quinta-feira, 26 de março de 2020

O RETORNO DOS SETENTA E DOIS






O RETORNO DOS SETENTA E DOIS




No longo crepúsculo de um dia sereno de outubro, voltam os setenta e dois com Elias, José e Levi. Cansados, empoeirados, mas muito alegres! Alegres os três pastores, porque agora estão livres para servirem ao Mestre. Felizes também por estarem, depois de tantos anos de separação, unidos aos companheiros de outros tempos. Felizes os setenta e dois por terem-se saído bem em sua primeira missão. Seus rostos estão brilhando mais do que as pequenas luzes que iluminam as pequenas cabanas que foram construídas para este numeroso grupo de peregrinos.
...Acabadas nas cabanas as ceias, Jesus se encaminha para o lado do Monte das Oliveiras, e os discípulos o acompanham em massa.
Isolados do murmúrio e da multidão, depois de terem feito uma oração em comum, eles contam tudo a Jesus, mais amplamente do que haviam podido fazer antes, por entre as pessoas que iam e vinham. Eles estão ainda espantados e alegres, enquanto dizem: “Tu sabe, ó Mestre, que não só as doenças, mas até os demônios nos ficaram sujeitos pela força do Teu Nome? Que coisa, Mestre! Nós, nós uns simples homens, só porque Tu nos mandaste, podíamos livrar o homem do poder terrível de um demônio!...”, e contam casos e mais casos, acontecidos aqui e ali. Somente de um é que eles dizem: “Os parentes, ou melhor, a mãe e os vizinhos no-lo trouxeram à força. Mas o demônio zombou de nós, dizendo: “Eu voltei aqui por vontade dele, depois que Jesus Nazareno me havia expulsado, e não o deixo mais, porque ele me ama mais do que ao vosso Mestre, e por isso tornou a procurar-me”, e, de repente, com uma força indomável, arrebatou o homem das mãos que o estavam segurando, e o arremessou por um despenhadeiro abaixo. Nós corremos para ver se ele se tinha despedaçado. Mas, qual nada! Ele ia correndo como uma gazela nova, dizendo blasfêmias e chalaças, que não eram desta terra... Ficamos com dó da mãe... Mas ele! Oh! É assim que o demônio pode fazer?”
“Assim, e mais ainda”, diz Jesus com tristeza.
“Talvez, se Tu lá estivesses...”
“Não. Eu havia dito àquele homem: “Vai, e não queiras recair em teu pecado.” E ele quis. Sabia que estava querendo o mal e o quis. Está perdido. Diferente é o caso de quem vem possesso por causa de sua ignorância, do caso de quem se deixa possuir, sabendo que assim fazendo, se vende de novo ao demônio. Mas não faleis dele. É um membro cortado, sem esperança, é um voluntário do mal. Louvemos sim, ao Senhor, pelas vitórias que vos deu. Eu via Satanás cair do Céu como um raio, pelo vosso mérito unido ao Meu Nome. Porque Eu vi também os vossos sacrifícios, as vossas orações, o amor com que íeis aos infelizes, para fazerdes o que Eu tinha dito que fizésseis. Vós o fizestes com amor e Deus vos abençoou. Outros farão isto que vós fazeis, mas o farão sem amor. E não conseguirão conversões. Contudo, não vos alegreis por terdes conseguido sujeitar os espíritos, mas alegrai-vos, sim, porque os vossos nomes estão escritos no Céu. Não os retireis nunca de lá...”
“Mestre, quando virão os que não vão conseguir conversões? Talvez será, quando não estiveres mais conosco?”, pergunta um dos discípulos, cujo nome eu não sei.
“Não, Agapo. Em qualquer tempo.”
“Como? Até mesmo enquanto nos ensinas e nos amas?”
“Também. Amar, Eu vos amarei sempre, mesmo que estejais longe de Mim. O meu amor a vós existirá sempre, e vós o sentireis.”
“Oh! É verdade. Eu o senti numa tarde em que eu estava angustiado, porque não sabia o que haveria de dizer a um que me estava interrogando. Eu estava para fugir, envergonhado. Mas aí eu me lembrei daquelas tuas palavras: “Não tenhais medo. Ser-vos-ão dadas, no momento oportuno as palavras que haveis de dizer”, e eu, com o meu espírito, Te invoquei. Eu disse: “Certamente Jesus me ama. Eu chamo em meu socorro o seu amor”, e me veio o amor. Veio como um fogo, uma luz... uma força... O homem que estava a minha frente me observava e me ridicularizava com ironia, piscando os olhos para os seus amigos. Ele estava certo de que ia vencer a discussão. Então eu abri a boca, e era como um rio de palavras que saía com alegria de minha boca tola. Mestre, Tu vieste mesmo, ou foi uma ilusão minha? Eu não sei. Só sei que afinal o homem, que era um jovem escriba, lançou-me os braços ao pescoço, dizendo-me: “Feliz de ti e feliz quem a essa sabedoria te conduziu”, e me pareceu que ele estava com vontade de procurar-te. Ele virá?”
“As idéias do homem são passageiras como a palavra escrita sobre a superfície da água, e irrequieta como as asas das andorinhas antes de voarem para a última refeição do dia. Mas tu, reza por ele... E, sim. Fui a ti. Como tu, também me tiveram Matias e Timoteu, João de Endor e Simão, Samuel e Jonas, a quem percebeu minha presença, e a quem não a percebeu. Mas Eu estive convosco. E Eu estarei com quem me serve em amor e verdade, até o fim dos séculos.”
“Mestre, ainda não nos disseste se, entre as pessoas presentes haverá pessoas sem amor.”
“Não é necessário saber isso. Seria uma falta de amor da minha parte, se Eu vos fizesse sentir desprezo para com algum companheiro que não soubesse amar.”
“Mas há alguns desses? Isto podes dizer...”
“Há. O amor é a mais simples, a mais doce e a mais rara coisa que há e, nem sempre, mesmo que tenha sido semeada, ela medra.”
“Mas, se não te amarmos, quem poderá amar?” Há uma quase indignação e entre eles se forma um tumulto pela suspeita e pela dor.
Jesus desce as pálpebras sobre os olhos. Esconde também o seu olhar, para que ele não sirva de indicador. Mas faz um gesto resignado, doce e triste, ficando com as mãos de palmas abertas para fora, num gesto de resignada confissão, de resignado conhecimento, e diz: “Assim haveria de ser. Mas assim não é. Muitos ainda não se conhecem. Mas Eu os conheço. E tenho dó deles.”
“Oh! Mestre, Mestre! Mas, não serei eu, não é?”, pergunta Pedro, indo para o lado de Jesus e comprimindo o pobre Marziam entre si mesmo e o Mestre, e lançando seus braços curtos e musculosos sobre os ombros de Jesus, e os segura e sacode, como se tivesse ficado louco e aterrorizado, ao pensar que podia ser um dos que não amam a Jesus.
Jesus torna a abrir os olhos luminosos, mas entristecidos, olha para o rosto indagador e espavorido de Pedro, e lhe diz: “Não, Simão de Jonas. Não és tu. Tu sabes amar, e ainda o saberás sempre mais. Tu és a minha Pedra, Simão de Jonas. Uma boa pedra. Sobre ela Eu irei apoiar as coisas que me são mais caras, e estou certo de que tu as sustentarás, sem conhecer perturbação.”
“Eu, então? “Eu?, “Eu?” As interrogações se repetem, como um eco, quando vai-se repetindo de boca em boca.
“Paz! Paz! Ficai tranqüilos e esforçai-vos por possuir todos o amor.”
“Mas quem entre nós sabe amar mais?”
Jesus corre o olhar sobre todos, uma carícia sorridente, e depois deixa o olhar sobre Marziam, que continua apertado entre Ele e Pedro e, afastando um pouco Pedro, e virando o rosto do menino para a pequena multidão, diz: “Aqui está o que sabe amar entre vós. O menino. Mas não tremais, vós, que já tendes barba sobre as vossas faces, e até fios brancos nos cabelos. Todo aquele que renasce em Mim se torna um “menino”. Oh! Ide em paz, daí louvores a Deus, que vos chamou, porque realmente vós estais vendo, com vossos próprios olhos os prodígios do Senhor. Felizes aqueles que verão igualmente o que vós estais vendo. Porque Eu vos garanto que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós estais vendo, e não viram. E muitos patriarcas teriam querido ouvir o que vós ouvis, e não puderam escutar. Mas, de agora em diante, aqueles que me amarem conhecerão todas as coisas.”
“E depois? Quando tiverdes ido embora daqui, como dizes?”
“Depois, vós falareis por Mim. E depois... Oh! que grandes fileiras, não pelo número, mas pela graça, as daqueles que verão, saberão e escutarão o que vós agora estais vendo, sabendo e ouvindo! Oh! Que grandes e amadas fileiras dos meus “pequenos grandes”! Olhos eternos, mentes eternas, ouvidos eternos! Como poder explicar-vos a vós que estais ao redor de Mim, o que será esse viver eterno, mais que eterno, desmesurado, daqueles que me amarão e que Eu amarei até o fim dos tempos, que serão os “cidadãos de Israel, ainda que vivam quando Israel não mais existir, a não ser como uma lembrança de nação, e serão os contemporâneos de Jesus vivente em Israel? E estarão comigo, em Mim, até chegarem a conhecer o que o tempo cancelou e a soberba confundiu. Que nome Eu lhes darei? Vós sois Apóstolos e vós sois discípulos, e os que crerem serão chamados cristãos. E estes? Estes, que nome terão? Um nome conhecido apenas no Céu. Que prêmio eles terão, desde esta terra? O meu beijo, a minha voz, o calor da minha carne. Tudo, tudo, Eu mesmo todo. Eu, eles. Eles, Eu. Uma comunhão total... Ide. Eu fico a encher de felicidade o meu espírito na contemplação dos meus conhecedores futuros e amantes absolutos. A paz esteja convosco.”


(O Evangelho como me foi revelado – Maria Valtorta – Vol. 4, pg. 370 a 374)

segunda-feira, 23 de março de 2020

VIGILÂNCIA, PERSPICÁCIA, OBEDIÊNCIA.







VIGILÂNCIA, PERSPICÁCIA, OBEDIÊNCIA.



Diz Jesus:

“Crede, que somente desse enriquecimento de virtudes é necessário preocupar-se. E prestai atenção que vossa preocupação nunca seja cheia de angústia nem de inquietação. O bem é inimigo da inquietação, dos medos, daquelas pressas que muito têm ainda de avareza, de ciúme, de desconfiança humana. O vosso trabalho seja constante, confiante, pacífico. Sem partidas bruscas, nem paradas repentinas. Quem faz assim são os burros selvagens. Mas ninguém faz uso deles, a não ser que seja algum doido, para ir fazer uma viagem sem segurança. Pacíficos nas vitórias, pacíficos nas derrotas. Até o choro por causa de algum erro cometido e que vos entristece, porque com tal erro desagradastes a Deus, deve também ele ser pacífico, confortado pela humanidade e pela confiança. A prostração, o rancor contra si mesmo é sempre um sintoma de soberba e, portanto, de desconfiança. Se alguém é humilde, sabe que é pobre homem sujeito às misérias da carne, que as vezes triunfa. Se alguém é humilde, tem confiança, não somente em si mesmo, mas em Deus, e fica calmo nas derrotas, dizendo: “Perdoa-me Pai. Eu sei que Tu conheces a minha fraqueza, que me vence de vez em quando. Eu creio que Tu tens compaixão de mim. Tenho a firme confiança de que Tu me ajudarás no futuro, ainda mais do que antes, apesar de eu ter satisfeito tão pouco a Tua Vontade.”
E não sejais nem apáticos, nem avarentos com os bens de Deus. De tudo o que tiverdes de sabedoria e virtude, distribuí. Sede ativos nas coisas espirituais, como os homens o são nas coisas da carne.
E, quanto à carne, não fiqueis imitando os que são do mundo, que estão sempre tremendo por causa do seu amanhã, pelo medo de que lhes falte o supérfluo, de que os pegue uma doença, de que chegue a morte, de que os inimigos lhes possam fazer mal, e assim por diante. Deus sabe do que precisais. Não temais, pois, pelo vosso dia de amanhã. Ficai livres daqueles medos, que pesam mais do que ao grilhões dos galeotes. Não fiqueis preocupados com vossa vida, nem com o que havereis de comer, ou beber, nem com que vestir-vos. A vida do espírito é mais do que a do corpo e do que as vestes, porque é com o corpo, e não com as vestes que vós viveis. E com a mortificação do corpo, ajudais o espírito a conseguir a vida eterna. Deus sabe até quando vai deixar a alma no corpo e até que hora vos dará o necessário. Ele o dá aos corvos, animais impuros, que vivem de comer cadáveres, e que tem sua razão de existir justamente nessa sua função de eliminar as podridões. E Ele não o dará a vós? Aquelas aves não tem dispensas nem celeiros, e assim mesmo Deus as nutre. Vós sois homens e não corvos. Atualmente vós sois a flor da humanidade, pois sois discípulos do Mestre, os evangelizadores do mundo, os servos de Deus. E podeis pensar que Deus cuida até dos lírios dos vales, e os faz crescer, e os veste com a veste mais bela do que as que teve Salomão, sem que eles tenham outro trabalho senão o de exalar o seu perfume, adorando, poderá Ele deixar de pensar também em vossa veste? Vós que, por vós mesmos, não sois capazes nem de pôr mais um dente nas bocas desdentadas, nem de encompridar com mais uma polegada uma perna encolhida, nem de dar mais agudeza de vista a uma pupila enevoada. E, se não podeis fazer nem estas coisas, como achais que podereis afastar de vós a miséria e a doença e fazer brotar alimento da poeira? Não podeis. Mas não sejais gente de pouca fé. Vós tereis sempre o que vos é necessário. Não fiqueis aflitos como as pessoas do mundo que ficam excitadas, querendo prover-se do que querem gozar. Vós tendes vosso Pai que sabe de que precisais. Vós só tendes que procurar, e que seja a primeira e vossas procuras, o Reino de Deus e a sua justiça, pois tudo mais vos será dada, sem que o procureis.
Não temais, ó vós do meu pequeno rebanho. Aprouve a meu Pai chamar-vos para o Reino, para que tenhais esse Reino. Podeis, pois, aspirar a ele e ajudar o Pai com a vossa vontade e uma santa operosidade. Vendei os vossos bens, fazei com eles esmola, se estais sozinhos. Daí aos vossos um conforto, abandonando vossa casa para seguir-me, pois é justo não tirar o pão aos filhos e às esposas. E, se não podeis assim fazer sacrifício de riquezas em dinheiro, sacrificai as riquezas do afeto. Estas também são riquezas que Deus avalia bem, por serem o que são: ouro mais puro que qualquer outro, pérolas mais preciosas do que as que foram arrebatadas aos mares, rubis mais raros do que os que foram extraídos das vísceras do solo. Porque renunciar a família por Mim é caridade perfeita, mais do que o ouro sem impurezas, é pérola nascida no pranto, rubi feito de sangue que geme da ferida do coração, lacerado pela separação do pai e da mãe, da esposa e dos filhos. Mas estas bolsas não se desgastam, este tesouro não míngua nunca. Os ladrões não penetram no Céu. O caruncho não rói o que lá é depositado. E, tende o Céu no coração, e o coração no Céu. Junto ao vosso tesouro. Porque o coração, tanto para o bem, como para o mal, estará lá onde estiver aquilo que lhe parece ser o seu querido tesouro. Porque assim como o coração está onde está o tesouro (no Céu), assim o tesouro está onde estiver o coração (isto é, em vós), ou melhor, o tesouro está no coração e, com o tesouro dos santos, está no coração o Céu dos santos.
Estai sempre prontos, como quem está preparado para viagem ou à espera do patrão. Vós sois servos do patrão que é Deus. A qualquer hora Ele pode chamar-vos para onde Ele está, ou vir aonde vós estais. Estai, pois, sempre prontos para ir ou prestar-lhe honras, estando com vossos lados cingidos com cintos de viagem e de trabalho e com as lâmpadas acesas nas mãos. Se sairdes de uma festa de núpcias com alguém que tenha ido à vossa frente para os Céus, ou antes de vós se tenha consagrado a Deus nesta terra, Deus poderá lembrar-se de vós, que estais esperando, e pode dizer-vos: “Vamos para onde está Estevão, ou João, ou então Tiago ou Pedro.” E Deus é sempre rápido para vir e para dizer: “Vem”. Portanto, estai prontos para abrir-lhe a porta quando Ele chegar, ou para partir, quando Ele vos chamar.
Felizes aqueles servos que o Patrão, quando chegar, encontrar vigilantes. Em verdade, para recompensá-los por sua espera fiel, Ele se cingirá com sua veste, e fazendo-os assentar-se à mesa, pôr-se-á a servi-los. Ele pode vir na primeira vigília, ou na segunda, ou na terceira. Vós não o sabeis. Por isso estais sempre vigilantes. E felizes sereis vós se assim o Patrão vos encontrar. Não vos enganeis, dizendo: “Há muito tempo! Esta noite Ele não vem.” Vós vos sairíeis mal. Vós não sabeis. Se alguém soubesse quando o ladrão haveria de vir, não deixaria de guardar a casa, porque o malandro poderia forçar a porta e os ferrolhos. Vós também estais preparados, porque, quando menos pensardes, virá o Filho do homem dizendo: “Chegou a hora.”
Pedro, que quase já se esqueceu de acabar de comer, para ficar ouvindo o Senhor, vendo que Jesus se cala, pergunta: “Isto que estás dizendo é para nós, ou para todos.”
“É para vós e para todos. Mas é mais para vós, porque vós sois os intendentes colocados pelo Patrão à frente dos servos e tendes o duplo dever de estar preparados, seja para vós como intendentes, seja para cós como simples fiéis. Como deve ser o intendente posto pelo Patrão à frente de seus familiares para dar a cada um, a seu tempo, a justa porção? Ele deve ser perspicaz e fiel. Para cumprir o seu próprio dever e para fazer que os que lhe estão submissos cumpram o dever deles. Se assim não fosse, ficariam prejudicados os interesses do patrão, que paga ao intendente para que faça as suas vezes e, em sua ausência zele por seus interesses.
Feliz daquele servo que, quando o patrão voltar para casa o encontrar fielmente em seu trabalho, com diligência e justiça. Em verdade, Eu vos digo que ele o fará intendente de mais outras propriedades e até mesmo de todas as suas propriedades, e ficará tranqüilo e se alegrando em seu íntimo pela segurança que aquele servo lhe dá. Mas, se aquele servo disser: “Oh! Que bom! O patrão está muito longe e me escreveu que vai tardar a voltar. Por isso, eu posso fazer o que eu achar bom e depois, quando a volta dele estiver próxima, tomarei minhas providências.” E, assim pensando, se ele começar a comer e a beber até ficar bêbado, e a dar ordens aos servos como um ébrio, confiando na bondade deles, pois lhe são submissos, mas se recusarem a cumprir suas ordens quando elas são em prejuízo do patrão, e ele, então passar a bater nos servos e nas servas, até fazê-los cair doentes e debilitados, e ele, crendo ainda que é feliz, disser: “ Afinal, eu gosto de ser patrão e de ser temido por todos”, que será, então, que lhe vai acontecer? Vai-lhe acontecer que o patrão logo chegará, quando ele menos esperar, e talvez até surpreendendo-o no ato de pôr o dinheiro dele no bolso ou de estar subornando algum dos servos mais pobres. E nesse caso, Eu vo-lo digo, o patrão o tirará do cargo de intendente, e até do rol dos seus empregados, pois não é justo conservar os infiéis e traidores no meio dos honestos.
E agora o patrão o punirá tanto quanto antes o havia amado e instruído. Porque quem mais conhece a vontade e o pensamento do patrão. Mais está obrigado a cumpri-los exatamente. Se não fizer assim, como o patrão lhe mandou, e de modo mais exato do que todos os outros, ele receberá muitas pancadas, enquanto que os que, como servos menores, pouco sabem ou erram pensando que estão fazendo o bem, terão castigos menores. A quem muito foi dado, muito será exigido, e deverá prestar conta de muito quem tomou conta de muito, pois vão ser exigidas dos meus intendentes contas até de um pequenino, que tem apenas uma hora de nascido.
A escolha que Eu fiz dele não foi para ele ir descansar em algum pequeno bosque fresco e florido. Eu vim trazer fogo a esta terra. E que é que Eu posso desejar, a não ser que ele se acenda? Por isso Eu me canso, e quero que vós canseis até a morte, e até que a terra toda seja uma fogueira de fogo celeste. Eu devo ser batizado com um batismo. E, como estarei angustiado, enquanto ele não for feito! Vós não me perguntais por quê? Porque para isso Eu poderei fazer de vós os portadores do Fogo, agitadores que se haverão de mover em todos e contra todos os estratos sociais, para fazer deles uma só coisa: O Rebanho de Cristo.
Credes que Eu tenha vindo para trazer a paz à terra? E para estar de acordo com o modo de ver da terra? Não. Pelo contrário, venho trazer discórdia e separação. Porque de agora em diante, e enquanto a terra toda não for um único rebanho. De cinco pessoas que houver em uma casa, duas estarão contra três, o pai estará contra o filho e esse contra o pai, a mãe contra as filhas e estas contra aquela, as sogras e as noras terão um motivo a mais para não se entenderem, porque uma linguagem nova estará sobre certos lábios e se tornará uma Babel, pois que uma agitação profunda sacudirá o reino dos afetos humanos e sobre-humanos. Mas depois virá a hora em que tudo se unificará em uma língua nova, falada por todos os que foram salvos pelo Nazareno, e se depurarão as águas dos sentimentos, indo para o fundo as escórias, e brilhando na superfície as límpidas ondas dos lagos celestes.
É verdade que servir-me pode não ser tomar repouso, conforme o sentido que o homem der a esta palavra. É preciso ter heroísmo, e ser incansável. Mas Eu vos digo: no fim será Jesus, sempre e ainda Jesus, que cingirá a veste para vos servir, e depois sentar-se-á convosco para um banquete eterno, e ficarão esquecidas todas as fadigas e dores.
Agora, visto que ninguém mais nos procurou, vamos para o lago. Repousemos em Magdala. Nos jardins de Maria de Lázaro há lugar para todos, e ele pôs a sua casa à disposição do Peregrino e de seus amigos. Não é preciso que Eu vos diga que Maria de Magdala morreu com o seu pecado e renasceu em seu arrependimento, sendo agora Maria de Lázaro, discípula de Jesus de Nazaré. Vós já o sabeis, porque a notícia correu ruidosa, como vento por uma floresta. Mas Eu vos digo o que não sabeis: que todos os bens pessoais da Maria de Lázaro são para os servos de Deus e para os pobres de Cristo. Vamos...”



(O Evangelho como me foi revelado – Maria Valtorta – Vol. 4, pg. 352 a 357)

quarta-feira, 4 de março de 2020

ORAÇÃO DO TERÇO DA DIVINA MISERICÓRDIA COM A PAIXÃO







ORAÇÃO DO TERÇO DA DIVINA MISERICÓRDIA COM A PAIXÃO

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Jesus eu confio em vós.

---Pai nosso que estais no Céu, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso Reino, seja feita a tua vontade aqui na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos daí hoje, perdoai as nossas dívidas assim como perdoamos nossos devedores. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Maligno. Amem.

---Ave Maria, Gratia plena, Dominus Tecum, Benedicta tu in mulieribus, et benedictus frutus ventris tui, Jesus.
Sancta Maria, Mater Dei. Ora pro nobis peccatoribus, nunc et in hora mortis, nostrae, Amen.

---Creio em Deus Pai todo poderoso, Criador do Céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos Céus e está sentado a direita de Deus Pai, Todo Poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos; creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém.

Eterno Pai, eu vos ofereço, o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados, e dos do mundo inteiro.
Judas Iscariodes se vende ao Sinédrio por 30 moedas.
Pela sua dolorosa paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.
Agonia de Jesus no Getsêmani, onde sua sangue.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Com um beijo na face direita de Jesus, Judas identifica-O aos seus algozes, e trai o Mestre e amigo.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Os guardas dão voz de prisão, prendem e amarram Jesus.
Pela sua dolorosa paixão, ...
No caminho até o Sinédrio, Jesus é espancado.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Jesus chega a casa do sinedrita Anás.
Pela sua dolorosa paixão, ...
No Sinédrio, Caifás interroga e condena Jesus a morte.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Jesus é levado pelos guardas até Pilatos sob insultos e ofensas.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Pilatos manda Jesus até Herodes, mostrando sua covardia diante de um inocente que deveria ter sido solto.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Herodes depois de humilhar Jesus, devolve-O a Pilatos.
Eterno Pai, eu vos ofereço, o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e dos do mundo inteiro.
Jesus, antes de receber a sentença, é flagelado cruelmente numa coluna, a ponto de ficar desacordado. Da cabeça até os pés, na frente e nas costas, todo o corpo ficou cortado.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Num gesto  de maldade, Jesus é coroado com espinhos, e perde a visão do olho direito, depois de levar pauladas na cabeça para ajustar a coroa.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Pilatos condena o inocente Jesus à morte.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Jesus já bem debilitado, começa a carregar a Cruz. Do belo Jesus de Nazaré, homem alto, loiro de olhos azuis safira nada mais restou, é um farrapo humano.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Durante o carregamento da Cruz, Jesus é apedrejado e blasfemado pela multidão.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Jesus cai com a Cruz pela primeira vez.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Jesus cai pela segunda vez.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Verônica enxuga o rosto de Jesus com um véu.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Jesus cai pela terceira vez por exaustão de suas forças.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Jesus vê a Mãe e esboça um sorriso, se esquecendo das dores e diz: Minha Mãe.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Eterno Pai, eu vos ofereço, o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados, e dos do mundo inteiro.
O Romano Longino, líder do cortejo, percebe que Jesus não consegue mais carregar a pesada Cruz.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Um Cirineu que passava é chamado para carregá-la.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Jesus chega ao cume do Monte Calcário completamente exausto e ensangüentado.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Jesus é obrigado a despir-se juntamente com os dois ladrões.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Nossa Senhora empresta o seu véu para Jesus se cobrir.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Jesus sem resistência deita sobre a Cruz para a sua crucificação.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Enquanto dois guardas sentam sobre o tórax, o outro prega a mão direita de Jesus.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Pregam a mão esquerda, puxando-a violentamente, deslocando seu ombro.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Pregam os pés de Jesus, um sobre o outro.
Pela sua dolorosa paixão, ...
A Cruz é colocada na cavidade, e Jesus é levantado diante dos homens.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Eterno Pai, eu vos ofereço, o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados, e dos do mundo inteiro.
Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem, diz Jesus pregado na Cruz, para a multidão que caçoava dele.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso, diz Jesus ao ladrão Dimas arrependido.
Pela sua dolorosa paixão.
Olhando para Maria diz: Mulher, eis aí o teu filho.
Pela sua dolorosa paixão, ...
E a João: Eis aí a tua Mãe.
Pela sua dolorosa paixão, ...
E exclama: Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonastes? E o céu escurece rapidamente.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Tremendo de fraqueza diz: Tenho sede.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Tudo está terminado.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Jesus dá um grande grito que faz calar a multidão, e desfalece.
Pela sua dolorosa paixão, ...
De um céu limpo, com um sol escaldante, se transforma de repente num céu negro, cheio de raios e ventanias. Ouve-se um estrondo pavoroso: um terremoto que deixou o Véu do Santo dos Santos no Templo aberto de alto a baixo, e rachaduras na terra, fazendo com que a maioria dos Judeus fugissem dali aterrorizados.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Eterno Pai, eu vos ofereço, o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de vosso diletíssimo Filho Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados, e dos do mundo inteiro.
O Romano Longino fere Jesus no coração com uma lança para se certificar que estava morto.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Jesus é retirado da Cruz e Maria O coloca em seus braços, e chora fortemente.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Jesus é levado ao sepulcro de José de Arimatéia.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Os lamentos da Mãe no sepulcro.
Pela sua dolorosa paixão, ...
No terceiro dia, uma luz vinda dos confins do universo, como um meteoro, vai direto até o sepulcro, quando um estrondo sacode a terra, afastando a enorme pedra que o selava, e os guardas romanos ficam atordoados. A luz então entra no corpo inerte de Jesus, que em seguida levanta, transpassando os panos da mortalha com seu corpo imaterial fulgurante. Ressuscitando dos mortos com uma matéria incorpórea de intensa luz, conhecida apenas por Deus, de uma beleza indescritível.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Jesus aparece ressuscitado à sua Mãe.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Jesus aparece ressuscitado à Maria Madalena.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Jesus aparece aos Apóstolos, e para muitas outras pessoas queridas.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Jesus aparece e fala para mais de 500 pessoas em sua última aparição.
Pela sua dolorosa paixão, ...
Jesus sobe aos Céus.
Pela sua dolorosa paixão, ...

Deus Santo, Deus forte, Deus imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro( 3 vezes)
Perdoai-nos Senhor, somos todos pecadores.
Senhor, protegei o Brasil contra o Comunismo, contra o Espiritismo, contra a Teologia da libertação, contra a Maçonaria, e iluminai os corações de nossos Padres para que sejam fiéis a vossa doutrina.

Jesus eu confio em vós.
Pelo sinal da Santa Cruz, protegei-nos Senhor de nossos inimigos, visíveis e invisíveis, com a ajuda de São Miguel Arcanjo, Príncipe das milícias Celestes. Afastai de nós os demônios, principalmente agora no final dos tempos, onde as tentações são muito maiores que outros tempos. Protegei-nos, ó Anjo fiel de Deus, que um dia bradou no Céu defendendo Deus dos anjos rebeldes, dizendo: Quem como Deus? Não há ninguém como aquele que tudo criou.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.