quarta-feira, 10 de julho de 2019

CATÓLICOS MANSOS DE CORAÇÃO




CATÓLICOS MANSOS DE CORAÇÃO

Vendo hoje, nestes finais dos tempos, fileiras e fileiras de Católicos despreparados espiritualmente, para poder compreender o que realmente está acontecendo. Me deixa constrangido e muito preocupado com a possível condenação destas almas, justamente por não terem sido sábios. Quando criticamos ou denunciamos o falso Papa Francisco nas redes sociais, logo em seguida há repreensões, e ofensas. Se escandalizam com os comentários, mas não refletem a respeito, não verificam as fontes das informações, não pedem elucidação ao Espírito Santo para que vejam a verdade, ficam mansos como ovelhas indo uma atrás das outras, a caminho de um precipício. Mas o que Jesus nos pediu quando disse: “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas.” (Mateus 10,16) O que Jesus quis dizer quando disse: sejam prudentes como as serpentes? Prudentes, seria resguardados, espertos, desconfiados, que deveríamos primeiro analisar bem antes de seguir qualquer pessoa. Pois bem, analisem bem este Pontífice Católicos mansos, antes de acreditar no que ele diz, porque este homem, está para criar uma nova religião ecumenista global. Você ainda não notou? Não leu nada a respeito? Procurou saber o que ele realmente está tentando fazer unindo estas religiões numa só? Sabe quem realmente ele é? Já leu as Profecias de Nossa Senhora e de Jesus sobre este assunto? Os antigos cristãos sempre davam ouvidos aos Profetas, porque sabiam que aquelas palavras vinham na verdade de Deus, e as respeitavam e seguiam. E isto aconteceu durante milênios.
São indagações que um Católico prudente deve fazer, principalmente neste momento atual, em que os sinais da segunda vinda de Cristo estão em todos os lugares. O mundo está em convulsão. Ainda não notou? Acha que estou exagerando, exacerbando os acontecimentos atuais?
A Profecia que Jesus nos diz sobre o final dos tempos, se referindo a Daniel, referente a abolição do Sacrifício Perpétuo, é a nossa Santa e Eterna Missa sendo dessacralizada, abolida, modificada, adulterada, desfigurada, modernizada ou humanizada. E é exatamente isto que está acontecendo com o Missal(Sacrifício Perpétuo) nos dias de hoje, que estará deflagrado neste próximo Sínodo. A Profecia está se efetivando diante de nossos olhos. Quem é Católico tem a obrigação de saber. O Cisma chegou, e com ele o Anticristo com o Falso Profeta.
“Quem, pois, me confessar diante dos homens, eu também o confessarei diante do meu Pai que está nos céus. Mas aquele que me negar diante dos homens, eu também o negarei diante do meu Pai que está nos céus.”(Mateus 10,32,33) Quem souber entender a amplitude desta frase e a praticar fará parte dos habitantes do Céu. Feliz é aquele Católico que se manteve perspicaz durante sua vida, e não somente um manso, pois se tornou um sábio, mantendo a fortaleza espiritual intacta durante sua vida terrestre.
Confessar Jesus diante dos homens, é confirmar, divulgar a doutrina que Jesus Cristo sempre nos ensinou desde o princípio. Esta é a verdadeira doutrina, eterna, inalterável, pois tudo o que vem de Deus é eterno, assim como Ele.
Homem nenhum pode mudar, alterar, modificar aquilo que Deus nos deu como certo para nossa salvação, seja ele um fiel ou um Papa.
Aquela famosa frase -que não está na Bíblia-: Mil passarão mas dois mil anos não passarão, que parece apropriado para este momento em que vivemos. Não se contarmos desde o nascimento de Cristo, mas de sua morte, pois ainda estaria faltando 14 anos para o fim deste mundo. Me parece que esta frase foi inspirada pelo Espírito Santo, por algum fiel desconhecido, servindo como um alerta. Porém, como a frase diz: dois mil anos não passarão, também pode significar que seja menos de 14 anos. Pode ser a partir deste ano, ou no próximo. Lembrando que somente Deus Criador sabe o dia e a hora.
Reflitam sobre estas indagações Católicos mansos de coração. Vocês estão tão perto da verdade, mas parecem ter medo de dizer. Este medo de se abrir e denunciar as heresias eclesiásticas, é um bloqueio que nos remete a pensar em covardia, em cumplicidade, em dubialidade racional. Não fiquem em cima do muro, tentando agradar a todos, porque este muro foi construído pelo demônio, justamente para que você cometa o erro de não se decidir.
Ser Sábio é acreditar em Deus, Uno e Trino. É seguir os dez mandamentos. É seguir a verdadeira doutrina de Jesus Cristo Salvador e Redentor da humanidade. É seguir a única Igreja verdadeira da Terra: a Católica Apostólica Romana com a doutrina intacta deixada pelos Apóstolos. Eis aqui o grande segredo do mistério da Iniquidade que aconteceria dentro da Igreja de Cristo. É dentro dela, com a Maçonaria Eclesiástica, onde surgirá uma nova religião mundial. O líder desta Maçonaria Eclesiástica é o Pontífice Jorge Mario Bergóglio, o Falso Papa, o Papa Negro, O Falso Profeta do Apocalipse, a Besta que veio da Terra, o Grande Judas do final dos tempos. Este embuste interno na Igreja vai enganar muitíssimos Católicos mansos desorientados, acharão que ainda é a Igreja verdadeira, apesar de todas as evidências contrárias, de todos os avisos dos Santos, de todos os avisos do Céu.
Que Deus tenha pena destas almas fraquejadas.
Esta é a verdade!
Só a fé que persistir até o fim sobreviverá!

Antonio Carlos Calciolari

quarta-feira, 26 de junho de 2019

NOSSA SENHORA MÃE DE DEUS






NOSSA SENHORA, MÃE DE DEUS


(O Evangelho como me foi revelado – Maria Valtorta – Vol 1 –pg. 21 a 26)


Ana, com um cântico anuncia que será mãe. No seu ventre está a alma imaculada de Maria.


Revejo a casa de Joaquim e Ana. Nada mudou no seu interior, se tirarem os muitos ramos floridos, colocados em ânforas aqui e ali, fruto das podas feitas nas árvores do pomar em flor: uma nuvem que varia do branco neve ao vermelho de certos corais. O trabalho de Ana também é diferente. Sobre um tear menor, ela tece algumas bonitas telas de linho, e canta, cadenciando o movimento do pé com o canto. Canta e sorri... A quem? A si mesma, a alguma coisa que ela vê no seu interior. Eis o canto, lento mas alegre, que escrevi à parte para segui-lo, porque o repete muitas vezes deleitando-se nisso, sempre mais forte e segura, como quem encontrou um ritmo no seu coração; primeiro o murmura em surdina, depois, segura, canta mais veloz e alto (aqui o transcrevo porque, na sua simplicidade é muito doce):
“Glória ao Senhor onipotente que dos filhos de Davi teve amor. Glória ao Senhor!
A sua suprema graça do Céu me visitou.
A velha planta colocou novo ramo e eu sou bem-aventurada.
Pela festa das Luzes a semente lançou a esperança;
ora a fragrância de Nisam o vê brotar.
Como a amendoeira na minha carne floresce a primavera.
O seu fruto, nesta tarde, ela sente transportar. Naquele ramo há uma rosa, há um pomo dos mais doces.
Há uma estrela reluzente, há uma criança inocente.
Há a alegria da casa, do esposo e da esposa.
Louvor a Deus, ao meu Senhor, que teve piedade de mim.
A sua luz me disse: “Uma estrela virá a ti”. Glória, glória!
Será teu este fruto da planta, primeiro e derradeiro, santo e puro como dádiva do Senhor.
Teu será e por causa dele venha alegria e paz sobre a terra.
Voa, oh lançadeira. O fio sé aperta sobre o tecido da criança. Ele nasce! A Deus glorioso vá o canto do meu coração”.
Joaquim entra quando ela está para repetir pela quarta vez o seu canto.
- Estás feliz, Ana? Pareces-me um pássaro que viu a primavera. Que canto é este? Nunca ouvi. De onde ele vem?
- Do meu coração, Joaquim.
Ana levanta-se e agora se dirige até o esposo, toda risonha. Parece mais jovem e mais bonita.
- Não te imaginava poetisa - diz o marido, olhando-a com clara admiração. Não pareciam dois esposos idosos. Em seus olhares, existia uma ternura de jovens esposos.
- Vim do fundo do pomar ouvindo-te cantar. Eram anos que não ouvia a tua voz de rolinha enamorada. Queres repetir-me aquele canto?
- Eu o repetiria mesmo que tu não me pedisses. Os filhos de Israel sempre confiaram ao canto os clamores mais verdadeiros de suas esperanças, alegrias e dores. Eu confiei ao canto o cuidado de dizer- me e dizer-te uma grande alegria. Sim, também dizer a mim mesma, porque é uma coisa imensa que, por quanto esteja certa, parece-me ainda não ser verdadeira...- e recomeça o canto, mas chegando ao ponto: “sobre aquele ramo há uma rosa, há uma maçã das mais doces, há uma estrela...” A sua voz bem entoada de contralto fez-se primeiro trêmula, depois se rompe e com um soluço de alegria olha Joaquim e, levantando os braços grita:
- Sou mãe meu deleite - E se refugia no seu coração, entre os braços que ele estendeu para encerrarem em torno de sua feliz esposa. O mais casto e feliz abraço que eu jamais vi, desde que estou no mundo. Casto e ardente, na sua castidade. E a doce repreensão entre os cabelos grisalhos de Ana: - E não me disseste antes? - Porque queria estar certa. Velha como sou... Saber-me mãe... Não podia acreditar ser verdade... não queria dar-te uma desilusão mais amarga ainda. Desde fins de dezembro sinto fazerem-se novas as minhas profundas entranhas e brotar, como posso dizer, um novo ramo. Mas agora sobre aquele ramo está seguro o fruto. Vês? Aquele tecido já é para aquele que virá.
- Não é o linho que comprastes em outubro em Jerusalém?
- Sim. Eu o teci depois enquanto esperava. Esperava porque no último dia, enquanto orava no Templo, o maior tempo que pudesse uma mulher ficar na Casa de Deus, até a noite... Tu te recordas que eu dizia: “Ainda, ainda um pouco”. Não podia afastar-me dali sem receber a graça! Pois bem! Na sombra que já descia do interior do lugar sagrado, que eu olhava com atração de alma para arrancar uma anuência do Deus presente, vi partir uma luz, uma centelha de luz maravilhosa. Era alva como a lua, contudo tinha em si as luzes de todas as pérolas e pedras preciosas que existem sobre a terra. Parecia que uma das estrelas preciosas do Véu, daquelas estrelas postas sob os pés dos querubins, se desprendesse uma e se tornasse esplêndida, de uma luz sobrenatural... Parecia partir um fogo para além do Véu sagrado, proveniente da própria Glória, vindo a mim veloz, e ao cortar o ar cantasse com voz celeste dizendo: “O que pedistes venha a ti”. É por isso que eu canto: “Uma estrela virá a ti”. Que filho será esse nosso, que se manifesta como luz de estrela no Templo e que diz: “Eu sou” na festa das Luzes? Que filho fez com que tu tenhas visto em mim uma nova Ana de Elcana? Como chamaremos a nossa criança, que doce como um canto de águas ouço falar-me no ventre com o seu pequeno coração que bate como o de uma rolinha apanhada na cavidade das mãos?
- Se for menino o chamaremos Samuel. Se for menina Estrela. A palavra que fortaleceu o teu canto para dar-me a alegria de saber-me pai. A forma que escolheu para manifestar-se entre a sacra sombra do Templo.
- Estrela. A nossa estrela, porque, não sei, penso que seja mesmo uma menina. Parece-me que carícias tão doces não possam vir senão de uma dulcíssima filha. Eu não a carrego, não tenho nenhum sofrimento. É ela que me carrega sobre uma vereda azul e florida, como se eu estivesse amparada pelos santos anjos e a terra já estivesse longe... Sempre ouvi as mulheres dizerem que conceber e gerar é sinônimo de dor. Mas eu não tenho dor. Sinto-me forte, jovem, fresca, mais do que quando te dei a minha virgindade na juventude distante. Filha de Deus, visto que é mais de Deus do que nossa aquela que nasce de um tronco árido, não dá dores à sua mãe. Ela traz somente paz e bênção: os frutos de Deus, seu verdadeiro Pai. - Então a chamaremos Maria. Estrela do nosso mar, pérola, felicidade. O nome da primeira grande mulher de Israel. Mas esta não pecará nunca contra o Senhor, e só a Ele dará o seu canto porque a Ele é oferecida, como hóstia, antes de nascer.
- A Ele é oferecida, sim. Homem ou mulher que seja, depois de nos alegrarmos por três anos com a nossa criança, nós a daremos ao Senhor. Hóstia também nós com ela, pela glória de Deus.
Não vejo nem ouço mais nada


Diz Jesus:

“A Sabedoria, depois de tê-los iluminado com os sonhos da noite, desceu àquela que é “vapor da virtude de Deus, certa emanação da glória do Onipotente”, e tornou-se Palavra para a estéril. Aquele que agora via próximo o Seu tempo de redimir, Eu, o Cristo, neto de Ana, quase cinqüenta anos depois, mediante a Palavra, farei milagres sobre as estéreis e as doentes, sobre as endemoninhadas, sobre as desoladas, sobre todas as misérias da terra.
No entanto, pela alegria de ter uma mãe, eis que murmuro misteriosamente a Palavra na sombra do Templo, que continha as esperanças de Israel. Templo agora no limiar da sua vida, porque o novo e verdadeiro Templo não contém mais as esperanças de um povo, mas a certeza de um Paraíso para o povo de toda a terra, por todos os séculos até o fim do mundo; Paraíso que está para vir sobre a terra. E esta palavra opera o milagre de tornar fecundo o que era infecundo. Dar-me uma mãe, que não teve apenas ótima proveniência, como era seu destino, nascida de dois santos; não teve somente um aumento contínuo de bondade pelo seu bem querer, não teve somente um corpo imaculado, teve também o espírito imaculado, sendo única entre as criaturas.
Tu vistes a geração contínua das almas de Deus. Agora imagines qual deva ser a beleza desta alma que o Pai almejou antes que o tempo existisse, desta alma que constituía as delícias da Trindade, que ardia por enfeitá-la com as suas dádivas para lhe fazer um dom a Si mesma. Ó toda santa, que Deus criou para Si e depois para refúgio dos homens! Portadora do Salvador, tu fostes a primeira salvação. Paraíso Vivente, com teu sorriso, começastes a santificar a terra.
A alma criada para ser a alma da Mãe de Deus! Quando, de uma mais viva palpitação do Trino Amor, brotou esta centelha vital, jubilaram os anjos, porque o Paraíso nunca viu Luz mais viva. Como pétala de uma rosa, uma pétala imaterial e preciosa que era jóia e chama, que era o hálito de Deus que descia para animar uma carne diferentemente das outras, que descia com fogo tão potente que a Culpa não pode contaminá-la, atravessando os espaços e encerrando-se num seio santo.
Ainda sem saber, a terra já tinha a sua flor. A verdadeira, única flor que floresce eternamente: lírio e rosa, violeta e jasmim, girassol e ciclame fundidos juntos, e com essas todas as flores da terra numa única flor, Maria, na qual se reúne toda virtude e graça.
Em abril, a terra da Palestina parecia um enorme jardim, as fragrâncias e as cores davam delícia ao coração dos homens. Mas a rosa mais bonita ainda era desconhecida. Ela já era florescente a Deus no segredo do ventre materno, já que minha Mãe amou desde que foi concebida, mas só quando a videira dá o seu sangue para fazer vinho, e o perfume dos mostos, açucarado e forte, enche as eiras e as narinas, ela iria sorrir primeiro a Deus e depois ao mundo, dizendo com o seu sorriso super inocente: “Eis que a Videira, que vos dará o Cacho espremido na prensa, como Remédio eterno contra o vosso mal, está entre vós”.
Eu disse: “Maria amou desde que foi concebida”. O que dá ao espírito luz e conhecimento? A Graça. O que leva a Graça? O pecado de origem e o pecado mortal. Maria, aquela sem mácula, nunca foi despojada da lembrança de Deus, da sua proximidade, do seu Amor, da sua Luz, da sua Sabedoria. Ela pôde por isto, compreender e amar até quando era apenas carne em torno de uma alma imaculada que sempre amou.
Depois, faço-te contemplar mentalmente a profundidade da virgindade de Maria. Terás uma vertigem celeste, como quando te fiz entender a nossa eternidade. Por enquanto, considera apenas como o trazer no ventre uma criatura isenta da mácula da ausência de Deus, dá à Mãe uma inteligência superior e a transforma em um profeta, mesmo tendo esta mãe concebido natural e humanamente. O profeta da sua filha, que a chama: “Filha de Deus”. Imagina o que seria se pais inocentes concebessem filhos inocentes, assim como Deus gostaria.
Ó homens, que vos dizeis semelhantes ao “super-homem”, mas com os vossos vícios vos assemelhais unicamente ao “super-demônio”, neste exemplo teríeis encontrado o meio de chegardes ao “super-homem”. Saber permanecer sem a contaminação de Satanás para deixar a Deus a administração da vida, do conhecimento, do bem, não desejando mais do que isto, que é pouco menos que o infinito. Deus vos teria dado poder de gerar em uma contínua evolução até a perfeição, filhos que fossem homens no corpo e filhos da inteligência no espírito, ou seja triunfadores, fortes, gigantes contra Satanás, que seria derrubado muitos milhares de séculos antes da hora em que o será, junto a todo o seu mal”.

O EVANGELHO COMO ME FOI REVELADO – MARIA VALTORTA

sábado, 1 de junho de 2019

COMO DEVEM SER OS SACERDOTES?






COMO DEVEM SER OS SACERDOTES?

(O Evangelho como me foi Revelado – Maria Valtorta – Vol.10 – pg 282 a 286)


Diz Jesus:

“Meus amigos, pensai na vossa dignidade de sacerdotes.
Antes, Eu estava entre os homens para julgar e perdoar. Agora Eu daqui me vou para o Pai. Eu estou de volta para o meu Reino. Não me foi tirada a faculdade de julgar. Ao contrário, ela está toda em minhas mãos, pois o Pai ma deferiu. Mas é um tremendo julgamento. Pois ele acontecerá quando não houver mais possibilidade de fazer-se perdoar com anos de expiação sobre a terra. Cada criatura virá a mim com o seu espírito, quando ela deixar, pela morte material a carne, como uns despojos inúteis. E Eu a julgarei por uma primeira vez. Depois a humanidade voltará com sua veste de carne, recebida de novo por uma ordem do Céu, a fim de ser separada em duas partes: os cordeiros com o Pastor, e os bodes com seu Torturador. Mas, quantos seriam os homens que estariam com o seu Pastor, se, depois do banho do Batismo, eles não tivessem tido mais quem os perdoasse em meu Nome?
É por isso que Eu crio os sacerdotes. Para salvarem os que foram salvos por meu Sangue. Mas os homens continuam a cair de novo na morte. É preciso que quem para isso tem poder os lave continuamente nele, setenta e sete vezes, para que eles não fiquem presos pela morte. Vós e os vossos sucessores fareis isso. Por isso, Eu vos absolvo de todos os vossos pecados. Porque vós tendes a necessidade de ver, e a culpa vos torna cegos, tirando dos espíritos a luz, que é Deus. Porque vós tendes o ministério de purificar, e a culpa emporcalha, porque tira do espírito a pureza, que é Deus.
Grande ministério é o vosso de julgar e absolver em meu Nome!
Quando consagrardes para vós o Pão e o Vinho, e deles fizerdes o meu Corpo e o meu Sangue, fareis uma grande, sobrenaturalmente grande e sublime coisa. Para fazê-la dignamente, deveis estar puros, porque ireis tocar naquele que é o puro, e vos nutrireis da Carne de um Deus. Puros de coração, de mente, nos membros e na língua devereis estar, porque com o coração deveis amar a Eucaristia, e não deverão estar misturados com esse amor celeste os amores profanos, pois seriam sacrilégios. E puros de mente devereis estar, porque devereis crer e compreender esse mistério de amor, já que a impureza por pensamentos mata a Fé e a inteligência. Fica em vós a ciência do mundo, mas morre em vós a Sabedoria de Deus. Puros nos membros devereis ser, porque ao vosso seio descerá o Verbo, assim como desceu no seio de Maria, por obra do Amor.
Tendes o exemplo vivo de como deve ser um seio que acolhe o Verbo, que se faz Carne. O exemplo é a Mulher sem culpa de origem, e sem culpa individual, a Mulher que me trouxe.
Observai como é puro o cume do monte Hermon, quando ele está ainda enfaixado pelo véu da neve invernal, olhado do Monte das oliveiras, ele parece um cúmulo de lírios despetalados, ou de espuma do mar, ajuntada pelo vento do mar, e que se eleva como uma oferta, ao encontro de outro candor, o das nuvens trazidas pelo vento de abril aos campos azuis do céu. Observai um lírio que abre agora a boca de sua corola para um sorriso perfumado. Mesmo assim sendo, tanto uma pureza como a outra são menos vivas do que a do seio materno que me trouxe. A poeira transportada pelos ventos caiu sobre as neves do monte e sobre a seda da flor, o olho humano não a percebe, por ser ela tão fina como é. Mas ela existe, lá está, e mancha o candor.
Outra coisa: olhai a pérola mais pura, que tenha sido tirada do mar, arrancada de sua concha nativa para ir adornar o cetro de um rei. Ela é perfeita em sua irisdescência compacta, que desconhece o contacto profanador de qualquer carne, tendo-se formado ela como podia ser, na cavidade da madrepérola da ostra, e isolada na safira fluídica das profundidades marinhas. Contudo ela é menos pura do que o seio que me trouxe. No centro dela está o grãozinho de areia, um corpúsculo muito miúdo, mas sempre uma coisa da terra. Naquela que é a Pérola do Mar não existe grãozinho de pecado, nem de concupiscência. Como uma pérola nascida no oceano da Trindade para levar à Terra a Segunda Pessoa. Ela é compacta ao redor do seu centro, que não é uma semente de concupiscência terrena, mas uma centelha do Amor Eterno. É uma centelha que, encontrando correspondência nela, gerou os turbilhões da Divina Estrela, que agora chama e atrai os filhos de Deus. Eu, o Cristo, a Estrela da Manhã.
Esta pureza inviolada é a que Eu vou dou para servir de exemplo. Mas quando, mais tarde, como uns vindimadores ao lado de uma tina, vós mergulhardes as mãos no mar de meu sangue, e introduzirdes nelas as estolas corrompidas dos miseráveis que pecaram, sede vós, além de puros, perfeitos, para não vos manchardes com um pecado maior, isto é, com mais pecado, derramando-o, e tocando com sacrilégio no Sangue de um Deus, ou faltando com a caridade e a justiça, negando-o, ou dando-o com um rigor que não é do Cristo, que foi bom para com os maus, a fim de atraí-los ao seu Coração, e três vezes bons para com os fracos, a fim de confortá-los com a confiança, usando deste rigor três vezes erradamente, porque indo contra a minha Vontade, a minha Doutrina e Justiça. Como é que podem ser rigorosos com os cordeiros, se eles são uns pastores ídolos de si mesmos?
Ó meus diletos, meus amigos, que Eu mando pelos caminhos do mundo, a fim de continuarem a obra que Eu iniciei e que será executada, enquanto existir tempo, lembrai-vos destas minhas palavras, Eu vo-las digo a fim de que as digais àqueles que vós consagrareis para o ministério ao qual Eu vos consagrei.
Eu estou vendo... Eu olho através dos séculos... o tempo e as multidões numerosas dos homens que irão existir, estarão todos diante de Mim... Eu estou vendo... as matanças e guerras, a pazes mentirosas e as horrendas carnificinas, o ódio e o latrocínio, a sensualidade e o orgulho. De vez em quando um oásis verde, um período de volta à Cruz. Como um obelisco que parece uma onda pura por entre as áridas areias do deserto, a minha Cruz será levantada com amor, depois que o veneno do Mal tiver tornado doentes de raiva os homens e, ao redor dela, plantai à beira da águas saudáveis, onde florescerão, as palmeiras de um período de paz e de bem no mundo. Os espíritos, como uns veados e gazelas, como umas andorinhas e pombas, irão para aquele repousante, fresco e nutritivo refúgio, para se curarem de suas dores e novamente ficarem esperando. E isso fará que as árvores entrelacem abundantemente os seus ramos, formando uma espécie de cúpula para os protegerem das tempestades e das canículas, e fará que fiquem longe as serpentes e as feras, por meio do Sinal que põe o Mal em fuga. E assim será enquanto os homens o quiserem.
Eu estou vendo... Homens e mais homens... mulheres, velhos, meninos, guerreiros, estudiosos, doutores, camponeses... Todos vêm e passam carregando o seu fardo de esperanças e de dores. Eu vejo como muitos vacilam, porque a dor é demais, e a esperança foi a primeira a desaparecer... do meio da carga pesada demais que, bem grande, caiu e se espalhou pelo chão. E muitos Eu vejo que caem às beiras da estrada, porque muitos, mais fortes ou mais sortudos em seu peso, que é mais leve. E muitos Eu vejo que, sentindo-se abandonados pelos que passam, e até pisados, e que, percebendo que vão morrer, chegam a odiar e a maldizer.
Pobres filhos! Entre esses perseguidos pela vida, que passam ou que caem, o meu amor tem intencionalmente espalhado os samaritanos piedosos, os médicos bons, as luzes da noite, as vozes no silêncio, a fim de que os fracos que caem encontrem uma ajuda, tornem a ver a Luz, tornem a ouvir a voz que lhes diz: “Espera. Tu não estás sozinho. Acima de ti está Deus. Contigo está Jesus.” Eu coloquei intencionalmente essas caridades operantes, para que os meus pobres filhos não morressem em seu espírito, perdendo a morada paterna, mas continuassem a crer em Mim Caridade, vendo nos meus ministros o reflexo de Mim.
Mas, que dor faz sangrar a Ferida do Coração, como quando foi aberta lá no Gólgota! Mas, que é que estão vendo os meus olhos divinos? Será que não há sacerdotes por entre as numerosas turbas que vão passando? Será por isso que sangra o meu Coração? Ou será que estão vazios os seminários? O meu divino convite será que não chega aos corações? Ou o coração do homem não é mais capaz de ouvi-lo? Não. Durante os séculos haverá seminários, e neles haverá levitas. Deles sairão sacerdotes, porque na hora da adolescência, ele terá feito ouvir como aquela voz celeste em muitos corações, e eles terão atendido a ela. Mas outras, muitas outras vozes chegar-lhe-ão depois com a juventude e a maturidade, e a minha voz ficará dominada naqueles corações. A minha voz que, durante séculos, fala aos seus ministros, a fim de que eles sejam sempre o que agora vós sois: os Apóstolos na escola de Cristo. A veste ficou. Mas o sacerdote morreu. Sombras inúteis e escuras não serão uma alavanca que levanta, nem uma corda que puxa, uma forte que dessedenta, um grão que mata a fome, um coração que é uma almofada, uma luz nas trevas, uma voz que repete o que o Mestre lhe diz. Mas eles serão para a pobre humanidade um peso de escândalo, um peso de morte, um parasita, uma putrefação... Que horror! Os Judas maiores do futuro, Eu os terei ainda, e sempre, em meus sacerdotes!
Meus amigos Eu estou na glória e ainda choro. Tenho piedade dessas turbas infinitas, desses rebanhos sem pastores, ou com pastores raros demais. Sinto uma piedade infinita. Pois bem. Eu o juro pela minha divindade, que aos que foram eleitos, Eu lhes darei o pão, a água, a luz, a voz, o que os que foram eleitos para estas obras não querem dar. Eu repetirei através dos séculos o milagre dos pães e dos peixes. Com uns poucos e desprezíveis peixinhos e com uns escassos pedaços de pão, ó almas humildes e leigas. Eu darei de comer a muitos, e com isso eles ficarão saciados, e assim será para os futuros, porque Eu tenho compaixão deste povo, e não quero que ele pereça.
Benditos aqueles que merecem ser tais. Não benditos porque são tais. Mas porque o terão merecido com seu amor e seu sacrifício. E benditos aqueles sacerdotes, que souberam permanecer Apóstolos: pão, água, luz, voz, repouso e remédio para meus pobres filhos. Com uma luz especial eles resplandecerão no Céu. Eu vo-lo juro. Eu, que sou a Verdade.
Levantemo-nos, meus amigos e vinde comigo para que Eu vos ensine ainda a rezar. A oração é o que alimenta as forças do Apóstolo, porque ela o une intimamente com Deus.”

O EVANGELHO COMO ME FOI REVELADO – MARIA VALTORTA

quarta-feira, 29 de maio de 2019

AFASTEM-SE DA GRANDE PROSTITUTA APOCALÍPTICA





AFASTEM-SE DA GRANDE PROSTITUTA APOCAlÍPTICA

Tornem-se mais espirituais, para conseguir ver as ciladas maliciosas do grande enganador eclesiástico Católico, na implementação de modernidades no Missal Santo e Eterno deixado por Nosso Senhor Jesus Cristo. Satanás entrou na Igreja no Concílio Vaticano II, com algumas mudanças, e de lá para cá, continuou através da Maçonaria Eclesiástica implementar seu plano perverso: destruir a Igreja de Cristo por dentro. O Cisma profetizado irá se cumprir neste Pontificado, pois estamos no ápice dos acontecimentos, relacionados com as revelações dos Profetas.
Livrem-se da membrana secularista, humanista, socialista, que encobre vossos olhos ó povo de Deus, filhos da Luz, estejam espertos e atentos às mudanças na Santa Igreja. A secularização impregnou na mente das pessoas, doutrinas de erro, descrença nas verdadeiras virtudes, inversão de valores, o engrandecimento do “eu” humano enfraqueceu grandemente o espiritual, a ponto de se tornarem negadores de Deus.
A globalização é desejada pela maioria das pessoas, mas se refletissem um pouco a respeito, acredito que teriam uma outra opinião, pois esta é a meta, o plano traçado pelo Anticristo para dominar o mundo. E é claro que não será somente por uma unificação política mundial, mas também, em conjunto com uma religião única mundial. Esta nova religião mundial vai surgir dentro da Igreja Católica, com a permissão e “bênção” do Falso Papa, orientado pelo Anticristo. Assim como Lutero saiu da Igreja de Cristo para fundar uma falsa religião, este Papa atual fará a mesma coisa, dividindo a Igreja ao meio. Um novo templo será erguido para esta nova religião mundial em Roma. Aqueles que seguirem o Falso Profeta, o Falso Papa, estarão nesta nova religião mundial do Anticristo, a Grande Prostituta espiritual profetizada no Apocalipse de João. Esta falsa igreja adotará sacerdotisas, permitirá que divorciados recasados participem da Comunhão, extinguirá o celibato para os sacerdotes, mudará o Missal eterno por um missal dessacralizado, ecumenista, e enfim a abominação para a desolação estará presente no Altar. Quando isso acontecer, fujam dela povo meu, para que não sejam condenados ao abismo infernal dos anjos caídos.
Afastem-se dela queridos irmãos em Cristo Nosso Senhor, porque a sedução será atroz, dois dos maiores sedutores da Terra em todos os tempos estarão lá para enganar o maior numero de almas: O Falso Profeta e o Filho de Satanás.
O verdadeiro Missal Católico sempre foi e será com a celebração Tridentina.
Como não será permitido nas Igrejas Católicas o antigo Missal, único e verdadeiro, teremos que sair das Igrejas para continuar à realizar o Sacrifício Perpétuo as escondidas, como nos primeiros anos do cristianismo. A verdadeira doutrina de Jesus estará nos corações de todos aqueles que não se deixaram enganar pelo Falso Profeta e pelo Anticristo. A Igreja Católica, única fundada por Deus, será a única a existir depois que Jesus voltar para nos salvar, em sua segunda vinda na Terra. E assim será pelos próximos mil anos.

Antonio Carlos Calciolari

sábado, 25 de maio de 2019

APARIÇÃO DE JESUS RESSUSCITADO NO CENÁCULO






APARIÇÃO DE JESUS RESSUSCITADO NO CENÁCULO

Questionado pelos Apóstolos do porque apareceu primeiro à sua Mãe, à Maria Madalena e para Lázaro antes deles, recebem a resposta justa pelo orgulho aflorado em seus corações hebreus.

(O Evangelho como me foi revelado – Maria Valtorta – Vol. 10 –pg. 269 a 273)


“Mas eles receberam um grande prêmio...”
“A eles Tu apareceste.”
“A todos os três.”
“Mas à Maria logo depois de tua mãe...”
Está claro como entre os Apóstolos havia uma saudade daquelas aparições de privilégio.
“Maria, já há muitas horas que sabe que ressuscitaste. E nós só agora é que estamos podendo ver...”
“Para eles não há mais dúvidas. Mas, para nós, eis que somente agora é que estamos percebendo que nada acabou. Porque assim fazes com eles Senhor, se ainda nos amamos e não nos repudias?”, pergunta o Judas do Alfeu.
“É verdade. Porque tratar assim às mulheres, e especialmente a Maria. Tu até tocaste na fronte dela, e ela diz que lhe parece estar sempre com uma grinalda eterna. E a nós, os teu Apóstolos, nada?”
Jesus não sorri mais. Seu rosto não esta perturbado, mas seu sorriso cessou. Ele olha sério para Pedro, que falou por último, tornando a encher-se de coragem, à medida que o medo e o tempo vão passando, e diz: “Eu tinha Apóstolos. Eu os amava com todo o meu coração. Eu os havia escolhido, e, como uma mãe, havia tomado cuidado para que eles crescessem durante a minha vida. Eu não tinha segredos com eles. Eu lhes dizia tudo, tudo lhes explicava, tudo perdoava. Mas suas fraquezas humanas, suas ousadias, suas teimosias... tudo. E Eu tinha também discípulos. Uns ricos e outros pobres. Tinha mulheres de um passado sem brilho ou de uma constituição débil. Mas meus prediletos eram os Apóstolos.
E assim chegou a minha hora. Um deles me traiu e me entregou aos verdugos. Três deles ficaram dormindo, enquanto Eu suava sangue. Todos, menos dois, fugiram por vileza. Um me renegou por medo, ainda que estivesse vendo o exemplo do outro, jovem e fiel. Em como se isso não bastasse, entre os doze Eu tive um suicida desesperado, e um que duvidou tanto do meu perdão, que não acreditava facilmente, ou pelas palavras de sua mãe, na misericórdia divina. Assim, se Eu tivesse olhado para minha fileira, com olhos humanos, Eu teria devido dizer: “Menos João, fiel por seu amor, e o Simão, fiel na obediência, Eu não tenho mais Apóstolos.” Isto Eu teria devido dizer, enquanto estava sofrendo no recinto do Templo, no Pretório, pelas ruas da cidade e até já sobre a Cruz.
Algumas mulheres me acompanhavam... Uma delas, a mais culpada no passado, foi, como disse João, a chama que soldou as fibras arrebentadas dos corações. Essa mulher é Maria de Magdala. Tu me renegaste e fugiste, enquanto que ela desafiou a morte para estar perto de Mim. Insultada, ela descobriu o seu rosto, pronta para receber a cusparada e as bofetadas, pensando em ser assim semelhante a seu Rei crucificado. No fundo dos corações ela era escarnecida por sua fé firme na minha Ressurreição, e soube continuar a crer. Torturada, foi assim que continuou a agir. Desolada, nesta manhã ela disse: “De tudo eu me despojo, mais dai-me o meu Mestre.” Podes fazer ainda a ousada pergunta: “Porque dar-se a ela?”
Eu tinha unas discípulos pobres, eram pastores. Pouco Eu me aproximei deles, e, no entanto, como souberam eles proclamar sua fidelidade.
Eu tinha discípulas tímidas, como o são todas as mulheres hebréias. Contudo, elas souberam deixar suas casas e vir para o meio do mar de um povo que blasfemava contra Mim, e elas o faziam para me darem aquele socorro que os Apóstolos ma haviam negado.
Eu tinha umas pagãs que me admiravam, como a um filósofo. Pois para elas Eu o era. Mas souberam descer até aos costumes hebreus, aquelas poderosas romanas, a fim de me dizerem, naquelas horas de abandono por parte de um mundo de ingratos: “Nós somos tuas amigas.”
Eu tinha o rosto cheio de cuspiduras e de sangue, Lágrimas e suor gotejavam sobre as feridas. Sujeira e poeira o cobriam como uma crosta. De quem era a mão que me limpou? Foi a tua? Ou atua? Ou a tua? Não foi nenhuma das vossas mãos. Este homem estava perto da Mãe. Ele é que reunia as ovelhas espalhadas. E, se espalhadas estavam as minhas ovelhas, como é que elas podiam socorrer-me? Tu escondias o teu rosto por medo do desprezo do mundo, enquanto o teu Mestre ia indo coberto pelo desprezo de todo o mundo, sendo Ele inocente.
Eu tinha sede. Sim. Leva em conta também isso. Eu estava morrendo de sede. A febre e a dor se haviam apoderado de Mim. Já havia saído sangue de Mim no Getsêmani, pela dor de ser traído e abandonado, negado, açoitado, submergido por culpas infinitas e pelo rigor de Deus. E também no Pretório correu sangue... Quem foi que quis dar-me uma gota d”água para minha garganta que ardia de sede? Teria sido uma mão de Israel? Não. Foi a piedade de um pagão. Aquela mesma mão que, por um decreto eterno, me abriu o peito para mostrar que o coração já tinha uma ferida mortal, e era aquela que a falta de amor, que a vileza, a traição me haviam feito. Foi um pagão. E Eu vos faço lembrar. “Eu tive sede, e me deste de beber.” Em todo Israel não houve um que me desse um conforto, ou pela impossibilidade de fazê-lo, como a Mãe e as mulheres, ou, pela má vontade de fazê-lo. E um pagão foi quem teve para com o desconhecido a piedade que meu povo me negou. Ele encontrou no Céu aquele sorvo que ele me deu.
Em verdade, Eu vos digo que, se Eu recusei todo conforto, porque quando não convém abrandar a sorte, e Eu não quis rechaçar o que o pagão me oferecia, porque naquilo Eu provei o mel de todo amor com que me brindarão os gentios, em recompensa pela amargura que Israel me fez beber. Ele não me tirou a sede. Mas o desconforto sim. Por isso, Eu tomei aquele sorvo, sem saber o que era. Para atrair a Mim aquele que já estava inclinado para o Bem. Que ele seja abençoado pelo Pai por sua piedade.
Vós não falais mais? Porque é que não perguntais também porque é que Eu agi assim? Não tendes coragem de perguntar isso? Então Eu vo-lo irei dizer. Tudo Eu vos direi sobre o porque desta hora. Quem é que sois vós? Não sois os meus continuadores? Sim. Vós sois, apesar da vossa perturbação. Que é que deveis fazer? Converter o mundo para o Cristo. Converter! Isto é o que há de mais delicado e difícil, meus amigos. Os desprezos, as aversões, os orgulhos, os zelos exagerados, tudo isso são coisas que tornam impossível o bom êxito. Mas como nada e ninguém vos teria persuadido a usar da bondade da condescendência da caridade, para com aqueles que estão nas trevas, então foi necessário. Compreendeis? Foi necessário que vós tivésseis uma vez por todas, esmagado o vosso orgulho de hebreus, de homens, de Apóstolos, para dardes lugar somente à verdadeira sabedoria do vosso ministério, isto é, à mansidão, à paciência, à piedade, ao amor sem fanfarrices, nem aversões.
Vós estais vendo como todos vós venceram na fé e no agir, entre aqueles que vós olháveis com desprezo, ou com uma compaixão orgulhosa. Todos, até a pecadora de outros tempos. Até Lázaro, impregnado de uma cultura profana, foi o primeiro que, em meu Nome, perdoou e guiou. E as mulheres pagãs. A enfraquecida mulher do Cusa. Enfraquecida? Mas, na verdade, ela ganha de todos vós. Ela é a primeira mártir da minha fé. E os soldados de Roma. E os pastores. E o herodiano Manaém. E até o Gamaliel, o rabino. Não te fiques estremecendo, João. Pensas tu que o meu espírito ainda estivesse nas trevas? Todos vós pensáveis assim. E isso aconteceu convosco para que amanhã, lembrando-vos do vosso erro, não fecheis o coração para os que se aproximam da Cruz.
Eu vo-lo digo. E Eu já sei que, ainda que Eu o tenha dito, vós não o fareis, a não ser quando a Força do Senhor vos dobrar, como uma varinha, à minha vontade, que é a de ter cristãos por toda a Terra. Eu venci a morte. Mas ela é menos dura do que o velho hebraísmo. Mas Eu vos dobrarei.
Tu Pedro, em vez de ficares envilecido e chorando... tu que deves ser a Pedra da minha Igreja, grava esta amarga verdade no coração. A mirra é usada para preservar da corrupção. Então, impregna-te de mirra. E, quando quiseres fechar o coração e a Igreja à alguma pessoa de outra fé, lembra-te de que não Israel, não foi Israel que me defendeu e quis ter piedade. Lembra-te de que não tu, mas uma pecadora é que soube ficar ao pé da Cruz, e mereceu ver-me por primeira. E, para não seres digno de censura, sê imitador do teu Deus. Abre o coração e a Igreja dizendo: “Eu, o pobre Pedro, não posso desprezar, porque se eu desprezar, serei desprezado por Deus, e o meu erro se tornará vivo aos olhos Dele.” Ai de ti, se Eu não te tivesse despedaçado assim. Não o serias um pastor, mas terias virado um lobo.”
Jesus se levanta. Ele está muito majestoso.
“Meus filhos. Agora Eu falarei, durante o tempo em que Eu estiver entre vós. Mas, enquanto isso, Eu vos absolvo e perdôo. Depois da prova, que foi aviltante e cruel, mas que também foi salutar e necessária, venha a vós a paz do perdão. E com essa paz no coração tornai-vos meus amigos fiéis e fortes. O Pai me mandou a este mundo. E Eu vos mando pelo mundo, a fim de continuardes a minha evangelização. Misérias de toda sorte virão sobre vós, pedindo alívio. Sede bons, pensando em vossa miséria, quando ficastes sem o vosso Jesus. Sede iluminados. Nas trevas não se pode ver. Sede limpos, para ensinardes a limpeza. Sede amor, para poderdes amar. Mas enquanto ele não chega, a fim de preparar-vos para este ministério, Eu vos comunico o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, estarão perdoados. E a quem os retiverdes, ficarão retidos. A vossa experiência vos faça justos, para julgardes. O Espírito Santo vos faça santos, para santificardes. A vontade sincera de corrigir-vos de vossas faltas vos torne heróicos para a vida que vos espera. Tudo o que está por dizer, Eu vo-lo direi, quando aquele que está ausente tiver chegado. Rezai em Nome dele. Permanecei em minha paz, e sem nenhuma ansiedade ou dúvida sobre o meu amor por vós.”
E Jesus desaparece, como havia entrado, deixando entre João e Pedro um lugar vazio. E Ele desaparece no meio de um vivo clarão, que os faz fechar os olhos, de tão forte que ele é. E quando os olhos ofuscados se abrem, eles verificam somente que a paz de Jesus ficou entre eles, como uma chama que queima e que cura, que consome as amarguras do passado, e as transforma em um único desejo de servir.


O EVANGELHO COMO ME FOI REVELADO – MARIA VALTORTA

quarta-feira, 8 de maio de 2019

A IGREJA NASCENTE E O FIM DOS TEMPOS






A IGREJA NASCENTE E O FIM DOS TEMPOS

(O Evangelho como me foi revelado – Maria Valtorta – Vol. 9- pg. 392 a 403)

Matias, o ex-pastor, aproxima-se de Jesus e lhe pergunta: “Senhor e Mestre meu, eu tenho pensado muito com os companheiros, nas tuas palavras, até que o cansaço tomou conta de nós, e nós dormimos, antes de termos podido resolver o problema que se havia apresentado. E agora estamos mais ignorantes do que antes. Se é que entendemos bem as pregações destes últimos dias. Tu predisseste que muitas coisas mudarão, ainda que a Lei fique sem ser mudada, e que se deverá edificar um novo Templo, com novos profetas, sábios e escribas, contra o qual se levantarão batalhas, mas que não morrerá enquanto que este, se é que compreendemos bem, parece destinado a morrer.”
“Está destinado a morrer. Lembra a profecia de Daniel...”
“Mas nós que somos pobres e poucos, como poderemos edificá-lo de novo, se os reis tiveram que trabalhar muito para edificar este? E depois onde o edificaremos? Certamente aqui não, porque tu dizes que este lugar virará um deserto, enquanto esses não te bendigam como a um mandado por Deus.”
“Assim é.”
“Em teu Reino não. Porque estamos convictos de que o teu Reino é espiritual. E, então, como e onde o estabeleceremos? Ontem tu disseste que o verdadeiro Templo – e não é aquele... e, não será aquele o verdadeiro Templo? Disseste que quando eles pensarem que o terão destruído, aí é que ele se levantará triunfante aos olhos de Jerusalém verdadeira. Onde está ela? Há muita confusão entre nós.”
“Assim é. Que os inimigos destruam o verdadeiro Templo. Em três dias Eu o levantarei de novo, e ele não conhecerá mais a cilada, subindo para onde o homem não lhe possa causar dano.
Quanto ao Reino de Deus, ele está em vós, e por toda parte há homens que crêem em Mim. Estão espalhados por enquanto, mas eles se sucederão sobre a Terra, através dos séculos dos séculos. Depois ele será eterno, unido, perfeito no Céu. Lá no Reino de Deus, será edificado o novo Templo, isto é, lá onde estão os espíritos que aceitam a minha doutrina, a Doutrina do Reino de Deus e que pratica os preceitos Dele. E, como será edificado, se sois pobres e poucos? Oh! Na verdade não são necessários o dinheiro e os poderes para edificar o edifício da nova moradia de Deus, individual ou coletiva. O Reino de Deus está em vós. É a união de todos aqueles que terão a Deus em si, a Deus que é a Graça. A Deus que é a Vida. A Deus que é a Luz. A Deus que é a Caridade. E ele constituirá o grande Reino de Deus sobre a Terra, a nova Jerusalém, que chegará a expandir-se por todos os confins do mundo, e que, completa e perfeita, sem emendas, sem sombras, viverá eterna no Céu.
Como fareis para edificar o Templo e a cidade? Oh! Não sereis vós, mas será Deus que edificará esses lugares novos. Vós teríeis somente que dar-lhe vossa boa vontade. Boa vontade é permanecer em Mim. Viver a minha doutrina é já a boa vontade. Estar unidos à boa vontade. Unidos a Mim, até formardes um só corpo, em cada uma de suas partes e partículas, alimentado pela mesma seiva. Um único edifício, que está apoiado sobre uma única base e conservado unido por uma mística coesão, mas assim como sem a ajuda do Pai, que Eu vos ensinei a pedir, e que Eu pedirei para vós, antes de morrer, vós não poderíeis estar na Caridade, na Verdade, na Vida, isto é, ainda em Mim, e comigo em Deus Pai, e em Deus Amor, porque nós somos uma única Divindade, por isso Eu vos digo que tenhais a Deus em vós, para poderdes ser o Templo que não conhecerá fim. Por vós mesmos não o podeis fazer. Se Deus não edifica, e não pode edificar onde não pode mais ter a sua morada, inutilmente os homens se agitam para edificar e reedificar.
O Templo novo, a Minha Igreja, surgirá somente quando o coração hospedar a Deus e Ele convosco, como umas pedras vivas, edificará a sua Igreja.
“Mas, Tu não disseste que o Simão de Jonas é o Chefe dela, a pedra sobre a qual se edificará a Tua Igreja? E não nos fizeste compreender também que Tu és dessa Igreja a pedra angular? Então, quem é o chefe dessa Igreja?”, interrompe Iscariotes.
“Eu sou o Chefe Místico. E Pedro é o Chefe visível. Porque Eu vou voltar ao Pai, deixando-vos a Vida, a Luz, a Graça, pela minha Palavra, pelos meus sofrimentos, pelo Paráclito, que será amigo daqueles que me forem fiéis. Eu formo uma única coisa com a minha Igreja, meu corpo espiritual, do qual Eu sou a cabeça.
A cabeça contém o cérebro, a mente. A mente é a sede do saber, o cérebro é que dirige os movimentos dos membros, por meio de seus comandos imateriais, os quais são os mais válidos para fazer que se movam os membros, do que qualquer outro estímulo. Observai um morto, no qual o cérebro morreu. Terá ele algum movimento em seus membros? Observai alguém que seja completamente estúpido. Não é verdade, que ele é tão inerte, que não saiba ter nem aqueles movimentos mais rudimentares e instintivos, que até o mais inferior dos animais, que até o verme que nós esmagamos, tem? Observai alguém no qual a paralisia desfez o contacto dos membros, de um ou mais membros do cérebro. Terá ele ainda movimento naquela parte que não tem mais ligação vital com a cabeça?
Mas, se a mente dirige com os seus comandos espirituais, então os outros órgãos, como: os olhos, os ouvidos, a língua, o nariz, a pele, que comunicam as sensações à mente, e são as outras partes do corpo que executam e fazem executar aquilo que a mente, advertida pelos órgãos materiais e visíveis, a respeito de tudo o que o intelecto invisível ordena. Poderia Eu, sem dizer-vos: sentai-vos, conseguir que fiqueis sentados neste lado do monte? Mesmo que Eu queira que vós permaneçais sentados, vós não o sabeis, enquanto Eu não transmitir o meu pensamento em palavras, e, então, Eu as digo usando para isso a língua e os lábios. Poderia Eu mesmo sentar-me, se Eu ficasse somente pensando que estou sentindo o cansaço das pernas, se elas não quisessem dobrar-se, e não me pusessem assim sentado? A mente tem necessidade dos órgãos e dos membros para poder fazer e executar as operações que o pensamento pensa.
Assim também é no corpo espiritual, que é a minha Igreja: Eu serei o Intelecto, isto é, a cabeça, que é a sede do intelecto, e Pedro com os seus colaboradores são os que observam as reações, percebem as sensações, e as transmitem à mente, a fim de que ela ilumine, ponha em ordem o que é preciso fazer para o bem de todo o corpo, para que ela possa esclarecer e ordenar, sob minha direção, possam falar e guiar as outras partes do corpo. A mão que afasta um objeto que pode ferir o corpo, ou afasta o que está corrompido ou pode corromper, o pé que passa por cima de um obstáculo, sem esbarrar nele, sem cair nem ferir-se, todas essas partes receberam da parte que dirige a ordem de fazê-lo. O menino, e até o homem que se salvou de um inimigo, ou que, faz qualquer coisa útil, como: procurar a instrução, as boas obras, o casamento, uma boa companhia para um bom conselho recebido, ou para uma boa palavra dita, é por aquele conselho, por aquela palavra que não prejudica ou que faz o bem. Assim será na Igreja. O chefe e os chefes, guiados pelo Divino Pensamento e iluminados pela Divina Lei, instruídos pela Palavra Eterna, darão as ordens e os conselhos, e os membros os porão em prática, e obterão a saúde espiritual e uma vantagem espiritual.
A minha Igreja já é assim, porque já possui o seu Chefe sobrenatural Chefe Divino, e tem os seus membros, que são os discípulos. Ela é ainda pequena, por enquanto, e como um germe que se forma, perfeita unicamente no Chefe que a dirige, e imperfeita no resto, que ainda tem necessidade de um toque de Deus para ficar perfeita e do tempo para crescer. Mas, em verdade Eu vos digo que Ela já o é, e que é Santa, por Aquele que é seu Chefe e pela boa vontade dos justos que a compõem. É Santa e invencível... Contra ele se apresentará uma e mil vezes e com mil formas de batalha o inferno, feito de demônios e de homens-demônios, mas não prevalecerão. O edifício será firme.
Mas o edifício não é feito de uma só pedra. Observai o Templo, lá, vasto, belo, ao sol que se põe. Talvez é feito de uma só pedra? É um complexo de pedras, que formam um único e harmônico todo. Ele se chama: o Templo. E isto quer dizer uma unidade. Mas essa unidade é feita das muitas pedras que a compuseram e formaram. Inútil teria sido fazer os fundamentos se eles não tivessem depois que sustentar as paredes e o teto, se sobre eles não se tivesse que erguer as paredes para sustentarem o teto, se antes não tivessem sido feitos, e em primeiro lugar, os fundamentos sólidos e proporcionados para uma construção maciça e de grandes dimensões. Assim, com esta dependência das artes uma da outra, é que surgirá também o Templo Novo. Pelos séculos afora, vós o ireis edificando, apoiando-o sempre sobre os fundamentos que Eu lhe dei, perfeitos, de acordo com seu tamanho. Vós edificareis sob a direção de Deus, servindo-vos das coisas a serem usadas para levantá-lo: espíritos que são a morada de Deus.
Deus estará nos vossos corações para fazer deles umas pedras polidas e sem fendas, para um Templo novo. Será o seu Reino estabelecido com as suas leis no vosso espírito. A não ser assim, vós seríeis uns tijolos mal cozidos, uma madeira carunchada, umas pedras lascadas e quebradiças, que não têm consistência, e que o construtor, se for experiente, rejeita, ou então elas falham, não resistem a pressão, fazendo que uma parte deslize, se o construtor, ou os construtores colocados ídolos de si mesmos, que se pavoneiam em seus corações, sem vigiarem constantemente sobre a construção que se vai levantando, e sobre os materiais usados nela. Esses construtores ídolos, esses mestres de obras ídolos, esses guardas ídolos, são todos uns ladrões. Ladrões da confiança de Deus e da estima dos homens, uns ladrões e uns orgulhosos, que só se comprazem em terem um meio de vida, e um modo de terem um monte de materiais, que eles não observam se são bons, ou já de qualidade vencida, e que pode ser causa de uma ruína.
Vós, ó sacerdotes novos e escribas do Templo novo, escutai. Ai de vós e de quem vier depois de vós, de quem se fizer ídolo e não tomar cuidado, não supervisar a si mesmo e aos outros, os fiéis, a fim de observar bem a boa qualidade das pedras e da madeira, sem confiar só nas aparências, pois se não poderá causar ruínas, deixando que materiais já deteriorados, ou até capazes de prejudicar a obra tenham sido deixados para serem usados na construção do Templo, dando assim um escândalo e provocando a ira divina. Ai de vós, se deixardes que se formem fendas e paredes inclinadas, que estão para cair, porque não estão bem equilibradas nas bases, que são sólidas e bem feitas. Não é de Deus o fundador da Igreja, mas de vós que viria o tombamento da parede, e dele seríeis responsáveis, diante do Senhor e dos homens.
Diligência, observação, discernimento, prudência. A pedra, o tijolo, a viga fraca, que em uma parede interna poderiam ser causa de tombamento, podem servir em partes de menor importância, na construção e até a servir bem. É assim que deveis saber escolher. Com caridade para não desgostar as partes fracas, mas com firmeza, para não desgostar a Deus e arruinar o seu Edifício. E se achais que uma pedra em um ângulo mestre, não é boa ou não está bem equilibrada, sede corajosos, ousados, e procurai saber como tirá-la daquele lugar, e alinhá-la com o escopo de um santo zelo. Se ela grita de dor, não faz mal. Ela vos abençoará durante os séculos, porque vós a tereis salvado. Removei-a dali e empregai-a em outro trabalho. Não tenhais medo nem de afastá-la completamente, se virdes que ela vai ser causa de estranheza e de ruína, desdizendo do vosso trabalho. É melhor haver pouca pedra, do que muito estorvo.
Não tenhais pressa. Deus nunca tem pressa, mas tudo o que Ele cria é eterno, porque é bem calculado, antes de ser feito. Se não é eterno, dura tanto como os séculos. Olhai para o Universo. Há muitos séculos, há milhares de séculos, ele está como Deus o fez, em operações sucessivas... Imitai o Senhor. Sede perfeitos como vosso Pai. Tende a sua Lei em vós, o seu Reino em vós. E não falhareis, mas, se não fôsseis assim, desabaria o edifício, ficando dele apenas a pedra angular, os fundamentos. A mesma coisa acontecerá com aquele Templo. Em verdade, Eu vos digo que com aquele ali vai ser assim, assim será com o vosso, se puserdes nele o que pusestes neste, as vossas contribuições doentes de orgulho, de avidez, de pecado, de luxúria. Como se desfez de repente pelo sopro do vento, aquele pavilhão de nuvens, que parecia estar parado formando uma vista tão bonita acima do cume daquele monte, mas parecendo o soprar de um vento de um castigo sobrenatural para os homens, quando desabarem os edifícios, que de santos só tem o nome.
Jesus se cala pensativo. E quando começa a falar de novo, é para dar esta ordem: “Sentemo-nos aqui, para repousarmos um pouco.”
Eles se assentam sobre um declive do Monte das Oliveiras, que fica em frente do Templo, agora beijado pelo Sol, que já vai-se pondo. Jesus olha fixamente para aquele lugar, com tristeza. Os outros, exultam por verem aquela beleza, mas sobre aquela exultação logo se estende um véu de aflição pela lembrança das palavras do Mestre. Será que toda aquela beleza vai ter que acabar?
Pedro e João falam um com o outro, e depois passam a sussurrar alguma coisa ao Tiago de Alfeu e ao André, que estão perto deles, e eles concordam, fazendo um sinal com a cabeça. Então, Pedro se vira para o Mestre e diz: “Vem aqui para o lado, e explica-nos quando é que se cumprirá a tua profecia sobre a destruição do Templo. Daniel fala nela, mas, se for como ele diz, e como Tu dizes, poucas horas terá ainda o Templo. Mas nós não estamos vendo exércitos, nem preparativos de guerra. Quando será, então, que isso acontecerá? Qual será o sinal disso? Tu já vieste. E Ti dizes que estás para ires embora. No entanto se sabe que isso não acontecerá, se não estiveres entre os homens. Então, Tu voltarás? Quando é que será a tua volta? Explica-nos isso, para que fiquemos sabendo.”
“Não há necessidade de que vamos para outro lado. Estás vendo? Os discípulos mais fiéis ficaram, aqueles que a vós doze ajudarão muito. Eles podem ouvir as palavras que Eu vos estou dizendo. Vinde todos para cá!”, grita por fim, para reunir todos.
“Tomai cuidado para que ninguém vos seduza no futuro. Eu sou o Cristo, e não haverá outros Cristos. Por isso, quando muitos vierem dizer-vos: “Eu sou o Cristo”, e estiverem seduzindo a muitos, não acrediteis em suas palavras, nem que elas sejam acompanhadas por prodígios, mas estes podem ser reconhecidos como não bons, porque sempre estarão unidos ao medo, à perturbação e à mentira. Os prodígios de Deus vós os conheceis, eles dão uma santa paz, alegria e salvação, fé e conduzem a desejos e obra santas. Os outros, não. Por isso, refleti sobre a forma e as consequências dos prodígios que podereis ver no futuro, por obra dos falsos cristos e de todos aqueles que se vestirão com vestes de salvadores dos povos, mas que serão umas feras, que os arruinarão.
Ouvireis também, e até vereis os que falam de guerras, e rumores de guerra, e que vos dirão: “Estes são os sinais do fim.” Mas não vos perturbeis, ainda não será o fim. É necessário que tudo isso aconteça antes do fim, mas ainda não será o fim. Levantar-se-á um povo contra o outro, nação contra nação, continente contra continente, e haverá pestilências, carestia e terremotos em muitos lugares. Mas isso não será mais do que o princípio das dores. Então vos lançarão no meio da tribulação, e vos matarão, acusando-vos de serdes os culpados pelos sofrimentos deles e, esperando sair deles, começarão a perseguir e a destruir os meus servos.
Os homens acusam sempre os inocentes de serem eles a causa do seu mal, que os pecadores criam para si mesmos. Eles acusam ao próprio Deus, que é perfeita inocência e a Bondade Suprema, de ser Ele a causa do sofrimento deles, e assim também farão convosco, e vós sereis odiados por causa do meu Nome. E será ainda Satanás que os está açulando. E surgirão falsos profetas, que induzirão muitos ao erro. E ainda será Satanás o verdadeiro autor de tantos males. E, com a multiplicação da iniqüidade, se esfriará a caridade de muitos. Mas quem tiver perseverado até o fim, será salvo. Mas, é preciso que antes este Evangelho do Reino de Deus seja pregado em todo o mundo, como um testemunho diante de todas as nações. Aí virá o fim. Haverá uma volta de Israel ao Cristo, que o acolhe, e a pregação da minha doutrina em todo mundo.
Depois virá um outro sinal. Um sinal do fim do Templo e do fim do Mundo. Quando virdes a abominação da desolação predita por Daniel – quem me ouve, procure entender bem, e quem lê o Profeta, saiba ler por entre as palavras – então, quem estiver na Judéia, fuja para os montes, e quem estiver no terraço não desça para ir apanhar o que estiver em casa, e quem estiver em seu campo não volte à sua casa para apanhar o manto, mas fuja sem olhar para trás, a fim de que não lhe aconteça não poder fazê-lo mais, e ele nem mesmo se vire para olhar, quando fugir, a fim de não conservar no coração o espetáculo horrendo, e enlouquecer por isso. Ai das grávidas e daquelas que estiverem amamentando naqueles dias! E ai delas se a fuga tiver que ser em dia de sábado! Não seria bastante a fuga para quem quisesse salvar, sem pecar. Rezai, pois, para que não aconteça no inverno e em dia de sábado, porque a tribulação será grande, como nunca houve desde o princípio do mundo até essa hora, nem haverá nunca mais outra semelhante, porque essa será a última. Se não fossem abreviados aqueles dias em atenção aos eleitos, ninguém se salvaria, porque os homens-satanases aliarão ao inferno para atormentar os homens.
E já estão, para corromper e arrastar para fora do caminho, justo aqueles que se conservarem fiéis ao Senhor, surgirão os que dirão assim: “O Cristo está lá, o Cristo está aqui. Está em tal lugar. Ei-lo! É este!” Não creiais. Ninguém creia, porque surgirão falsos Cristos e falsos profetas, que farão prodígios e portentos tais, que induzirão ao erro, se isso lhes fosse possível, até aos eleitos, e ensinarão doutrinas em aparência tão consoladoras e boas, que seduziriam até aos melhores, se com eles não estivesse o Espírito de Deus, que os iluminará sobre a verdade ou sobre a origem satânica de tais prodígios e doutrinas.
Eu vo-lo digo. Eu vo-lo prego, para que vós possais acautelar-vos. Mas não tenhais medo de cair. Se estiverdes de pé, firmes no Senhor, não sereis arrastados às tentações e a ruína. Lembrai-vos disso que Eu vos disse: “Eu vos dei o poder de caminhar sobre as serpentes e escorpiões e sobre o poder do inimigo, e nada vos fará mal, porque tudo vos estará sujeito.” Eu vos faço lembrar também que para conseguirmos isso, deveis ter Deus em vós, e deveis alegrar-vos, não porque dominais as potências do mal e as coisas venenosas, mas porque o vosso nome está escrito no Céu.
Permanecei no Senhor e em sua verdade. Por isso ainda Eu vos repito: Qualquer coisa que vos disserem de Mim, não creiais. Somente Eu é que disse a verdade. Somente Eu é que vos digo que o Cristo virá, mas quando chegar o fim. Por isso, se vos disserem: “Ele está lá no deserto”, não vades lá. Se vos disserem: “Ele está naquela casa”, não lhes deis atenção. Porque o Filho do homem, em sua segunda vinda, será semelhante a um relâmpago, que sai do nascente e chispa até o poente, em um tempo tão breve, como o bater de uma pálpebra. E deslizará sobre o grande Corpo, que logo se tornará um Cadáver, acompanhado de anjos luminosos, e por-se-á a julgar. No lugar, seja onde for, em que estiver o corpo, lá se reunirão as águias. E logo depois da tribulação daqueles últimos dias, da qual Eu já vos falei, Eu falo agora do fim do tempo e do mundo e da ressurreição dos ossos, coisas essas de que os profetas falam, o sol escurecerá, a lua não dará mais a sua luz, e as estrelas do céu cairão, como bagos de uva que caem de um cacho maduro demais, e que um vento tempestuoso sacode, e as potências do Céu tremerão.
E, então, no firmamento escuro aparecerá fulgurante o sinal do Filho do homem, e chorarão todas as nações da terra, e os homens verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do Céu, com grande poder e glória. E Ele dará ordens aos seus anjos que ceifem e vindimem, que separem o joio do trigo, que lancem as uvas na dorna, porque terá chegado o tempo da grande colheita da semente de Adão, e não teremos mais necessidade de conservar   a esgalha nem a semente, porque não haverá mais perturbação da raça humana sobre a terra morta. E dará ordens aos seus amigos para que ao alto som das trompas, reúnam os eleitos dos quatro cantos da terra, de uma extremidade à outra do céu, a fim de que estejam ao lado do Divino Luiz, para julgarem com Ele os últimos viventes e os ressuscitados.
Da figueira aprendei esta semelhança: quando vedes que seus ramos ficam tenros, e soltam folhas, sabeis que o verão já vem perto.
Assim também, quando virdes todas essas coisas, ficai sabendo que o Cristo está para chegar. Em verdade, Eu vos digo, não passará esta geração, que não me quis, antes que tudo isso aconteça.
A minha palavra não falha, o que Eu digo acontecerá. O coração e o pensamento dos homens podem mudar, mas minha palavra não muda. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. E, quanto ao dia e a hora exata, ninguém os conhece, nem mesmo os anjos do Senhor, mas somente o Pai.
Como nos tempos de Noé, assim acontecerá na vinda do Filho do homem. Nos tempos de antes do dilúvio, os homens comiam, bebiam, se desposavam, se casavam, sem prestarem atenção ao sinal no dia em que Noé entrou na arca, e abriram-se as cataratas dos céus, e o dilúvio submergiu todos os seres vivos, e todas as coisas. Assim também será, quando for a vinda do Filho do homem. Quando chegar a hora, dois homens estarão perto um do outro no campo, e um será levado, enquanto o outro será deixado. Duas mulheres estarão ocupadas em fazer girar o mó do moinho, e uma será levada, e a outra deixada. Isto é o que farão os inimigos aqui na Pátria, e mais ainda os anjos que irão separar o trigo do joio, e não terão tempo de se prepararem para o julgamento pelo Cristo.
Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora virá o Senhor. Pensai de novo o seguinte: se o chefe da família soubesse a que hora viria o ladrão, ele vigiaria e não deixaria que ele despojasse a sua casa. Portanto, vigiai e orai, estai sempre preparados para a vinda, sem que os vossos corações fiquem entorpecidos pelo abuso e a intemperança de todas as espécies, e os vossos espíritos estejam distraídos e obtusos para as coisas do Céu, por causa dos excessivos cuidados com as coisas da terra, e o laço da morte vos apanhe de repente, quando estiverdes despreocupados. Porque, lembrai-vos bem, todos tereis que morrer. Todos os homens, uma vez nascidos, devem morrer, e nessa morte há uma particular vinda do Cristo e em seguida um juízo, que será repetido com todos juntos no dia da vinda solene do Filho do homem.
Que será então, que acontecerá ao servo fiel e prudente, que foi posto pelo patrão a servir aos domésticos o alimento, enquanto Ele estava ausente? Feliz será ele, se o seu patrão ao chegar de repente, o encontrar fazendo o que deve, com diligência, com justiça e amor. Em verdade Eu vos digo que Ele lhe dirá: “Vem, servo bom e fiel. Tu mereceste o meu prêmio. Toma e administra todos os meus bens.” Contudo, se ele parecia, mas não era bom e fiel, e seu interior era mau, assim como no exterior ele era hipócrita, pois logo que o patrão havia partido, ele começou a dizer em seu coração: “O patrão vai tardar a voltar! Vamos aproveitar este belo tempo!”, e começar a bater em uns criados e a maltratar a outros, dando-lhes pouca comida e pouco das outras coisas necessária, a fim de poder ter mais dinheiro para poder gastá-lo em folganças, e com os bêbados, que é que irá acontecer? Acontecerá que o patrão, ao chegar de repente, quando aquele servo ainda estava pensando que o patrão estava longe, mas este, ao ver o mau procedimento do servo, lhe tomará o dinheiro, e o tirará do cargo, e o expulsará, como é de justiça. E assim, naquela situação ele ficará.
Assim acontece com o pecador impenitente, que não pensa que a morte pode já estar perto, e também perto o seu julgamento, e só procura gozar e abusar desse gozo, dizendo: “Depois eu me arrependerei.” Em verdade, Eu vos digo que ele não  terá tempo de fazer isso, e será condenado a ficar no lugar onde há um tremendo horror, onde se ouvem blasfêmias e se vêem o pranto e a tortura, e de lá ele só sairá para o Juízo Final, quando tornará a revestir-se de sua carne ressuscitada, para assim apresentar-se completo ao Juízo Final, assim como foi completo que ele pecou no tempo de sua vida terrena e com corpo e alma ele se apresentará ao Juiz Jesus, que ele não quis aceitar como seu Salvador.
Todos estarão lá, acolhidos diante do Filho do homem. Uma multidão incalculável de corpos restituídos, uns pela terra, outros pelo mar, e recompostos todos, depois de terem virado cinza, há muito tempo. E nos corpos estarão os espíritos. A cada carne que voltou ao seu esqueleto corresponderá o seu espírito, aquele que a animou por algum tempo na Terra. E estarão todos aprumados diante do Filho do homem, que estará esplendente em sua divina Majestade, sentado no trono de sua glória e assistido pelos seus anjos.
E ele separará os homens uns dos outros, pondo de um lado os bons e do outro os maus, como um pastor que separa as ovelhas pondo-as á direita, e os cabritos a esquerda. E dirá com voz afável e com um semblante benigno aos que, pacíficos e formosos, com uma beleza gloriosa no esplendor do corpo santo, olharão para ele, com todo o amor de seus corações: Vinde ó benditos de meu Pai, tomai posse do reino preparado para vós, desde o começo do mundo. Porque eu tive fome e me deste de comer, tive sede e me deste de beber, fui um peregrino e me hospedaste, estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, estava prisioneiro e fostes levar-me conforto.
E os justos lhe perguntarão: Quando foi Senhor que te vimos com fome e te demos de comer, te vimos com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos peregrino, e te acolhemos, te vimos nu e te vestimos, te vimos enfermo ou encarcerado, e te fomos visitar?
E o Rei dos Reis lhes dirá: Em verdade eu vos digo; quando fizestes uma daquelas coisas a um daqueles menores entre os meus irmãos, foi a Mim que o fizestes.
E depois o Juiz se voltará para aqueles que estiverem a sua esquerda, e lhes dirá, com um rosto sério e com uns olhares que serão como umas flechas que fulminarão os réprobos, e em sua voz ressoará a ira de Deus. Fora daqui! Longe de mim ó malditos! Ide para o fogo eterno, preparado pelo furor de Deus para o demônio e para os anjos das trevas e para aqueles que lhes deram ouvidos, quando eles falavam na libidinagem tríplice e obscena. Eu tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me deste de beber, estive nu e não me vestistes, fui peregrino e me repelistes, estive doente e encarcerado, e não me visitastes. Porque vós só conheceis uma lei:
A do prazer do vosso eu.
E eles lhe dirão: quando foi que te vimos com fome, com sede, nu, peregrino, enfermo ou encarcerado? Em verdade, nós não te estamos reconhecendo. Não estávamos presentes, quando estivestes sobre a Terra. E ele lhes responderá: É verdade. Vós não me conhecestes porque não estáveis lá presentes, quando estivestes sobre a Terra. Mas vós conhecestes a minha palavra e tivestes, no meio de vós, os esfaimados, os sedentos, os nus, os doentes, os encarcerados. Por que é que não fizestes a eles o que talvez teríeis feito a mim? Pois já foi dito que aqueles que me tiveram em seu meio fossem misericordiosos para com o Filho do homem? Não sabeis que nos meus irmãos estou eu? E que onde estiver sofrendo um desses meus menores irmãos, sou eu que lá estou? E que o que tiverdes deixado de fazer a um desses meus menores irmãos, foi a mim que deixastes de fazer? A Mim Primogênito dos homens?
Ide-vos e queimai-vos em vosso egoísmo. Ide e que vos fascinem as trevas e o gelo, pois trevas e gelo é o que fostes, mesmo conhecendo onde é que estava a Luz e o Fogo do Amor.
E eles irão para o suplício eterno, enquanto os justos entrarão na vida eterna.
Estas são as coisas futuras.”
Agora, ide-vos. E não vos separeis uns dos outros. Eu vou com João e voltarei a vós lá pela metade da primeira vigília, para a ceia e para irmos depois às nossas instruções.”


O EVANGELHO COMO ME FOI REVELADO – MARIA VALTORTA