sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

EU NÃO TE CONHEÇO






EU NÃO TE CONHEÇO

“...Mas não tenhais dúvida disso. Como diz Jeremias, eles reconhecerão, pelas provações, como é doloroso e amargo terem abandonado o Senhor. Por certos delitos meus amigos, não há salitre nem potassa, que consigam tirar a nódoa que eles deixam, nem mesmo o fogo do inferno é capaz de tirar aquela nódoa. Ela é indelével.
Também aqui é necessário reconhecer a justiça das Palavras de Jeremias. Realmente, os nossos grandes de Israel parecem as jumentas selvagens das quais fala o Profeta, Acostumados com o deserto de seus corações, porque, podeis crer, enquanto alguém estiver com Deus, ainda que seja pobre como Jó, ainda que esteja sozinho, ainda que esteja nu, nunca está sozinho, nunca é pobre, nunca está despojado, nunca é um deserto. Mas eles tiraram Deus dos seus corações, e, por isso se acham num árido deserto. Como as jumentas selvagens, que farejam no vento o cheiro dos machos, que aqui no caso, pela libidinagem deles, tem o nome de poder ou dinheiro, além da luxúria verdadeira e propriamente dita, a acompanham aquele cheiro, até chegarem ao delito. Sim. Eles o acompanham, e ainda mais o acompanharão. Eles não sabem que estão, não com os pés, mas com o coração exposto ás flechas de Deus, que vingará o seu delito. Como, então, não haverão de ficar confusos o rei e os príncipes, os sacerdotes e os escribas que, na verdade disseram e dizem aquilo que nada é, ou, pior ainda, aquilo que é o pecado: “Tu és meu pai. Tu me geraste!”
Em verdade, em verdade, Eu vos digo que Moisés quebrou com ira as tábuas da Lei, ao ver o povo na idolatria e, depois de subir de novo ao monte, orou, adorou e conseguiu. E isto, há muitos séculos. Mas ainda não acabou, nem acabará. Ao contrário, cresce como fermento posto na farinha a idolatria no coração dos homens. Agora, quase cada um dos homens tem seu próprio bezerro de ouro. A Terra é um matagal de ídolos, porque cada coração virou um altar e dificilmente se encontra Deus sobre ele. Quem não tem uma paixão maligna tem outra, quem não tem uma concupiscência tem uma outra com outro nome. Quem não é todo pelo ouro é todo por alguma posição, quem não é todo pela carne é todo pelo egoísmo. Quantos “eu” transformados em bezerros de ouro, não são adorados nos corações! Virá por isso um dia, em que eles, golpeados clamarão ao Senhor e ouvirão dele esta resposta: “Vira-te para os teus deuses. Eu não te conheço.”
Eu não te conheço. Terrível é esta palavra quando dita por Deus a um homem. Deus criou o homem como uma raça, e conhece cada homem em particular. Quando, pois, Ele diz: “Eu não te conheço”, isto é sinal de que Ele apagou com a força de sua vontade, aquele homem de sua lembrança. Eu não te conheço! Será Deus severo demais por proferir este veredicto? Não. O homem gritou ao Céu: “Eu não te conheço!”, e o Céu respondeu ao homem: “Eu não te conheço”, com a fidelidade de um eco. E meditai, o homem é obrigado a conhecer a Deus por um dever de gratidão e por respeito para com a sua própria inteligência.
Por gratidão: Deus criou o homem, dando-lhe o dom inefável da vida e provendo-o do dom superinefável da graça. Perdida esta por própria culpa, o homem ouve que lhe é feita uma grande promessa: “Eu te darei de novo a graça”. É Deus que foi ofendido que fala assim ao seu ofensor, como se fosse Ele, Deus, o culpado, obrigado a dar uma reparação. E Deus mantém a promessa. Eis que aqui estou para dar de novo a Graça ao homem. Deus não se limita a dar o sobrenatural, mas faz descer até nós sua Essência Espiritual, a fim de prover ás grosseiras necessidades da carne e do sangue do homem, dá-lhe o calor do sol, o refrigério da água, os grãos dos cereais, as videiras, as árvores de todas as espécies, os animais de todas as espécies. Assim p homem recebeu de Deus todos os meios para conservar a vida. Deus é o seu benfeitor. É preciso que lhe sejamos reconhecidos e lhe mostremos isso, esforçando-nos por conhecê-lo.
Por respeito Para com nossa própria razão. O mentecapto e o idiota não são gratos para com quem cuida deles, porque não compreendem os cuidados em seu verdadeiro valor, e há quem os lava ou lhes põe a comida na boca, a quem os guia ou os põe na cama, aquém os vigia para que não se exponham aos perigos. Eles ainda lhes tem ódio, porque, bestiais como são por causa de sua doença, acham ainda que aqueles cuidados são torturas. O homem que está em falta contra Deus é alguém que se desonra a si mesmo, a um ser dotado de razão. Só os idiotas e os doidos é que não conseguem distinguir o seu pai de um estranho, o benfeitor de um inimigo. Mas o homem inteligente conhece o seu pai e o seu benfeitor e se compraz em conhecê-lo sempre melhor, mesmo naquelas coisas que ele ignora, porque aconteceram antes que ele nascesse ou que recebesses os benefícios do pai ou do benfeitor. Assim deve-se fazer também com o Senhor, a fim de mostrar-lhe que somos inteligentes, e não brutos. Mas muitos em Israel são semelhantes a estes doidos que não reconhecem o seu pai e o seu benfeitor.
Jeremias pergunta a si mesmo: “Poderá, acaso, a virgem esquecer-se de seus ornamentos e uma esposa do seu cinto?” Oh! Sim. Israel está constituído por estas virgens, por essas esposas impudicas, que se esquecem dos seus ornamentos honestos e da cintura para usarem ouropéis, como as meretrizes. E isso se encontra em medida sempre maior, quanto mais se sobe até as classes que deveriam ser as mestras do povo. E a reprovação de Deus, ---com sua irritação e o seu pranto, ---lhes é dirigida. “Por que te esforças em mostrar tua boa conduta, e procurar amor, tu, que ao contrário, ensinas as malícias e os teus modos de fazer, e fizeste que se encontrassem nas abas das vestes, o sangue dos pobres e dos inocentes?”
Amigos, a distância é um bem e é um mal. Estar muito longe dos lugares, onde com facilidade Eu falo é um mal, porque vos impede de ouvir as palavras da Vida. E vós vos queixais disso. Pois é verdade. Mas é um bem, porque vos conserva afastados dos lugares em que fermenta o pecado, onde ferve a corrupção, onde as ciladas sibilam, tramando contra Mim, estorvando-me em minha obra e insinuando dúvidas e mentiras nos corações a respeito de Mim. Mas Eu prefiro que estejais longe a que estejais corrompidos. Eu proverei á vossa formação. Vós estais vendo que Deus proveu, antes que nós nos conhecêssemos e, por isso, nos amássemos. Eu já era conhecido, antes que nós nunca nos tivéssemos visto. Isaac foi o vosso anunciador. Eu vou mandar muitos Isaaques para dizer-vos as minhas palavras. E ficai sabendo também que Deus pode falar em toda parte a sós com o espírito do homem e fazê-lo crescer em sua doutrina.
Não tenhais medo de que, por estardes sozinhos, isso vos possa fazer cair em erros. Não. Se não quiserdes, não sereis infiéis ao Senhor e ao seu Cristo. Afinal, quem de verdade não pode ficar longe do Messias, fique sabendo que o Messias lhe abre o coração e os braços, e lhe diz: “Vem.” Vinde, vós que quereis vir. Permanecei, vós, que quereis ficar. Mas, pregai o Cristo, tanto uns como os outros, com uma vida honesta. Pregai contra a desonestidade, que se aninha em muitos corações. Pregai isto contra a leviandade dos muitíssimos que não sabem permanecer fiéis e que se esquecem dos seus ornamentos e cintos das almas chamadas para as núpcias com Cristo. Vós me dissestes felizes: “Desde quando Tu vieste, nós não tivemos mais doenças nem mortos. A Tua benção nos protegeu.” Sim grande coisa é a saúde. Mas, fazei que a minha vinda de agora vos faça a todos sãos de espírito, e sempre e em tudo. Para isso, Eu vos abençôo e vos dou a minha paz, a vós e aos vossos filhos, aos campos, ás casas, ás messes, aos rebanhos, ás árvores frutíferas. Servi-vos de tudo isso com santidade, não vivendo para essas coisas, mas por meio delas, dando o supérfluo a quem não tem e adquirindo a medida calcada das bênçãos do Pai, e um lugar no Céu. Ide. Eu fico para rezar...”

(O Evangelho como me foi Revelado – Maria Valtorta – Vol 3-pg. 386 a 389)

sábado, 4 de janeiro de 2020

A DOR É CRUZ MAS TAMBÉM É ASA






A DOR É CRUZ MAS TAMBÉM É ASA


“A paz esteja convosco. Ontem Eu ouvi falar de dois infelizes. Um ainda na aurora da vida e o outro no fim, duas almas que choravam na desolação.
Eu chorei com elas em meu coração, vendo quanta dor existe nesta terra e como só Deus pode aliviá-la. Deus! Só o conhecimento exata de Deus, de sua grande e infinita bondade, da sua constante presença, das suas promessas. Eu vi como o homem pode ser torturado pelo homem e como pode ser atropelado pela morte com desolações. Nas quais trabalha Satanás, para aumentar a dor e para produzir ruínas. Eu disse então a Mim mesmo: “Não devem os filhos de Deus sofrer com esta tortura das torturas. Demos o conhecimento de Deus a quem não o tem, demo-lo de novo a quem o esqueceu, envolvido nas tempestades da dor.” Mas Eu vi também que, por Mim só, Eu não basto mais para satisfazer às infinitas necessidades dos irmãos. E decidi chamar a muitos, em número cada vez maior, a fim de que todos os que têm necessidade do conforto do conhecimento de Deus o possam ter.
Estes doze são os primeiros. Como meus seguidores, são capazes de conduzir a Mim e, por isso, ao conforto todos aqueles que estão encurvados sob os pesos de dores grandes demais. Em verdade, Eu vo-lo digo: “Vinde a Mim todos os que estais angustiados, desgostosos, com o coração ferido, cansados, e Eu compartilharei da vossa dor e vos darei paz. Vinde, por meio dos meus apóstolos, por meio dos meus discípulos e discípulas, que cada dia aumentam com novos voluntários. Encontrareis o consolo em vossas dores, companhia em vossas solidões, o amor dos irmãos para fazer-vos esquecer o ódio do mundo, encontrareis como mais alto do que todos, como mais consolador do que todos, como o companheiro perfeito: o amor de Deus.
Não duvidareis de mais nada. E nunca mais direis: “Para mim tudo acabou!” Mas direis: “Tudo para mi está começando, num mundo sobrenatural, que abole as distâncias e acaba com as separações”, e pelo qual os filhos órfãos serão reunidos aos seus pais, levados ao seio de Abraão, e os pais e as mães, as esposas e os viúvos, reencontrarão os filhos perdidos, e o consorte perdido.
Nesta terra da Judéia, aqui perto de Belém de Noemi, Eu vos lembro que o amor alivia a dor e traz alegria. Olhai vós que estais chorando, para a desolação de Noemi, depois que sua casa ficou sem homens. Ouvi suas palavras de desconsoladas despedidas a órfã e a Rute: “Voltai daqui para a casa de vossa mãe. Que o Senhor use de misericórdia convosco, como vós usastes para com aqueles que morreram e para comigo...” Ouvi as suas cansadas insistências. Já não esperava mais nada da vida aquela que, tempos atrás, era a bela Noemi, e que agora era a trágica Noemi, esmagada pela dor, só esperava voltar aos lugares em que tinha sido feliz no tempo de sua juventude, entre o amor do marido e os beijos dos filhos, para lá morrer. Ela dizia: “Ide, ide. É inútil ficar comigo... Eu estou como morta... Minha vida já não é mais aqui, e sim lá na outra vida, onde eles estão. Não sacrifiqueis mais a vossa juventude ao lado de uma coisa que está morrendo. Porque realmente eu sou “uma coisa”. Tudo me é indiferente. Deus me tomou tudo. Eu sou uma angústia. E faria a vossa angústia, e está me pesaria no coração. E o Senhor me pediria contas. Ele, que tanto já me feriu, porque ter-vos vivas junto de mim já morta, seria um egoísmo meu. Portanto, ide para vossas mães...”
Mas Rute ficou para consolar aquela dolorosa velhice. Rute havia compreendido que há dores sempre maiores do que a nossa, e que sua dor de jovem viúva era menor do que da mulher que havia perdido, além do marido, os dois filhos; assim como a dor do menino órfão, que se vê obrigado a viver pedindo esmolas, sem receber nunca mais as carícias, e nunca mais os bons conselhos, é bem maior do que a da mãe privada dos filhos; assim como a dor de quem, por um complexo de motivos, chega a ter ódio do gênero humano, e vê em cada homem um inimigo, que ele deve temer e do qual se defender é ainda maior do que as outra dores, porque envolve, não somente a carne, o sangue e a mente, mas até o espírito com os seus deveres e direitos sobrenaturais, e o leva a perder-se. Quantas mães sem filhos, e filhos sem mãe há neste mundo! Quantas viúvas sem prole existem, para terem piedade das velhices solitárias! Quantos há, que ficaram privados de seus amores, para se dedicarem totalmente aos infelizes, segundo a necessidade que sentem de amor, combatendo assim o ódio, dando-se a si, dando sempre amor à Humanidade infeliz, que está sempre mais sofrendo, porque está sempre odiando.
A dor é cruz, mas também é asa. O luto despoja, mas é para revestir. Levantai-vos vós que estais chorando! Abri os olhos, saí de vossos pesadelos, saí das trevas, dos egoísmos! Olhai... O mundo é como uma terra árida e inculta, onde se chora e se morre. E ele grita: “Acudi-me!” O mundo grita pela boca dos órfãos, dos doentes, dos que estão sozinhos, dos que não sabem o que fazer, e pelas bocas daqueles que uma traição ou uma crueldade tornaram prisioneiros do rancor. Ide a estes que estão gritando. Esquecei-vos entre os esquecidos. Fazei a cura entre os doentes! Esperai entre os desesperados. O mundo está aberto ás vontades de servir a Deus no próximo e de se conquistar o Céu: a união com Deus e a reunião com aqueles pelos quais choramos. Aqui é o campo das competições. Lá está o triunfo.
Vinde. Imitai Rute, estando ao lado de todas as dores. Dizei, vós também: “Eu estarei convosco até á morte.” E se vos responderem estas desventuras que se julgam incuráveis: “Não me chameis Noemi, mas chamai-me Mara, porque Deus me cumulou de amarguras”, persisti. E Eu, em verdade, vos digo que um dia, pela vossa persistência nessas desventuras ainda exclamarão: “Seja bendito o Senhor, que tirou minha amargura, minha desolação, minha solidão, por obra de uma criatura, que soube fazer sua dor produzir frutos bons. Deus a abençoe para sempre, porque ela foi a minha salvadora.”
O ato bom de Rute para com Noemi, pensai nisso, deu ao mundo o Messias, porque de Davi, filho de Isaí, filho de Obed veio o Messias, como Obed de Booz, Booz de Salmon, Salmon de Naasson, Naasson de Aminadab de Aram, Aram de Esron, Esron de Farés, e eles vieram para povoar os campos de Belém, preparando os antepassados do Senhor. Todo ato bom dá origens a grandes coisas nas quais vós nem pensais. O esforço de alguém contra o seu egoísmo, pode provocar uma tal onda de amor, que é capaz de subir, subir conservando em sua pureza aquele que a provocou, até o ponto de levá-lo ao pé do altar, ao coração de Deus.
Deus vos dê a paz.”


(O Evangelho como me foi revelado – Maria Valtorta – Vol 3, pg 363 a368)

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

NA GRUTA DE BELÉM






NA GRUTA DE BELÉM

Prosseguem a estrada, através do fresco vale que vai na direção leste-oeste. Depois se dirigem levemente para o norte, a fim de costearem uma colina, que vem aparecendo à frente e alcançam assim o caminho que de Jerusalém vai para Belém, justamente perto do cubo encimado por uma pequena cúpula redonda, que é a da tumba de Raquel. Todos se aproximam dela para rezar com reverência.
“Foi aqui que paramos eu e José... Está tudo igual ao que era naquele tempo. Só a estação é que era diferente. Era aquele um dos dias frios do mês de Casleu. Havia chovido e as estradas tinham ficado alagadas. Depois, veio um vento gelado, pois talvez de noite tivesse caído geada. As estradas estavam duras, mas todas com sulcos feitos pelos carros e pelas multidões, e eram como um mar cheio de buracos e o meu burrinho se fatigava muito...”
“E tu não minha Mãe?”
“Oh! Eu Te tinha comigo!...”, e olha para Ele com um rosto tão feliz que comove. Depois toma de novo a palavra: “A tarde já vinha chegando e José estava muito preocupado... Vinha levantando-se um vento cada vez mais forte, um vento que cortava... As pessoas se apressavam a caminho de Belém, esbarrando umas nas outras, e muitos diziam palavras injuriosas ao meu burrinho, porque ele ia muito devagar, procurando os lugares onde podia pôr os cascos. Mas é que ele parecia que soubesse que havia Tu... e que estavas dormindo o teu último sono no berço do meu seio. Fazia frio... Mas o que eu sentia era um forte calor. Eu percebia que vinhas vindo.
“Que vinhas vindo? Poderias dizer: “Eu lá estava minha Mãe, com nove meses.”
“Sim. Mas agora era como se estivesse vindo dos Céus. Os Céus se abaixavam, se abaixavam sobre mim e eu via os esplendores deles... Eu via incendiar-se a Divindade, em sua alegria pelo teu próximo nascimento e aqueles fogos me penetravam, me incendiavam também, me levavam para fora de mim mesma... de tudo... Frio... vento... pessoas... nada! Eu só via a Deus... De vez em quando, com esforço, eu conseguia fazer voltar o meu espírito por sobre a Terra, e sorria para José, que tinha medo de que o frio e a fadiga me fizessem mal, e ia guiando o burrinho com cuidado para que ele não tropeçasse, e me envolvia de novo na coberta, para que não me resfriasse...Mas nada podia acontecer. As sacudidas, eu nem percebia. Parecia-me estar andando por um caminho estrelado, por entre nuvens cândidas e sendo sustentada por anjos... E eu sorria... Primeiro para Ti... Eu olhava para Ti, através da barreira da carne e estavas dormindo com os punhozinhos fechados em teu leitozinho de rosas vivas, meu botão de lírio... Depois, sorria para o esposo, que estava tão aflito, tão aflito, para encorajá-lo. Depois para as pessoas, que ainda não sabiam estarem já respirando na aura do Salvador.
Paramos junto á tumba de Raquel para dar um pouco de descanso ao burrinho e para comer um pouco de pão com azeitonas, que eram as nossas provisões de pobres. Mas eu não tinha fome. Era alimentada pela minha alegria. Pusemo-nos de novo a caminho. Vinde, vou mostrar-vos onde encontramos o pastor. Não tenhais medo de que eu me engane. Eu revivo aquela hora e encontro de novo cada lugar, porque vejo tudo através de uma grande luz angélica. Talvez a multidão angélica esteja de novo aqui, invisível aos olhos dos corpos, mas visível para as almas, com seu luminoso candor e tudo se revela, tudo é mostrado. Eles não podem enganar-se, e me vão conduzindo... para alegria minha e para alegria vossa. Aí está, daquele campo para este, veio Elias com suas ovelhas e José foi pedir-lhe leite para mim. E ali, naquele prado, nós paramos, enquanto ele tirava o leite quente e restaurador, e dava seus conselhos a José.
Vinde, vinde. Ali está, ali está o caminho do último pequeno vale antes de Belém. Fomos por este, porque a estrada principal, nas proximidades da cidade, estava numa grande confusão de pessoas e cavalgaduras.
Eis Belém! Oh! A querida terra de meus pais, que me deste o primeiro beijo de meu Filho! Tu te abriste, boa e fragrante, como o pão do qual tens o nome, para dar o Pãp Verdadeiro ao mundo que está morrendo de fome! Tu me abraçaste como uma mãe, tu, na qual ficou o amor materno de Raquel, terra Santa da Belém Davídica, primeiro Templo do Salvador, a Estrela da Manhã, nascida de Jacó, a fim de mostrar a rota dos Céus a toda a humanidade. Olhai para ele e vede como está bela nesta primavera. Mas, mesmo então, ainda que os campos e os vinhedos estivessem despojados, ela estava bela! Um leve véu de geada voltava a brilhar, a tremuluzir sobre os galhos nus, e eles se tornavam como que polvilhados com diamantes, como se estivessem enrolados em um impalpável véu do Paraíso. Cada casa soltava fumaça por sua chaminé, pois a hora da ceia estava próxima. E a fumaça subindo pela encosta até o perímetro, mostrava a cidade, ela também coberta com um véu. Tudo era casto, recolhido à espera de... de Ti, de Ti Filho. A terra percebia que estavas vindo. E até os belenitas Te teriam percebido, porque maus eles não são, por mais que não o acrediteis. Eles não podiam hospedar-nos. Nas casas de Belém se comprimiam, arrogantes como sempre, surdos e soberbos, aqueles que ainda hoje o são,e esses tais não poderiam perceber a tua presença. Quantos fariseus, saduceus, herodianos, escribas, essênios lá havia! Oh! O serem eles uns obcecados agora, é coisa que já vem de terem sido duros de coração então. Eles fecharam o coração ao amor para com sua pobre irmã naquela tarde... e permaneceram, e permanecem nas trevas. Eles rejeitaram a Deus, desde então, rejeitando o amor ao próximo.
Vinde. Vamos à gruta. Entrar na cidade é inútil. Os maiores amigos do meu Menino já não estão mais lá. Fica a natureza amiga, com suas pedras, com o seu rio e sua lenha para fazer fogo. A natureza que percebeu a vinda do seu Senhor... Então, vinde sem temor. Vai-se por aqui... Lá estão os escombros da Torre de Davi. Oh! Querida por mim mais do que um palácio. Benditas ruínas! Bendito rio! Bendito ramos, para que pudéssemos achar lenha e fazer fogo!”
Maria desce, ligeira para a gruta, atravessa o pequeno rio por uma pinguela que serve de ponte. Corre pelo descampado que está diante dos escombros, cai de joelhos na entrada da gruta, inclina-se e beija o chão. Acompanham-na todos os outros. Estão comovidos.
... Maria torna a levantar-se, e entra dizendo: “Tudo, tudo como naquele tempo!... Só que naquele tempo era noite. José fez fogo quando entrei. Então, só então, descendo do burrinho é que eu senti como estava cansada e gelada. Um boi me saudou e eu fui até ele para sentir um pouco de calor e para descansar sobre o feno. Aqui onde estou, José espalhou mais feno, para fazer-me uma cama e o enxugou para mim, como para Ti meu Filho, diante das chamas do fogo aceso naquele canto... pois José era bom como um pai, em seu amor de esposo-anjo. E, segurando-nos pelas mãos, como dois irmãos perdidos no escuro da noite, comemos nosso pão e queijo. Depois, ele foi avivar o fogo, tirando o seu capote para tapar a abertura. Na verdade, desceu um véu diante da glória de Deus, que descia dos Céus, e eras Tu, meu Jesus... e eu fiquei sobre o feno, AL calor dos dois animais, envolvida em meu manto e com a capa de lã. Ó meu querido esposo! Naquela hora de ânsia e de temor na qual eu estava sozinha, diante do mistério da primeira maternidade, que é plena do desconhecido para uma mulher, e para mim, naquela única maternidade, plena também de mistério, como teria sido o de ver o Filho de Deus saindo da carne mortal, ele, José, foi para mim como uma mãe, foi um anjo... foi o meu conforto... então e sempre.
Depois veio o silêncio e o sono que envolveram a José, para que ele não visse aquilo que era para mim o beijo diário de Deus. E para mim, depois de um intervalo para as necessidades humanas, sobrevêm-me as ondas desmesuradas de um êxtase, vindas do mar do Paraíso e que me elevaram de novo para cima das cristas luminosas, cada vez mais altas, levando-me para cima, mais para cima consigo, para um oceano de luz, de luz, de alegria, de paz, de amor, até que me encontrei perdida no mar de Deus, do seio de Deus. Uma voz veio ainda da terra: “Estás dormindo, Maria?” Oh! Ela vinha de tão longe!. Parecia mais um eco, uma lembrança da terra! E tão fraca que a alma não se agita, e nem sei com que palavras respondi enquanto subo, vou subindo ainda por este abismo de fogo, de felicidade infinita, de uma precognição de Deus... até Ele... Oh! Mas és Tu que nasceste, ou sou eu que nasci dos trinos fulgores, naquela noite? Fui eu que Te dei, ou foste Tu que me deste o sopro da vida? Eu não sei.
Depois a descida, de um coro a outro coro, de um astro a outro astro, de um estrato a outro estrato, doce, lenta, feliz, tão plácida como uma flor levada para o alto por uma águia e depois solta no ar e vai descendo lentamente nas asas do ar, tornando-se mais bela por uma gota de chuva que brilha como uma pedra preciosa, por um pedacinho de arco-íris arrebatado ao céu, esse reencontra no torrão natal. É o meu dilema: Tu! Tu sobre o meu coração.
Sentada aqui, depois de ter-te adorado de joelhos, eu te amei. Finalmente, Te pude amar sem as barreiras da carne, e daqui eu me movi para levar-te ao amor daquele que, como eu, era digno de estar entre os primeiros a amar-te. E aqui, entre duas rústicas colunas, eu te ofereci ao Pai. E foi aqui que descansaste, pela primeira vez, sobre o coração de José. Depois, eu te enfaixei e , juntos nós te colocamos aqui. Eu te balançava, enquanto José enxugava o feno ao fogo e o conservava quente, para depois pô-lo sobre o teu peito e, em seguida,ficávamos te adorando nós dois, assim inclinados sobre Ti como agora, bebendo a Tua respiração, olhando até que aniquilamento do amor pode conduzir, chorando as lágrimas que certamente no Céu se choram pela alegria inexaurível de ver sempre a Deus.”
Naquela sua revogação, Maria ia e vinha, mostrando os lugares, ardente em seu amor, com um brilho de lágrimas em seus olhos azuis e um sorriso de alegria em sua boca, inclinando-se de verdade sobre o seu Jesus, que agora está ali sentado sobre uma pedra grande, enquanto Ela vai-se lembrando de tudo e o beija por entre os cabelos, chorando e adorando-o.
“E depois os pastores que entravam aqui para adorar, com seu bom coração e com grande suspiro da terra, que aqui com eles entrava, com aquele odor de humanidade, de rebanhos e de feno. Fora e por toda parte, os anjos para adorar-te com seu amor, os cantos deles que a criatura humana é incapaz de repetir, e com o amor dos Céus, com aquele ar de Céu que entrava com eles, traziam junto com seus fulgores. Foi o teu nascimento bendito!”
Maria ajoelhou-se ao lado do Filho, e está chorando de emoção, com a cabeça inclinada sobre os joelhos dele. Ninguém, por algum tempo teve a coragem de falar. Mais ou menos emocionados, os presentes olham ao redor, uns para os outros, como se, por entre as teias de aranha e as pedras escabrosas, eles esperassem ir vendo pintada a cena que havia sido descrita.
Maria recobra a coragem e diz: “Eis. Eu falei do infinitamente simples e infinitamente grande nascimento do meu Filho. Com meu coração de mulher, mas não com a sabedoria de mestre. Outra coisa não há, porque foi a coisa maior da Terra, escondida por debaixo das mais comuns aparências.”
Mas, e o dia seguinte? E depois dele?, perguntam muitos, entre os quais as duas Marias.
“No dia seguinte? Oh! Muito simples! Fui a mãe que dá o leite ao seu menino, que o lava e enfaixa, como fazem todas as outras mães. Eu esquentava a água buscada no rio, sobre o fogo que era aceso ali fora, a fim de que a fumaça não fizesse aqueles dois olhinhos azuis chorar , depois, no canto mais abrigado da gruta, em uma velha gamela eu lavava o meu Filho e o enrolava em panos frescos. Depois eu ia ao rio lavar os paninhos e os estendia ao sol. Em seguida, alegria das alegrias, eu punha Jesus ao peito e Ele sugava, tornando-se mais corado e feliz. No primeiro dia, á hora do maior calor, fui sentar-me ali fora para vê-lo bem. Aqui a luz não entra direta, mas se filtra e as chamas dão as coisas uma aparência esquisita. Eu fui lá para fora, ao sol, e olhei para o Verbo Encarnado. Foi então que a Mãe conheceu o Filho, a Serva de Deus ao seu Senhor. Ai eu fui mulher e adoradora. Depois a casa de Ana, aqueles dias junto ao teu berço, os teus primeiros passos, a primeira palavra. Mas isso foi depois, a seu tempo. E nada, nada foi igual à hora do teu nascimento. Só ao retorno para Deus reencontrarei aquela plenitude.”

(O Evangelho como me foi Revelado – Maria Valtorta – Vol. 3 pg. 341 a 346)

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

A PARÁBOLA DO TRIGO E DO JOIO







A PARÁBOLA DO TRIGO E DO JOIO



Mas as pessoas já estão se reunindo no pequeno jardim da casa do Elias, e estão reclamando a palavra do Mestre. E, ainda que Jesus não esteja muito disposto a fazê-lo, entristecido como está por causa da prisão do Batista e pelo modo como ela foi feita, contudo Ele se dá por vencido e, á sombra das árvores, começa a falar.
“Ainda neste belo tempo dos trigais que estão soltando espigas, Eu vos quero propor uma parábola, tomada dos grãos. Ouvi-a.
O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente em seu campo. Mas, enquanto o homem e sés empregados dormiam, veio um inimigo dele, espalhou sementes de joio nos sulcos e foi-se embora. A principio ninguém percebeu nada. Veio o inverno com as chuvas e as geadas, veio o fim do mês de Tebet, e as sementes germinaram. Era um verdor de grandes folhas tenras, que mal vinham despertando. Em sua infância inocente, pareciam todas iguais. Veio o mês de Shebat, depois o de Adar, e as plantas se formaram, e começaram a mostrar suas espigas. Aí é que se viu que aquele verdor não era só do trigo, mas também do joio, que estava bem enroscado, com seus tentáculos, fininhos e pegajosos, nas hastes do trigo.
Ao verem isso, os empregados foram à casa do patrão e lhe disseram: “Senhor, que semente foi que semeaste? Não foi uma semente escolhida, separada de quaisquer outras sementes, que não fossem as do trigo?”
“Certamente que foi. Eu escolhi os grãos todos iguais em sua formas. E, se houvesse outras sementes, eu as teria visto.”
“E, como é, então, que nasceu tanto joio no meio do trigo.”
O Patrão pensou, depois disse: “Algum inimigo meu fez isso para prejudicar-me.”
E os empregados ainda lhe perguntaram: “Não queres que nós vamos por entre os sulcos e, com paciência, apanharemos as espigas do joio e arrancaremos. Manda que iremos fazer.”
Mas o patrão lhes respondeu: “Não. Vós poderíeis ao fazer o que dizeis, arrancar junto o trigo e, quase com certeza, ofenderíeis as espigas ainda tenras. Deixai, pois que um e outro fiquem juntos até o fim da colheita. Naquela ocasião, eu direi aos ceifadores: “Passai a foice em tudo junto; depois, antes de amarrar os feixes, agora que a secura do tempo tornou quebradiças as hastes do joio e que, ao mesmo tempo já estão bem formadas e duras as espigas, agora sim, separai o joio do trigo, e fazei com ele uns feixes à parte. E vós os queimareis depois, e eles vão servir de adubo para o solo. Ao mesmo tempo, vós levareis o trigo puro para os celeiros, e ele vai servir para se fazer um pão muito bom, e para humilhar o inimigo, que só terá ganhado isto: ficar abjeto aos olhos de Deus pelo seu ódio.”
Agora, refleti entre vós como frequentemente acontece, e como é grande a semeadura do Inimigo em vossos corações. E compreendei como é preciso vigiar, com paciência e constância, para fazer que seja pouco o joio que se misture ao trigo escolhido. A sorte do joio é ser queimado. Quereis vós ser queimados, ou tornar-vos cidadãos do Reino? Pois bem. Que saibais sê-lo. O bom Deus dá a Palavra. O Inimigo está vigiando para torná-la nociva, por que a farinha de trigo misturada com a farinha de joio dá um pão amargo e que faz mal ao estômago. Que saibais com boa vontade, se houver joio em vossa alma, separá-lo para jogá-lo fora, a fim de que não sejais indignos de Deus.
Ide meus filhos. A paz esteja convosco.”
As pessoas vão-se afastando lentamente. No pequeno jardim ficaram os oito apóstolos com Elias, seu irmão, a mãe e o velho Isaac, que sente sua alma alimentar-se, quando olha para seu Salvador.
“Vinde ao redor de Mim, e ouvi. Eu vos explico o sentido completo da parábola, que tem ainda dois aspectos. Além daquele de que Eu falei à multidão.
Em um sentido universal, a parábola tem esta aplicação: o campo é o mundo. A semente boa são os filhos do Reino de Deus, semeados por Deus sobre o mundo, à espera de chegarem ao seu limite, quando serão cortados pela Falcífera, e levados ao Dono do mundo, para que os coloque de novo em seus celeiros. O joio são os filhos do Maligno, espalhados, por sua vez, pelo campo de Deus, com a intenção de causar tristeza ao Dono do mundo e de estragar as espigas de Deus. O Inimigo de Deus o semeou de propósito, por meio de um sortilégio, porque o diabo verdadeiramente desnatura o homem, até fazer dele uma criatura sua, e esta semeia, para levar para fora do caminho a outros, que ele não foi capaz de tornar seus escravos de outro modo. A colheita, ou melhor, a formação dos feixes e o transporte dos mesmos até os celeiros é o fim do mundo. E os que fazem essa tarefa são os anjos. A eles foi mandado que reúnam as criaturas cortadas, e separem o trigo do joio e, como na parábola este é queimado, assim serão queimados no fogo eterno os condenados, no Juízo Final.
O Filho do homem mandará que sejam tirados do seu Reino todos os causadores de escândalos e de iniqüidades. Porque então o Reino será no Céu e na terra, e entre os cidadãos do Reino na terra estarão misturados muitos filhos do Inimigo. Estes atingirão, como foi dito também pelos Profetas, a perfeição do escândalo e da abominação em todos os ministérios da terra, e darão grandes aborrecimentos aos filhos do espírito. No Reino de Deus, nos Céus, já terão sido expulsos os corruptos, porque a corrupção não entra no Céu. Agora, pois, os anjos do Senhor, impunhando a foice por entre as fileiras da última colheita, cortarão e separarão o trigo do joio, e jogarão este na fornalha ardente, onde há choro e ranger de dentes, mas levando consigo os justos, o trigo escolhido, para a Jerusalém Eterna, onde eles brilharão como sóis no Reino de meu e vosso Pai.
Isto no sentido universal. Mas para vós há um outro ainda, e vem responder às perguntas que, especialmente como ontem à tarde, costumais fazer. Vós estáveis perguntando a vós mesmos: “Mas, então, no meio do grupo dos discípulos pode existir traidores?”, e tremeis de horror e de medo em vossos corações. Eles podem existir. Disso Eu estou certo.
O semeador espalha a boa semente. Neste caso, mais do que espalhar, poder-se-ia dizer que ele “colhe”. Porque o Mestre, que seja Eu ou que tenha sido o Batista, havia escolhido os seus discípulos. Como foi que houve extraviados? Não, mas pelo contrário, eu falei mal quando chamei os discípulos de sementes. Vós poderíeis entender-me mal. Eu vou chamá-los, então de “campo”. Tantos discípulos, tantos campos escolhidos pelo Mestre para formarem a área do Reino de Deus, os bens de Deus. Com esses o Mestre se afadiga, para cultivá-los, a fim de que produzam cem por cento. Ele toma todos os cuidados. Todos. Com paciência. Com amor. Com sabedoria. Com canseiras. Com constância. Ele olha também as tendências más deles. A aridez e a cobiça deles. Vê as teimosias e fraquezas deles. Mas, fica esperando, espera sempre, e fortalece a sua esperança com a oração e a penitência, porque os quer levar a perfeição.
Mas os campos estão abertos. Não são um jardim fechado, cercado por muros como uma fortaleza, do qual só o mestre é o dono, e no qual só ele pode penetrar. Estão abertos. Colocados no centro do mundo, no meio do mundo e todos podem aproximar-se deles, todos podem entrar neles. Todos e tudo. Oh! Oh! Mas não é só o joio que é a semeadura. O joio: este poderia ser o símbolo da leviandade amarga do espírito do mundo. Mas aí nascem, lançados pelo inimigo, todas as outras sementes. Aí estão as urtigas. Aí as tiriricas. Aí as cuscutas. Aí os cipós-chumbo. Aí, enfim as cicutas e os tóxicos. Por que? Por que? Que são eles?
As urtigas: são os espíritos irritantes, indomáveis, que ferem, por uma superabundância de venenos, e causam tanto mal-estar.
As tiriricas significam os parasitas que esgotam o mestre, pois só sabem rastejar e sugar, aproveitando-se do trabalho dele e prejudicando aos cheios de vontade, que certamente colheriam maiores frutos, se seu mestre não fosse perturbado e distraído pelos cuidados que dele exigem as tiriricas.
Os cipós-chumbo, inertes, que só se levantam do chão, aproveitando-se do trabalho dos outros.
As cuscutas são um tormento no caminho, já difícil, do mestre, e um tormento para os discípulos que o acompanham. Elas se agarram a nós, espetam, ferem, arranham, só causam desconfiança e sofrimento.
Os tóxicos: são os delinqüentes que estão entre os discípulos, aqueles que chegam a trair e a apagar a vida, como a cicuta e outras ervas venenosas. Por acaso, já tereis visto como elas são bonitas com as suas florzinhas, que depois se transformam em bolinhas brancas, vermelhas ou roxo azuladas? Quem diria que aquela corola estrelada, cândida ou levemente rosada, com seu coraçãozinho de ouro, quem haveria de dizer que aqueles corais de todas as formas, tão parecidos com aquelas frutinhas que são a delícia dos passarinhos e das crianças, sejam capazes de, quando maduras, dar a morte? Ninguém. Mas os inocentes aí caem. Crêem que todos são bons como eles... colhem os frutos, comem e morrem.
Acham que todos são bons como eles! Oh! que verdade que sublima o mestre e condena o seu traidor! Como? A bondade não desarma? Não torna inofensivo o querer-mal? Não. Não torna mais assim, porque o homem que tombou como presa do Inimigo, tornou-se insensível a tudo o que é superior. E tudo o que é superior muda de aspecto para ele. A bondade é vista como uma fraqueza, em que é permitido pisar, e refina sua má vontade, refina o desejo de degolar, como em uma fera, só com o sentir cheiro de sangue. Também o mestre é sempre um inocente, e deixa que seu traidor o envenene, porque não quer, e não deixa os outros pensar que um homem seja capaz de dar a morte a quem é inocente.
Dos discípulos, que são os campos do mestre, é que vêm os inimigos. E são muitos. O primeiro é Satanás. Os outros são os servos dele, isto é, os homens, as paixões, o mundo e a carne. Aí está o discípulo mais fácil de ser atingido por eles, porque ele não está completamente ao lado do Mestre, mas está em cima do muro, entre o Mestre e o mundo. Ele não sabe, não quer separar-se completamente das coisas do mundo, da carne, das paixões e do demônio, para estar completamente com quem o leva para Deus. Sobre ele o mundo e a carne, as paixões e o demônio espalham suas sementes. O ouro, o poder, a mulher, o orgulho, um medo de ser mal julgado pelo mundo e um espírito de utilitarismo. “Os grandes é que são os mais fortes. E por isso eu os sirvo, para tê-los como amigos.” E se tornam delinqüentes e condenados por causa de coisas tão mesquinhas!
Por que o Mestre, que está vendo a imperfeição do discípulo, ainda que não queira render-se a este pensamento: “Este vai ser o meu matador”, não o elimina imediatamente do meio dos discípulos? Isto vós perguntais porque é inútil fazer isso. Se o fizesse não impediria que ele continuasse seu inimigo e agora dupla e prontamente seu inimigo, pela raiva ou pela dor de ter sido descoberto, ou por ser expulso. Dor. Sim. Porque às vezes o mau discípulo não percebe que o é. É tão sutil a obra do demônio, que ele nem a percebe. Ele fica endemoninhado, sem nem suspeitar de que está sendo submetido a essa operação. Raiva. Sim. Raiva por estar sendo conhecido pelo que realmente é, quando ele não está inconsciente do trabalho de Satanás, e de seus adeptos: são os homens que tentam o fraco em suas fraquezas, para tirar do mundo o santo, que, só por sua santidade, comparada ás maldades deles, já os ofende. E, então, o santo ora e se abandona a Deus. “O que Tu permites se faça, seja feito”, diz ele. Somente acrescenta esta cláusula: “Contanto que sirva para o teu fim.” O santo sabe que virá a hora em que serão expulsos de suas colheitas os joios daninhos. Por quem? Pelo mesmo Deus, que não permite nada além do que é útil para o triunfo de sua vontade de amor.”
“Mas, se Tu admites que sempre é Satanás e os adeptos dele, parece que a responsabilidade do discípulo diminua”, diz Mateus.
“Nem penses nisso. Se o Mal existe, existe também o bem. E existe no homem o discernimento e, com ele a liberdade.”
“Tu dizes que Deus não permite nada além de tudo que é útil para o triunfo de sua vontade de amor. Portanto, também esse erro é útil, se Ele o permite, e serve para um triunfo da vontade divina”, diz Iscariotes.
“E tu argumentas, como Mateus, que isto justifica o delito do discípulo. Deus havia criado o leão sem ferocidade e a serpente sem veneno. Agora, um é feroz e a outra venenosa. Mas Deus os separou do homem por isso. Medita sobre isso e tira as conclusões. Vamos para casa. O sol já está forte demais. Parece que vem aí o começo de um temporal. E vós estais cansados por causa de uma noite sem dormir.”
“A casa tem uma sala alta, bem ampla e fresca. Nela podereis repousar”, diz Elias.

(O Evangelho como me foi revelado – Maria Valtorta –Vol 3 – pg. 170 a 176)

domingo, 20 de outubro de 2019

CARTA ABERTA AOS PADRES E BISPOS CATÓLICOS






CARTA ABERTA AOS PADRES E BISPOS CATÓLICOS


Se faz necessário uma precaução doutrinal, por parte de nossos Sacerdotes e Bispos, com relação ao que está sendo exposto no Sínodo da Amazônia, que implica em mudanças na Igreja nunca vistas. Estou muitíssimo preocupado com o que está por vir. Por favor defendam a Santa e imutável doutrina deixada por Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos deu sua própria vida por esta eterna Igreja, a fim de que permanecesse até o final dos tempos. Defendam o rebanho! Oriente-nos! Cuidai de nossas almas, extremamente necessitadas de amor verdadeiro, da palavra do Senhor, da elevação espiritual, conservando o que sempre nos foi dado como certo para a nossa salvação.
O Sínodo da Amazônia não é um acontecimento em defesa da cristandade, mas uma reunião de globalistas na intenção da dominação religiosa no mundo. A verdadeira intenção é ecumenista, é a unificação de todas as crenças em uma só, e assim conseguirem escravizar, espiritualmente, a população mundial. E com isso, a verdadeira e única Igreja da terra: a Católica, seria suprimida, esquecida e rebaixada. Esta Babel religiosa é a Grande Prostituta mencionada no Apocalipse, que se assenta sobre a Babilônia( a União Européia), mais precisamente na Itália, em Roma, um novo templo será erguido pelo Anticristo, onde será adorado como se fosse um deus. Para que o engano seja grande e fugaz, esta nova religião mundial surgirá dentro da Igreja Católica, com o Anticristo Bergoglio e seus cúmplices comunistas, Maçons e teólogos da libertação, com o controle total dos Iluminatis.
Espero a defesa da Igreja por nossos Padres e Bispos, que não se acovardem diante das perseguições que com certeza haverá. Que permaneçam fiéis a doutrina deixada por Jesus a Pedro e repassada para os Papas subseguentes, até o último Papa verdadeiro da terra: Bento XVI. Vocês são nossas estrelas que iluminam o caminho a seguir, o caminho que nos leva ao Reino de Deus. Os anjos se inclinam diante de vós, oh! Sacerdotes do Senhor, que não se deixam enganar pela Besta da Terra, que seguem em frente ensinando a doutrina eterna, inalterável, de Nosso Senhor Jesus Cristo. A vossa compreensão humana é incapaz de quantificar o quanto Deus vos ama. Lembrai disso.
Leiam as profecias dos Profetas dos últimos tempos:

-Profeta : Maria Divina Misericórdia-  ( MDM). Esta profeta está revelando o Livro da Verdade descrito na Bíblia. O Livro da Verdade está mencionado em Daniel 10.21. É aqui que um misterioso Livro da Verdade é referido.  O Anjo Gabriel explica ao Profeta Daniel que todas as coisas que lhe têm sido reveladas é acerca do futuro, do fim dos tempos, encontram-se no Livro da Verdade. Daniel foi avisado para o selar, pois ele será deixado para ser aberto num outro tempo, chamado “O Fim Dos Tempos”.
 -Profeta : Padre Stefano Gobbi-  ( SG). Movimento Sacerdotal Mariano.” Levar-vos-ei á perfeita compreensão da Sagrada Escritura. De modo especial desvendar-vos-ei as páginas do seu último livro, que estais vivendo.”(Nossa Senhora)
-Profeta : Mary Jane Even- ( MJE)- Lincoln-Nebraska
-Profeta : Padre Santiago Portugal-  (SP)-Portugal
-Profeta : Verônica Lueken- ( VL) Bayside- Nova York
-Profeta : Vassula Rayden- (VR) Egito.
-Profeta : John Leary-  (JL)-Rochester-Nova York
-Profeta:  Nancy Fowler-( NF) Conyers – Georgia.
-Profeta: Christina Gallagher-(CG)- Irlanda
-Profeta: Conchita Gonzáles-Garabandal-Espanha.
-Profeta: Melanie Calvat e Maximino Giraud- Salete- Espanha.
-Profeta: Leslie Garay-(LG)-Boston
-Profeta : Julia Kim-(JK) Naju-Coréia.
-Profeta: Irmã Agnes Sasagawa-(IAS) Akita-Japão.
-Profeta : Luz de Maria(LM) Revelacionesmarianas.
-Profeta : Pedro Régis - Rainha do Rosário e da Paz – (RRP)Anguera – Brasil.
-Profeta : Marie Julie Jahenny – (MJJ)França

É assim que Deus se comunica com os homens, através de seus Profetas. Pensai que Deus nos ama e que sem dúvida nenhuma iria no final dos tempos, nos alertar, avisar sobre a segunda vinda de seu Filho muito amado. Ele não nos deixaria órfãos desta importantíssima informação, que encerra um advento. A Abominação já está no lugar Santo, na cadeira de Pedro, e a desolação aumenta a cada dia que passa com os modernismos e as alterações no Missal, dessacralizando-a, deixando-a completamente ineficaz na salvação das almas.
A Igreja já se dividiu, entre os modernistas e os conservadores. Ficai na paz do Senhor, desejando a Igreja de sempre, os ensinamentos de sempre, as recomendações dos Santos e Mártires de sempre, e principalmente honrar vosso compromisso com Jesus, que vos ama tanto, que vos deseja tanto, Oh! Sacerdotes amados do Senhor! Precisamos de vocês, principalmente agora no final dos tempos, não nos abandonais.
Ficai em paz. Refleti. Rezai. Conversai com Deus iluminados pelo Espírito Santo.
Ficai em paz.

Antonio Carlos Calciolari.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

SOMENTE QUEM FAZ A VONTADE DE DEUS SERÁ SALVO






SOMENTE QUEM FAZ A VONTADE DE DEUS CONQUISTARÁ O REINO DE DEUS


As crianças, alegres como passarinhos, já estão tagarelando, correndo e saltando por entre os campos, tomando um bom banho de orvalho, o que provoca um ou outro pescoção, acompanhado do conseqüente choro. Depois as crianças correm até Jesus, que as acaricia, e com isso Ele reencontra o seu sorriso, como se reproduzisse em si aquelas alegrias inocentes. Uma menina quer colocar na cintura dele um ramalhete de flores, que ela apanhou nos prados, “ porque sua veste fica mais bonita assim”, diz ela, e Jesus a deixa fazer isso, apesar dos Apóstolos estarem resmungando e por isso Jesus diz: “ Mas ficai contentes porque elas me amam! E o amor das crianças tira as tristezas do meu coração.”
Ao mesmo tempo, chegam, e vêm vindo no meio dos peregrinos Jesus, que havia descido da montanha, e o escriba João que vem de sua casa com muitos empregados trazendo cestas de pão, outros trazendo azeitonas, pequenos queijos e um cordeirinho, ou cabritinho, assado especialmente para o Mestre. Tudo é colocado aos pés dele, que cuida de distribuí-los, dando a cada um um pão, um pedaço de queijo e um punhado de azeitonas. Mas, uma mãe, que traz ainda ao peito um menino gorducho, que está rindo com os seus dentinhos novos, Ele dá com o pão um pedaço de cordeiro assado, e o mesmo faz com outros dois ou três, que parecem estar necessitados de um alimento especial.
“Mas isso é para Ti”, diz o escriba.
“Eu irei saboreá-lo, não duvides. Mas vê... se Eu sei que a tua bondade é para muitos, em Mim aumenta o sabor”.
A distribuição termina, e o povo já está partindo o pão e reservando uma parte dele para as outras horas. Também Jesus bebe um pouco do leite que o escriba quis encher para Ele uma taça preciosa, ao tirar o leite de um frasquinho que é trazido por um dos servos (parece um bilha).
“Mas, Tu me deves contentar, dando-me a alegria de ouvir-te”, diz João, o escriba, que foi saudado por Hermes com grande respeito, e com respeito ainda maior por Estevão.
“Não irei negar-te isso. Vem cá para a frente”, e Jesus, tendo-se encostado no monte, começa a falar.
“A vontade de Deus nos deteve neste lugar, porque ir para adiante, depois da caminhada que já fizemos, teria sido uma violação dos preceitos e motivo de escândalo. E que isto não aconteça nunca, enquanto a Nova Aliança não for escrita. É justo santificar as festas e louvar o Senhor nos lugares de oração. Mas todo o criado pode ser lugar de oração, desde que as criaturas saibam fazê-lo com sua elevação para o Pai. A Arca de Noé, à deriva sobre as águas, foi lugar de oração, o lugar de oração para Jonas foi o ventre da baleia. Foi lugar de oração a casa do Faraó, enquanto José nela morou, e a tenda de Holofermes para a casta Judite. E não era tão consagrado ao Senhor o lugar corrompido onde vivia como escravo o Profeta Daniel, consagrado por causa as santidade do servo que santificava aquele lugar, a ponto de merecer as altas profecias sobre o Cristo e o Anticristo, chaves dos tempos de agora e dos últimos tempos? Com maior razão, santo é este lugar que, por suas cores, pelos seus perfumes, pela pureza do seu ar, pela riqueza de seus trigais e pelas pérolas de suas orvalhadas, fala de Deus Pai e Criador, e diz: “Eu creio. E vós também credes, porque nós damos testemunho de Deus.” Seja ele para nós a sinagoga, neste sábado e nele leiamos as páginas sobre as corolas e as espigas, tendo como lâmpada sagrada o sol.
Eu vos falei de Daniel. Disse-vos: “Seja este lugar a nossa sinagoga”. Isto nos faz lembrar do jubiloso “bendizei” dos três santos jovens entre as chamas da fornalha: “Céus e águas, orvalhos e geadas, gelos e neves, fogos e cores, luzes e trevas, relâmpagos e nuvens, montes e colinas, todas as coisas germinadas, passarinhos, peixes e feras, louvai e bendizei o Senhor, juntos com os homens de coração humilde e santo”. Este é um resumo do cântico santo que tanto ensina aos humildes e santos. Podemos rezar e podemos merecer o Céu em qualquer lugar. Nós o merecemos, quando fazemos a vontade do Pai.
Quando este dia começou, fizeram-me observar que, se tudo vem da vontade de Deus, também os erros dos homens são queridos por Ele. Isto é um erro e um erro muito difundido. Haverá um pai que possa querer que seu filho se torne condenável? Não pode. O que vemos, até nas famílias, são alguns filhos que se tornaram condenáveis, mesmo tendo eles um pai justo, que lhes mostra o bem que se deve fazer e o mal do qual se deve fugir. E ninguém que seja reto, acusa aquele pai de ter incitado o filho para o mal.
Deus é Pai, os homens são os filhos. Deus mostra o bem e diz: “Eis que eu te ponho nesta contingência para o teu bem”, ou também quando o Maligno e os homens seus servos procuram infelicidade para o homem, Deus diz: “Eis que nesta hora penosa tu ages assim, e, assim fazendo, este mal vai servir para um eterno bem.” Vos aconselha. Mas não vos força. E então se alguém, mesmo sabendo qual é a vontade de Deus, prefere fazer tudo ao contrário, pode-se dizer que esse oposto é que é a vontade de Deus? Não se pode.
Amai a vontade de Deus. Amai-a mais do que a vossa e segui-a contra as seduções e potências das forças do mundo, da carne e do demônio. Também essas coisas têm aas suas vontades. Mas em verdade Eu vos digo que é bem infeliz quem a elas se apega. Vós me chamais de Messias e Senhor. Vós dizeis que me amais e me cantais hosanas. Vós me seguis, e isso parece amor. Mas, em verdade, Eu vos digo que nem todos entre vós entrarão comigo no Reino dos Céus. Mesmo entre os meus mais antigos e próximos discípulos, haverá aqueles que ali não entrarão, porque muitos farão a sua vontade, e a vontade da carne, do mundo e do demônio, mas não a do meu Pai. Não quem me diz: “Senhor! Senhor!” entrará no Reino dos Céus, mas os que fazem a vontade de meu Pai. Somente esses entrarão no Reino de Deus.
Dia virá no qual Eu, que vos estou falando, depois de ter sido Pastor, serei Juiz. Que não vos iluda o aspecto atual. Agora meu cajado reúne as almas dispersas e é doce para vos convidar a vir ás pastagens da Verdade. Então o cajado será substituído pelo cetro do Juiz Rei, e bem outro vai ser o meu poder. Não com doçura, mas com uma justiça inexorável, é que Eu irei separar as ovelhas apascentadas pela Verdade das que misturaram a Verdade com o erro, ou nutriram-se somente com o erro. Uma primeira vez e depois ainda uma outra Eu farei isso. E ai daqueles, entre a primeira e a segunda aparição  diante do Luiz, não se tiverem purificado, pois não poderão mais purificar-se dos seus venenos. A terceira categoria não se purificará. Pena alguma conseguiria purificá-la. Ela quis somente o erro e que no erro fique.
E mesmo entre estes, ainda haverá quem gema dizendo: “Mas como Senhor? Nós não profetizamos em teu nome, em teu nome não expulsamos os demônios, em teu nome não fizemos muitos prodígios?” E Eu, naquele momento, com toda a clareza, lhes direi: “Sim, vós ousastes revestir-vos com o meu Nome a fim de parecerdes ser quem não éreis. Quisestes fazer passar o vosso satanismo, como se estivésseis vivendo vossa vida em Jesus. Mas os frutos de vossas obras vos acusa. Onde estão os que vós salvastes? As vossas profecias, onde foi que se cumpriram? Os vossos exorcismos, a que conclusão chegaram? Os vossos prodígios, que cúmplices tiveram? Oh! bem que tem poder o meu inimigo! Mas não é maior do que o meu. Ele vos ajudou, mas foi para fazerdes maior presa e, por vosso trabalho, o círculo dos pervertidos pela heresia cresceu muito. Sim, vós fizestes prodígios. E até aparentemente, maiores do que os dos verdadeiros servos de Deus, os quais não são estriões para fazerem as multidões ficarem embasbacadas, mas têm uma humildade e uma obediência que fizeram ficar maravilhados os anjos. Estes, os meus verdadeiros servos, com suas imolações, não criam fantasmas, mas os destroem nos corações, estes, os meus verdadeiros servos, não se impõem aos homens, mas mostram Deus às almas dos homens. Eles não fazem mais que a vontade do Pai, e levam os outros a cumpri-la, assim como a onda impele e atrai a onda que a precede e a que a segue, sem precisar colocar-se em um trono, para dizer a elas: “Prestai atenção!” Eles, os meus verdadeiros servos, fazem o que Eu digo, sem pensar senão em fazê-lo e as suas obras têm um sinal meu, uma paz inconfundível, de humildade e ordem. Por isso, Eu posso dizer-vos: estes são os meus servos, a vós, Eu não vos conheço. Ide-vos embora, para longe de Mim, vós todos praticantes de iniqüidades.
Isso será o que direi, então. E será esta uma palavra terrível! Tomai cuidado para que não a mereçais, e vinde pelo caminho seguro, ainda que difícil, da obediência, para alcançardes a glória do Reino dos Céus.
Agora, gozai do vosso repouso do sábado, louvando a Deus com todo o vosso ser. A paz esteja com todos vós.”

(O Evangelho como me foi Revelado – Maria Valtorta – Vol. 3 – pg 141 a 145)    

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

ENSINAMENTOS ETERNOS







ENSINAMENTOS ETERNOS


Diz Jesus:

“Filhos, minhas palavras estão chegando ao fim, como está chegando ao fim este dia que já declina com o Sol para o lado do ocidente. Desta reunião no monte quero que vós lembreis das palavras que aqui vos foram ditas. Esculpi-as em vossos corações. Tornai a lê-las seguidamente. Que elas vos sirvam sempre de guia. E sobretudo sede bons com quem é fraco. Não julgueis para não serdes julgados. Recordai-vos de que poderia chegar o momento no qual Deus vos fizesse lembrar: “Assim tu julgaste. Por isso sabias que isso era mal. Com conhecimento do que fazias, cometeste o pecado. Cumpre agora a tua pena".
A caridade já é uma absolvição. Tende a caridade em vós para com todos e sobre tudo. Se Deus vos dá tantos auxílios para que vós conserveis retos, não vos enchais de orgulho por isso. Mas procurai subir, porque é a escada da perfeição e estendei a mão aos cansados, aos ignorantes, aos que são presas de súbitas desilusões. Por que ficar observando com tanta atenção o cisco no olho do teu irmão, se não procura tirar antes a trave que está no teu? Como podes dizer ao teu próximo: “Deixa que eu tire do teu olho esse cisco”, enquanto a trave que está no teu te faz cego? Não sejas hipócrita, filho: tira primeiro a trave que está no teu olho e, depois, poderás tirar o cisco do olho do teu irmão, sem que o leses gravemente.
Assim como não deveis cometer faltas de caridade, não tenhais também a imprudência. Eu vos disse: “Estendei vossas mãos aos cansados, aos ignorantes, àqueles que são presas de imprevistas desilusões.” Mas, se é caridade instruir os ignorantes, animar os cansados, dar novas asas àqueles que, por muitas causas, as quebraram é imprudência revelar as verdades eternas aos que estão infeccionados pelo satanismo, os quais se apropriam delas para se fingirem de profetas, para se insinuarem entre os simples, para corromper, falsificar e sujar sacrilegamente as coisas de Deus. Respeito absoluto, saber falar e saber calar-se, saber refletir e saber agir, aí estão as virtudes do verdadeiro discípulo para fazer prosélitos e servir a Deus. Vós tendes uma razão e, se usais dela com justiça, Deus vos dará todas as suas luzes, para guiar ainda melhor a vossa razão. Pensai que as verdades eternas são semelhantes a pérolas, e nunca se viu jogar pérolas aos porcos, que preferem as bolotas e a lavagem mal cheirosa ás pérolas preciosas, e até as esmagariam sem dó com os seus pés, para depois, com a fúria de quem foi ludibriado, virarem-se contra vós para despedaçar-vos. Não deis as coisas santas aos cães. Isto serve para agora e para depois.
Muitas coisas Eu vos disse, meus filhos. Escutai as minhas palavras, quem as escuta e as põe em prática é comparável a um homem que refletiu, quando queria construir uma casa e escolheu um lugar rochoso. Certamente ele se cansou para construir as bases. Teve que trabalhar com picareta e buril, teve que calejar suas mãos e cansar os seus rins. Mas depois ele pôde passar argamassa de cal nas fendas da rocha e ir colocando os tijolos e fechando com eles as paredes, formando como que uma fortaleza, e a casa foi crescendo tanto, sólida como um monte. Vieram as intempéries, os aguaceiros. As chuvas fizeram transbordar os rios, assobiaram os ventos, as ondas bateram na casa, mas ela resistiu a tudo. Assim é aquele que tem uma fé bem fundada. Mas, ao contrário, quem ouve com superficialidade e não se esforça para gravar em seu coração as minhas palavras, porque sabe que isso exige trabalho, que é preciso passar pela dor, extirpar muitas coisas, esse tal é semelhante a quem por preguiça e estultícia constrói sua casa sobre a areia. Nem ainda bem chegou a tempestade, a casa rapidamente construída, rapidamente cai, e o estulto fica olhando desolado para os escombros dela e para a ruína do seu capital.
Mas aqui há mais do que uma ruína, porque esta ainda pode ser reparada com despesas e trabalho. Aqui, tendo vindo abaixo o edifício mal construído de um espírito, não se tem mais nada para construí-lo de novo. Na outra vida não se edifica. Ai de quem lá se apresentar com escombros!
Terminei. Agora, vou descer para o lago e vos abençôo em nome de Deus Uno e Trino. A minha paz esteja convosco.”

(O Evangelho como me foi Revelado – Maria Valtorta- Vol. 3 – pg. 133,124,135)