para continuar a obra de aperfeiçoamento da doutrina cristã, e assim se fez eterna e inalterável. Tudo o que vem de Deus não é temporal, mas eterno, como eterno é o Pai.
Eis o que disse o Papa João Paulo II na “Ordinatio Sacerdotalis”:
“Para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição da Igreja divina, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cf. Lc 22, 32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”.
O Papa João Paulo II na Carta Apostólica “Ordinatio Sacerdotalis” (22 maio 1994), bem como na Encíclica “Mullieris Dignitatem” explicou as razões pelas quais a Igreja nunca teve e nunca terá “sacerdotes femininas”.
“Mas, muitas vezes, infelizmente, há filhos recalcitrantes no erro, que se acham mais sábios e doutos do que a própria Mater Ecclesia, assistida e guiada infalivelmente pelo Espírito Santo, como promessa de Jesus  feita a Pedro (cf. Mt 16,17), aos Apóstolos (cf. Mt 18,18), e reiteradas na Santa Ceia:  “O Espírito Santo ensinar-vos-á toda a verdade” (cf. Jo 14,25; 16,12-13). (Professor Felipe Aquino-Cléofas)

Sendo pois, um assunto diversas vezes comentado e refletido pelos fiéis da Igreja de Cristo, durante estes últimos anos, devido a tentativa de modernização, alteração, ou adulteração da doutrina, por parte de alguns integrantes, inclusive Bispos e Cardeais, influenciados  pela secularização da humanidade, sentem-se seduzidos por mudanças não boas à Santa Igreja.
Humanizá-la, -não percebem eles- é destruir a Igreja. Humanizá-la é agregar conceitos socialistas, que já é defendida pela Teologia da Libertação, uma mistura de cristianismo com comunismo uma bandeira social. Os direitos humanos não tem nada a ver com as Leis de Deus. Uma é humana, a outra é espiritual. Se espiritual é nosso Deus, devemos procurar ser espirituais e não se preocupar com as coisas materiais.
A Abominação para a desolação descrita por Daniel, que seria posta para abolir o Sacrifício Perpétuo, ou seja, desfigurar, dessacralizar o Missal, no final dos tempos, podemos presumir que a ordenação de mulheres seja uma destas abominações, profetizada. Também a admissão de recasados na Comunhão citado no fatídico Amoris Laetitia, defendida pelo Lobo em pele de cordeiro, propagando divisão dentro da Igreja.
Agora em outubro de 2019, no Sínodo da Amazônia estarão dando prosseguimento à destruição do Missal, com o apoio do Falso Papa Jorge Mario Bergoglio e seus seguidores. Será inevitável, porque isso é Profecia. E devemos nos alegrar por vê-la se concretizar, pois somente assim este mundo dominado por Satanás, finalmente terá fim, e veremos Jesus novamente, na nova Terra, totalmente revitalizada.
Que a paz do Senhor esteja em nossos corações.


Antonio Carlos Calciolari  

segunda-feira, 15 de abril de 2019

COM QUE AUTORIDADE JESUS FAZIA TANTAS COISAS?






COM QUE AUTORIDADE JESUS FAZ TANTAS COISAS

( O Evangelho como me foi Revelado – Maria Valtorta – Vl. 9- pg. 348 a 351)

E Jesus dardejando raios com seus íris de safira acesos como um sol, sobre os que haviam chegado, mas especialmente sobre os grupos dos judeus mais influentes, os fariseus e os escribas espalhados pelo meio da multidão. Ninguém diz nada.
“Falai, vós, então. Pelo menos vós, que sois os rabis de Israel. Dizei uma palavra de justiça, que prepare o povo para a justiça. Eu poderia dizer uma palavra não boa, de acordo com o vosso pensamento. Dizei-a então, vós, para que o povo não seja levado ao erro.”
Constrangidos, os escribas respondem assim: “Ele punirá aqueles celerados, fazendo-os perecer de um modo atroz, e dará a vinha a outros colonos que honestamente a cultivem, dando-lhe o produto da terra recebida por eles em consignação.”
“Vós falastes bem. Assim está escrito na Sagrada Escritura: “A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular. Esta é a obra feira pelo Senhor, e é uma coisa maravilhosa aos nossos olhos.” Uma vez que isso está escrito, e que vós sabeis disso, e julgais ser justo que seja atrozmente punidos aqueles colonos que mataram o filho herdeiro do dono da vinha, e que ela seja consignada a outros colonos que honestamente a cultivem, é por isso que Eu vos digo: “Ser-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a outros que nele produzam frutos. E quem cair contra esta pedra se esfacelara, e aquele sobre quem a pedra cair, será esmagado.”
...Eles se limitam a aproximar-se Dele, que agora recomeçou a caminhar para frente e para trás, indo e voltando, escutando isto ou aquilo dos muitos peregrinos, que se dirigiram para o amplo pátio, e dentre os quais muitos lhe pedem algum conselho para casos de consciência, ou para circunstâncias familiares ou sociais, esperando também poder dizer-lhe alguma coisa, depois de o terem ouvido fazendo julgamento sobre algum caso complicado de herança, que produziu divisão e rancor entre os diversos herdeiros, por causa de um filho de pai, que o teve com uma das servas da casa, mas que foi adotado, e os filhos legítimos não o querem com eles, nem como co-herdeiros. Na repartição das casas e dos terrenos, querendo até nem nada ter em comum com o bastardo, e não sabem resolver, porque o pai os fez jurar, antes de sua morte, que assim como ele tinha feito, ao repartir o pão, ele deviam igualmente, repartir a herança com ele em medida igual.
Jesus diz àquele que o interroga em nome dos outros três irmãos: “Sacrificai todos um pedaço de terreno, vendendo-o de tal modo que, o valor do dinheiro atinja a um quinto da importância total, e daí ao filho ilegítimo dizendo-lhe: “Aqui está a sua parte. Não ficas prejudicado no que é teu, nem se contrariou ao desejo de nosso pai. Vai e Deus esteja contigo.” Fazei isso com testemunhas que sejam justas, e ninguém poderá na terra, nem depois desta terra,levantar vozes de reprovação e de escândalo. E tereis a paz entre vós,e em vós não ficareis com o remorso de terdes desobedecido ao vosso pai, e não tendo entre vós um que, mesmo sendo inocente, é para vós causa de perturbação, mais do que um ladrão que tivesse sido posto entre vós.”
O homem diz: “O bastardo, em verdade, roubou-nos a paz em nossa família, a saúde de nossa mãe, que morreu de dor, é um lugar que não é dele.”
“Mas não é ele o culpado, homem! Mas, sim, o homem que o gerou, para entregá-lo á dor e fazer-nos sofrer. Sede, pois, justos para com o inocente, que já esta pagando duramente por uma culpa que não é dele. Não desejais o mal para o espírito de vosso pai. Deus já o julgou. Não são necessários os raios de vossas maldições. Honrai a vosso pai sempre, ainda que ele seja culpado, não por si mesmo, mas porque representou na Terra o vosso Deus, tendo-vos criado por decreto de Deus e sendo o senhor de vossa casa, os pais estão imediatamente depois de Deus. Lembra-te do Decálogo. E não peques. Vai em paz.”
Os sacerdotes se aproximam de Jesus, mas agora para interrogá-lo. “Nós te ouvimos. Falaste conforme a justiça. Foi um conselho que, mais justo nem Salomão seria capaz de dar. Mas agora, dize-nos a nós, Tu que operas prodígios e dás sentenças, que só o sábio rei poderia dar, com que autoridade é que fazes estas coisas? De onde te vem um tal poder?”
Jesus olha fixamente para eles. Ele não está nem agressivo, nem com ar de desprezo, mas como alguém bem aurorizado. Ele diz: “Eu também tenho uma pergunta a fazer-vos e, se me responderdes, Eu vos direi com que autoridade é que Eu, um homem sem autoridade, sem encargos e pobre – porque isto é o que quereis dizer – com que autoridade é que Eu faço estas coisas. Pois bem. Dizei-me, o batismo de João, de onde é que vinha? Era do Céu ou dos homens a autoridade com que João o administrava? Respondei-me. Com que autoridade é que João o administrava como um rito purificador, a fim de preparar-vos para a vinda do Messias, se João era ainda mais pobre e inculto do que Eu, sem exercer nenhum cargo, tendo vivido no deserto desde sua meninice?”
Os escribas e os sacerdotes se consultam uns aos outros. Os que estavam lá presentes, de olhos arregalados e ouvidos bem abertos, prontos tanto para protestar, como para aclamar, se os escribas quiserem desqualificar o Batista ou defender o Mestre, ou se parecem ter ficado derrotados pela pergunta do Rabi de Nazaré, divinamente sábio. E as pessoas se comprimem ao redor dele. É impressionante o silêncio absoluto desta multidão, que está a espera da resposta. É tão profundo o silêncio, que se podem ouvir a respiração e os cochichos dos sacerdotes e escribas, que falam uns aos outros, quase sem usar de palavras, e estão de olhos no povo e, enquanto isso, as pessoas do povo, cujos sentimentos eles bem conhecem, estão prontas para explodir.
E finalmente eles se decidem a responder. Eles se viram para o Cristo, que está encostado a uma coluna, com os braços cruzados sobre o peito, e os está perscrutando, sem perdê-los de vista, e aí eles dizem: “Mestre, nós não sabemos com que autoridade João fazia aquilo, nem de onde é que vinha o seu batismo. Ninguém pensou em perguntar ao Batista, enquanto ele estava vivo, nem ele espontaneamente o disse.”
“Pois nem Eu vos direi com que autoridade faço estas coisas.” E lhes vira as costas, chamando para perto de si os doze, e abrindo ala por entre a multidão que o aclama, e sai do Templo.
Quando já estão lá fora, e tendo já passado pela Piscina Probática, e tendo saído por aquele lado, o Bartolomeu lhe diz: “ Tornaram-se muito prudentes os teus adversários. Talvez eles estejam convertendo-se ao Senhor que te enviou, e reconhecendo-te como o Messias santo.”
“É verdade. Eles não discutiram nem sobre o teu pedido nem sobre a tua resposta”, diz Mateus.
“Assim seja. Seria belo Jerusalém converter-se ao Senhor seu Deus”, diz ainda Bartolomeu.
“Não vos deixeis iludir. Esta porção de Jerusalém não se converterá nunca. Eles não responderam de outro modo, porque têm medo da multidão. Eu estava lendo os pensamentos deles, mesmo quando Eu ouvia suas palavras submissas.”
“E o que eles estavam dizendo?”, pergunta Pedro.
“Diziam isto – Eu desejo que vós saibais, para conhecê-los a fundo e possais dar aos vindouros uma exata descrição dos homens do meu tempo – eles me responderam, mas não por se terem convertido ao Senhor. Mas porque entre si eles diziam assim: “Se nós respondermos: “O batismo de João vinha do Céu, o Rabi nos responderá: “E, então, porque não crestes naquilo que vinha do Céu e indicava a preparação para o tempo do Messias.” E, se dissermos: “Vem dos homens”, então será a multidão que se revoltará, dizendo: “E, então porque é que não credes naquilo que João, o nosso profeta, falou sobre Jesus de Nazaré?” Sobre isso é que eles estavam conversando, não por sua conversão a Deus, mas por um cálculo infame e para não terem que confessar com suas bocas, que Eu sou o Cristo, e faço estas coisas que faço, porque sou o Cordeiro de Deus, do qual falou o Precursor. E também Eu não quis dizer com que autoridade é que faço estas coisas que faço, já muitas vezes Eu o disse, pelo lado de dentro daqueles muros, e por toda a palestina, e os meus prodígios falam ainda mais do que as minhas palavras. Deixarei que falem os profetas e meu Pai, e os sinais do céu. Por que o tempo é chegado no qual todas as coisas se realizarão. As que foram ditas pelos profetas. Porque o tempo é chegado, no qual todos os sinais serão dados. Os sinais dados pelos profetas, os sinais dados pelos símbolos de nossa História e aqueles de que Eu falei: o sinal de Jonas, e não vos lembrais daquele dia em Quedes? E o sinal que Gamaliel está esperando. Tu, Estêvão, tu, Hermes, e tu Barnabé, que deixastes os vossos companheiros hoje para acompanhar-me, certamente muitas vezes ouvistes o rabi falar daquele sinal. Pois bem. Logo será dado o sinal.”
E Jesus se afasta, subindo para o meio dos olivais do monte, acompanhado pelos seus e por muitos discípulos ( dos setenta e dois), além de outros, como José Barnabé, que o vem acompanhando para ouvi-lo falar ainda.

O EVANGELHO COMO ME FOI REVELADO – MARIA VALTORTA

quinta-feira, 11 de abril de 2019

A TARDE NO GETSÊMANI






A TARDE NO GETSÊMANI OS APÓSTOLOS CHAMADOS À REALIDADE DEPOIS DA EBRIEDADE DO TRIUNFO

(O Evangelho como me foi Revelado – Maria Valtorta –Vol. 9- pg. 330 a 334)


Jesus Fala:

“Depois do triunfo desta manhã, bem diferente está o vosso espírito. Que é que Eu devo dizer? Quem é que ficou tranqüilizado? Segundo a humanidade, ficou tranqüilizado. Pois vós, quando estáveis entrando na cidade, estáveis tremendo por causa de minhas palavras. Parecia que cada um estava com medo, por si próprio, dos valentões que estão do outro lado dos muros, sempre prontos a assaltá-lo, ou fazê-lo prisioneiro.
Em cada homem há um outro homem, que se revela nas horas de perigo. Nele há também o herói que se revela nas horas de maior perigo, sai para fora daquele homem manso, que todos sempre olhavam e julgavam não valer nada, o herói que, na hora da luta, diz: “Eis-me aqui!”, e que diz ao inimigo, ao prepotente: “Vem cá! Vem medir-te comigo”. E aí está o santo que, enquanto todos fogem aterrorizados, diante da ferocidade dos que querem fazer vítimas, lhes diz: “Levai-me como refém e como vítima. Eu pagarei por todos.” E aí está o cínico que das infelicidades dos outros quer tirar um proveito para si próprio, e ainda se ri sobre os corpos mortos das vítimas. Aí está o traidor que tem uma coragem, que é própria dele: a de fazer o mal, o traidor, que é como um amálgama do cínico com o velhaco, pois este é também uma das categorias que gostam de se manifestar nas horas dolorosas. Porque cinicamente ele tira proveito de uma desventura e, velhacamente, passa para o partido mais forte, e ousa, contanto que daí leve vantagem, enfrentar o desprezo dos inimigos e as maldições dos abandonados. E, enfim, aí está e é o tipo mais comum, o do velhaco, que na hora séria, só é capaz de ficar se queixando por ter-se dado a conhecer, como sendo de um partido, ou seguidor de um homem, e que agora estão atingidos pela maldição, e tem que fugir... Esse velhaco não é tão delinqüente como o cínico, nem tão repugnante como o traidor. Mas ele mostra a imperfeição de sua natureza espiritual. Vós... sois esses tais. Não digais que não. Eu leio em vossas consciências.
Esta manhã, vós assim pensáveis, falando um com o outro: Que é que nos acontecerá? Teremos que ser levados para a morte nós também. E a parte mais baixa gemia: “E em muito alto grau.” Sim. Ter-vos-ei enganado alguma vez? Desde as minhas primeiras palavras, Eu vos falei de perseguição e morte. E, quando um de vós, por um excesso de admiração quis me ver, e quis apresentar-me como um rei desta terra, sempre pobre, mesmo sendo rei e restaurador do Reino de Israel, Eu logo corrigi aquele erro, e disse: “Eu sou rei do espírito.” Eu ofereço privações, sacrifício e dores. Não tenho outra coisa. Mas depois da minha e da vossa morte, na minha fé, Eu vos darei um Reino eterno: o Reino dos Céus. Será que o que Eu vos disse foi coisa diferente? Não. Vós dizeis que não.
E vós, então, me dizíeis também: “É só isso que queremos. Contigo, como Tu, por Ti queremos viver e ser tratados, e padecer. Pois, sim. Vós faláveis assim. E éreis bem sinceros. Mas era porque somente raciocináveis como crianças, como umas crianças distraídas. Pensáveis que para vós o seguir-me era fácil, e estáveis tão impregnados pela sensualidade, que nem podíeis admitir que fosse verdade aquilo que Eu dizia. Vós pensáveis assim: “Ele é o Filho de Deus. E diz isso para provar o nosso amor. Mas Ele não poderá ser atacado pelo homem. Ele, que opera milagres, fará mais um em seu favor!” E cada um acrescentava: “Eu não posso crer que Ele vai ser traído, preso e morto.” Tão forte era aquela vossa fé humana no meu poder, que chegáveis a não ter fé nas minhas palavras, a Fé verdadeira, espiritual, santa e santificante.
“Ele que faz milagres, irá fazer também um em favor de si próprio!” Era isso que dizíeis. Não um só, mas muitos desses milagres Eu ainda farei. Contudo, dois deles serão tais, como a mente humana nem pode pensar. Serão tais como somente os que acreditam no Senhor poderão admitir. Todos os outros, nos séculos dos séculos, dirão: “É impossível!” E, até depois da morte, Eu serei objeto de contradição para muitos.
Em uma amena manhã de primavera, Eu anunciei do alto de um monte as diversas bem-aventuranças. Há ainda mais uma: “Bem-aventurados aqueles que saberá crer, sem ver.” Eu já disse andando pela Palestina: “Felizes aqueles que ouvem a palavra de Deus, e a observam.” E ainda: “Felizes daqueles que fazem a vontade de Deus.”, e outra e mais outra Eu disse, porque na Casa de meu Pai numerosas são as alegrias que estão esperando os Santos. Mas também esta outra existe. Oh! Felizes daqueles que crerem sem terem visto com os olhos corporais. Muitos santos haverá que, estando na terra, já estarão vendo a Deus, o Deus escondido no Mistério de amor.
Mas vós, depois dos três anos que estais comigo, ainda não chegastes a ter essa fé. E só credes naquilo que vedes. Por isso, a partir desta manhã, depois do triunfo, dizei: “É aquilo que nós dizíamos: Ele triunfa. E nós com Ele.” E, como passarinhos que mudam as penas que foram arrancadas por algum malvado, vós vos pondes a voar, cheios de alegria, seguros, livres daquele aperto que minhas palavras vos haviam posto no coração. Ficareis mais aliviados, então, até no espírito? Não. E neste estais ainda menos aliviados. Porque estais ainda mais despreparados para a hora que está chegando. Vós bebestes os hosanas, como um vinho forte e agradável. E ficais ébrio com ele. Será que um ébrio pode ser um forte? Basta a mãozinha de um menino para fazê-lo cambalear e cair. Assim sois vós. E bastará a aparição dos valentões para fazer-vos fugir como umas tímidas gazelas, ao verem aparecer sobre uma das rochas do monte o focinho aguçado do chacal e, velozes como o vento, elas se dispersam pelas solidões do deserto.
Oh! Tomai cuidado para que não morrais de uma sede horrível sobre aquela areia ardente, que é o mundo sem Deus! Não digais, não digais, ó meus amigos, o que diz Isaías, aludindo a esse vosso estado de espírito falso e perigoso. Não digais: “Este homem só sabe falar de conjuras, mas não é preciso ter-se medo, não é preciso ficar-se espantado. Não devemos temer aquilo que Ele nos profetiza. Israel o ama. E isso nós o vimos. Quantas vezes o tenro pé nu de um pequenino pisa nas ervas floridas do prado, colhendo flores para levá-las à mamãe, e crê encontrar somente caules e flores e, a fim de as levar para a mamãe, quando está quase pondo o calcanhar sobre a cabeça de uma serpente, e leva uma mordida, e morre! As flores escondiam as serpentes. Também esta manhã... Até nesta manhã! Eu sou o Condenado coroado de rosas! Quanto duram as rosas? Que é que sobra depois que sua corola se despetalou? Somente os espinhos.
Isaías o disse – serei para vós, e a vós Eu digo que serei para o mundo santificação, mas também uma pedra de tropeço, pedra de escândalo, um laço e uma ruína para Israel e para a Terra. Santificarei aqueles que tiverem boa vontade e farei cair e ser reduzidos a pedaços aqueles que tiverem má vontade. Os Anjos não dizem palavras de mentira, nem palavras de pouca duração. Eles vêm de Deus, que é Verdade e é Eterno, e o que dizem é verdade e palavra imutável. Eles disseram: “Paz aos homens de boa vontade”, foi quando nascia, ó Terra, o teu Redentor. Mas, para se obter a paz que vem de Deus, isto é, a santificação e a glória, é preciso ter “Boa Vontade”. É inútil o meu nascimento, inútil a minha morte para aqueles que não têm essa boa-vontade. O meu vagido e o meu estertor, o meu primeiro passo e o último, a ferida da circuncisão e a da consumação terão sido em vão, se em vós, se nos homens não houver a boa vontade de se redimir e se santificarem. Eu vo-lo digo: muitíssimos tropeçarão em Mim, que estou posto como uma coluna de sustentação, e não como armadilha para o homem, e cairão porque estão ébrios de soberba, de luxúria, de avareza, e serão pegos na rede de seus pecados, e presos, e entregues a Satanás. Ponde estas palavras em vossos corações e selai-as para os futuros discípulos.
Vamos. A Pedra se levanta. Demos mais um passo para a frente. Para subirmos ao monte. Ele deve estar esplendente, lá no cume, porque ele é Sol, é Luz e é o Oriente. E o Sol já esplende sobre os cumes. Deve ser sobre o Monte, por que o Templo verdadeiro deve ser visto por todo o mundo. E por Mim mesmo. Eu o edifico com a Pedra viva da minha Carne imolada. Eu colo as partes dela com a cal feita de suor e sangue. E ficarei sobre o meu trono, coberto com uma púrpura viva, coroado com uma coroa nova, e aqueles que estão longe virão a Mim, trabalharão no meu Templo, ao redor dele. Eu sou a base e o cume. Mas ao redor se tornará sempre maior, e o tamanho da casa aumentará. Eu mesmo é que trabalharei as minhas pedras, e formarei os meus operários. Como Eu fui tratado pelo Pai e pelo homem e pelo ódio trabalhado a cinzel, assim Eu também os trabalharei. E, então, em um só dia terá sido tirada a iniqüidade da Terra e sobre a pedra do Sacerdote para sempre se voltarão os olhos, a fim de verem a Deus, e desembocarão as sete fontes, para vencerem o fogo de Satanás.
Satanás... Judas, vamos. E lembra-te de que o tempo urge, e que na noite de quinta feira deve ser entregue o Cordeiro.”

O EVANGELHO COMO ME FOI REVELADO – MARIA VALTORTA

segunda-feira, 8 de abril de 2019

JESUS FALA AOS APÓSTOLOS SOBRE SUA PAIXÃO IMINENTE






JESUS FALA AOS APÓSTOLOS SOBRE SUA PAIXÃO IMINENTE


(O Evangelho como me foi Revelado – Maria Valtorta – Vol. 9- pgs. 310 à 315)


“Eu mandei para a frente as mulheres, pois Eu quero falar a vós sozinhos. Nos primeiros tempos em que Eu estava convosco, Eu vos disse: “Não perturbeis à Mãe, contando más ações feitas contra seu Filho.” Pareciam ações muito graves aquelas... Agora, vós três sois testemunhas das ações que foram o começo de uma série, com a qual será levado à morte o Filho do Homem, - tu, João, tu Simão e tu, Judas de Keriot – bem podeis estar vendo como as primeiras eram como uns grãos de areia que estavam caindo do alto, em comparação com a grande pedra, com as grandes pedras que agora já estão sendo usadas. Mas, naquele tempo, o que havia em vós, e, Mim e em minha Mãe era uma falta de preparação para conhecer a maldade humana. Tanto no bem, como no mal. É isto. O homem não chega a ser bom ou mau de repente. Mas sobe ou desce, pouco a pouco. O mesmo acontece com a dor. Agora vós que sois bons, crescestes no Bem, e podeis verificar, sem vos escandalizardes, como teria acontecido naquele tempo, e que ponto de perversidade pode descer o homem que se insataniza, e como Eu e minha Mãe o vemos e podemos suportar, sem com isso morrermos, apesar de toda dor que nos causa o homem. Temos agora a nossa alma robustecida. Todos nós. No Bem, no Mal ou na Dor. Contudo, ainda não chegamos ao cume... Ainda não chegamos ao cume... Oh! Se soubésseis qual é e como é alto o cume do Bem, o do Mal e o da Dor! Mas Eu vos repito as palavras daquele tempo. Não repitais para a Mãe o que o Filho do Homem está para dizer-vos. Ela sofrerá demais. Aquele que deve ser morto bebe a piedosa mistura que atordoa, a fim de poder esperar, sem ficar tremendo a cada instante, a hora do suplício. O vosso silêncio será como a bebida piedosa para Ela, a Mãe do Redentor! Agora Eu quero, a fim de que nada fique escuro para vós, explicar-vos o que significam as profecias. E vos peço que fiqueis comigo, pois Eu quero ficar convosco. Eu sinto necessidade de não ficar sozinho.”
...”Eu quero nesta hora, que ainda me é dada, aperfeiçoar o conhecimento de Cristo em vós. No começo, com o João, o Simão e o Judas, Eu fiz que se conhecesse a Verdade das profecias a respeito do meu nascimento. As profecias me anunciaram como melhor não o poderia pintar nem o mais exímio dos pintores, desde o meu alvorecer, até o fim dos meus dias. Pois o alvorecer, e o fim de cada dia são as duas fases às quais deram mais destaque os profetas. Agora o Cristo que desceu do Céu, o Justo que as nuvens deixaram chover sobre a terra, o Rebento sublime, está para ser morto. Está como um cedro a ser espedaçado pelo raio. Falemos agora de sua morte. Não fiqueis suspirando, nem balançando a cabeça. Não fiqueis murmurando em vosso coração, não maldigais os homens. Isso nada adianta.
Nós estamos subindo para Jerusalém. A Páscoa já está próxima. Este será para vós o primeiro dos meses do ano. Este será para o mundo o princípio de um novo tempo. Que não cessará nunca mais. Inutilmente, de vez em quando, o homem procurara inventar um tempo novo, tendo o nome de um ídolo deles. Serão fulminados e castigados. Não existe mais do que um Deus no Céu e um Messias sobre a terra: o Filho de Deus, Jesus de Nazaré. Ele, visto que de si Ele tudo dá, tudo pode querer, e põe o seu selo real, não sobre aquilo que é carne, mas sobre o que é tempo e espírito.
No décimo dia deste mês, cada um tome um cordeiro por família e por casa. E, se não bastar o número das pessoas da casa para consumar o cordeiro, que ele chame o vizinho com os seus, até o número que seja capaz de consumir todo o cordeiro. Porque o sacrifício e a vítima devem ser completas e consumados. Nem uma migalha deve sobrar deles. E não sobrará. São muitos demais aqueles que desejam alimentar-se com o cordeiro. É um número sem limites, para um banquete também ilimitado no tempo, e não é preciso fazer-se fogo para consumir os restos, porque restos não há. Aquelas partes que tiverem sido oferecidas, e forem rejeitadas pelo ódio, serão consumidas pelo próprio fogo da vítima, isto é, por seu amor.
Eu vos amo ó homens. E vós, meus doze amigos, que Eu mesmo escolhi, vós nos quais estão as doze tribos de Israel, e vós, as treze veias da Humanidade. Tudo Eu reuni em vós, e tudo em vós Eu vejo reunido... Tudo.”
“Mas nas veias do corpo de Adão está também a de Caim. Nenhum de nós levantou a mão contra seu companheiro. Abel, onde está então?, pergunta Iscariotes.
“Tu o disseste. Nas veias do corpo de Adão está também a de Caim. E o Abel sou Eu, o doce Abel, pastor de rebanhos, agradável ao Senhor, porque oferecia as suas primícias ao Senhor, o que era sem imperfeição, pois entre todas as ofertas, oferecia-se antes a si mesmo. Eu vos amo, ó homens. Ainda que não me ameis, Eu vos amo. O Amor é que aumenta e completa a obra dos sacrificadores.
Que o cordeiro seja sem mancha, macho e de um ano. Não há tempo para o Cordeiro de Deus. Ele existe. Igualmente no último dia. E existe igualmente no último dia, como existia no primeiro desta Terra. Aquele que é como o Pai, não conhece em sua natureza divina o que é o envelhecimento. E sua pessoa conhece apenas uma velhice, apenas um cansaço, e é para muitos a desilusão por terem vindo em vão.
Quando souberdes como Eu fui morto, e os outros que virem seu Senhor transformado em um leproso, coberto de chagas, agora estão brilhando com seu pranto ao meu lado, e já não vêem mais esta bela colina, porque o pranto os cega com sua líquida viseira, então dizeis: “Não é disso que Ele morreu, mas por ter sido desconhecido pelos seus mais queridos, e rejeitado por grande parte da humanidade.” Mas, se o Filho de Deus não tem tempo, e por isso Ele é diferente do cordeiro ritual, contudo nisso é igual a Ele, porque é sem mancha, é do sexo masculino e consagrado ao Senhor. Sim. Inutilmente é que os verdugos, isto é, aqueles que me matarão com suas armas, ou por sua vontade ou por traição, quererão se desculpar, dizendo: “Ele era culpado.” Ninguém se for sincero, poderá acusar-me de pecado. Será que vós o podeis?
Estamos na frente da morte. Eu já o estou. E há outros que também o estão. Quem são eles? Não queres saber quem são, Pedro? Todos. A morte vem chegando, pouco a pouco, e arrebata a quem menos a espera. Mas também aqueles que tem ainda muita vida pela frente, de uma hora para outra, estão diante da morte, pois o tempo é como um relâmpago, em comparação com a eternidade, e porque na hora da morte, até a mais longa das vidas se reduz a nada, e as ações dezenas e dezenas de anos que já ficaram para trás, desde aqueles da primeira idade, voltam agora, em grande número para dizerem: “Eis, ontem mesmo estava fazendo isso.” Ontem! Sempre se fala de ontem, quando a gente morre! E sempre é pó tanto a honra como o ouro, pelos quais tanto sofreu a criatura! E perde todo o sabor o fruto, atrás do qual corremos, como uns loucos. Ontem! É sempre ontem, quando se morre. A mulher? A bolsa? A ciência? Que foi que sobrou? Nada! Somente a consciência e o Juízo de Deus, para diante do qual vai a pobre consciência, desamparada pelas proteções humanas e pelas riquezas e carregada somente com as obras que houver praticado.
“Apanhem o seu sangue, e ponham parte dele sobre os umbrais e a arquitrave. E o Anjo, em sua passagem não ferirá as casas nas quais estiver o sinal do sangue. Apanhai o meu sangue. Ponde-o não sobre as pedras mortas, mas sobre o coração morto. É uma nova circuncisão. Eu não ofereço sacrifício com as partes inúteis, mas corto a minha magnífica, sadia e pura virilidade, e faço dela um completo sacrifício, e também dos membros mutilados, das veias abertas, e tomo o meu sangue, para traçar com ele sobre a humanidade anéis de salvação, anéis de eternos esponsais com Deus, que está nos Céus, com o Pai que me espera, e lhe digo: “Eis ai! Agora não podes mais rejeitá-los, porque rejeitarias o teu sangue.”
E Moisés disse: “...E depois mergulhai um pequeno maço de hissopo no sangue e aspergi com ele os umbrais.” Então, será que não basta o sangue? Não basta. Ao meu sangue deve se ajuntar o vosso arrependimento. Sem arrependimento, um arrependimento amargo, mas salutar, inutilmente Eu terei morrido por vós.
Esta é a primeira palavra que no livro fala do Cordeiro Redentor. Mas o Livro está espargido por ela. Assim como a cada novo surgir do Sol, mais perfeita se vai tornando a florescência destes ramos, assim, pouco a pouco, à medida que cada ano sucede aos que já passaram e se aproxima do tempo da Redenção, pode-se já ver como espessa já se vai tornando a florescência.
E Eu agora com Zacarias, vos digo a vós e para Jerusalém: “Eis que o Rei vem, cheio de mansidão, cavalgando uma jumenta acompanhada pelo jumentinho. Ele é pobre.” Mas Ele arruinará os poderosos que oprimem o homem. Ele é manso, e, no entanto, o seu braço levantado para abençoar, vencerá o demônio e a morte. Ele anunciará a paz, pois Ele é o Rei da Paz. “Ele quando estiver pregado, estenderá o seu domínio de um até o outro mar.” Ele não grita nem despedaça, não apaga a chama de quem tem mais fumaça do que luz, daquele que é mais fraqueza do que força, daquele que merece a verdade. “O teu Messias, ó cidade de Sião, o teu Messias, ó povo do Senhor, o teu Messias, ó povo da Terra.”
“Sem ficar triste, nem turbulento”, e vós estais vendo como em Mim não há aquela tristeza, cheia de desgostos, do vencido, nem aquela odiosa do perverso, mas somente a seriedade de quem está vendo até que ponto pode chegar o possuído por Satanás, que está no homem, e vedes como podendo Eu o fazer virar cinza, e isso, só com um ato de minha vontade, Eu, durante estes três anos vim estendendo as mãos, em um gesto de amor, a todos, sem parar, e agora estas minhas mãos terão que se estender para serem feridas! “Sem ser triste ou turbulento, Eu chegarei a estabelecer o meu Reino. É o Reino de Cristo, ao qual está a salvação do mundo.
Diz-me o Pai, o Senhor Eterno: “Eu te chamei, te tomei pela mão, fiz de Ti a Aliança entre os povos de Deus, e te fiz Luz das nações!” E Luz Eu tenho sido. Luz para abrir os olhos dos cegos, palavra para dar fala aos surdos, chave para abrir os cárceres subterrâneos daqueles que estavam nas trevas do erro.
E agora Eu que sou tudo isso, vou morrer. Entro na escuridão da morte. Da morte, entendeis?... As primeiras coisas anunciadas, eis que estão se cumprindo, digo Eu também com o Profeta. As outras, Eu vô-las darei, antes que o demônio nos separe.
Eis Sião, lá no fundo. Ide pegar a jumenta e o jumentinho. Dizei ao homem: “O Rabi Jesus precisa deles.” E dizei a minha Mãe que Eu estou chegando. Ela está sobre aquele outeiro, com as Marias. Está me esperando. É o meu triunfo humano... Que seja também o triunfo dela. Sempre unidos. Oh! Unidos!
E quem é que tem um coração de hiena, a qual, com um golpe de sua pata cheia de garras, arranca o coração do coração materno, isto é, a Mim, que sou seu Filho? Será um homem? Não. Todo homem nasce de uma mulher. E, por uma reflexão instintiva e moral, ele não pode tornar-se feroz para com uma mãe, porque pensa na sua. Portanto o homem não o é. Quem então será? Um demônio? Mas será que um demônio ofende a Vencedora? Para ofendê-la precisa tocar nela. Mas Satanás não suporta a Luz virginal da Rosa de Deus. E então? Quem vós direis que será? Não dizeis nada? Eu, na hora, o direi, o demônio mais astuto se encarnou no homem mais corrompido e, como o veneno contido nos dentes da áspide, fica fechado nele, que pode aproximar-se da Mulher, e assim, traiçoeiramente mordê-la.
Maldito seja o monstro híbrido que é Satanás, e que é o homem! Eu o amaldiçôo? Não. Esta palavra não fica para o Redentor. E, então, Eu digo à alma desse monstro hibrido, o que Eu disse em Jerusalém à monstruosa cidade de Deus e de Satanás: “Oh! Se nesta hora, que ainda te é dada, tu soubesses ver o teu Salvador!” Não há Amor maior do que o meu! E não há maior poder! Até o Pai consente que Eu lhe diga: “Eu quero”, nem Eu sei dizer palavras que não sejam de piedade para com aqueles que caíram e que me estendem seus braços, lá do seu abismo.
Ó alma do maior dos pecadores, o teu Salvador, perto já das soleiras da morte, se inclina sobre o teu abismo, e te convida a que lhe dês a mão. É verdade que não impedirás a minha morte... Mas tu... te salvarias, tu a quem Eu ainda amo, e a alma do teu amigo não tremeria de horror, ao pensar em morrer e com uma morte destas...”
Jesus se cala... Está oprimido...

O EVANGELHO COMO ME FOI REVELADO – MARIA VALTORTA

segunda-feira, 1 de abril de 2019

O ADEUS A LÁZARO






O ADEUS A LÁZARO

(o Evangelho como me foi revelado – Maria Valtorta –Vol 9-pgs. 290 a 300)

“Lázaro, meu amigo, sabes tu quem sou Eu?”
“Tu? Ora, Tu és Jesus de Nazaré, o meu doce Jesus, o meu santo Jesus e meu poderoso Jesus!”
“Isto é o que Eu sou para ti. E para o mundo, quem Eu sou?”
“Tu és o Messias de Israel.”
“E que mais?”
“És o Prometido, o Esperado... Mas, Poe que me perguntas isso? Estarás duvidando de minha fé?”
“Não, Lázaro. Mas Eu quero confidenciar-te uma coisa. Ninguém, sem falar de minha Mãe e de um dos meus, ninguém ainda sabe disso. Minha Mãe, porque ela não deixa de saber nada. E um outro, porque ele participa desse assunto. Aos outros, Eu lhes falei, durante estes três anos em que estiveram comigo, muitas e muitas vezes. Mas o amor deles tem servido de subterfúgio e de cobertura, pairando sobre a verdade que lhes foi anunciada. Eles não puderam entender tudo... E é bom que não tenham entendido, porque, sem isso, para impedir um delito, eles iriam cometer outro. E seria inútil. Porque o que deve acontecer aconteceria com todas as mortes que houvesse. Mas a ti Eu o quero dizer.”
“Duvidas que Eu te ame menos do que eles? De qual delito é que estás falando? Que delito é esse, que deve acontecer? Fala-me, em nome de Deus!”
“Eu falo, sim. Não duvido do teu amor. E tampouco Eu duvido dele, que nele Eu me fio, contando-lhe quais são as minhas vontades.”
“Oh! Meu Jesus! Mas uma coisa dessas só se faz, quando se está para morrer. Eu assim fiz, quando percebi que Tu não vinhas, e que eu tinha que morrer.”
“E Eu devo morrer.”
“Naão!”
“Não grites. Que ninguém te ouça. Eu preciso falar-te a ti sozinho, Lázaro, meu amigo, sabes o que é que está acontecendo neste momento em que estás perto de Mim, com esta amizade fiel, que me tiveste desde o primeiro momento, e que nunca foi perturbada por motivo algum? Um homem, junto com outro homem estão combinando que preço dar ao Cordeiro. Sabes qual é o nome daquele Cordeiro? Seu nome é Jesus de Nazaré.”
“Naão. Inimigos teus existem, é verdade. Mas ninguém pode vender-te. Quem? Quem é?”
“É um dos meus. Não podia deixar de ser, senão um daqueles que Eu fortemente desenganei, e que, cansado de esperar, quer ver-se livre daquele que já não é mais do que um perigo pessoal. Ele pensa em granjear uma estima, conforme ao seu pensamento, no meio dos grandes do mundo. Mas, pelo contrário, ele vai ser desprezado pelo mundo dos bons e até pelo dos delinqüentes. Ele chegou a ficar tão cansado de Mim, que na espera daquilo que, por todos os meios, ele procurou conseguir, isto é, a grandeza humana, procurada por ele antes no Templo, esperando atingi-la agora, com o Rei de Israel, e a está procurando novamente no Templo, e em companhia dos romanos... Ele espera... Mas Roma, que também sabe premiar os seus servos fiéis... sabe pisar, com o seu desprezo, nos vis delatores. Ele está cansado de Mim, de ficar esperando, e do peso que é o procurarmos ser bons. Para quem é mau, o ser bom, e até mesmo ter que fingir que se é bom, já é uma carga de um pesa avassalador. Ela pode ser tolerada por algum tempo... Mas depois... Não se agüenta mais, e se procura ficar livre dela. Livre? Assim pensam os maus. E assim também ele crê. Mas isso não é liberdade. Ser de Deus é que é liberdade. Pois ser contra Deus é um cativeiro, é estar preso aos cepos e as correntes a grandes pesos e debaixo dos açoitamentos, como fazem com o galeote, que tem que ficar sempre junto ao remo, como fazem com o escravo nas construções, que tem que suportar as chicotadas do capataz.”
“Quem é? Dize-o a mim. Quem é?”
“Não adianta.”
“Sim, que adianta. Ah! Não pode ser outro, senão ele: esse homem sempre foi uma mancha entre os das tuas fileiras, o homem que há pouco tempo, ofendeu minha irmã. É Judas de Keriot.”
“Não. Satanás... Deus assumiu uma carne em Mim: Jesus. E Satanás assumiu uma carne nele: Judas de Keriot. Um dia... Há muito tempo... Aqui neste teu jardim, Eu consolei um pranto e desculpei um espírito que caiu na lama. Eu disse que a possessão é um contágio de Satanás, que inocula os seus sucos no ser e o desnatura. Eu disse que isso é o casamento de Satanás com a animalidade de um espírito. Mas a possessão é ainda pouca coisa, em comparação com a encarnação. Eu serei possuído pelos meus santos, e eles serão possuídos por Mim. Mas só em Jesus Cristo está Deus, como está no Céu, porque Eu sou Deus que se fez carne. A Encarnação divina é uma só. Assim também em um só é que estará Satanás, o Lúcifer, assim como ele está em seu reino, porque só no assassino do Filho de Deus é que Satanás está encarnado. Ele enquanto aqui te estou falando, está lá diante do Sinédrio, combinando como vai ser a minha morte, e se empenhando no assunto. Mas não é ele. É Satanás. Agora escuta Lázaro, meu amigo fiel. Eu te peço alguns favores. Tu nunca me negaste nada. O teu amor tem sido tão grande, que sem ultrapassar a linha do respeito, foi sempre ativo a meu lado, com tantas ajudas, ajudas sempre previdentes, e com sábios conselhos, que Eu sempre aceitei, porque Eu via no teu coração um verdadeiro desejo do meu bem.”
“Oh! Meu Senhor! Mas era minha alegria ocupar-me contigo! Que mais farei agora, se não tiver que ocupar-me com o meu Mestre e Senhor? É demais. É pouco demais o que me permitiste fazer. A minha dívida para contigo. que fizeste Maria voltar ao meu amor e à vida honrada, que me fizeste a mim voltar a vida, é uma dívida tão grande que... Oh! Porque me fizeste voltar da morte à vida para fazer-me viver uma hora como esta? Já todo o horror da morte e toda a angústia do espírito, pois fui tentado por Satanás, no momento de apressar-me ao Juiz Eterno, tudo isso eu superei,e eu estava no escuro... Que tens, Jesus? Por que é que estás tremendo e ficando pálido ainda mais do que estavas antes? O teu rosto está mais pálido do que esta rosa branca, que vai murchando à luz da lua. Oh! Mestre! Parece que o sangue e a vida te estão abandonando.”
“De fato, Eu estou como alguém que morre, com suas veias abertas. Toda Jerusalém, e Eu quero dizer com isso: todos os meus inimigos entre os poderosos de Israel, toda Jerusalém está agarrada a Mim, com suas bocas ávidas, e está chupando a minha vida e o meu sangue. Eles querem fazer silenciar esta voz que, durante três anos atormentou, ainda que o fizesse por amá-los... Pois toda palavra minha, mesmo sendo palavra de amor, era sacudida com a intenção de despertar a alma deles, e eles não queriam dar ouvidos a essa sua alma, e a haviam amarrado com sua tríplice sensualidade. E isso não era somente com os grandes. Mas Jerusalém inteira esta para enfurecer-se contra o inocente e querer a morte dele. E, com Jerusalém, toda a Judéia. E com a Judéia a Peréia, a Iduméia, a Decápole, a Galiléia, a Siro-fenícia. Israel inteiro réu-ne em Sião, para a “Passagem” do Cristo desta vida para a morte. Lázaro, tu que morreste e foste ressuscitado, dize-me, que coisa é morrer? Que foi que experimentaste? De que te lembras?”
“Morrer? Não me lembro exatamente como foi. Depois de um grande sofrimento me sobreveio uma grande fraqueza. Parecia-me não estar sofrendo mais e estar somente com um grande sono. A luz e o barulho foram ficando cada vez mais fracos e longínquos. Dizem minhas irmãs que eu dava sinais de um grande sofrimento. Mas eu... disso não me lembro...”
“Está bem. A piedade do Pai faz ficar obtuso para quem está morrendo o uso da inteligência, de tal modo que eles sofrem somente em sua carne, pois ela que tem que ser purificada nessa preparação para o purgatório, que é a agonia. Mas eu... e da morte, não te lembras?”
“De nada, Mestre. Eu tenho uma faixa escura no espírito. Um espaço vazio. Percebo uma interrupção no decurso de minha vida, e não sei como preenchê-la. Não tenho recordações. Se seu olhasse para o fundo daquele buraco escuro, que me encerrou durante quatro dias, ainda que fosse de noite e houvesse sombra nele, eu perceberia, mas não veria o gelo que subia das vísceras para ir soprar em minha face. Isso já seria uma sensação. Mas eu, se pensar bem sobre aqueles quatro dias, não me lembro de nada. De nada. É o que eu tenho a dizer.”
“Pois bem. Os que voltam não podem falar. O mistério se revela a cada um por sua vez para aquele que lá entra. Mas Eu, Lázaro, Eu sei o que vou sofrer. E sei o que sofrerei, com pleno conhecimento. E não haverá nenhuma bebida doce, ou calmante pela qual se me torne menos atroz a agonia. Eu perceberei quando estiver morrendo. E já o estou percebendo. Eu já estou morrendo Lázaro. Como um doente de doença incurável, Eu continuei a morrer, durante estes trinta e três anos. É sempre mais um morrer, se ele for acelerado pouco a pouco, à medida que se vai aproximando aquela hora. Antes já era um morrer somente o saber que Eu tinha nascido para ser o Redentor. Depois veio o morrer de quem se vê combatido, acusado, escarnecido, perseguido, impedido!... Que canseira! Depois... Morrer tendo a meu lado, cada vez mais perto, até chegar a tê-lo agarrado a Mim, como um polvo ao naufrago, aquele que é meu traidor. Que nojo! Agora Eu vou morrer com a mágoa de ter que dizer: “ adeus” aos meus amigos mais caros e a minha Mãe.”
“Oh! Mestre! Tu estás chorando? Sei que choraste também diante de meu sepulcro, porque me amavas. Mas agora... Tu estás chorando de novo. Estás todo gelado. Tens as mãos frias como um cadáver. Tu estás sofrendo. Estás sofrendo demais.”
“Eu sou o Homem, Lázaro. Não sou somente Deus. Do Homem Eu tenho a sensibilidade e os afetos. E minha alma fica angustiada, ao pensar em minha Mãe... Contudo, Eu to digo, tornou-se tão monstruosa esta minha tortura de ter que suportar a presença do traidor, o ódio satânico de todo o mundo, que, se não odeiam, também não sabem amar de fato e chegar a ser como o amado quer e ensina, ao passo que aqui!... Sim, muitos me amam. Mas continuam a ser “o que eram”. Não se transformaram em outros “eus”, por amor de Mim. Sabes quem foi que soube, entre os meus mais íntimos, desnaturar-se para se tornarem de Cristo, como o Cristo quer? Apenas uma: a tua irmã Maria. Ela partiu de uma animalidade completa e pervertida para chegar a uma espiritualidade angelical. E isso somente pela força do amor.”
“Tu a redimiste?”
“A todos Eu redimi com a palavra. Mas somente ela é que mudou totalmente pela atividade do seu amor. E Eu dizia: é tão monstruosa esta minha tortura de ter que sofrer todas estas coisas, que Eu não desejo outra coisa senão que tudo se cumpra. As minhas forças vão diminuindo... Será menos pesada a cruz do que esta tortura do espírito e do sentimento.”
“A cruz? Naão! Oh! Não.”
Jesus se aproxima dele, põe-lhe a mão sobre o ombro sacudido pelos soluços, e lhe diz: “E, então? Deverei ser Eu que morro, Eu que te consolo a ti, que vives? Amigo, Eu preciso de força e de ajuda. E é o que te peço. Não há mais quem possa dar, senão tu. Os outros é bom que nem o saibam. Porque, se soubessem... haveria de correr muito sangue. E Eu não quero que os cordeiros virem lobos, nem mesmo por amor ao inocente. Minha Mãe... Oh! que dor Eu sinto ao falar nela”... Minha Mãe já vive tão angustiada! Também Ela esta para morrer exausta... Há trinta e três anos que Ela também vem morrendo, e agora Ela é toda uma chaga, como a vítima de um suplício atroz. Eu te juro que combati com a mente e com o coração, estando entre a mente e a razão, para decidir se era justo afastá-la, mandá-la de volta para sua casa, onde ela está sempre sonhando com o Amor que a fez ser Mãe, e aprecia o sabor de seu beijo de fogo, estremece no êxtase daquela lembrança, como o ar que está sendo agitado e movido, com um esplendor angelical. Na Galiléia a notícia da morte chegará quase no momento em que Eu poderei dizer a Ela: Minha Mãe, Eu sou o vencedor!” Mas não posso, não posso fazer isso não. O pobre Jesus carregado com os pecados do mundo, tem agora necessidade de um conforto. E minha Mãe é quem o dará a Mim. Este pobre mundo ainda precisa de duas Vítimas. Porque o homem pecou em companhia da mulher. E a mulher tem que redimir, como o homem redime. Mas, enquanto a hora não tiver chegado, Eu darei à minha Mãe um sorriso calmo... Ela está tremendo... Eu o sei. Ela percebe que a tortura vem se aproximando. Eu o sei. E Ela a repele por um natural arrepio e por um santo amor, assim como Eu repilo a Morte, porque sou um “vivo” que deve morrer. Mas ai se Ela soubesse que dentro de cinco dias... Ela não chegaria viva até aquela hora, e Eu a quero viva, para tirar dos seus lábios a força, como tirei vida do seu seio. E Deus a quer sobre o meu Calvário para misturar a água do seu pranto virginal ao vinho do Sangue divino e, assim, celebrar a primeira Missa. Não sabes. Nem podes saber. Será a minha morte aplicada para sempre ao gênero humano, tanto ao que está vivendo, como ao que está penando. Não chores, Lázaro. Ela é forte. Não está chorando. Ela tem chorado durante toda a sua vida de Mãe. Agora não chora mais. Ela se crucificou com o sorriso no rosto... Já viste que rosto Ela tem mostrado nestes últimos tempos? Ela se crucificou com o sorriso no rosto, para me confortar. Eu te pelo que imites minha Mãe. Eu não podia mais guardar o segredo comigo sozinho. Por isso olhei ao redor de Mim, procurando um amigo sincero e firme. E encontrei o teu olhar leal! E Eu disse: “É Lázaro.” Eu, quando estavas com uma pedra sobre o coração, respeitei o teu segredo e o defendi até contra a curiosidade natural do coração. Agora te peço o mesmo respeito para com o meu. Depois... Depois de minha morte, tu o dirás. E contarás este colóquio, para que se saiba que Jesus caminhou consciente para a morte e para as conhecidas torturas, unindo mais esta de não ter ignorado nada, nem quanto às pessoas, nem quanto ao seu destino. Para que se saiba que ainda, enquanto podia salvar-se, não o quis, porque o seu infinito amor pelos homens não tinha outro desejo que não fosse o de consumar o sacrifício de sua vida por eles.”
“Oh! Salva-te, Mestre! Salva-te! Eu te posso ajudar a fugir. Nesta noite mesmo. Uma vez Tu já fugiste para o Egito! Foge também agora. Vem, vamos. Tomemos conosco Maria e minhas irmãs, e vamos. Nenhuma de minhas riquezas me atrai, como Tu sabes. A minha riqueza, a de Maria e de Marta és Tu. Vamos.”
“Lázaro, naquele tempo Eu fugi, porque ainda não era a hora. Agora é a hora. E Eu aqui fico.”
“Então eu vou ficar contigo. Eu não te deixo.”
“Não. Tu ficas aqui. Visto que é concedida uma licença para os que, dentro do espaço de um sábado, possam consumir o cordeiro em sua casa, eis que tu, como sempre, consumirás o teu cordeiro. Mas deixa que as irmãs venham a Mim. Por causa de minha Mãe... Ah! Que coisa te ocultavam, ó Mártir, as rosas do amor divino. O abismo! O abismo! E dele sobem agora, e vão crescendo as chamas do ódio, a morderem teu coração! As irmãs, sim. Elas são fortes e ativas... Mas minha Mãe será como um ser agonizante e inclinado sobre os meus despojos. João não basta. É amor, João. Mas é ainda imaturo. Oh! e ouvir nos próximos dias. Mas a Mulher precisa das outras mulheres para tratarem de suas grandes feridas. Tu as deixarás vir?”
“Mas até tudo o de que precisares. Eu sempre te dei tudo com alegria. E só ficava sentido por quereres tão pouca coisa!”
“Tu o estás vendo. De nenhuma outra pessoa Eu recebi tanto, como dos meus amigos de Betânia Esta tem sido uma das acusações que aquele injusto fez contra Mim, mais de uma vez. Mas Eu sempre encontrava aqui entre vós muita consolação para o Homem por todas as amarguras humanas. Em Nazaré, como Deus achava meu consolo naquela que é a delícia de Deus. E aqui estava o Homem. E Eu, antes de subir para a morte, quero te agradecer como a um meu amigo fiel e amoroso, gentil, dedicado, reservado, douto, discreto e generoso. Por tudo isso Eu te agradeço. E meu Pai, depois te recompensará...”
“Tudo eu já recebi do teu amor e com a redenção de Maria.”
“Oh! Não. Tens ainda muito a receber, e receberás. Escuta. Não percas a esperança assim. Dá-me a tua inteligência, a fim de que Eu possa dizer-te o que Eu ainda vou pedir. Tu ficarás aqui esperando.”
“Não, isto não. Por que Maria e Marta, e não eu?”
“Porque Eu não quero que tu te corrompas, como todos os do sexo masculino se corromperão. Nos dias futuros Jerusalém será tão corrompida como o ar perto de uma carniça podre, que foi pisada pelo calcanhar de um descuidado que ia passando. Ela está cheirando mal e fazendo que assim fiquem os que nela tocam. Os miasmas que dela emanam farão que fiquem loucos até os menos cruéis, até meus próprios discípulos. Eles fugirão. Mas para onde irão eles naquele seu apavoramento? Para a casa de Lázaro. Quantas vezes, nestes três anos, eles vieram até aqui procurar pão, cama, defesa, refúgio e o Mestre. Agora eles voltarão. Como umas ovelhas dispersas pelo lobo, que lhes terá roubado o pastor, elas correrão para um ovil. Reúne-as. Encoraja-as. Dize-lhes que Eu os perdôo. Eu te confio o meu perdão para eles. Eles não terão sossego, por terem fugido. Dize-lhes que não caiam num pecado ainda maior, que é o de perder a esperança do meu perdão.”
“Todos fugirão?”
“Todos, menos João.”
“Mestre. Não me irás pedir que eu acolha Judas? Faze-me morrer de tortura, mas não me peças isso. Muitas vezes senti minha mão tremer no punho de minha espada, ansiosa por acabar com o opróbrio da família, Mas, eu nunca fiz, porque não sou violento. Fui apenas tentado a fazê-lo. Mas eu te juro que, se eu tornar a ver Judas, eu o degolarei, como a um bode expiatório.”
“Não o verás nunca mais. Eu te juro.”
“Ele fugirá? Não importa. Eu disse: “Se eu o vir”. Mas agora eu digo: “Eu irei ao encontro dele, ainda que ele estivesse nos confins do mundo, e o matarei.”
“Não deves desejar isso.”
“Eu o farei.”
“Não o farás, porque aonde ele está tu não poderás ir.”
“Estará ele no seio do Sinédrio? Ou no Santo? Mesmo lá eu o encontrarei. E o matarei.”
“Ele não estará lá.”
“Estará no Palácio de Herodes? Eu serei morto, mas antes o matarei.”
“Estará na casa de Satanás, e tu não estarás nunca na casa de Satanás. Mas termina já com esse pensamento homicida, senão Eu te deixo.”
“Oh!Oh! Mas, se é por Ti...”
Sim. Sou o teu Mestre. Acolherás os discípulos, e os confortarás. E os conduzirás para a Paz. E, mesmo depois... Depois tu os ajudarás. Betânia será sempre Betânia, enquanto o ódio não penetrar neste lar de amor, pensando perder suas chamas, mas, ao contrário, as irá espalhando pelo mundo, a fim de incendiá-lo totalmente. Eu te abençôo Lázaro, por tudo o que fizeste e por tudo o que farás.”
“Nada, nada. Tu me arrebataste das garras da morte, e agora não me permites defender-te. Então, que é que eu fiz.”
“Já me deste as tuas casas. Estás vendo? Isso tinha que acontecer. Meu primeiro alojamento foi em Sião, uma terra que é tua. E o último também será em uma delas. Estava marcado que Eu havia de ser teu hóspede. Mas da morte não poderias defender-me. Eu te perguntei, no começo deste colóquio:
Sabes tu quem Eu sou?

E agora Eu respondo: “ Eu sou o Redentor.” O Redentor deve consumar o sacrifício até á última imolação. Afinal, bem o podes crer. Aquele que vai ser levantado na cruz, e que vai ser exposto aos olhares e aos escárnios do mundo, não será um vivo, mas um morto. Eu já sou um morto. Morto pela falta de amor, muito mais do que pela tortura. E, ainda há mais uma coisa, meu amigo. Amanhã Eu, ao romper do dia, irei a Jerusalém. E tu ouvirás dizer que Sião aclamou como um triunfador ao rei manso que entrará nela cavalgando um jumentinho. Não te iludas por esse triunfo, e não te faça ele pensar que a Sabedoria, que te está falando, foi não sábia nesta plácida tarde. Mais rápido do que um astro, que risca o céu e desaparece por espaços desconhecidos, assim é que desaparecerá o entusiasmo popular, e Eu, daqui a cinco tardes, a esta mesma hora, começarei a ser torturado, depois de receber um beijo traiçoeiro, que abrirá as bocas que desde amanhã vão gritar hosanas, mas que em vozes ferozes e por entre blasfêmias pedirão a minha condenação.

Sim. Tu a terás finalmente, ó cidade de Sião, ó povo de Israel, terás o Cordeiro Pascal! Tu o terás nesse rito que vai acontecer. Ei-lo chegado. Será a Vítima preparada pelos séculos. Foi o Amor que a gerou, preparando para si um tálamo no qual não havia mancha. E o Amor a consome. Eis. É a Vítima consciente. Não é como o cordeiro que, enquanto o açougueiro afia a faca para degolá-lo, ele ainda está pastando as ervas do prado, ou, sem saber de nada, está batendo contra o mamilo redondo de sua mãe.
Mas Eu sou o Cordeiro que, consciente diz: “ Adeus! Para a vida, para a Mãe, para os amigos e vai até o sacrificador, de diz: “ Eis-me aqui! Eu sou o alimento do homem.”

Satanás faz parecer uma fome, que nunca é saciada. E que não pode saciar. Só um alimento há que a sacia, porque ele tira aquela fome. E aquele alimento, ei-lo aqui. Eis aqui, homem, o teu pão. Eis aqui o teu vinho. Consome a tua Páscoa, ó Humanidade!

Atravessa o teu Mar Vermelho, que assim está por causa das chamas satânicas. Tingido com o meu sangue, tu o passarás, ó raça humana, preservada do fogo infernal. Tu podes passar. Os Céus, atendendo aos meu desejos já começaram a entreabrir as portas eternas, Olhai, os espíritos dos mortos! Olhai, ó homens que viveis! Olhai, ó almas que sereis incorporadas nos futuros! Olhai, ó anjos do Paraíso. Olhai, ó demônios do Inferno! Olha ó Pai! Olha, ó Paráclito! A Vítima está sorrindo. Ela não chora mais.

Tudo já foi dito. Adeus, meu amigo. A ti também. Pois Eu não te verei antes da morte. Demo-nos o beijo do adeus. E não fiques duvidando. Eles te dirão: “ Ele era um louco! Era um demônio! Era um mentiroso. Morreu, enquanto vivia dizendo que Ele era a Vida. A eles, e especialmente a ti mesmo, responde: “ Era e é a Verdade, era a Vida. E é o vencedor da Morte. Eu o sei. Ele não pode ser o eterno Morto. Eu o espero. E não se consumirá todo o óleo da lâmpada, que o amigo tem pronta para alumiar o mundo, que foi convidado para as núpcias do Triunfador, quando Ele, o Esposo, voltar. E a Luz, desta vez não poderá mais se apagar.” Acredita nisso, Lázaro. Obedece ao meu desejo. Escutaste este rouxinol como está cantando, depois de ter se calado, por causa do barulho do teu pranto? Também, tu, faze assim. Que a tua alma depois do inevitável pranto sobre o Morto, cante o canto firme de tua fé. Que sejas abençoado. Pelo Pai, pelo Filho e o Espírito Santo.


0 EVANGELHO COMO ME FOI REVELADO – MARIA VALTORTA