terça-feira, 25 de janeiro de 2022

SIM A MÃE ESTEVE EM GARABANDAL


 SIM A MÃE ESTEVE EM GARABANDAL

 

Para aqueles que não acreditam nas aparições da Virgem em Garabandal.

 

Entre os defensores das aparições e mensagens de Garabandal contaram-se nomes importantes no seio da Igreja Católica como os de Madre Teresa de Calcutá, Padre Pio de Pietrelcina, Papa Paulo VI, Papa João Paulo II. Madre Teresa foi madrinha de batismo de um dos filhos de Conchita. No caso do santo estigmatizado italiano, é-lhe publicamente conhecida uma carta de encorajamento e apelo às meninas videntes de Garabandal datada de 3 de março de 1962 e escrita pelo seu próprio punho:

“Queridas meninas: às nove horas desta manhã mandou-me a Virgem Santíssima dizer-vos isto: "Oh abençoadas meninas de São Sebastião de Garabandal, Eu prometo-vos que estarei convosco até ao fim dos tempos, e vós estareis comigo no fim do Mundo. E, depois, unidas a Mim, na glória do Paraíso". Envio-vos uma cópia do Santo Rosário de Fátima, que a Virgem me disse para vos mandar. Este Terço foi ditado pela Santíssima Virgem e deve ser propagado para a salvação dos pecadores e preservação da Humanidade dos piores castigos com que o bom Deus ameaça. Só vos dou um conselho: rezai e fazei rezar, porque o mundo está no princípio da perdição. Não acreditam em vós, nem nos vossos colóquios com a Branca Senhora... acreditarão quando já for demasiado tarde.”

Quem ainda não leu sobre o Padre Pio? Este Santo querido, tinha os estigmas de Cristo, místico, dom da cura mesmo à distância, conseguia estar em bilocação, ou seja em dois lugares ao mesmo tempo, da invisibilidade, entre outros aspectos sobrenaturais. Mas para santifica-lo ainda mais, tem seu corpo incorruptível até os dias de hoje, e isto é uma prova incontestável do aval Divino, que identifica seu servo na terra com este portentoso e sobrenatural milagre.

Durante uma visita ao Vaticano, Conchita foi ainda convidada para uma audiência privada com o Papa Paulo VI que lhe dirigiu estas palavras:

“Eu te abençoo, Conchita, e comigo te abençoa toda a Igreja.”

Mais tarde, ainda o Papa Paulo VI se pronunciou publicamente sobre o assunto dizendo:

“Garabandal é o acontecimento mais maravilhoso na Humanidade depois do nascimento de Jesus. É como uma segunda vida da Santíssima Virgem nesta terra. É importantíssimo dar a conhecer ao Mundo estas mensagens. Dizei-o a esses senhores [referindo-se aos opositores destas aparições marianas] que é o próprio Papa quem o diz: É importantíssimo dar a conhecer estas mensagens ao Mundo!”

Também o Capuchino Padre Bernardino Cennamo, confidenciou a Conchita, que o Padre Pio antes de morrer disse ter tido a visão do milagre de Garabandal.

Vassula, 2 de Dezembro de 1987, recebeu esta mensagen de Jesus: “A Mensagem de Garabandal é autêntica e deve ser difundida e honrada. Santifiquem Garabandal. Não podem ver e compreender que os erros estão sendo repetidos? Estão a repetir os vossos erros de Fátima. Oh criação, quando acreditareis em Mim?”

Se alguém tiver uma credibilidade maior, ou igual, a um destes que reconheceram como verdadeiras as aparições da Virgem em Garabandal, e gostaria de questionar a veracidade das aparições, que se pronuncie.

Eu, humildemente me calo diante destes Santos, e aceito as aparições como verdadeiras, e os bendigo por terem se pronunciado, com certeza inspirados pelo Espírito Santo. Porque a Verdade não se cala nunca. Está sempre diante de nós nos aconselhando, ditando palavras de salvação, sons letrados incorruptíveis vindos do pensamento de Deus.

 

Antonio Carlos Calciolari




sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

O LIVRO DA VIDA

 

O LIVRO DA VIDA

 

“Fazei somente que vosso nome possa ser escrito nos livros do Céu, nos quais não estão marcados os nomes, conforme as mentiras humanas, ao louvar aos que menos merecem louvor. Mas neles, com justiça e amor, estão escritas as obras dos bons, para dar-lhes o prêmio prometido aos benditos por Deus.” (Valtorta-Vol. 3-pg. 89)

Nesta passagem Jesus nos esclarece que os nomes dos salvados são aqueles que fizeram boas ações, boas obras e tiveram mérito usando o livre arbítrio. Em resposta ao delírio da soberba dos escribas e fariseus que diziam que todos os de Israel, por serem o “povo de Deus”, tinham seus nomes no Livro da vida.

No julgamento particular com Jesus, no momento que o homem deixa esta vida, completa-se os atos bons desta alma ali encerrada, e depois confirmada diante de toda a criação no Julgamento Final, quando será revelado os nomes dos salvados.

A alma quando é criada por Deus e colocada no nascituro ainda no ventre materno, é pura, branca, sem qualquer tipo de mancha, a não ser a original. Tal mancha original é retirada no momento do batismo e o homem para mantê-la pura precisa não trazer novas sombras, que são os pecados, os quais também podem ser anulados com o arrependimento da confissão dos mesmos. Esta alma durante a vida do homem registra tudo o que seu portador fez de bom ou de ruim, como se fosse um livro da vida particular de cada ser humano. São estes dados bons registrados na alma de cada um, que certificarão o nome do portador desta alma. É somente depois desta vida, que aquela alma boa tem seu nome escrito no Livro da Vida. Portanto as páginas, que são as almas boas que viveram na Terra, formarão o enorme Livro da Vida com o nomes dos vitoriosos. Como Jesus já separou, está separando e ainda vai separar no juízo particular os bons dos maus, é crível pensar então, que no último dia já estarão colocados, devido este primeiro julgamento, uns a esquerda(maus), outros a direta(bons), com seus espíritos unidos a carne para receberem a sentença eterna de salvação ou de condenação.

“No coração do homem, há um ponto que se recorda do rosto de Deus, é o ponto mais eleito, aquele que é o nosso Sancta Sanctorum, aquele do qual nascem as santas inspirações e as santas decisões, aquele que perfuma como um altar, brilha como uma fogueira, canta como um coro de serafins. Mas quando em nós o pecado fumega, eis que aquele ponto se ofusca tanto que cessa a luz, o perfume, o canto, e fica somente o mau cheiro de uma fumaça pesada e um gosto de cinza.” (Valtorta-Vol.2-pg.97)

Muitos, e não são poucos, os cristãos que acreditam que Deus antes de criar o universo, já havia em seu pensamento, definido os nomes daqueles que seriam salvos, aqueles que teriam seus nomes escritos no Livro da vida, e daqueles que não estariam neste Livro. E não percebem que pensando assim, excluem o livre arbítrio do homem, excluem o mérito do homem, excluem o Julgamento de nossas ações. Ora, se já estão escolhidos os eleitos e os condenados antes de existirem, para que servirá o Julgamento Final? Para que julgar se já estão definidos? Percebem como é perniciosa para a alma esta teoria?  

É uma ofensa contra Deus. Deus é Amor. O Amor não poderia assim que nascesse um ser humano impor a este pequenino e puro nascituro, sua condenação, ou a outro impor sua salvação. Deus criou seus anjos e os humanos livres de pensamento, dotados de inteligência e razão, formando com isso vontade própria, discernimento, para escolher entre o bem e o mal. Deus é Amor? Sim, é Amor! Mas também é Justiça e Verdade. Este é o trinômio de Deus.

Os salvados serão aqueles que tiveram mérito, e os condenados serão aqueles que não obtiveram mérito e foram além, quiseram de livre e espontânea vontade estarem sem Deus. E onde não há Deus, não há luz, não há paz, não há música, não há perfume, somente Trevas e dor. Neste raciocínio lógico, é claro que os nomes dos salvados não estão escritos antecipadamente no Livro da vida, porque eles terão que ir se formando, conforme cada vida humana se desenrola e termina na terra com seus bons atos. Nenhum de nós nasce com um destino já traçado, somos nós mesmos que traçamos o nosso destino.

Epístola de São Paulo aos Filipenses. 4:3-“ Também te rogo a ti ainda ó fiel companheiro, que as ajude como pessoas que trabalharam comigo no Evangelho com Clemente, e com os outros que me ajudaram, cujos nomes estão no livro da vida.”

Aqui Paulo tomado pelo Espírito Santo previu a sorte de seus ajudantes na Evangelização dizendo que seus nomes estão no Livro. Pode-se dizer que profetizou a sentença divina daquelas almas, as quais se referiu. Não é uma regra geral para todos os seres humanos. Paulo falou especificamente de alguns de seus colaboradores.     

Tudo que foi criado tem assistência Divina. Imaginem se não teria o homem, criatura querida por Deus. Por isso o Altíssimo, através de sua providência, pensando sempre na nossa salvação, colocou seus servos como luzes para mostrar o caminho, pois sem a ajuda de Deus o homem seria um animal falante e nada mais. Assim seus Santos e Mártires, predestinados por Deus, indicaram o caminho a seguir para manter-nos fortalecidos na fé e esperança de voltar ao convívio dos eleitos. Porém todos estes Santos tiveram que passar pela prova, pelo mérito, usando seu livre arbítrio e assim escolheram seguir ao Senhor. Deus não se impõe contra a vontade do homem. É o homem que decide por si só qual caminho seguir.

Os Apóstolos foram escolhidos no pensamento de Deus antes mesmo de existir o mundo, esperando que eles aceitassem de boa vontade o chamado de seu Filho. Os Apóstolos de Cristo foram perseguidos e martirizados, mostrando uma heroicidade total mesmo diante da morte. Os exemplos são muitos. Assim foi a dura prova de Abraão, vencida com uma obediência sobrenatural, levando seu próprio filho ao sacrifício, e se o Anjo do Senhor não aparece para contê-lo teria completado a ordem do Altíssimo, assim foi com Noé, vencida com uma obediência longínqua, construindo a Arca durante dezenas de anos, assim foi com Moisés, com sua obediência à Palavra de Deus, levando o povo Judeu para novas terras, e assim por diante, sempre provados antes de terem seus nomes escrito no Livro da Vida. Ajudados por Deus, sim, mas com suas próprias vontades. Podemos dizer então, que excepcionalmente estes personagens marcantes da história humana tiveram um destino? Em grande parte sim, se entendermos que tal destino foi a Vontade de Deus, foi o Amor. Para o nosso bem comum.

Em Lucas 10:20. Diz Jesus: “E contudo, o sujeitarem-se-vos os espíritos, não é o de que vós vos deveis alegrar, mas sim deveis alegrar-vos de que os vossos nomes estão escritos nos Céus.”

Neste texto das escrituras, Jesus já tinha seus Apóstolos decididos a segui-lo e portanto sabia que assim se manteriam até o final de suas vidas, e por isso disse que seus nomes já estavam escritos no Livro da Vida. Muitos nomes são indicados para servirem o Senhor, mas nem todos vingam, porque a carne é fraca e Satanás tenta.

Ap 3:5- “Aquele que vencer será assim vestido de vestiduras brancas, e eu não apagarei o seu nome do livro da vida, e confessarei o seu nome diante de meu Pai, e diante dos seus anjos.”

Esta passagem reflete o pensamento de que alguns nomes foram escolhidos, mas que poderiam ser apagados caso tal escolhido caísse em tentações não vencidas durante sua vida. O texto diz claramente: “Aquele que vencer”, portanto ainda desconhecidos.

Já nas passagens do Apocalipse onde é mencionado o Livro da Vida, se refere às almas do final dos tempos, onde já foram registrados todos os que no exílio terrestre venceram o mundo e assim conquistaram seus nomes no Livro.

Ap 13:8- “E todos os habitantes da terra a adoraram, aqueles cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro, que foi imolado desde o princípio do mundo.”

Os cordeiros oferecidos a Deus desde o princípio, representam simbolicamente Jesus o Cordeiro pascal eterno, que tira os pecados do mundo. Antigamente os hebreus ofereciam sacrifício de um cordeiro puro, sem manchas e sem defeito a Deus, para remissão dos pecados. Visto que Cristo foi imolado no seu tempo e não desde o princípio do mundo, mas simbolicamente sim. 

Ap 17:8- “A Besta, que tu viste, era e já não é, e ela há de subir do abismo, e há de ser precipitada na perdição; e os habitantes da terra cujos nomes não estão escritos no livro da vida desde o princípio do mundo, se encherão de pasmo, quando virem a Besta, que era, e já não é.”

Quando se diz neste texto: “cujos nomes não estão escritos”, Deus não está se referindo a nomes já estabelecidos, mas sim de uma maneira geral, ou seja, haverá uma certa quantidade de nomes, mas não especificando antecipadamente tais nomes. Os que não estão escritos no Livro, serão aqueles que seguirem a Besta, as quais saberemos somente no último dia, do julgamento final.

Como Deus estabeleceu um tempo de prova para a humanidade é óbvio que também estabeleceu uma certa quantidade de almas que irão habitar o seu Reino. A história humana terrestre teve um início e terá um fim. É sugestivo pensar que Deus deu um tempo de prova para chegar à um número perfeito e justo de habitantes humanos no Céu, semelhante a quantidade dos Anjos.

Ap 21:27- “Não entrará nela coisa alguma contaminada, nem quem cometa abominação, ou mentira, mas somente aqueles que estão escritos no livro da vida do Cordeiro.”

Aqui há uma expressão diferente, “no livro da vida do Cordeiro”, que significa os salvados por Cristo, mas se refere ao mesmo Livro da Vida que será aberto no final dos tempos.

Somente Deus que já está presente no futuro sabe os nomes. Isto não significa que Deus determinou este ou aquele nome desde o princípio, mas como já conhece o futuro, sabe quem são os eleitos escritos no Livro da Vida. Para nós mortais, o futuro existirá depois de um tempo transcorrido, mas para Deus não existe o tempo.

Deus é! Uma simples frase que nos revela tantas coisas.

 

 

Antonio Carlos Calciolari

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

O REI DA TERRA

 

TUDO FOI FEITO PARA AGRADAR AO HOMEM O REI DA TERRA

 

Diz Jesus:

“Deus quer um rei no universo que Ele havia criado do nada. Um rei que, pela natureza da matéria, fosse o primeiro entre todas as criaturas criadas e dotadas de matéria. Um rei que, pela natureza do espírito, fosse quase divino, fundido na Graça como no seu inocente primeiro dia. Mas a Mente suprema, onde são notórios todos os acontecimentos mais distantes em séculos, cuja vista vê incessantemente tudo quanto era, é, e será, enquanto contempla o passado e observa o presente, eis que aprofunda o olhar no último futuro sem ignorar a morte do último homem, sem confusão nem descontinuidade, esta Mente nunca ignorou o rei criado por Ele, para estar ao seu lado, semidivino, no Céu, herdeiro do Pai. Ao entrar adulto no seu reino, depois de ter vivido na casa da mãe, a terra com a qual foi feito, durante a sua infância de Eterno, na sua jornada sobre a terra, este rei teria cometido contra si mesmo o delito de matar-se na Graça e o latrocínio de furtar-se do Céu.

Por que então o criara?

Certamente muitos se perguntam isto. Teríeis preferido não existir? Este dia não merecia ser vivido, por si mesmo, tão pobre, nu e amargo pela vossa maldade, mas para conhecer e admirar a Beleza infinita que a mão de Deus semeou no universo?


Para quem teria feito estes astros e planetas que deslizam como setas e flechas, riscando o arco do firmamento? Ou os aparentemente lentos, majestosos na sua corrida como bólidos, presenteando-vos com luzes e estações como se fossem eternos, imutáveis, ainda que em contínua mudança, oferecendo-vos uma página nova para ser lida sobre o azul, toda noite, todo mês, todo ano, quase como dizendo-vos: “Esquecei-vos do cárcere, deixai as vossas gravuras repletas de coisas obscuras, podres, sujas venenosas, enganosas, blasfemadoras, corruptoras e elevai, ao menos com o olhar na ilimitada liberdade dos firmamentos. Tende uma alma azul olhando tão grande serenidade, criai-vos uma reserva de luz, para levar à vossa prisão escura. Lede a palavra que nós escrevemos cantando o nosso coro sideral mais harmonioso do que acompanhado por um órgão de catedral. A palavra que nós escrevemos brilhando, a palavra que nós escrevemos amando, visto que sempre temos presente Aquele que nos quis dar a alegria de existir, e o amamos por nos ter dado este ser, este esplendor, este deslizar, este sermos livres e belos em meio ao azul suave, além do qual vemos um azul ainda mais sublime, o Paraíso. E do qual cumprimos a segunda parte do preceito de amor amando a vós, o nosso próximo universal, amando-vos doando guia, luz, calor e beleza. Lede a palavra que nós dizemos, e é aquela sobre a qual regulamos o nosso canto, o nosso resplandecer, o nosso riso: Deus”?



Para quem teria feito aquele líquido azul, que é um espelho para o céu, um caminho para a terra, sorriso das águas, voz das ondas, palavra também essa que como os sussurros de seda farfalhando, com risadinhas de crianças serenas, com suspiros de velhos que lembram e choram, com bofetões violentos e com chifradas, mugidos e estrondos, sempre fala e diz: “Deus”? O mar é para vós, como o céu e os astros. E com o mar, os lagos, os rios, os pântanos, os riachos e as nascentes puras, que servem a todos para vos transportar, nutrir, dessedentar e purificar, e que vos servem, servindo o Criador, sem saírem para fora dos seus limites, afogando-vos, como mereceis.



Para quem teria feito todas as inumeráveis famílias dos animais, como flores que voam cantando, os servos que correm, que trabalham, nutrem e são recreação para vós, os reis?



Para quem teria feito todas as inumeráveis famílias das plantas, e das flores que parecem borboletas, que parecem jóias e passarinhos imóveis, dos frutos que parecem os cofres de pedras preciosas, como tapetes para vossos pés, proteção para as vossas cabeças, recreação útil, alegria para a vossa mente, membros, vista e olfato?



Para quem teria feito os minerais nas entranhas da terra, os sais dissolvidos nas fontes de águas geladas ou ferventes, as fontes sulfurosas, as iodadas, as alcalinas? Não teria sido para que alguém gozasse de tudo, alguém que não era Deus, mas filho de Deus? O homem.

Para a alegria de Deus, para as necessidades de Deus, nada era preciso. Deus se basta a Si mesmo. Não tem que se contemplar para alegrar-se, nutrir-se, viver e repousar. Tudo o que foi criado não aumentou um átomo a sua infinita alegria, sua beleza, seu poder. Mas tudo Ele fez pela sua criatura, que Ele quis colocar como rei na Sua obra: o homem.”

 

(O Evangelho como me foi revelado- Valtorta-Vol 1, pg 34,35,36)



sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

QUEM MATOU JESUS?


 



QUEM MATOU JESUS?

 

Muitos, ainda nestes tempos atuais, lançam dúvidas quanto ao mandante, ou o real culpado pela morte de Jesus Cristo. Uns dizem que foram os Romanos com o julgamento de Pilatos, outros Herodes, e finalmente outros, iluminados pelas evidências históricas da época, enfatizam que foram os Judeus, representados pelo sumo Sacerdote Caifás, os Escribas e Fariseus.

O ódio começou bem antes da morte de Cristo, quando Herodes, o Grande, que não era Judeu, mas tinha o título de Rei dos Judeus, devido seu cargo, desejou matá-lo assim que nascesse, visto que ficou sabendo através dos Reis Magos, que o nascimento do Rei dos Judeus ocorreria em poucos dias. Não foi bem sucedido nesta empreitada satânica, mas três anos depois, corroído pelo orgulho, tentou novamente matar o Messias exterminando todas as crianças do sexo masculino até três anos, de Belém Efrata e arredores. Porém como diz a história, também não foi bem sucedido nesta nova empreitada, a providência divina agiu com um Anjo avisando José para partir de Belém até o Egito. Depois que este tirano veio a falecer, Jesus menino com sua Mãe e o Pai voltam para Nazaré. As perseguições param até Jesus completar 30 anos quando dá início a sua evangelização. 

Assim como o orgulho havia ferido o coração de Herodes, o mesmo aconteceu com os Sacerdotes do Templo que não admitiam perderem seus cargos, mentindo para o povo Judeu dizendo que Jesus era um falso Messias, que fazia milagres usando magia através de Belzebu, que era um falso Rei pois não tinha milícias. Para se ter uma ideia da maldade destes homens que se diziam santos, assassinaram o pai de João Batista, que era Sacerdote, durante culto no Templo, pois Zacarias profetizava que o Messias já havia nascido, e que seu filho seria o precursor do Cordeiro de Deus. Invejosos, orgulhosos, não admitiam que alguém pudesse superá-los. Também não protegeram João Batista quando Herodes mandou prendê-lo, mostrando que havia conluio entre estes poderes. Os Sinedritas sabiam de quase  tudo que iria acontecer, era uma organização que defendia seus interesses mesquinhos, quando não convenciam com palavras ameaçavam de morte. As quase quinhentas Sinagogas com seus adeptos, formavam um grande olho de denúncias e ciladas contra Jesus. Foram portanto cúmplices do assassinato do Profeta João Batista, permitindo que ele fosse preso e morto de uma maneira muito cruel.

O complô para prender e matar Jesus surgiu com os Sinedritas, seu Pontífice Caifás e seus cúmplices, chamados de Escribas e Fariseus, todos Judeus, ou Israelitas, como queiram. Foi o Judeu Judas Iscariodes que entregou Jesus ao Sinédrio, se vendendo por 30 moedas. O Sinédrio acusou Jesus de se recusar a pagar o tributo a César, perante Pilatos, porque sabiam que os traidores da Pátria Romana eram condenados a morte. Fizeram conluios contra a honra de Pilatos, ameaçando denunciá-lo a Roma, por não tomar atitudes para conter “rebeliões”. Pilatos ainda receoso por não ver crime algum, manda Jesus a Herodes Antipas. Herodes não queria se atrever lançar qualquer julgamento sobre Jesus, porque já havia mandado matar seu primo João Batista. E assim sucedeu, Pilatos usou o gesto de limpar as mãos em público, devido seu entendimento sobre o condenado, mas sede as pressões dos Sinedritas, mandando crucificar Jesus. Poncio Pilatos, homem volúvel e covarde, mandou flagelar Jesus antes de levá-lo a Herodes, antes de julgá-lo, cometendo pecado contra um inocente. Mas foi colocado nesta situação de uma faca com dois gumes pelos Sinedritas, ou mandava matar Jesus ou seria denunciado a César.

Portanto quem armou toda a trama para matar Jesus Cristo foi seu próprio povo. Os Sacerdotes com seu Pontífice Caifás, os Fariseus, os Escribas que tinham poder nas mãos, foram os que conduziram esta maquinação deicida. Tanto é verdade esta afirmação, que Deus lançou um castigo tremendo sobre Israel, que não teria mais paz até o final dos tempos. Este é o veredito sobre o povo que matou Deus, mesmo diante de tantas evidências inquestionáveis.

Diz Jesus: “Os de Judá e Israel, aqueles que, daqui a pouco, por séculos e séculos, não terão mais pátria. E nem mesmo a terra do seu antigo chão os quererá acolher, mas os vomitará de si, depois de mortos, pois que eles quiseram rejeitar a Vida. Um horror infinito.”(Valtorta-Vol 9)

Não há nada de incompreensível no deicídio dos Judeus, visto que não eram mais o povo abençoado por Deus, mas sim seguidores de uma doutrina que sufocava o Decálogo, que não levava almas para Deus, mas para o inimigo de Deus. Era preciso frear esta ideologia farisaica antes que se tornasse grande demais, e perniciosa demais para as almas, trazendo consequências nas gerações posteriores irreversíveis.

Diz Jesus: “Na verdade, nem uma das pedras de Jerusalém ficará sem ser tocada. O fogo, o aríete, as fundas, os dardos derrubarão, atormentarão, revolverão cada uma das casas, e a cidade sagrada virará uma espelunca, e não somente ela. Virará uma espelunca esta nossa Pátria. Ela virará um pasto de burros selvagens e de lâmias, como dizem os Profetas. E não por um ou mais anos, nem por séculos, mas para sempre. O deserto, a aridez, a esterilidade... Eis a sorte reservada para estas terras! Um campo de contendas, lugar de torturas, sonho de reconstrução sempre destruída por uma condenação inexorável, tentativas de ressurgirem, mas mortas logo ao nascerem. A sorte da terra que rejeitou o Salvador, e quis uma orvalhada de fogo sobre os culpados.”(Valtorta-Vol.9)

O ódio que eles instalaram naquela época contra Jesus, foi tanto, que negavam o óbvio e o incontestável. Isto é um fato histórico, pois foram tantas as provas e evidências que Jesus era o Messias, e mesmo assim aquele povo o levou para a morte na Cruz. Isto sim foi incompreensível, para os homens honestos. Não admitir diante de tantas provas incontestáveis que Jesus era o Prometido, O Emanuel, o Messias, o Príncipe da paz, o Salvador e Redentor. Havia um outro fator que contribuiu para todos estes acontecimentos nefastos contra o Inocente. Judas foi encarnado por Lúcifer e cada Judeu que odiava Jesus tinha o seu demônio. No dia da crucificação havia milhares de demônios dos ares infestando os corações para garantir a morte do Príncipe da Paz. Sim, os habitantes do Inferno e seus filhos terrenos se uniram para uma grande festa de horror, praticando o maior pecado que já existiu em todos os tempos.   

Calcula-se que Jesus curou mais de trezentas pessoas durante os três anos de Evangelização, entre cegos, mudos, atrofiados, paralíticos, exorcismos, além de milagres como acalmar tempestades, andar sobre as águas, se fazer ouvir por uma multidão com uma voz única e possante, além de outros. Mas o que nos deixa entretidos completamente é a ressurreição de Lázaro que aconteceu diante dos olhos deles. Eles estavam lá, na casa de Lázaro como testemunhas oculares do milagre. E Lázaro não era qualquer um, mas um homem riquíssimo, filho do primeiro magistrado da Síria, o nobre Teófilo, casado com Euquéria, da tribo de Judá e da família de Davi, o mais instruído e rico de Israel. Lázaro era conhecido entre os Romanos e os Judeus, gozava de boa reputação e também pela sua generosidade.

Caifás e seus sequazes quando souberam que Lázaro morreria, mandou milícias para Betânia na casa de Lázaro todos os dias, para ter certeza se Jesus apareceria ou não. No enterro de Lázaro havia uma multidão de pessoas de todas as classes, para se despedir do ilustre amigo. No quarto dia depois de sua morte, Jesus apareceu e logo a notícia se espalhou, trazendo todos seus inimigos e muitos de seus amigos, na belíssima casa de Lázaro, de Marta e de Maria de Magdala em Betânia. Eles ouviram Jesus dizer: “Lázaro vem para fora”, e viram Lázaro levantar do sepulcro com o corpo perfeito, com a mente normal a fala normal e com apetite. Ninguém, a não ser Deus poderia fazer tal coisa. De um corpo já corrompido pelos vermes, surgir um novo e belo corpo totalmente reconstruído. Mas mesmo diante de tudo, do inquestionável, os Judeus alegando que foi Belzebu tramaram com Judas a traição.

A grande lição que fica destes acontecimentos e de tantos outros, está a chave de quem será julgado condenado ou absolvido de culpas. É sempre a vontade dos homens o que decide o julgamento no último dia, o livre arbítrio. Eles não quiseram aceitar Jesus. Eles não quiseram. Esta foi a vontade deles, e sobre esta vontade criminosa e deicida serão julgados.

Diz Jesus: “Povo meu, que foi que Eu te fiz? Em que foi que Eu te entristeci. Que é que Eu podia te dar a mais, e que Eu não o tenha dado? Eu instruí os vossos intelectos, curei os teus doentes, fiz o bem aos teus pobres, matei a fome de tuas multidões, te amei em teus filhos, perdoei, rezei por ti. Eu te amei até o sacrifício. E tu, que é que dás ao teu Senhor? (Valtorta-Vol. 9)

 

Antonio Carlos Calciolari


quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

TERCEIRO MANDAMENTO


 



TERCEIRO MANDAMENTO

 

“Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo. Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus trabalhos, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor, o teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teus filhos ou filhas, nem teus servos ou servas, nem teus animais, nem os estrangeiros que morarem em tuas cidades. Pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles existe, mas no sétimo dia descansou. Portanto, o Senhor abençoou o sétimo dia e o santificou.” (Ex 20;8;9;10;11)

Isto está dito no mandamento sobre o repouso sabático. Neste mandamento de santificação das festas, como sabemos foi substituído por Pedro quando realizou o Missal num domingo no Cenáculo em Jerusalém, e desde então celebrou-se o Dia do Senhor, dia da Ressurreição de Cristo. “Ora, no primeiro dia da semana, tendo-nos ajuntado os discípulos a partir o pão...”(At 20.7)

“Não Maria. Não é Pedro. Ele na verdade vai-se tornando cada vez mais firme, e agora que ele ficou sabendo com que intenção Lázaro quis usar a casa do Cenáculo, decidiu começar os ágapes regulares e celebrar os mistérios regularmente, no dia depois de cada sábado. Porque ele diz que agora o dia do Senhor é aquele, pois é o dia em que Ele ressuscitou e apareceu à muitos para confirma-los na fé sobre a sua Natureza eterna de Deus. Não existe mais o sábado, como existia para os hebreus. Não há mais o sábado porque para os cristãos não há mais sinagoga, mas a Igreja, assim como haviam predito os Profetas. Mas agora há e sempre haverá o dia do Senhor, em memória do Homem-Deus, do Mestre, Fundador, Pontífice eterno, depois de ter sido Igreja Cristã. Desde o dia depois do próximo sábado, celebrar-se-ão os ágapes entre cristãos, que serão muitos, na casa do Cenáculo.( Valtorta-Vol.10, pg. 447)

Pedro já estava tomado pelo Espírito Santo Paráclito, portanto falava e agia de acordo com o pensamento de Deus, para efetivar a Nova Aliança com os homens, com a Nova Arca viva que gerou a segunda pessoa da Trindade, com a Boa Nova dos Evangelhos da Graça, com a libertação da culpa original para os homens de boa vontade.

O sábado é o último dia da semana, simbolizando o dia de descanso depois de seis dias de trabalho. O domingo é o primeiro dia da semana, simbolizando o recomeço, uma nova jornada da Nova criação.

“A Nova Lei é fruto da Antiga, ou seja, é a perfeição atingida pela árvore da Fé.”(Valtorta-Vol.4)

O novo Adão Jesus com a nova Eva Maria, geradores de novos seres humanos libertos pela Redenção santificadora, através do Sangue e da Carne de Cristo consumidos na Eucaristia do Sacrifício perpétuo, é a Nova e única esperança da humanidade para voltar ao Paraíso. Não existe outro caminho a não ser carregar a Cruz que Cristo carregou. A Nova Era se iniciou com o nascimento de Jesus e atingiu seu ápice com sua ressurreição dos mortos. Abre-se uma nova era para os homens, como o dia mais importante para a salvação das almas, da justificação com a Ressurreição de Cristo. Jesus abre os portões do Paraíso, com suas inúmeras moradas, para todos os justos. Portanto o Dia do Senhor aos domingos está acima, tem uma importância muito maior, do que o dia de descanso sabático instituído no princípio, para que os homens tivessem um dia todo de orações e adoração. Somente dias de oração aos sábados e os inúmeros preceitos humanos agregados pelos sinedritas, não possuíam mais os requisitos necessários para a salvação dos filhos de Deus, que estavam se perdendo com as tentações de Satanás com o passar dos séculos, era preciso, ou acabar com a existência humana terrestre ou aceitar as providências divinas com a vinda de seu Filho como Salvador da humanidade. A renovação do Sacerdócio e do rito se tornaram necessárias para separar o povo deicida dos cristãos.  Não se trata da revogação ou cancelamento deste mandamento do decálogo, mas da substituição do dia da santificação das festas. O próprio Deus que instituiu o dia sabático, instituiu o dia do Senhor aos domingos, quando pela boca de Pedro e o consentimento dos Apóstolos, conjuntamente com os seus sucessores até os dias de hoje, o pensamento do Altíssimo assim requisitou com o fogo do Espírito Santo, a terceira pessoa da Trindade.

“E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-lo, porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e estará em vocês.” (João 14:16,17)

Deus assim quis para distinguir Judaísmo de cristianismo. É o mesmo decálogo de sempre, aprimorado com a recomendação do Amor. A Boa Nova nos ensina à renascer espiritualmente, ou seja, deixar infundir o amor em nossos corações, apagando o passado. A letra já não é mais “o tudo”, mas sim o significado espiritual da letra da Lei. E o significado espiritual do terceiro mandamento é este: O homem precisa ter um dia da semana de louvor e adoração ao Senhor como regra, para que nunca se esqueça de que Deus é tudo, e sem Ele nada somos. A escritura diz que Deus “descansou” no sétimo dia, mas na verdade Deus não se cansa, foi uma forma de dizer que o trabalho havia terminado. Assim como o espírito dos dez mandamentos é: Amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a ti mesmo. Sim, porque quem ama Deus e ao próximo não comete nenhum dos pecados mencionados nos dez mandamentos.

Diz Jesus: “Chegou o tempo da Misericórdia plena, depois dos séculos da Justiça. Esta é irmã da primeira. Como duas nascidas do mesmo ventre; mas, enquanto antes era mais forte a Justiça, e a outra somente temperava o seu rigor – porque Deus não pode proibir-se de amar- agora a Rainha é a Misericórdia, e, como se alegra com isso a Justiça, que sofria por ter que punir!” (Valtorta-Vol.2)

A mudança não foi somente o dia de descanso na Boa Nova instituída por Jesus Cristo. Naquela época para ser Judeu era necessário ter o sinal da Aliança feita com Abraão, a circuncisão do prepúcio nos homens. (Gn 17:11 e 13)  “E vós circundareis a carne de vosso prepúcio para que essa circuncisão seja o sinal do concerto que há entre Mim e vós.” “E esta marca do meu pacto será a vossa carne como sinal duma eterna aliança.”

Para o cristianismo é necessário batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, elevado a Sacramento com o sinal da Cruz na fronte da criança, simbolizando que sobrenaturalmente recebe o Sangue de Cristo no formato do sinal, como purificação da culpa original. A circuncisão passou a ser não mais na carne, mas no espírito, na alma encerrada no coração dos homens, o verdadeiro Templo de Deus.

A revelação de Deus em três pessoas ficou conhecida através de Jesus, coisa que antes o povo de Deus não sabia, a não ser pouquíssimos sábios, que souberam ler as entrelinhas das escrituras, tais como: “Disse também Deus: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança,...” (Gen 26) Observaram que Deus não disse: “Farei”, mas “façamos”, sugerindo que a Trindade já estava desde o princípio dos tempos. Também nos deu um novo mandamento: “Que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei...” (João 13:4) A oração universal do Pai Nosso proferida por Jesus já indica a intensão de Deus em salvar a todos, e para aceitarem, não mais com temor, mas como Pai amoroso e misericordioso. Dizer Pai ao Deus todo poderoso do Sinai, é um sinal da nova perspectiva afetiva, substituindo o medo.

Nesta Nova Aliança não temos mais o Templo ou as Sinagogas, mas as Igrejas, instituição fundada por Cristo, coroada com os sete Sacramentos que nos elevam para a salvação: Batismo, Crisma, Eucaristia, Confissão, Unção dos enfermos, Matrimônio e Ordem. A Igreja Católica é o meio instituído por Deus, para se chegar a ter Deus no coração e assim conquistar o Reino dos Céus. É chamada esposa de Cristo por que de seu ventre nascem os futuros filhos de Deus.

“Não Tiago. Pregação e milagre não são sacramentos. Mas os Sacramentos serão mais, serão sete, como o sagrado candelabro do Templo e os dons do Espírito do amor. E em verdade os sacramentos são dons e são chamas, dados para que o homem arda diante do Senhor pelos séculos dos séculos.”(Valtorta, vol.4)   

Somos cristãos, a nova criação de Deus para a humanidade subsistir, e para isso basta seguir o Caminho, a Verdade e a Vida proposta por Cristo usando o nosso livre arbítrio, a nossa boa vontade, aceitando esta doutrina Celeste, Eterna e imutável.

 

Antonio Carlos Calciolari

 

Obs. O candelabro mencionado por Jesus, também chamado de Menorá, tem sete braços onde se coloca óleo de oliva na parte de cima num orifício. É um candelabro de luz usado pelos Judeus no Templo junto com o Santo dos Santos. Este candelabro é uma alusão aos sete dons do Espírito Santo: Fortaleza, Sabedoria, Ciência, Conselho, Entendimento, Piedade e Temor a Deus.


quinta-feira, 21 de outubro de 2021

OS DOGMAS DA IGREJA





 

OS DOGMAS DA IGREJA

 

Como estamos no final dos tempos, onde as iniquidades contra a Igreja se tornarão mais explícitas, com a Abominação para a desolação no lugar Santo, suprimindo o Sacrifício Perpétuo, é necessário que nós Católicos tenhamos em nossas mentes os Dogmas. Este Sínodo que se inicia em Outubro de 2021, e que se estenderá até 2023, é o Sínodo profetizado por Nossa Senhora em Garabandal que antecede o Aviso e consequentemente as demais profecias apocalípticas. 

Para a Igreja Católica, dogma é uma verdade de fé revelada por Deus, não somente o que está na Bíblia, mas as revelações do Espírito Santo aos Santos depois que Jesus nos deixou até os dias de hoje. Logo, um dogma é imutável e definitivo, não pode ser mudado nem revogado, pois Deus, sendo Perfeito e Eterno, não está sujeito à mudança – “o Senhor é o mesmo ontem, hoje e eternamente” (Hb 13,8).

A palavra dogma vem do verbo grego dokein, que significa parecer, parecer bem. De uma maneira ainda mais direta, para o cristão católico, dogma é uma verdade absoluta, definitiva, infalível e inquestionável. Uma vez proclamado, o dogma não pode ser negado ou revogado, nem mesmo pelo Sumo Pontífice ou por algum Concílio. Os dogmas são proclamados para colocar um ponto final nas incessantes discussões teológicas a respeito de algum tema fundamental da fé e que exige adesão de todos os católicos.

 

 

São 43 dogmas proclamados pela Igreja, que os divide em 8 categorias distintas:

 

1. Dogmas sobre Deus;

 

2. Dogmas sobre Jesus Cristo;

 

3. Dogmas sobre a criação do mundo;

 

4. Dogmas sobre o ser humano;

 

5. Dogmas marianos;

 

6. Dogmas sobre o Papa e a Igreja;

 

7. Dogmas sobre os Sacramentos;

 

8. Dogmas sobre as últimas coisas (Escatologia).

 

 

Dogmas sobre Deus:

 

1 – A Existência de Deus

A ideia de Deus não é inerente em nós, já que transcende a natureza humana, mas nós temos capacidade natural para conhecê-Lo, de certo modo espontaneamente, por meio de sua obra. O ser humano pode saber que Deus existe, por exemplo, mediante a observação atenta do universo natural extremamente complexo e diversificado, tanto nos seres vivos dos microrganismos, como nos vegetais e animais. A procriação, o padrão criativo, a alimentação e a dependência entre estes seres vivos, sugerem um Criador. O sol, o mar, o firmamento são coisas grandes demais, para estarem em seus limites orquestrados, sem a mão de Deus. São coisas sobrenaturais que estão acima da compreensão da ciência.

Jesus diz: “Deus é a intangível Perfeição, Deus é a Beleza plena, Deus é o Poder infinito, Deus é a Essência incompreensível, Deus é a Bondade insuperável, Deus é a Compaixão indestrutível, Deus é a imensurável Sabedoria, Deus é o Amor que se torna Deus. É o Amor! É o Amor!” (Valtorta Vol 2)

 

2 – A Existência de Deus como Objeto de Fé.

A existência de Deus, porém, não é apenas objeto do conhecimento da razão natural, mas também e principalmente é objeto da fé sobrenatural. Todo homem tem dentro de si uma inclinação ao culto espiritual, sente-se atraído por algo maior do que ele. Nossa alma estimula, anima no homem sua volta para a fonte que a criou.

 

3 – A Unidade de Deus.

Não existe mais que um único Deus. Seria extremamente humilhante para nossa inteligência admitir mais de um Deus. Qualquer reflexão que por ventura viermos a fazer sobre este assunto, chegaremos à conclusão de que existe apenas um Deus Criador de tudo que existe.  Por isso temos um só Deus, uma só religião, uma só doutrina, uma só fé, uma só Igreja, requerida por esse Deus soberano.

 

4 – Deus é Eterno.

Deus não tem princípio nem fim, está além do espaço e do tempo. Deus é Amor, e não há força maior que este Amor no Universo. Somente este Amor pôde ser incriado, pois Ele é, onde não existe o tempo, é imaterial, um Espírito intelectual perfeitíssimo.

 

5 – A Santíssima Trindade.

No Deus Uno há três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Cada uma possui a imutável Essência Divina. Jesus durante a última ceia com os Apóstolos, disse: batizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A nossa história terrestre é marcada pela atuação da Trindade Divina, onde no início foi o Pai Justiça(Velho Testamento), com Jesus a misericórdia através da graça santificante(Novo Testamento) e depois o Espírito Santo Paráclito, instrumento de elucidação espiritual até a segunda volta de Cristo.(Atos dos Apóstolos e seus sucessores) A Trindade sempre esteve unida desde o princípio dos tempos, mas com atuações distintas durante o tempo humano terrestre.

O padrão trinitário dos animais constituídos por cabeça, tronco e membros. O padrão trinitário das cores, que de azul, vermelho e amarelo se chega em todas as outras cores. O tempo – passado/presente/futuro, o espaço – largura/altura/profundidade, a matéria – prótons/nêutrons/elétrons, a música – melodia/harmonia/ritmo, o estado da matéria – sólido/líquido/gasoso. E assim por adiante, as coisas criadas falam de Deus Trino, que são as digitais do Criador.

 

 

Dogmas sobre Jesus Cristo:

 

6 – Jesus Cristo é verdadeiro Deus e Filho de Deus por Essência

O Cristo possui a infinita Natureza Divina com todas as suas infinitas Perfeições, por haver sido gerado eternamente por Deus.

 

7 – Jesus possui duas naturezas que não se transformam nem se misturam ou confundem.

Declara o Concílio de Calcedônia (451, IV): "Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele mesmo perfeito em Divindade e Ele mesmo perfeito em humanidade (...) que se há de reconhecer nas duas naturezas: sem confusão, sem mudanças, sem divisão, sem separação e de modo algum apagada a diferença de natureza por causa da união, conservando cada natureza sua propriedade e concorrendo em uma só Pessoa" (Dz. 148). Conforme as Sagradas Escrituras, "o Verbo se fez carne..." (Jo 1,14). / "...o qual, sendo de condição divina, não reteve avidamente o fato de ser igual a Deus, mas se despojou de Si mesmo, tomando a condição de servo, fazendo-se semelhante aos homens e aparecendo em seu porte como homem" (Fl 2,6-7). Vemos então que Cristo é possuidor de uma íntegra Natureza Divina e de uma íntegra natureza humana: a prova está, entre outros, nos seus milagres, em sua Ressurreição, em suas dores e no seu padecimento.

 

8 – Cada uma das Naturezas em Cristo possui uma própria vontade física e uma própria operação física.

Declara o III Concílio de Constantinopla (680-681): "Proclamamos, conforme os ensinamentos dos Santos Padres, que não existem duas vontades físicas e duas operações físicas, de modo indivisível, de modo que não seja conversível, de modo inseparável e de modo não confuso. E estas duas vontades físicas não se opõem uma à outra como afirmam os ímpios hereges..." (Dz. 291 e Dz. 263-288).

Deus Filho diz a Deus Pai nas Sagradas Escrituras: "Não seja como Eu quero, mas sim como Tu queres" (Mt 26,39). / "Não seja feita a minha vontade, mas sim a Tua." (Lc 22,42). – Diz ainda aos discípulos: "Desci do Céu não para fazer a minha vontade, mas sim a vontade de Quem me enviou" (Jn 6,38). / "Ninguém me tira a vida, Eu a doei voluntariamente: tenho o poder para concedê-la e o poder de recobrá-la novamente" (Jo 10,18).

Apesar da dualidade física das duas vontades, existiu e existe a unidade moral, porque a vontade humana de Cristo se conforma em livre subordinação, de maneira perfeitíssima à Vontade Divina.

 

9 – Jesus Cristo, ainda que homem, é Filho Natural de Deus Pai.

Jesus Cristo não foi criado por Deus, mas sim gerado, ou seja, num excesso de Amor parte de Deus Pai se desprendeu para formar seu Filho. É de fato o Filho Unigênito do Pai. Se fez carne, o Emanuel, adquirindo um corpo humano para expiar como Redentor da humanidade.

 

10 – Cristo imolou-se a si mesmo na Cruz como verdadeiro e próprio Sacrifício.

No inefável Mistério, Cristo, por sua natureza humana, era ao mesmo tempo Sacerdote e Oferenda, mas por sua Natureza Divina, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, era O Mesmo que recebia o Sacrifício.

 

11 – Cristo nos resgatou e reconciliou com Deus por meio do Sacrifício de sua morte na Cruz.

Jesus Cristo quis oferecer-se a Si mesmo a Deus Pai, como Sacrifício apresentado sobre a ara da Cruz em sua Morte, para obter-nos o perdão eterno. Somente o Homem-Deus poderia expiar para reparar a culpa original, a união da carne pecadora com o Espírito perfeitíssimo, juntos se reconciliando para a salvação tanto da carne como da alma, as quais se fundirão novamente no último dia, o dia do juízo final, para condenação ou absolvição.

 

12 – Ao terceiro dia depois de sua Morte, Cristo ressuscitou glorioso dentre os mortos

Ao terceiro dia, ressuscitado por sua própria Virtude, levantou-se Nosso Senhor Jesus do sepulcro.

 

13 – Cristo subiu em Corpo e Alma aos Céus e está assentado à direta de Deus Pai

Ressuscitou dentre os mortos e subiu ao Céu em Corpo e Alma.

 

 

Dogmas sobre a criação do mundo:

 

14 – Tudo o que existe foi criado por Deus a partir do Nada.

A criação do mundo, a partir do nada, não apenas é uma verdade fundamental da revelação cristã, mas podemos concebe-la e aceita-la usando nossa capacidade mental da razão, observando tudo ao nosso redor. Como exemplo, a beleza que observamos na natureza, nos animais e nos astros, sugerem um feitor, e não uma ocasionalidade.

 

15 – Caráter temporal do mundo.

O mundo teve princípio no tempo, pois o Infinito é capaz de criar o finito, e o Eterno é capaz de dar existência ao temporal.

 

16 – Conservação do mundo.

Além de Criador, Deus é Conservador, pois conserva a existência a todas as coisas criadas. Não basta criar, tudo deve ter uma providência Divina para continuar existindo. Nenhuma folha cai de uma árvore sem que Deus saiba e permita, pois tudo acontece para o bem universal.

 

 

Dogmas sobre o ser humano:

 

17 – O homem é formado de corpo material e alma espiritual

Este dogma foi afirmado no IV Concílio de Latrão (1215), sob Inocêncio III (1198-1216), e no Concílio Vaticano I (1869-70), sob Pio IX (1846-78). Segundo a doutrina da Igreja, o corpo é parte essencialmente constituinte da natureza humana, e não carga e estorvo como disseram certos hereges. Igualmente, para defender o dogma católico contra os que dizem que consta de três partes essenciais: corpo, alma animal e alma espiritual, o Concílio de Constantinopla declarou "que o homem tem apenas uma alma racional e intelectual" (Dz. 338). A alma espiritual é o princípio da vida espiritual e ao mesmo tempo o é da vida animal (vegetativa e sensitiva) (Dz. 1655).

Declaram as Sagradas Escrituras: "O Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em seu rosto o alento da vida" (Gn 2,7). / "Antes que o pó volte à terra, de onde saiu, e o espírito retorne a Deus..." (Ecl 12,7). / "Não tenhais medo dos que matam o corpo e à alma não podem matar; temais muito mais Àquele que pode destruir o corpo e a alma na geena." (Mt 10,28).

Prova-se especulativamente a unicidade da alma no homem por testemunho da própria consciência, pela qual entendemos que o mesmo Eu, que é o princípio da atividade espiritual, é o mesmo que gera a sensibilidade e a vida vegetativa.

 

18 – O pecado de Adão se propaga a todos os seus descendentes por geração, não por imitação

O Pecado, que é morte da alma, se propaga de Adão a todos seus descendentes por geração, e não por imitação, sendo inerente a cada indivíduo.

 

19 – O homem caído não pode redimir-se a si próprio

Somente um ato livre por parte do Amor Divino poderia restaurar a ordem sobrenatural, destruída pelo Pecado. Sendo Deus infinitamente Grande, Justo e Perfeito, o crime contra Ele é infinitamente grave. Só poderia então ser resgatado mediante um Sacrifício infinitamente meritório e reparador, do qual nós não seríamos capazes.

 

 

Dogmas marianos:

 

20 – Imaculada Conceição e Virgindade Perpétua de Maria

A Santíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição foi, por singular Graça e Privilégio de Deus Onipotente, em previsão dos Méritos de Cristo Jesus, Salvador do gênero humano, preservada imune de toda mancha de culpa original. Assim era preciso que a Mãe do Senhor, o Tabernáculo da Nova e Eterna Aliança, fosse imaculada, assim como era intocável e feita do ouro mais puro a Arca da Antiga Aliança.

Nos livros da mística Valtorta, é revelado que Ana mãe de Maria era estéril, e já com uma certa idade, quando miraculosamente engravidou, depois de estar orando no Templo pedindo a graça de ter um filho, quando uma voz lhe disse: “O que pedistes venha a ti”. No mesmo instante uma luz em forma de estrela incandescente foi direto a ela, quando ouviu: “Eu sou.”

A doutrina da Virgindade Perpétua de Maria expressa a real e perpétua virgindade de Maria mesmo no ato de dar à luz a Jesus, o Filho de Deus feito homem". Maria permaneceu sempre virgem fazendo de Jesus seu único Filho, cuja Concepção e nascimento são milagrosos. Já nos anos 300, esta doutrina era amplamente apoiada pelos Padres da Igreja e, no século sétimo, foi afirmada num conjunto de concílios ecumênicos. Nas aparições de Maria pelo mundo Ela revela sua imaculada conceição e sua eterna virgindade. Também inúmeros Santos e Mártires da Igreja assim confessam.

 

21 – Maria, Mãe de Deus

Maria gerou a Cristo segundo a natureza humana, mas quem dela nasce transcende esta natureza humana – O Filho de Maria é propriamente o Verbo Divino, encarnado em natureza humana – Maria, então, é necessariamente mãe de Deus, posto que Jesus, o Verbo, é Deus: Cristo, sendo inseparavelmente verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, faz de Maria verdadeira mãe de Deus, por não haver separação entre as Naturezas humana e divina em Nosso Senhor e Salvador.

Evidentemente, Maria não é anterior ao próprio Deus Onipotente e Criador de todas as coisas, nem é "deusa". Este dogma, pois, não deve ser confundido: Maria não é e nem poderia ser mãe de Deus segundo a Natureza Divina; entretanto, como as duas Naturezas no Cristo são inseparáveis, ela foi feita, por um inescrutável Mistério do próprio Deus, a um só tempo criatura, serva, filha e mãe do Senhor. O título Mãe de Deus a Igreja lhe atribui como ato e reflexo de sua veneração por ela e adoração exclusiva a Deus.

 

22 – A Assunção de Maria

 

Inúmeros Santos Católicos foram santificados com corpos incorruptos, para Maria além da incorruptibilidade, foi permitido por Deus a assunção do corpo e também do Espírito puríssimo da Virgem direto para o Paraíso.

Papa Pio XII, em 1950, através da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus: “A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre foi assunta em corpo e alma à glória celestial”.

 

 

Dogmas sobre o Papa e a Igreja:

 

23 – A Igreja foi fundada pelo Deus-Homem, Jesus Cristo

Cristo fundou a Igreja; Ele estabeleceu os fundamentos substanciais da mesma, no tocante a sua doutrina, culto e constituição.

Atestam as Sagradas Escrituras o que Jesus declarou a S. Pedro: "Bem aventurado és tu, Simão filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelaram (que Eu sou o Cristo), mas meu Pai que está nos Céus. Também Eu te declaro que és Pedro (no aramaico: Kepha = Pedra), e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno nunca prevalecerão contra ela. Eu de darei as Chaves do Reino dos Céus, o que ligares na Terra será ligado nos Céus, e o que desligares na Terra será desligado nos Céus." (Mt 16,17-19)

 

24 – Cristo constituiu o Apóstolo São Pedro como primeiro entre os Apóstolos e como cabeça visível de toda a Igreja, conferindo-lhe imediata e pessoalmente o primado da jurisdição

O Romano Pontífice é o sucessor do bem-aventurado S. Pedro e tem o primado terreno sobre todo o rebanho do Senhor, que é a Igreja. Este fato é atestado claramente, repetidas vezes, pelas Sagradas Escrituras:

"Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: 'Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes?' Respondeu ele: 'Sim, Senhor, tu sabes que te amo'. Disse-lhe Jesus: 'Apascenta os meus cordeiros'. Perguntou-lhe outra vez: 'Simão, filho de Jonas, amas-me?' Respondeu-lhe: 'Sim, Senhor, tu sabes que te amo'. Disse-lhe Jesus: 'Apascenta os meus cordeiros'. Perguntou-lhe pela terceira vez: 'Simão, filho de João, amas-me?' Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: 'Amas-me?', e respondeu-lhe: 'Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo'. Disse-lhe Jesus: 'Apascenta as minhas ovelhas'.” (João 21,15-17)

“Irmãos, sabeis que há muito tempo Deus me escolheu dentre vós (Apóstolos), para que da minha boca os pagãos ouvissem a Palavra do Evangelho. ”, declara solenemente o próprio S. Pedro (At 15,7).

Diz o Senhor especialmente e somente a S. Pedro: “Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E tu, confirma os teus irmãos.” (Lc 22, 31-32)

 

25 – O Papa possui o pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda Igreja, não somente nas questões de fé e costumes, mas também na disciplina e governo da Igreja

Conforme esta declaração, o poder do Papa é de jurisdição; universal; supremo; pleno; ordinário; episcopal; imediato.

 

26 – O Papa é infalível quando se pronuncia ex catedra

Para compreender este dogma, convém ter na lembrança: sujeito da infalibilidade papal é todo Papa legítimo, em sua qualidade de sucessor de Pedro. O objeto da infalibilidade são as verdades de fé e os costumes, revelados ou em íntima conexão com a Revelação Divina. A condição da infalibilidade é que o Papa fale ex catedra, isto é:

a) Que fale como pastor e mestre de todos os fiéis fazendo uso de sua suprema autoridade.

b) Que tenha a intenção de definir alguma doutrina de fé ou costume para que seja acreditada por todos os fiéis. As encíclicas pontificais não são definições ex catedra.

A razão da infalibilidade é a assistência sobrenatural do Espírito Santo, que preserva o supremo mestre da Igreja de todo erro, conforme a Promessa de Cristo ('Eis que estou convosco até o fim do mundo' – Mt 28,20). A consequência da infalibilidade é que as definições ex catedra dos Papas sejam por si mesmas irreformáveis, sem a possibilidade de intervenção posterior de qualquer autoridade, mesmo que seja outro Papa.

 

27 – A Igreja é infalível quando faz definição em matéria de fé e costumes

Estão sujeitos à infalibilidade:

• O Papa, quando fala ex catedra;

• O episcopado pleno, com o Papa, que é a cabeça do episcopado, é infalível quando, reunido em concílio ecumênico ou disperso pelo rebanho da Terra, ensina e promove uma verdade de fé ou de costumes para que todos os fiéis a sustentem.

 

 

Dogmas sobre os Sacramentos:

 

Sacramento significa santo, santificado, do alto, de Deus. Um rito juramentado espiritual entre a matéria e a alma.

 

28 – O Batismo é verdadeiro Sacramento instituído por Jesus Cristo

Atestam as Sagradas Escrituras: "Jesus lhes disse: 'Toda autoridade me foi dada no Céu e na Terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo'.”

 

29 – A Confirmação é verdadeiro e próprio Sacramento

Este Sacramento concede aos batizados a Fortaleza do Espírito Santo para que se consolidem interiormente em sua vida sobrenatural e confessem exteriormente com valentia sua fé em Jesus Cristo.

 

30 – A Igreja recebeu de Cristo o poder de perdoar os pecados cometidos após o Batismo

Foi comunicada aos Apóstolos e a seus legítimos sucessores o poder de perdoar e de reter os pecados para reconciliar aos fiéis caídos depois do Batismo. Cristo, que pode perdoar os pecados, deu à sua Igreja o poder de perdoá-los em seu Nome: “Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados; aqueles aos quais os retiverdes (não perdoardes), serão retidos” (Jo 20, 22ss).

 

31 – A Confissão Sacramental dos pecados está prescrita por Direito Divino e é necessária para a salvação

Basta indicar a culpa da consciência a sacerdote devidamente ordenado, mediante confissão secreta. Tal confissão sacramental é diante dos homens, diante da Igreja de Cristo e diante de Deus.

 

32 – A Eucaristia é verdadeiro Sacramento instituído por Cristo

 Atestam as Sagradas Escrituras:

"Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu. Quem comer deste Pão viverá eternamente. E o Pão que eu hei de dar é a minha Carne, para a salvação do mundo." (Jo 6,51)

"Quem se alimenta da minha Carne e bebe do meu Sangue permanece em Mim, e Eu nele." (Jo 6, 56-57)

"Pois a minha Carne é verdadeiramente comida e o meu Sangue é verdadeiramente bebida." (Jo 6,55)

"O Cálice que tomamos não é a Comunhão com o Sangue de Cristo? O Pão (...) não é a Comunhão com o Corpo de Cristo?" (I Cor 10,16)

"Cada um se examine antes de comer desse Pão e beber desse Cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação." (I Cor 11,28-30)

 

33 – Cristo está Presente no Sacramento do Altar pela Transubstanciação de toda a substância do pão em seu Corpo e toda substância do vinho em seu Sangue

Transubstanciação é uma conversão no sentido passivo; é o trânsito de uma coisa à outra. Cessam as substâncias de Pão e Vinho, pois sucedem em seus lugares o Corpo e o Sangue de Cristo. A Transubstanciação é uma conversão milagrosa e singular diferente das conversões naturais, porque não apenas a matéria como também a forma do pão e do vinho são convertidas; apenas os acidentes permanecem sem mudar: continuamos vendo e experimentando fisicamente pão e vinho, mas substancialmente já não o são, porque neles está realmente o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

34 – A Unção dos enfermos é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo

Atestam as Sagradas Escrituras:

“Está alguém enfermo entre vós? Chame os sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor.” (Tg 5,14)

 

35 – A Ordem é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo

Existe uma hierarquia instituída por ordenação Divina, que consta de Bispos, Presbíteros e Diáconos. As Sagradas Escrituras o atestam em Fl 1,1.

 

36 – O Matrimônio é verdadeiro e próprio Sacramento

Cristo restaurou o Matrimônio instituído e bendito por Deus, fazendo que recobrasse seu primitivo ideal da unidade e indissolubilidade e elevando-o a dignidade de Sacramento.

 

 

Dogmas sobre as últimas coisas:

 

37 – A Morte e sua origem

A morte é consequência do pecado primitivo. O relato bíblico da Queda (Gn 3) utiliza uma linguagem feita de imagens, mas afirma um acontecimento primordial, um fato que ocorreu no início da história do homem. A Revelação dá-nos a certeza de fé de que toda a história humana está marcada pelo pecado original cometido livremente por nossos primeiros pais, trazendo como consequência a morte. "Porque o salário do pecado é a morte, mas o Dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 6,23).

 

38 – O Céu (Paraíso)

As almas dos justos, que no instante da morte se acham livres de toda culpa e pena de pecado, entram no Céu. O Paraíso é um lugar de paz e ordem, de músicas, de perfumes, de caridade, de Luz, onde o Amor-Deus tudo rege.

 

39 – O Inferno

As almas dos que morrem em estado de pecado mortal são condenadas ao inferno. São os negadores de Deus, aqueles que não quiseram estar com Deus. É um lugar real de suplícios e tenebroso, escuro, com um lamaçal de fogo por todos os lados, um fogo que não se apaga, onde o ódio e a blasfêmia dita o rito dos condenados e as ações perversas dos demônios liderados por Satanás.

 

40 – O Purgatório

As almas dos justos que no instante da morte estão agravadas por pecados veniais ou por penas temporais, se dirigem ao Purgatório. A Alma passa por uma purificação através de expiações diversas. O Purgatório é um estado de purificação com a certeza de salvação, e existirá até a volta de Cristo. As únicas duas potência que existirão eternamente serão a do Inferno e do Paraíso.

 

41 – O Fim do mundo e a Segunda vinda de Cristo

Na segunda vinda de Cristo, Satanás não tentará mais os homens, será o fim do mundo com as insídias e tentações que fizeram perder tantas almas. Jesus com mão de ferro expulsará o Anticristo e o Falso Profeta, lançando-os no Inferno, e uma nova era de paz que durará 1000 anos terá início. A nova Terra se unirá com a Jerusalém Celeste.

 

42 – A Ressurreição dos Mortos no Último Dia

Aos que creem em Jesus e se alimentam de seu Corpo e bebem de seu Sangue, Ele lhes promete a ressurreição para vida eterna de Paz e Plenitude. Cristianismo não é humanismo, mas um caminho para receber a vida eterna no mundo dos espíritos, e para se ter esta passagem é necessário ressuscitar dos mortos. Jesus ressuscitou dos mortos para nos dar o exemplo e a justificação da fé.

 

43 – O Juízo Universal

Cada ser humano nascido depois de Cristo, no momento de sua morte tem o julgamento particular de Jesus, e depois no último dia, no Juízo Universal com toda criação.

 

 

Antonio Carlos Calciolari