“NO TERCEIRO DIA, UMA LUZ VINDA DOS CONFINS DO UNIVERSO, COMO UM METEORO, VAI DIRETO ATÉ O SEPULCRO, QUANDO UM ESTRONDO SACODE A TERRA, AFASTANDO A ENORME PEDRA QUE O SELAVA, E OS GUARDAS ROMANOS FICAM ATORDOADOS. A LUZ ENTÃO ENTRA NO CORPO INERTE DE JESUS, QUE EM SEGUIDA LEVANTA, TRANSPASSANDO OS PANOS DA MORTALHA COM SEU CORPO IMATERIAL FULGURANTE. RESSUSCITANDO DOS MORTOS COM UMA MATÉRIA INCORPÓREA DE INTENSA LUZ, CONHECIDA APENAS POR DEUS, DE UMA BELEZA INDESCRITÍVEL.”

quarta-feira, 29 de julho de 2015

O BOM PASTOR É LUZ PARA O MUNDO.



 A MISSÃO DOS APÓSTOLOS E DOS DISCÍPULOS.

Jesus diz:

“A luz esteja convosco.”
..."Quis que viésseis todos comigo, para estar algumas horas convosco e para falar-vos a vós somente. Tenho algumas coisas para dizer-vos, a fim de preparar-vos sempre melhor para a missão. Vamos tomar a refeição, e depois falaremos. Assim, durante o nosso sono, nossas almas continuarão a saborear a doutrina."
Terminam a ceia frugal e depois se ajuntam em circulo ao redor de Jesus, que se assentou em uma grande pedra. São eles mais ou menos uma centena, talvez até mais, somando os discípulos e os apóstolos. ..."Eu vos quis aqui, assim em particular, porque vós sois os meus amigos. Eu vos chamei, depois da primeira prova feita pelos doze, tanto para ampliar o circulo dos meus discípulos ativos, como também para ouvir de vós as primeiras reações por serdes dirigidos pelos que Eu vos dou como meus continuadores. Sei que tudo andou bem. Eu apoiava com minha oração as almas dos apóstolos, que saíram da oração com uma nova força na mente e no coração.
Uma força que não procede de estudo humano, mas do abandono completo em Deus. Os que mais deram são os que mais se esqueceram de si mesmos. E esquecerem-se de si mesmos é uma coisa difícil. O homem é feito de recordações. E as que falam mais alto são as recordações do próprio eu. É preciso fazer distinção entre o “eu”e o “eu”. Há o “eu” espiritual, dado pela alma que se recorda de Deus e de sua origem de Deus, e há o “eu” inferior, da carne, que se recorda de mil exigências, que tudo abraçam, ou de si mesma, ou das paixões, e que, visto serem tantas as vozes a ponto de formar um coro e, que vencem a voz do espírito, que recorda sua nobreza de filho de Deus, se o espírito não for bem robusto. Por isso, menos do que por essa recordação santa, que seria necessário estimular sempre mais, e conservar viva e forte, por isso, para serem perfeitos como discípulos, e preciso que saibam esquecer-se de si mesmos, de todas as suas recordações, exigências e medrosas reflexões do eu humano. Nesta primeira prova, entre os meus doze, os que mais deram foram os que mais se esqueceram de si mesmos. Esquecidos, não só do seu passado, mas também de sua limitada personalidade. São os que não se recordaram mais do que eram, e de tal modo se uniram a Deus, a ponto de não terem medo. Medo de nada.
Para que a severidade de alguns? Porque eles se recordaram dos seus escrúpulos habituais, de suas considerações habituais, de suas habituais prevenções.
 Por que o laconismo de outros? Porque eles se lembraram de suas incapacidades doutrinárias, e ficaram com medo de fazer triste figura ou de fazer que eu a fizesse.
 Por que ainda as vistosas exibições de outros? Porque eles se lembraram de suas habituais soberbas, de seus desejos de se mostrarem, de serem aplaudidos, de sobressaírem, de serem "alguma coisa". E enfim, porque o repentino desejo de revelar-se de outros, com uma oratória rabínico, firme, persuasivo, triunfal? Porque eles, e só eles, assim como os que até agora foram humildes e procuravam passar sem serem observados, mas que, no momento certo, souberam, de repente, assumir a dignidade do primado que lhes foi conferida, e que eles nunca quiseram exercer, por temor de estarem presumindo demais, souberam lembrar-se de Deus. As primeiras três categorias lembraram-se do eu inferior. A outra, a quarta, do eu superior, e não tiveram medo. Sentiam que Deus estava com elas, que Deus estava nelas, e não temeram. Oh! Santa audácia de quem está com Deus!
 Agora, pois, escutai, vós e vós, apóstolos e discípulos. Vós, apóstolos, já ouvistes estes conceitos. Mas agora os entendereis, mais em profundidade. Vós, discípulos, não os ouvistes ainda, ou deles tereis ouvido só fragmentos. E precisais esculpi-los no coração. Porque Eu sempre precisarei de vós, uma vez que, cada vez mais, vai crescendo rebanho de Cristo. Porque o mundo sempre vos atacará, crescendo nele os lobos contra Mim, e contra o meu rebanho. E Eu quero pôr em vossas mãos as armas para a defesa da Doutrina e do meu rebanho. O que basta para o rebanho não é suficiente para vós, pequenos pastores. Se é compreensível que as ovelhas cometam erros, ao comerem ervas que fazem o sangue ficar amargo, ou loucos os seus desejos, não se pode compreender que vós cometais os mesmos erros, levando muitos rebanhos para a sua perdição. Porque, pensai bem, onde houver um pastor ídolo que só cuida de si mesmo, as ovelhas morrem envenenadas ou assaltadas pelos lobos.  Vós sois o sal da terra e a luz do mundo. Mas, se deixásseis de cumprir vossa missão, tornar-vos-íeis um sal insípido e inútil. Nada poderia restituir-vos sabor, uma vez que Deus não pode dar-vo-lo, visto que, tendo-o vós recebido como um dom de Deus, vós lhe tirastes o gosto, lavando-o com as águas insípidas e sujas da humanidade, adoçando-o com o corrompido dulçor da sensualidade, misturando ao puro sal de Deus os detritos da soberba, da avareza, da gula, da luxúria, da ira, da preguiça, de modo que sobra apenas um grãozinho de sal para cada sete vezes sete grãozinhos de cada um dos vícios. O vosso sal já não é mais do que uma mistura de pedras, onde desaparece o pobre grãozinho perdido, de pedras que estalam debaixo do dente, deixam na boca um gosto de terra, e fazem que a comida fique repugnante e desagradável. Nem mesmo para outros usos inferiores ele serve, pois seria nocivo até para qualquer outro uso humano, um saber mergulhado nos sete vícios. E aí o sal já não serve mais, senão tara ser jogado fora, e pisado pelos pés descuidados do povo.
Quantas, quantas pessoas vão poder pisar assim nos homens de Deus! Porque estes, que foram chamados, terão permitido que o povo descuidado neles pisasse, porque eles não são mais a substância à qual se pede socorro, por ter ela um sabor de coisas escolhidas, de coisas do céu, mas serão apenas uns detritos. Vós sois a luz do mundo. Vós sois como este cume, que foi o último a deixar de receber o sol, e é o primeiro a pratear-se com a lua. Quem está colocado no alto, brilha, e é visto, porque até o olho mais desatento pára, de vez em quando, nas alturas. Eu diria que o olho material, que se costuma dizer que é o espelho da alma, reflete a aspiração da alma, uma aspiração muitas vezes inadvertida, mas sempre viva, enquanto o homem não for um demônio, a aspiração do alto, do alto, onde a razão instintivamente coloca o Altíssimo. E, procurando os Céus, ele ergue, pelo menos alguma vez na vida, os olhos para as alturas. Eu vos peço que vos recordeis do que nós todos fazemos, desde a nossa meninice, quando entramos em Jerusalém. Por onde é que correm os nossos olhares? Pelo monte Mória, coroado pelo triunfo do mármore e do ouro do Templo. E quando no recinto? Pelas cúpulas preciosas que resplandecem ao sol. Tudo o que é belo no sagrado recinto, tudo o que há espalhado pelos seus átrios, pelos seus pórticos e pátios! Mas os olhares correm depois lá para cima. Ainda vos peço que vos recordeis de quando se está a caminho. Para onde se dirigem os nossos olhares, como que para nos esquecermos das grandes distancias do caminho, da monotonia, do cansaço, do calor ou da lama? Dirigimo-los para os cumes, por pequenas que sejam, e até distantes. E, com que alivio os vemos aparecer, quando estamos em uma planície chata e uniforme! Aqui há lama? Lá há esplendor. Aqui há mormaço? Lá há frescor. Aqui há uma limitação para o nosso olhar. Lá há a amplidão. Basta olhar para eles, e o dia já nos parece menos quente, a lama menos pegajosa, e menos triste o caminhar. Por isso, se uma cidade brilha no alto de um monte, aí já não há olhos que não a admirem. Dir-se-ia que até um lugarejo fique embelezado quando colocado, como se fosse aéreo, no cume de uma montanha. E é por isso que na verdadeira e nas falsas religiões, sempre que tenha sido possível, os templos foram construídos em lugares altos e, se um monte ou colina não havia por ali, fez-se para eles um pedestal de pedras, construindo-se para isso, com o trabalho dos braços, uma elevação para sobre ela colocar o templo. Por que se faz assim? Porque se quer que o templo seja visto, para atrair, com a vista dele, o pensamento para Deus. Igualmente Eu disse que vós sois uma luz.

 Quem acende uma luz à tarde em sua casa, onde é que a coloca? No buraco por debaixo do forno? Na gruta que serve de adega? Ou fechada dentro de uma caixa-banco? Ou, talvez, só simplesmente a abafamos sob o alqueire?  Não. Porque, se assim fizéssemos, teria sido inútil acendê-la. Mas coloca-se a luz no alto de uma mísula, ou se põe pendurada a um gancho, para que assim do alto alumie o quarto todo e a todos os que estão dentro dele. Mas, justamente porque o que está sendo posto no alto tem a incumbência de fazer-nos lembrar de Deus e de produzir luz, por isso deve estar à altura da tarefa que recebeu para cumprir. Vós deveis lembrar-vos do Verdadeiro Deus. Tomai, pois, cuidado para não terdes em vós o paganismo de sete formas. Do contrário, vos tornaríeis como uns altos lugares profanos, com pequenas bosques consagrados a este ou àquele deus, e arrastaríeis em vosso paganismo àqueles que vos consideram templos de Deus. Vós deveis levar convosco a luz de Deus. Uma torcida suja, uma torcida não nutrida com azeite, produz fumaça, e não luz, solta mau cheiro, e não claridade. Uma luz escondida atrás de um quarto sujo não cria a beleza esplendida, não cria o fúlgido jogo da luz sobre a transparência do mineral mas definha atrás do véu da fumaça escura que torna opaco o diamantífero anteparo. A luz de Deus brilha onde existe vontade diligente de polir diariamente das escórias que o próprio trabalho vai produzindo com os seus contatos, reações e desilusões.
 A luz de Deus brilha, onde a torcida está mergulhada em um abundante liquido formado pela oração e a caridade. A luz de Deus, então se multiplica em infinitos esplendores, tantos, quantas são as perfeições de Deus, cada uma das quais suscita no santo uma virtude heroicamente praticada, se o servo de Deus conservar limpo o cristal inatacável de sua alma, longe da fumaça escura de toda paixão fumarenta e má. Cristal inatacável! Inatacável! Somente Deus tem o direito e o poder de riscar este cristal e de escrever nele com o diamante de sua vontade o seu Santíssimo Nome. Então, esse Nome se torna um ornamento, que provoca uma mais viva cintilação de sobrenaturais belezas, sobre o cristal puríssimo. Mas, se o estulto servo do Senhor perde o controle de si mesmo e a vista de sua missão, que é toda e unicamente sobrenatural, e deixa que risquem nele falsos ornamentas, que são mais uns arranhões do que incisões, misteriosas e satânicas cifras, feitas pelas garras cheias de fogo de Satanás, então, já não resplende mais bela e sempre integra a lâmpada admirável, mas se quebra e se arruína, e ainda sufoca sua chama sob os detritos do cristal quebrado, ou, se não se quebra, formará um emaranhado de sinais de inequívoca natureza, nos quais a fuligem se deposita, e neles penetra, e os estraga.
 "Ai, três vezes ai dos pastores que perdem a caridade, que se recusam a subir cada dia para elevar o rebanho, que está esperando sua subida para subir. Eu os golpearei, derrubando-os do seu lugar, e apagando até o fim a sua fumaça. Ai, três vezes ai dos mestres que rejeitam a Sabedoria, para se saturarem de uma ciência quase sempre contrária, sempre cheia de soberba, talvez até satânica, porque os faz homens, enquanto que - ou vi bem e lembrai-vos disso,  enquanto que, se o destino de todo homem e tornar-se semelhante a Deus, com a santificação que faz do homem um filho de Deus. O mestre, o sacerdote deveria ter, desde as da terra, esse aspecto, e só este, de filho de Deus. "Deveria ter" o aspecto de criatura toda alma e perfeição. "Deveria ter", para conduzir para Deus os seus discípulos.
Maldição para os mestres de doutrina sobrenatural, que se tornam uns ídolos de um saber humano. Ai, sete vezes ai dos que morreram espiritualmente entre os meus sacerdotes, os quais com a sua insipidez, com o seu torpor de uma carne meio morta, com seu sono cheio de alucinações e aparições de tudo o que há, menos do Deus Uno e Trino; cheios de cálculos de tudo o que há, menos do desejo sobre-humano de aumentar as riquezas dos corações e de Deus, passam a vida em coisas humanas, mesquinhas, entorpecidos, arrastando através de suas águas mortas aqueles que os acompanham, considerando-os "vida". Maldição de Deus para os corruptores do meu pequeno e amado rebanho. Não aqueles que perecem por vossa negligência, ó servos, maus cumpridores das ordens do Senhor, mas sim a vós, vós de todas as horas e de todos os tempos e por todas as circunstâncias e por todas as conseqüências, Eu vos pedirei contas e exigirei vossa punição. Recordai-vos destas palavras.

( O Evangelho como me foi Revelado – Maria Valtorta - Vol 3, pgs 73,74,75,76,77,78)



 Como devemos jejuar?


 Quando jejuardes, não fiqueis com aquele ar triste, como costumam ficar os hipócritas, que sabem desfigurar o próprio rosto, a fim de que o mundo fique sabendo e acreditando, ainda que não seja verdade, que eles estão jejuando. Também esses já receberam, com o louvor do mundo, a sua recompensa, e outra não terão. Mas vós, quando jejuardes, tomai um ar alegre, lavai bem o vosso rosto, para que ele apareça vistoso e liso, ungi vossa barba e perfumai vossos cabelos, tende entre os lábios o sorriso dos que estão bem nutridos. Oh! Pois na verdade, não há alimento que nutra tanto como o amor! E, quem jejua com espírito de amor, de amor se nutre! Em verdade vos digo que, ainda que o mundo vos chame de "vaidosos" ou "publicados", o vosso Pai está vendo o vosso heróico segredo, e dele vos dará uma dupla recompensa: uma, pelo jejum, e a outra, pelo sacrifício de não procurar ser louvados por causa dele.

( de Jesus a Valtorta)


terça-feira, 28 de julho de 2015

COMO DEVEMOS ORAR?


COMO DEVEMOS ORAR?


 Ouvi como deveis orar, com os lábios e com o trabalho, como todo o vosso ser, pelo impulso do coração que ama, sim, a Deus, e o sente como pai, mas que sempre lembra Quem é o Criador e quem é a criatura, e se põe com um amor reverencial sempre na presença de Deus, tanto quando ora, como quando está fazendo seus negócios, tanto quando está andando, como quando está descansando, tanto quando ganha, como quando está distribuindo os seus bens. Por impulso do coração, Eu disse. É esta a qualidade primeira e essencial. Porque tudo vem do coração, e como for o coração assim será a mente, assim será a palavra, o olhar e a ação. O homem justo tira do seu coração de justo o bem e, quanto mais tira, mais acha para tirar, porque o bem que foi feito cria um novo bem, assim como o sangue que se renova na circulação pelas veias, e volta ao coração enriquecido com sempre novos elementos apanhados com o oxigênio que absorveu e com o suco dos alimentos que assimilou. Enquanto isso, o homem perverso, do seu coração tenebroso, cheio de fraudes e venenos, não pode tirar senão fraudes e venenos, que sempre mais vão aumentando, fortalecidos pelas culpas que se vão acumulando, assim como no homem bom vão-se acumulando as bênçãos de Deus. Podeis, pois, acreditar que a exuberância do coração é que transborda dos lábios e se manifesta nas ações. Fazei que vosso coração seja humilde e puro, amoroso, confiante, sincero. Amai a Deus com o amor pudico que uma virgem tem para com o seu esposo.
 Em verdade, eu vos digo que todas as almas são como umas virgens desposadas ao Eterno Amor, a Deus nosso Senhor; esta terra é o tempo do noivado, tempo no qual o anjo, dado para a guarda de todo homem, é o paraninfo espiritual e todas as horas e todas as contingências da vida são outras tantas servas, que preparam o enxoval das núpcias. A hora da morte é a hora em que se completam as núpcias, e ai vem o conhecimento, o abraço, a fusão e, com a veste de uma verdadeira esposa, a alma pode levantar o seu véu e lançar-se nos braços do seu Deus, sem que, por amar assim ao seu esposo, possa induzir outros a escândalo.  Mas, por enquanto, ó almas ainda sacrificadas no laço do noivado com Deus, quando quiserdes falar com o esposo, ponde-vos na paz da vossa morada, e acima de tudo na paz da vossa morada interior, e falai,  anjo de carne ladeado pelo Anjo da Guarda, falai ao Rei dos Anjos. Falai ao vosso Pai no segredo do vosso coração e do vosso quarto interior. Deixai fora tudo o que é do mundo: o desejo de quererdes ser vistos e o de edificar, e os escrúpulos das longas orações cheias de palavras, palavras monótonas, cheias de tibieza e polidas em amor.  Por caridade! Livrai-vos das medidas no orar. Na verdade, há alguns que perdem horas em um monologo, que eles vão repetindo, apenas com os lábios, e que não passa de um solilóquio, pois nem o Anjo da Guarda o ouve, de tão grande que é o rumor vazio para o qual ele procura achar remédio, aprofundando-se, por sua vez, em uma ardente oração em favor do seu ignorante protegido. Em verdade, há alguns que não fariam uso diferente daquelas horas, nem que Deus lhes aparecesse, e lhes dissesse: "A salvação do mundo depende de que tu abandones esta linguagem sem vida, e vás, simplesmente, buscar água em um poço e derramar essa água no solo, por amor de Mim e dos teus semelhantes". Em verdade, há alguns que acham que é mais importante o seu monólogo do que o ato delicado de quem acolhe um visitante ou socorre um necessitado. São almas que caíram na idolatria da oração. A oração é um ato de amor. E amar é coisa que se pratica, tanto quando se ora, como quando se faz o pão; tanto meditando, como prestando assistência a um enfermo; tanto fazendo uma peregrinação ao Templo, como cuidando das necessidades da família; tanto sacrificando um cordeiro, como sacrificando até os nossos justos desejos de recolhimento junto ao Senhor. Basta que nos impregnemos completamente a nós mesmos e as nossas ações com o amor. Não tenhais medo! O pai está vendo. O Pai compreende. Ele está ouvindo. Ele concede. Quantas graças são concebidas por apenas um só e perfeito suspiro de amor! Quanta abundância por um sacrifício íntimo, mas feito com amor. Não sejais como os pagãos. Deus não precisa que lhe digais o que Ele deve fazer, porque daquilo vós estais necessitando. Isto os pagãos podem dizer aos seus ídolos, que não os podem entender. Não vós a Deus, ao Deus, o verdadeiro Deus espiritual, que não é somente Deus e Rei, mas é vosso Pai, e sabe, antes mesmo que lho peçais, de que é que estais precisando.
 Pedi, e vos será dado, procurai e achareis, batei, e se vos abrirá. Porque quem pede, recebe; quem procura, acha e será aberta a porta a quem nela toca. Quando um vosso filhinho vos estende a mãozinha, e diz: "Meu pai, estou com fome", será que lhe dareis uma pedra? Será que lhe dareis uma cobra, quando ele vos pede um peixe? Não, mas vós lhe dais pão e peixe, e além disso, o acariciais e abençoais, porque para o pai é um prazer alimentar o seu filho, e vê-lo feliz em seu sorriso. Se, pois, vós, que tendes o coração imperfeito, sabeis dar presentes bons aos vossos filhos, por um amor natural, que até os animais têm para com as suas crias, quanto mais o vosso Pai que está nos Céus concederá àqueles que lhas pedirem as coisas boas e necessárias para a sua vida. Não tenhais medo de pedir, e não tenhais medo de ficar sem receber! Mas,  Eu vos quero pôr em guarda contra um erro muito comum, mas não façais como os fracos na fé e no amor, os pagãos da verdadeira religião, porque mesmo entre os que têm fé há pagãos, cuja pobre religião é um emaranhado de superstições e de fé, um edifício arruinado pela metade, no qual se infiltraram as ervas parasitas de todas as espécies, a ponto de ele se encher de gretas, e ir-se destruindo, e eles, enfraquecidos e pagãos, percebem que sua fé está morrendo, se não forem atendidos. Vós pedis. E achais que é justo pedir. De fato, para aquele momento não deixaria de ser justa aquela graça. Mas é que a vida não termina naquele momento. E o que é bom hoje pode não ser amanhã. Disso vós não sabeis, porque vós só conheceis o presente, e isso é também uma graça de Deus. Mas Deus, conhece também o futuro. E muitas vezes, para poupar-vos um sofrimento maior, deixa de atender uma vossa oração.
No meu ano de vida pública, mais de uma vez ouvi que os corações gemiam: "Quanto eu sofri, quando Deus não me ouviu. Mas agora eu digo: 'Foi bom assim, porque aquela graça me teria impedido de chegar a esta hora de Deus." A outros Eu ouvi dizer, ou dizerem a Mim: "Por que, Senhor, não me ouves? A todos ouves, e a mim, não?" E Eu, mesmo sentindo a dor de ver que sofriam, precisei dizer: "Eu não posso" pois se os atendesse, isso seria pôr um estorvo à frente deles, no vôo em que estavam para a vida perfeita. Também o Pai as vezes diz: "Não posso." Não porque não possa fazê-lo imediatamente. Mas porque não o quer fazer, em vista das consequências futuras.
 Ouvi: Um menino está doente das vísceras. A mãe chama o médico, e o médico lhe diz: "Para que ele fique bom, é preciso que faça um jejum absoluto." O menino chora, grita, suplica, parece extremamente debilitado. A mãe, sempre compadecida, une os seus lamentos ao do filho. Acha que o médico é muito rigoroso, ao falar daquela proibição total de alimento: Mas o médico continua intransigente. E, afinal, ele diz: "Mulher, eu sei e tu não sabes. Queres que o teu filho morra, ou que eu o salve?" A mãe diz em alta voz: "Eu quero que ele viva!". Então, diz-lhe o médico: "Eu não posso permitir que ele tome alimento. Pois ele morreria." Também o Pai, as vezes, diz assim. Vós, ó mães compadecidas do vosso eu, não quereis vê-lo sofrer por lhe ter sido negada uma graça. Mas Deus diz: "Eu não posso. Seria isso o teu mal. Mas chegará o dia ou virá a eternidade, na qual chega-se a dizer: "Obrigado, meu Deus, por não terdes dado ouvidos à minha tolice."


 O Evangelho como me foi Revelado – Maria Valtorta, pgs 96 – 107, Vol 3)

NÃO JURAR NUNCA!


NÃO JURAR NUNCA!


 Jesus fala:
"Um dos erros mais encontrados no homem é a falta de honestidade até para consigo mesmo. E, dado que o homem seja dificilmente sincero e honesto, ele por si mesmo quis criar para si um freio, para ser obrigado a ir pelo caminho que ele escolheu. É um freio que, afinal, ele, como um cavalo indomável, acaba deixando de lado, para mudar o andar conforme o seu gosto, ou para o abandonar completamente, fazendo como lhe parece mais cômodo, sem ficar pensando que pode estar recebendo a desaprovação de Deus, dos homens e de sua própria consciência. Esse freio se chama juramento. Mas entre pessoas honestas não é necessário o juramento, e por isso não foi Deus quem vo-lo ensinou. Ao contrário, Ele até vos mandou dizer: "Não levantar falso testemunho," sem acrescentar mais nada. Porque o homem deveria ser sincero, sem necessidade de mais nada, alem da fidelidade à sua palavra. Quando no Deuteronômio se fala dos votos e mesmo dos votos que são uma coisa que sai de um coração que se julga esteja unido a Deus, e os votos são por necessidade ou por reconhecimento, ainda assim, lá está escrito: "Uma vez que uma palavra saiu dos teus lábios, tu a deves sustentar, fazendo tudo o que prometeste ao Senhor teu Deus, tudo o que por tua vontade, e por tua boca disseste" Sempre se fala de palavra dada, bastando tal palavra. Aquele que sente a necessidade de jurar, é porque já não confia em si mesmo e no que os outros já estão pensando a respeito dele. E, quem faz que outro jure, mostra, com essa exigência, que desconfia da sinceridade e honestidade daquele que jura. Como estais vendo, esse hábito de jurar é uma consequência da desonestidade moral do homem. E é uma vergonha para o homem. E uma dupla vergonha, porque o homem não é fiel nem mesmo a essa coisa vergonhosa, que é ter que jurar, e, zombando de Deus com a mesma facilidade com que zomba do próximo, chega até a jurar falso, com toda a facilidade e tranquilidade. Poderá haver criatura mais abjeta do que um perjuro? Ele, usando frequentemente de uma fórmula sagrada, e chamando assim a Deus para ser seu cúmplice e fiador, ou usando os nomes dos seus entes mais queridos: do pai, da mãe, da mulher, dos filhos, dos seus mortos, da sua própria vida e de seus órgãos mais preciosos, tudo isso é invocado em apoio de sua palavra mentirosa e induz o próximo a prestar-lhe fé. E assim o consegue enganar. Ele é um sacrílego, um ladrão, um traidor, um homicida. De quem? Ora, de Deus. Porque ele vai misturando a Verdade com a infâmia de sua mentira, e zomba dele, dizendo: "Fere-me, desmente-me, se puderes. Tu estás ai, eu estou aqui, e me rio." Oh! Se estais rindo, continuai a rir, ó mentirosos e zombadores! Mas haverá um momento em que não rireis mais, e será quando Aquele, a quem todo poder foi dado, vos aparecerá, terrível em sua majestade, e somente com o seu aparecimento aterrorizar-vos-á, e só com os seus olhares vos fulminará, antes, antes ainda que sua voz vos precipite em vosso destino eterno, marcando-vos com a sua maldição. Ele é um ladrão, porque se apropria de uma estima que não merece. O próximo, impressionado pelo juramento dele, se lhe entrega, e a serpente se adorna com isso, fingindo ser o que não é. Ele é um traidor, porque com juramento promete uma coisa que pretende não cumprir. É um homicida, porque ou mata a honra do seu semelhante, tirando-lhe, com o falso juramento, a estima do próximo, ou mata a sua alma, porque o perjuro é um pecador abjeto aos olhos de Deus, olhos que, mesmo quando outro olho não vê a verdade, eles a estão vendo. Deus não pode ser enganado, nem com palavras falsas, nem com ações hipócritas. Ele vê. Nem por um instante perde de vista nenhum dos homens. E não existe fortaleza tão bem munida, nem cantina que seja tão profunda, que nela seu olhar não consiga penetrar. E até no interior de vós, nessa fortaleza que cada homem tem ao redor do seu coração, até ai Deus penetra. E Ele vos julga, não pelo que jurais, mas pelo que fazeis.  Por isso, Eu, depois de vos ter dado uma ordem, quando o juramento foi colocado em maior evidência, como um meio para pôr-se um freio à mentira e à facilidade de faltar com a palavra dada, vou agora substituir aquela ordem por outra: Já não digo, como diziam os antigos: "Não jures falso, mas guarda os teus juramentos", mas Eu vos digo: "Não jureis nunca" nem pelo Céu, que é o trono de Deus, nem pela terra, que é o escabelo de seus pés, nem por Jerusalém e o seu Templo, que são a cidade do grande rei e a Casa do Senhor, nosso Deus. Não jureis nem pelos túmulos dos antepassados, nem por suas almas. Os túmulos estão cheios das partes inferiores do homem, partes que os animais também têm, e as almas, deixai-as em suas moradas. Fazei que não sofram, nem, se horrorizem, se são almas de justos que já estão no conhecimento antecipado de Deus. E, ainda que seja um conhecimento antecipado, um conhecimento parcial, pois que, até o momento da Redenção, não possuirão ainda a Deus na plenitude de seus esplendores, não podem deixar de sofrer, ao verem que sois pecadores, E, se justos eles não são, não aumenteis o seu tormento por terem-se lembrado, com o vosso pecado, do pecado deles. Deixai, deixai os santos mortos em paz; e os mortos não santos, em suas penas. Não tireis nada aos primeiros, nem acrescenteis nada aos segundos. Por que apelar para os mortos? Eles já não podem falar. O mortos santos não podem, porque a caridade lho proíbe; deveriam vos desmentir vezes sem conta. Os condenados também não, porque o Inferno não abre as suas portas, e os condenados não abrem suas bocas, a não ser para maldizer. E a voz de todos fica sufocada pelo ódio de Satanás e dos satanases, pois os condenados são satanases.
 Não jureis nem pela cabeça do pai, nem pela da mãe, nem pela da esposa e dos filhos inocentes. Não tendes direito de fazer isso. Serão eles, por acaso, uma moeda ou uma mercadoria? Serão eles como uma assinatura, ao fim de um documento? Eles são mais e são menos do que estas coisas. São sangue e carne do teu sangue, ó homem, mas são também criaturas livres, e tu não podes usar delas como de um aval para o teu juramento falso. E são eles menos do que uma firma tua, porque tu és inteligente, livre e adulto, e não um incapaz ou um pequenino, que não sabe o que faz e que, por isso, precisa ser representado pelos pais. Tu és tu: um homem dotado de razão e, por isso, és responsável por tuas ações, e deves agir por ti mesmo, dando como aval para tuas ações e para tuas palavras a tua honestidade e a tua sinceridade, a estima que soubeste fazer nascer em teu próximo, e não a sinceridade dos parentes e a estima que souberam fazer nascer nos outros por eles.
Serão responsáveis os pais pelos filhos? Sim, mas somente enquanto eles estão na menoridade. Depois cada um é responsável por si mesmo. Nem sempre de justos nascem justos, e nem sempre uma mulher santa é casada com um homem santo. Por que, então, usar como base de garantia a justiça de quem está em vossa companhia? Igualmente, de um pecador podem nascer filhos santos e, enquanto são inocentes, todos são santos. Por que, então, buscar a ajuda de alguém que seja puro para aprovar um vosso ato impuro, como é o vosso juramento, que depois de feito pretendeis violar? Não jureis, nem mesmo pela vossa cabeça, pelos vossos olhos, vossa língua e vossas mãos. Não tendes direito a isso. Tudo quanto tendes é de Deus. Vós não sois mais que uns guardiões provisórios, os banqueiros dos tesouros morais ou materiais que Deus vos concedeu. Por que, então, usar do que não é vosso? Podeis pôr mais um fio de cabelo em vossa cabeça, ou mudar a cor de vossos cabelos? E, se não podeis fazer isso, por que é que usais, então, a vossa vista, a palavra, a liberdade de vossos membros para dar força a um vosso juramento? Não desafieis a Deus. Ele poderia pegar-vos em vossa palavra, e fazer ficarem secos os vossos olhos, assim como pode fazer ficarem secas as vossas árvores frutíferas, ou arrebatar-vos os vossos filhos, como pode arrancar as vossas casas, a fim de que vos lembreis de que Ele é o Senhor e de que vós sois os seus súbditos, e que é um maldito aquele que se faz ídolo de si mesmo, a ponto de julgar-se mais do que Deus, desafiando-o com suas mentiras.  O vosso falar seja sim, sim; e não, não. Nada além disso. O que se diz além disso e sugerido pelo Maligno, para depois rir-se de vós, que, não podendo lembrar-vos de tudo o que dissestes, cais em mentiras e sois feitos objetos de zombarias, e passais a ser conhecidos como mentirosos. Sinceridade, meus filhos. Tanto nas palavras, como na oração. Não façais como os hipócritas que, quando oram, gostam de ficar nas sinagogas, ou nos cantos das praças, para serem vistos pelos homens, e elogiados como homens piedosos e justos, enquanto depois, no interior das famílias, são culpados diante de Deus e diante do próximo. Não refletis que isso é como um juramento falso? Porque quereis vos afirmar o que não é verdade, com a intenção de conquistar uma estima, que não mereceis? A oração hipócrita tem a intenção de dizer: "Em verdade, eu sou santo. Eu juro diante dos olhos dos que me estão vendo, e que não podem mentir, quando disserem que me viram orando." Como um véu estendido sobre a maldade latente, a oração feita com tais intenções se torna uma verdadeira blasfêmia.
Deixai que Deus vos proclame santos, e fazei que toda a vossa vida proclame, em lugar de vós: "Este é um servo de Deus." Mas vós, mas vós, por amor a vós mesmos, calai-vos. Não façais de vossa língua, movida por vossa soberba, um objeto de escândalo para os olhos dos anjos. Melhor seria que vos tornásseis mudos, naquele mesmo instante, se é que não tendes força para dominar o orgulho e a vossa língua, vos auto-proclamando justos e agradáveis a Deus. Deixai para os soberbos e os falsos esta pobre glória. Deixai para os soberbos e os falsos essa efêmera recompensa. Pobre recompensa! Mas ela é como eles a querem, e outra recompensa não terão, porque mais de uma recompensa não se pode ter. Ou a verdadeira glória, a do Céu, que é eterna e justa. Ou a não verdadeira, a da terra, que só dura o que dura a vida de um homem, e até menos, e que depois, sendo injusta, vai ser cobrada, depois desta vida, e vai ser paga com uma bem humilhante punição.


( O evangelho como me foi Revelado – Maria Valtorta, pgs 96 – 107, Vol 3)

AS LEIS DE DEUS SÃO IMUTÁVEIS E ETERNAS.


AS LEIS DE DEUS SÃO IMUTÁVEIS E ETERNAS.


25 de mato de 1945.

..."Por tudo o que Eu vos disse ontem, não deveis ficar pensando que Eu tenha vindo abolir a Lei. Não. Somente, visto que Eu sou Homem, e compreendo as fraquezas do homem, o que Eu quis foi encorajar-vos a segui-la, dirigindo os vossos olhares espirituais não para o abismo escuro, mas para o Abismo luminoso. Porque, se o medo do castigo pode fazer alguém deter-se, três em dez vezes, a certeza de um prêmio o faz arremessar-se para a frente sete em dez vezes. Por onde se vê que a confiança faz mais do que o medo. E Eu quero que tenhais uma confiança plena, firme, para que possais fazer não sete em dez partes de bem, mas dez em dez, para conquistardes este prêmio santíssimo que é o Céu.
 Eu não mudo nem um i da Lei. E quem foi que a deu, por entre raios, no Sinai? O Altíssimo. Quem é o Altíssimo? O Deus Uno e Trino. E de onde foi que Ele a tirou? Do seu Pensamento. E, como foi que a deu? Com a sua Palavra. Por que foi que a deu? Pelo seu Amor. Vede, pois que a Trindade estava presente. E o Verbo, obediente como sempre ao Pensamento e ao Amor, falou pelo Pensamento e pelo Amor. Poderia Eu desmentir-me a Mim mesmo? Não poderia. Mas Eu posso, já que tudo posso, completar a Lei, torná-la divinamente completa, não como a fizeram ficar os homens que, durante os séculos não a tornaram completa, mas indecifrável, impossível de ser cumprida, sobrepondo leis e preceitos, preceitos e leis, tudo tirado do pensamento deles, conforme as vantagens deles, e jogando todo esse entulho para apedrejar e sufocar, para soterrar e esterilizar a Lei Santíssima, que foi dada por Deus.
 Poderá uma planta sobreviver, se estiver sempre mergulhada em avalanchas, em escombros e inundações? Não. A planta morre. A lei está morta em muitos corações, sufocada debaixo das avalanchas de exageradas superestruturas. Eu vim para tirá-las todas e, tendo desenterrado a Lei, tendo ressuscitado a Lei, eis que agora Eu faço dela não mais lei, mas Rainha. 'As rainhas promulgam as leis. As leis são obras das rainhas, mas não são mais do que as rainhas. Eu, ao contrário, faço da Lei a rainha: Eu a completo, a corôo, colocando no seu ápice a grinalda dos conselhos evangélicos. Primeiro era a ordem. Agora é mais que a ordem. Antes era o necessário. Agora é mais do que o necessário. Agora ela é a perfeição. Quem a desposa, assim como Eu vo-la dou, no mesmo instante se torna rei, porque alcançou o que há de "perfeito" porque não se tornou só obediente, mas heróico isto é, santo, sendo a santidade a soma das virtudes levadas até o ápice, o ponto mais alto que possa ser atingido por uma criatura, heroicamente amadas e servidas com um completo desapego de tudo o que é apetite ou reflexão humana, seja lá o que for. Eu poderia dizer que o santo é aquele para qual o amor e o desejo servem de obstáculo para qualquer outra vista, que não seja Deus. Não distraído por outras vistas inferiores, ele tem as pupilas do coração firmes no Esplendor Santíssimo que é Deus, e no qual ele vê, pois que tudo é em Deus, a agitação dos irmãos que, suplicantes, lhe estendem as mãos. E, sem afastar o olhar de Deus, o santo se inclina para atender aos irmãos que lhe suplicam. Contra a carne, contra as riquezas, contra as comodidades, ele ergue o seu ideal: servir.
 Fica pobre o santo? Fica diminuído? Não. Ele chegou a possuir a sabedoria e a riqueza verdadeiras. Por isso, possui tudo. E não sente cansaço, porque, se é verdade que ele é um produtor continuo, também é verdade que ele é nutrido continuamente. Porque, se é verdade que ele compreende a dor do mundo, também é verdade que ele se alimenta com a alegria do Céu. De Deus ele se nutre, em Deus ele se alegra. Ele é a criatura que compreendeu o sentido da vida. Como estais vendo, Eu não mudo, nem mutilo a Lei, como também não a corrompo com as super posições de fermentantes teorias humanas. Mas Eu a completo. Ela é o que é, e assim será até o último dia, sem que dela se mude uma só palavra, ou se tire um só preceito. Ela está coroada pela perfeição. Para ter-se a salvação, basta aceitá-la como foi dada. Para ter uma imediata união com Deus, é preciso vivê-la, como Eu a aconselho. Mas, visto que os heróis são uma exceção, Eu falarei para as almas comuns, para a massa das almas, para que não se diga que, por querer a perfeição, eu faço que fique desconhecido o necessário. Mas, de tudo o que Eu digo, guardai bem isto: quem se permite violar um só entre os menores destes mandamentos será considerado o menor no Reino dos Céus. E aquele que levar outros a violá-los será considerado o menor pelo que ele fez e por causa daqueles que ele tiver levado à violação. Ao passo que aquele que, com sua vida e suas obras, ainda mais do que com as palavras, tiver persuadido outros a obedecerem, este será grande no Reino dos Céus, e sua grandeza irá aumentando por cada um daqueles que ele tiver ido levando a obedecer e assim a santificar-se. Eu sei que o que estou para dizer-vos será desagradável para muitos. Mas Eu não posso mentir, ainda que a verdade que Eu estou para dizer me crie inimigos .  Em verdade, Eu vos digo que, se a vossa justiça não se criar de novo, e não se separar completamente da pobre e injustamente chamada justiça, que vos foi ensinada pelos escribas e fariseus; que se não sereis de verdade e muito mais justos dos fariseus e escribas, que pensam que são justos quando aumentam as fórmulas, mas sem procurar uma mudança substancial em seus espírito, não entrareis no Reino.
 Guardai-vos dos falsos profetas e dos ensinadores do erro. Eles vêm a vós com veste de cordeiro, mas são uns lobos ferozes. Vêm vestidos de santidade, mas são uns zombadores de Deus, pois dizem que amam a verdade, mas se nutrem com a mentira. Observai-os bem, antes de acompanhá-los. O homem tem uma língua, e com ela pode falar, tem olhos, e com eles olha, tem mãos, e com elas faz sinais. Mas ele tem uma outra coisa, que dá testemunhos mais verdadeiros de quem ele é: são os seus atos. E que é que quereis vós que seja um par de mãos juntas em oração, se com elas depois o homem se entrega ao roubo e à fornicação? E que é que valem dois olhos que, querendo passar por inspirados, viram-se para todos os lados, se, quando passou a hora daquela comédia, eles sabem fixar-se, bem cobiçosos, sobre uma mulher, ou sobre o inimigo, no primeiro caso para a luxúria, e no outro para o homicídio? E que quereis que seja uma língua, que sabe assobiar uma mentirosa canção de louvares, e seduzir com suas palavrinhas melosas, enquanto por detrás de vós ela vos calunia, e é ainda capaz de jurar falso, contanto que vos possa fazer passar por uma pessoas desprezível? Que é a língua, que faz longas orações hipócritas, e depois sai dali, rapidamente, para ir arrasar a boa fama do próximo, ou seduzir a boa fé dele? Dá náusea. Dão náusea aqueles olhos e aquelas mãos mentirosas. Mas os atos do homem, seus verdadeiros atos, isto é o seu modo de comportar-se em família, no comércio, no trato com o próximo e com os seus criados, esses podem dar dele este testemunho: "Este é um servo de Deus". Porque as ações santas são o fruto de uma verdadeira religião. Uma árvore boa não dá frutos maus, e uma árvore má não dá frutos bons. Estas moitas de espinho, por acaso poderão dar-vos uvas saborosas? E aqueles cardos, ainda mais espinhosos, poderão dar-vos um dia figos maduros e tenros? Não, porque em verdade, poucas e ásperas frutinhas colhereis das primeiras. e um fruto que não se pode comer é o que virá daquelas flores, pois mesmo estando elas agora em flor, já estão cercadas de espinhos. O homem que não é justo, poderá ele talvez incutir respeito com sua aparência, mas só com ela. Também aquele pé de cardo parece feito de penas, parece um floco de finos fios de prata, que o orvalho recobriu, fazendo que pareçam estar cheios de diamantes. Mas, se, distraidamente, tocardes nele, vereis que não se trata de nenhum floco, mas de um monte de espinhos, que ferem o homem, fazem mal às ovelhas e, por isso, os pastores os arrancam de seus pastos, e os jogam no fogo que eles acendem de noite, a fim de que nem as sementes escapem. É uma medida justa e previdente.
 Eu não vos digo: "Matai os falsos profetas e os fiéis hipócritas." Antes vos digo: "Deixai isso para Deus." Eu vos digo: "Estai atentos, afastai-vos deles para não vos envenenardes com os seus sucos. " Como Deus há de ser amado, Eu vo-lo disse ontem. Eu insisto em dizer como é que há de ser amado o próximo.
Noutros tempos se dizia: "Amarás o teu amigo e odiarás o teu inimigo." Não. Não é assim. Isto era bom naqueles tempos em que o homem não tinha o conforto do sorriso de Deus. Mas agora chegaram os tempos novos, nos quais Deus ama tanto o homem, que lhe manda o seu Verbo para redimi-lo. Agora o Verbo está falando. E é a Graça que já se está difundindo. Depois, o Verbo consumará o sacrifício de paz e de redenção, e a Graça não só se difundirá, mas será dada a todos os espíritos que crêem no Cristo. Por isso é preciso elevar à perfeição o amor ao próximo, a tal ponto que já não se faça diferença entre o amigo e o inimigo. Estais sendo caluniador? Amai e perdoai. Recebestes agressões ou pancadas? Amai e oferecei a outra face a quem vos esbofeteia, e pensai que é melhor que a ira se desafogue em vós, que a sabeis suportar, do que em algum outro, que iria vingar-se da afronta. Fostes roubados? Não fiqueis pensando: "Este meu próximo é um cobiçoso", mas pensai com caridade: "Este meu pobre irmão é um necessitado", e dai-lhe até a túnica, se já vos tirou a capa. Assim fareis que fique impossível para ele cometer um duplo furto, pois não terá mais necessidade de espoliar outro da túnica. Vós dizeis: "Mas poderia ser um vício, e não uma necessidade." Está bem; mas dai assim mesmo. Deus vos recompensará por isso, e o que for injusto será castigado. Mas muitas vezes, e isso relembra tudo o que Eu disse ontem sobre a mansidão, vendo-se tratado assim, o vício cai do coração do pecador, e ele se redime, chegando até a reparar o seu furto com a entrega do que roubou. Sede generosos com aqueles que, mais honestos, em vez de roubar-vos, vos pedem o  que precisam. Se os ricos fossem realmente pobres de espírito, como vos ensinei ontem, não haveria essas lamentáveis desigualdades sociais, causas de tantas desventuras humanas e sobre-humanas. Pensai sempre: "Mas se eu estivesse na necessidade, como é que eu receberia a recusa de uma ajuda?" E agi de acordo com a resposta do vosso eu. Fazei aos outros o que gostaríeis que vos fosse feito, e não façais aos outros o que não gostaríeis que vos fosse feito.
Antiga é aquela palavra: "Olho por olho, dente por dente", palavra que não está nos dez mandamentos, mas que foi colocada depois, porque o homem privado da Graça é uma fera tal, que só pode compreender a vingança. Mas aquela palavra antiga está anulada por esta palavra nova: "Ama quem te odeia, reza por quem te persegue, perdoa a quem te calunia, fala bem de quem fala mal de ti, faze o bem a quem te prejudica, sê paciente com o briguento, condescendente com quem te aborrece, ajuda de boa vontade a quem recorre a ti, e não uses de usura com ele, não vivas criticando nem julgando os outros."
 Vós não sabeis em que condições são praticadas suas ações pelos homens. Em toda espécie de socorro sede generosos, sede misericordiosos.  Quanto mais derdes mais vos será dado, e uma medida bem cheia e calcada será despejada por Deus no seio de quem for generoso. Deus, não só vos dará conforme tiverdes dado, mas mais, muito mais. Procurai amar e fazer-vos amar. As brigas acabam custando muito mais do que entrar num entendimento amigável. E viver em amizade é como um mel, que deixa por muito tempo o seu gosto na língua.  Amai, amai! Amai amigos e inimigos. para serdes semelhantes ao vosso Pai, que faz chover sobre os bons e sobre os maus, e faz descer a luz do sol sobre justos e injustos, reservando-se o direito de dar sol e orvalhadas eternas, e fogo e saraivadas infernais no dia em que os bons vão ser separados como espigas escolhidas, por entre os feixes da colheita. Não basta amar aos que vos amaina e dos quais esperais uma retribuição. Isso não tem merecimento: é uma alegria, e até os homens honestos por natureza o sabem fazer. Os próprios publicanos e pagãos o fazem. Mas vós amais como Deus ama, amais por respeito a Deus, que é o Criador também dos que são vossos inimigos, ou para vós pouco amáveis. Eu quero em vós a perfeição do amor, e por isso Eu vos digo: "Sede perfeitos, como perfeito é vosso Pai, que está nos Céus. " Tão grande é o preceito do amor para com o próximo e do aperfeiçoamento do amor para com o próximo, que Eu não vos digo mais como se dizia: "Não matar," porque aquele que mata será condenado pelos homens. Mas Eu vos digo: "Não vos ireis", porque um juízo mais alto que o dos homens, está acima de vós, e leva em conta também as ações imateriais. Quem tiver insultado o irmão, será condenado pelo Sinédrio. Mas quem o tiver tratado de doido, e portanto o tiver prejudicado, será condenado por Deus. É inútil fazer ofertas ao altar, se antes não se fez no interior do coração o sacrifício dos próprios rancores, por causa de Deus, e não se cumpriu o rito santíssimo de saber perdoar. Por isso, quando estiveres para fazer uma oferta a Deus, se tu te lembrares de que tens uma falta contra teu irmão, ou de que ainda estás guardando rancor por uma falta dele, deixa a tua oferta aí, diante do altar, faze primeiro a imolação do teu amor próprio, reconcilia-te com o teu irmão, e depois vem para diante do altar, e agora, mas só agora é que o teu sacrifício será santo.
 Um bom acordo é sempre o melhor que se pode fazer. O juízo dos homens é sempre incerto, e quem, com teimosia, se aventura a crer nele, poderia perder a causa, devendo pagar ao adversário até a última moeda, ou ir apodrecer na cadeia. Em tudo levantai o olhar para Deus. Perguntai a vós mesmos: Terei eu o direito de fazer o que Deus não faz comigo?" Porque Deus não é tão inexorável e obstinado como vós sois. Ai de vós, se Ele o fosse! Ninguém se salvaria. Que esta reflexão vos leve a ter sentimentos de mansidão, de humildade, de piedade. E, então, não vos faltará da parte de Deus, nesta vida e na outra, a recompensa.
 Aqui, diante de Mim, está também um que me odeia, e que não  tem coragem para dizer-me: "Cura-me!", porque ele sabe que eu conheço os seus pensamentos. Mas Eu digo: "Que se faça o que estás querendo. E, assim como te estão caindo as escamas dos olhos, que caiam também do teu coração o rancor e as trevas."
 Ide todos com a minha paz. Amanhã vos falarei de novo.


( O Evangelho como me foi revelado – Maria Valtorta, pgs, 89,90,91,92,93,94,95,96)

segunda-feira, 27 de julho de 2015

O MESTRE ENSINA.


                                      O MESTRE ENSINA.


SEGUNDO DISCURSO DA MONTANHA, O DOM DA GRAÇA E AS BEM-AVENTURANÇAS.

  24 de mato de 1945.

..."Muitos me tem perguntado, durante todos estes anos de pregação: "Mas, tu, que te dizes o Filho de Deus, dize-nos o que é o Céu, o que é o Reino, e que é Deus. Porque sobre tudo isso nós temos idéias confusas. Nós sabemos que existe o Céu, com Deus e com os Anjos. Mas de lá nunca veio ninguém para dizer-nos como ele é, e assim ele fica fechado aos justos." Perguntaram-me também o que é o Reino e o que é Deus. Eu me tenho esforçado para explicar-vos o que é o Reino e o que é Deus. Digo que me tenho esforçado, não porque me fosse difícil explicá-lo, mas porque é difícil, por um complexo de coisas, fazer-vos aceitar a verdade que se choca, no que diz respeito ao Reino, contra todo um edifício de idéias que vieram, com o correr dos séculos, e, no que diz respeito a Deus, pela sublimidade de sua Natureza. Outros ainda, me perguntaram: "Está bem. Isto é o Reino, e isto é Deus. Mas como conquistar-se este e aquele?" Também isso Eu procurei explicar-vos, incansavelmente, a saber, qual o verdadeiro espírito da Lei do Sinai. Quem consegue possuir aquele espírito, consegue possuir o Céu. Mas, para explicar-vos a Lei do Sinai, é preciso fazer ouvir o tom forte do Legislador e do seu Profeta, os quais, se prometem bênçãos aos observantes da Lei, ameaçam com tremendas penas e maldições aos desobedientes. A Epifania do Sinai foi terrível, isso se reflete em toda a Lei, se reflete em todos os séculos, se reflete em todos os espíritos.  Mas Deus não é apenas Legislador. Deus é Pai. E um Pai de imensa bondade. Talvez, e mesmo sem talvez, os vossos espíritos, enfraquecidos pelo pecado original, pelas paixões, pelos muitos egoísmos vossos e dos outros, fazendo com que os dos outros vos tornem espíritos irritados, e os vossos vos tornem espíritos fechados, não podem elevar-se à contemplação das infinitas perfeições de Deus e, menos ainda do que à de qualquer outra, à de sua bondade, porque esta é a virtude que, junto com o amor, é a que menos aparece nos mortais.
 A bondade! Oh! É doce ser bons, sem ódio, sem invejas, sem soberbas! Ter olhos que só olham para amar, e mãos que se estendem em gesto de amor, e lábios que não preferem senão palavras de amor, e coração, coração principalmente, que cheio somente de amor, leva os olhos, as mãos e os lábios a fazerem atos de amor! Os mais doutos entre vós sabem de que dons Deus tinha enriquecido Adão para ele mesmo e para os seus descendentes. Até os mais ignorantes entre os filhos de Israel sabem que em nós está o espírito. Só os pobres pagãos não sabem disso, que nos temos esse hospede real, este sopro vital, esta luz celeste, que santifica e vivifica o nosso corpo. Mas os mais doutos sabem quais os dons que haviam sido dados ao homem, ao espírito do homem. Deus não fez menores doações ao espírito do que à carne e ao sangue da criatura por Ele feita com um pouco de lama e com o seu hálito. E como deu os dons naturais de beleza e integridade, de inteligência e de vontade, de capacidade de amar-se e de amar, assim deu também os dons morais, com a sujeição dos sentidos a razão, de modo que, na liberdade e no domínio de si mesmo e da própria vontade, de que Deus havia dotado Adão, não se insinuava o malvado cativeiro dos sentidos e das paixões, mas livre era o amar-se, livre o querer, livre o prazer na justiça, sem aquilo que vos torna escravos, fazendo-vos sentir o mordente deste veneno que Satanás espalhou e que vomita, levando-vos para fora do álveo límpido para os campos lamacentos, para os brejos podres, onde fermentam as febres das sensualidades carnais e morais. Porque, ficai sabendo que é sensualidade até a concupiscência por pensamento. Eles tiveram dons sobrenaturais, isto é, a Graça santificante, o destino superior, a visão de Deus.
 A Graça santificante: é a vida da alma. É o que há de mais espiritual colocado em nossa alma espiritual. A Graça nos faz filhos de Deus, porque nos preserva da morte do pecado, e, quem não está morto, "vive" na casa do Pai: o Paraíso; no meu Reino o Céu.
Que é essa Graça que santifica, que dá Vida e Reino? Oh! Não useis de muitas palavras! A Graça é Amor. Portanto a Graça é Deus. É Deus, que admirando-se a Si mesmo na criatura criada perfeita, se ama, se contempla, se deseja, dá a Si mesmo o que é seu, para multiplicar isso que tem, e tornar-se feliz com essa multiplicação, e para amar-se por quantos são outros Ele mesmo. Oh! Filhos! Não priveis a Deus desse seu direito. Não roubeis de Deus essa sua posse! Não decepcioneis a Deus nesse seu desejo! Pensai que Ele age por amor. Ainda que vós não o fôsseis, Ele seria sempre Infinito, e não ficaria diminuído o seu poder. Mas Ele, ainda que seja completo em sua medida infinita, incomensurável, quer, não para Si e em Si, não o poderia porque é já o Infinito, mas pela Criação, sua criatura, Ele quer aumentar o amor por tudo que essa Criação contém de criaturas, por isso vos dá a Graça: o Amor, para que vós, em vós, o leveis a perfeição dos santos, e derrameis este tesouro, tirado do tesouro que Deus vos deu com a sua Graça e aumentado com todas as vossas obras santas, com toda a vossa vida heróica e santos, no oceano infinito onde Deus esta no Céu.
Ó divinos, divinos, divinos mananciais do Amor! Vós existis, e ao vosso ser não é dada a morte, porque sois eternos como Deus, sendo deus. Vós existireis, e ao vosso ser não se dará fim, porque, imortais como os santos espíritos, que vos nutriram, abundantemente, voltando eles para vós enriquecidos com seus próprios méritos. Vós viveis e nutris, vós viveis e enriqueceis, vós viveis e formais aquela coisa santissima que é a Comunhão dos espíritos, de Deus, Espírito Perfeitíssimo, até o do pequenino que acaba de nascer e suga pela primeira vez o leite materno. Não me critiqueis em vossos corações, ó homens doutos! Não digais: "Esse ai está doido, Esse ai é mentiroso! Porque como um doido ele está falando da Graça em nós, que estamos privados dela pela culpa. E ele mente, dizendo que já somos uma só coisa com Deus." Sim, a culpa existe; sim, a separação também existe. Mas, diante do poder do Redentor, a Culpa, separação cruel que se fez entre o Pai e seus filhos, cairá por terra, como muralha, sacudida pelo novo Sansão. Eu já a agarrei e a estou sacudindo, e ela já se está aluindo, e Satanás está tremendo de raiva, e de impotência, não podendo fazer muda contra o meu poder, e sentindo que lhe são arrebatadas tantas presas, e que vai-se tornando mais difícil arrastar o homem para o pecado. Porque, quando Eu vos tiver, por meio de Mim, levado ao meu Pai, e quando, ao filtrar-se o meu Sangue, e pela minha dor, fordes ficando limpos e fortes, tornar-se-à em vós viva, ativa e poderosa a Graça e vos sereis os triunfadores, se o quiserdes.
 Deus não vos força, nem quanto ao pensamento, nem quanto à vossa santificação. Vós sois livres. Mas Deus vos dá forças. Ele vos dá a liberdade, mesmo no império de Satanás. Deveis escolher: ou submeter-vos ao jugo infernal, ou pôr asas de anjos em vossas almas. Tudo depende de vós, na companhia de Mim, vosso irmão, para guiar-vos e alimentar-vos com a comida imortal.  Como se pode conquistar a Deus e ao seu Reino por outro caminho mais suave do que o do Sinai?", assim vós dizeis. Não há outro caminho. O caminho é aquele. Contudo, devemos olhar para ele, não através da cor da ameaça, e, sim, através da cor do amor. Nós dizemos: "Ai de mim, se eu não fizer isto!", e continuar tremendo, esperando o pecado, pensando que somos incapazes de deixar de pecar. Mas, digamos:
 "Feliz de mim, se eu fizer isto!", e, com um impulso de sobrenatural alegria, jubilosos lancemo-nos nos braços desta felicidade, que nasce da observância da Lei, como corola de rosa nascida duma moita de espinhos.
 "Feliz de mim, se eu for pobre de espírito, porque, então, o Reino dos Céus é meu! Feliz de mim, se eu for manso, porque herdarei a Terra! Feliz de mim, se eu for capaz de chorar sem revolta, porque serei consolado! Feliz de mim, se mais do que do pão e do vinho para saciar a fome, eu tiver fome e sede de justiça. A Justiça me saciará!
 Feliz de mim, se eu for misericordioso, porque será usada para comigo a divina misericórdia! Feliz de mim, se eu for puro de coração, porque Deus se inclinará para o meu coração puro, e eu o verei!
 Feliz de mim, se eu tiver um espírito de paz, porque por Deus serei chamado seu filho, porque na paz está o amor, e Deus é Amor que ama a quem é semelhante a Ele!
Feliz de mim se, por fidelidade à justiça, eu for perseguido, porque, para compensar-me das perseguições terrenas, Deus, meu Pai, me dará o Reino dos Céus.
Feliz de mim, se eu for ultrajado, e mentirosamente for acusado, por saber ser teu filho, ó Deus! Disso me deve provir, não desolação, mas alegria, porque isso me iguala aos teus melhores servos, os Profetas, perseguidos por essa mesma razão; e com os quais eu creio firmemente que hei de compartilhar a mesma grande recompensa, eterna, no Céu, que é meu. Olhemos assim para o caminho da salvação. Através da alegria os santos.  
"Feliz de mim, se eu for pobre de espírito":  Oh! riquezas, brasas de Satanás, a quantos delírios levais! Nos ricos e nos pobres. O rico que vive para o seu ouro: o ídolo infame do seu espírito arruinado. O pobre que vive do ódio ao rico! Porque o rico tem o ouro e, ainda que não cometa materialmente homicídio, lança suas maldições sobre os ricos, desejando-lhes toda espécie de males. Não basta deixar de fazer o mal, é necessário também não desejar fazê-lo. Quem diz maldições rogando pragas e desejando a morte, não é muito diferente de quem mata materialmente, porque nele existe o desejo de ver morrer aquele a quem ele odeia. Em verdade, Eu vos digo que o desejo outra coisa não é senão um ato retido, como alguém que já foi concebido no ventre, mas ainda não foi expelido para fora. O desejo mau envenena e corrompe, porque dura mais tempo do que o aio violento e vai mais ao fundo do que o próprio ato. O pobre de espírito, se for rico, não peca por causa do ouro, mas, com o seu ouro, faz a sua santificação, pois o transforma em amor. Amado e bendito, ele é semelhante àquelas fontes, que dão vida nos desertos, e que se doam, com generosidade, alegres por poderem dourar-se para acalmar os desesperas. Se é pobre, está contente com a sua pobreza, e come o seu pão adoçado pela alegria de saber-se livre dos ardores do ouro, e dorme o seu sono, livre de pesadelos, e, se levanta descansado, para o seu tranquilo trabalho, que lhe parece sempre leve, quando e feito sem avidez e sem inveja. As coisas que tornam um homem rico são o ouro, entre as coisas materiais e os afetos, entre as coisas morais. Pela palavra ouro compreendem-se não só as moedas, mas também as casas, os campos, as jóias, os móveis, os rebanhos, tudo, afinal, que faz a vida materialmente rica. Nas afeições: os laços do sangue e do casamento, as amizades, as riquezas intelectuais, os cargos públicos. Como estais vendo, se para aquela primeira categoria o pobre pode dizer: "Oh! Quanto a mim, basta que eu não tenha inveja de quem possui, e já estou em meu lugar, porque eu sou pobre, e por isso aqui necessariamente colocado", com a segunda categoria também o pobre tem que tomar cuidado, porque pode, até o mais miserável dos homens, tornar-se pecaminosamente rico em espírito. Todo aquele que se afeiçoa imoderadamente a alguma coisa, peca. Vós direis: "Mas, então, devemos odiar o bem que Deus nos deu?  Se assim for, por que é que Ele manda amar o pai, a mãe, a esposa, os filhos, e diz: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo"? Fazei aqui uma distinção. Devemos amar ao pai, à mãe, à esposa, e ao próximo, mas na medida que Deus deu: "como a nós mesmos". Enquanto que Deus deve ser amado sobre todas as coisas e com todo o nosso ser. Não temos que amar a Deus como amamos aos mais queridos dos nossos próximos, à mãe, porque nos amamentou, à esposa, porque dorme sobre o nosso peito e criado os filhos: mas, sim, amar a Deus com todo o nosso ser: isto é, com toda a capacidade de amar que existe no homem: amor de filho, amor de esposo, amor de amigo e oh! não vos escandalizeis! com amor de pai. Sim, porque pelos interesses de Deus devemos ter os mesmos cuidados que um pai tem para com os seus filhos, e para os quais guarda com amor os bens e os faz aumentar, e se ocupa e se preocupa com o seu crescimento físico e cultural e com o seu bom êxito nos negócios do mundo. O amor não é um mal, nem deve tornar-se um mal. As graças que Deus nos concede não são um mal, nem devem tornar-se um mal. Elas são amor. Por amor nos foram dadas. É preciso usar com amor destas riquezas que Deus nos concede, tanto em afetos, como em bens. E, somente quem não faz delas os seus ídolos mas meio para servir em santidade a Deus, é que mostra não ter um apego pecaminoso a elas. Procura, pois, a Santa pobreza do espírito, que se despoja de tudo, para ficar mais livre, a fim de conquistar a Deus Santo, que é a Suprema Riqueza: conquistar a Deus quer dizer ter o Reino dos Céus.
 "Feliz serei eu se for manso". Isto pode parecer estar em contraste com os exemplos que vemos na vida de cada dia. Os que não são mansos é que parecem triunfar nas famílias, nas cidades, nas nações. Mas, será mesmo um verdadeiro triunfo o deles? Não. É o medo que está conservando aparentemente inclinados os subjugados pelo déspota, mas esse medo não é mais do que um véu colocado sobre a efervescência da revolta contra o tirano. Os que são iracundos e prepotentes não possuem os corações nem de seus familiares, nem dos concidadãos, nem de seus súditos. Não conquistam as inteligências e os espíritos para as suas doutrinas aqueles que são mestres do: "Eu disse, e está dito!" Eles criam apenas autodidatas, que vivem buscando e rebuscando uma chave capaz de abrir as portas fechadas de uma sabedoria e de uma ciência, que eles percebem que deve existir, e que é justamente a oposta à que lhes está sendo imposta.  Não estão levando almas para Deus aqueles sacerdotes que não se entregam à conquista dos espíritos com uma doçura cheia de paciência, humilde, amorosa, mas que mais parecem ser uns guerreiros armados, que se lançam a um assalto feroz, pelo modo como avançam com impetuosidade e intransigência contra as almas... Oh! pobres almas! Se elas fossem santas, não teriam necessidade de vós, ó sacerdotes, para chegarem à luz. Pois já a teriam consigo. Se fossem justos, não teriam necessidade de vós juízes para serem contidos pelo freio da justiça, pois já a teriam em si. Se fossem sãos, não precisariam de quem os curasse. Por isso sede mansos. Não façais que as almas fujam, espavoridas. Mas, atraí-as com amor. Porque a mansidão é amor, assim como a pobreza de espírito também o é. Se assim fordes, conquistareis a Terra, e levareis para Deus este lugar, que antes era de Satanás, porque a vossa mansidão, que, além de ser amor, é também humildade, terá vencido o ódio e a soberba, matando nos ânimos o rei abjeto da soberba e do ódio, e então, o mundo será vosso, isto é, de Deus, pois vós sereis justos, ao reconhecerdes a Deus como Senhor Absoluto das criação, ao qual há de ser dado todo louvor, e entregue tudo o que é seu.
 "Feliz serei eu, se souber chorar sem revoltar-me."  A dor está sobre a terra. E a dor arranca lágrimas ao homem. Antes não existia a dor. Mas o homem a colocou sobre a terra e, por uma depravação de sua inteligência, esforça-se por descobrir o modo de aumentá-la sempre, e de todos os modos. Além das doenças e das desventuras provindas de raios, de tempestades, de avalanchas, de terremotos, eis que o homem, para sofrer, mas principalmente para fazer sofrer, pois gostaríamos somente que os outros sofressem, e não nós, dos meios estudados por nós para fazer sofrer eis, então, que o homem inventa armas mortíferas sempre mais tremendas e durezas morais cada vez mais astuciosas. Quantas lágrimas o homem faz outro homem derramar, por instigação do seu rei oculto, que é Satanás! Pois bem. Em verdade, Eu vos digo que essas lágrimas não são uma diminuição, mas uma perfeição para o homem. O homem é um menino descuidado, é um despreocupado superficial, é alguém nascido de uma inteligência tardia, enquanto o pranto não o tornar adulto, reflexivo e inteligente. Somente os que choram, ou que já choraram, é que sabem amar e compreender. Amar os irmãos que também choram, compreendê-los em suas dores, ajudá-los com sua bondade, que já sabe por experiência quanto se sofre estando sozinho no pranto. E sabem amar a Deus porque compreenderam que fora de Deus tudo é dor, porque compreenderam que a dor se mitiga, se for chorada sobre o coração de Deus, porque chegaram a compreender que o choro resignado, e que não quebranto a fé, que não torna árida a oração, que não conhece o que é revolta, muda de natureza, transformando-se de dor em consolação. Sim. Os que choram amando o Senhor, serão consolados.
 "Feliz serei eu, se tiver fome e sede de justiça." Desde o momento em que nasce, até o momento em que morre, o homem se inclina avidamente para o alimento. Ele abre a boca, quando nasce, para agarrar o bico do peito, abre os lábios para engolir algum sustento, numa aflição de agonia. Trabalha para se alimentar. Ele faz da terra um enorme mamilo, do qual suga insaciável para aquilo que morre. Mas, que é o homem? Um animal? Não, é um filho de Deus. Ele está aqui no exílio por poucos ou por muitos anos. Mas sua vida não termina com a mudança da sua morada. Existe uma vida na vida, assim como em uma noz existe o miolo. Não é a casca que é a noz, mas é o miolo, que está dentro dela é que é a noz. Se semeardes uma casca de noz, não nasce nada. Mas, se semeardes a casca com sua polpa, nascerá uma grande árvore. Assim é o homem. Não é a carne que se torna imortal, mas é a alma. E ela é nutrida para alcançar a imortalidade, à qual, por amor, ela depois levará a carne, na feliz ressurreição. Alimento da alma é a Sabedoria, é a Justiça. Como um liquido e um alimento, elas são absorvidas e fortalecem a alma, e quanto mais se prova delas, mais cresce a santa avidez de possuir a Sabedoria e de conhecer a Justiça. Contudo, há de chegar um dia no qual a alma, insaciável nesta santa fome, ficara saciada. Chegará esse dia. Deus se dará ao seu filho e o apertará diretamente ao seu seio, e o filho nascido para o Paraíso se saciará da Mãe admirável, que é o próprio Deus, e já não saberá mais o que é fome, mas repousará feliz sobre o seio divino. Nenhuma ciência humana iguala esta ciência divina. A curiosidade da mente pode ser satisfeita, mas a necessidade do espírito, não. Pelo contrário, na diversidade dos sabores, o espírito até sente desgosto, vira a boca para longe do amargo mamilo, preferindo passar fome a encher-se com um alimento, que não tenha vindo de Deus. Não tenhais medo, ó sequiosos, ó famintos de Deus! Sejais fiéis e sereis saciados por Aquele que vos ama.
 "Feliz serei eu, se for misericordioso". Quem é entre os homens o que pode dizer: "Eu não preciso de misericórdia"? Ninguém. Pois bem, se até na Antiga Lei está dito: "Olho por olho e dente por dente" por que se não há de poder dizer na Nova assim: "Quem for misericordioso, encontrará misericórdia"? Todos precisam de perdão. Pois bem ! Não é a fórmula e a forma de um rito, figuras externas concedidos por causa da opaca mentalidade humana, não são elas que obtém o perdão. Mas é o rito interno do Amor, isto é, o rito da misericórdia. Porque, se foi imposto o sacrifício de um bode ou de um cordeiro e a oferta de algumas moedas, isto foi feito porque na base ele todo mal ainda se encontram duas raízes: a avidez e a soberba. A avidez é punida com a despesa para a aquisição da oferta; e a soberba com a evidente confissão daquele rito: "Eu celebro este sacrifício, porque pequei." Também se fez isso para percorrer os tempos e os sinais dos tempos e, no sangue que se espalha, está a figura do Sangue que vai ser derramado para cancelar os pecados dos homens. Feliz, pois, daquele que sabe ser misericordioso para com os esfaimados, para com os nus, para com os que não tem casa, para com os miseráveis de misérias ainda maiores, que são as de possuir maus caracteres, que fazem sofrer a quem os tem e aos que com eles convivem. Tende misericórdia. Perdoai, compadecei-vos, socorrei, instruí, amparai. Não vos fecheis em uma torre de cristal, dizendo: "Eu sou puro, e não desço ao meio dos pecadores."
 Não digais: "Eu sou rico e feliz e não quero ouvir falar das misérias dos outros." Tomai cuidado, porque, mais depressa do que a fumaça, que se dissipa no ar por algum forte vento, pode desvanecer-se também a vossa riqueza, a vossa saúde, o vosso bem-estar familiar. E lembrai-vos de que o cristal serve de lente, e aquilo que, misturando-vos com a multidão, podia passar inobservado, se vos colocardes numa torre de cristal, sozinhos, separados, recebendo luz de todos os lados, já o não podeis conservar escondido. Misericórdia também para levar a termo um sacrifício de expiação secreto e continuo para com ele obter misericórdia.
 "Feliz de mim, se eu for puro de coração."  Deus é pureza. O Paraíso é um Reino de Pureza. Nada de impuro pode entrar no Céu, onde está Deus. Por isso, se fordes impuros, não podereis entrar no Reino de Deus. Mas. Oh! Que alegria! É uma alegria antecipada, que o Pai concede aos filhos! Quem é puro já tem, desde esta terra, um começo do Céu, porque Deus se inclina para o puro, e o homem daqui da terra já vê o seu Deus. Ele não conhece o sabor dos amores humanos, mas experimenta, até ao êxtase, o sabor do amor divino, podendo dizer: "Eu estou contigo, e Tu estás em Mim, por isso eu te possuo e conheço como esposo amabilíssimo de minha alma." E, crede-o, quem possui a Deus, tem também em si mesmo mudanças substanciais inexplicáveis, pelas quais ele se torna santo, sábio, forte, e sobre seus lábios florescem palavras, e seus raios assumem poderes, que não são, não, da criatura, mas de Deus que vive nela.
Que é a vida daquele que vê a Deus? É felicidade. E quereríeis privar-vos de tão grande dom, por causa de fétidas impurezas?
 "Feliz eu serei, se tiver um espírito de paz." A paz é uma das características de Deus. Deus não está senão na paz. Porque a paz é amor, enquanto que a guerra é ódio. Satanás é ódio. Deus é paz. Não pode alguém se dizer filho de Deus, e nem pode Deus dizer que é seu filho um homem, se este tiver um espírito irascível, sempre pronto a desencadear tempestades. E não somente isso. Também não pode dizer-se filho de Deus quem, ainda que ele não seja propriamente um desencadeador de tempestades, contudo, não contribui em nada, com a grande paz que tem, para acalmar as tempestades levantadas por outros. Quem é pacífico, difunde a paz, mesmo sem falar nada. Senhor de si, e ouso dizer até senhor de Deus, ele o leva como uma lâmpada leva a sua luz, como um turíbulo que vai soltando os seus perfumes, como um odre que transporta o seu líquido, e brilha a luz por entre as névoas fumegantes dos rancores, e purifica-se o ar dos miasmas das invejas, e se acalmam as ondas enfurecidas das contendas, por meio deste óleo suave, que é o espírito de paz, que emana dos filhos de Deus. Fazei por onde possam os homens chamar-vos por este nome.
"Feliz de mim, se eu for perseguido por amor da Justiça." O homem é tão endemoninhado que odeia o bem onde quer que ele se encontrei, que odeia a quem é bom, como se, por ser bom, mesmo que esteja calado, o esteja acusando e censurando. De falo a bondade de alguém faz com que apareça ainda mais preta a maldade do malvado. De falo, a fé de quem verdadeiramente crê, faz que apareça mais viva a hipocrisia do que só finge crer. E, na verdade, não pode deixar de ser odiado pelos injustos quem, com seu modo de viver, é uma testemunha constante da justiça. E, então, acontece que o mau se enfurece contra os amigos da justiça. Também aqui acontece como nas guerras. O homem progride na arte satânica de perseguir, muito mais do que progride na arte santa de amar. Mas, só pode perseguir quem tem vida curta. Pois o eterno, que existe no homem, escapa da armadilha, e até, pela perseguição, adquire uma vitalidade ainda mais vigorosa. A vida foge daquelas feridas que abrem as veias ou pelos sofrimentos que vão consumindo o perseguido. Mas o sangue faz a púrpura do futuro rei e os sofrimentos são como outros tantos degraus para subir aos tronos que o Pai preparou para os seus mártires, para os quais estão preparados os tronos régios do Reino dos Céus.
"Feliz eu serei, se for ultrajado e caluniado." Fazei somente que vosso nome possa ser escrito nos livros do Céu, nos quais não estão marcados os nomes, conforme as mentiras humanas, ao louvar aos que menos merecem louvor. Mas neles, com justiça e amor, estão escritas as obras dos bons, para dar-lhes o prêmio prometido aos benditos por Deus. Antes de nosso tempo, foram caluniados e ultrajados os Profetas. Mas, quando forem abertas as portas dos Céus, eles entrarão na Cidade de Deus, com a imponência de reis, e, diante deles, se inclinarão os Anjos, cantando cheios de alegria. E vós também, sim, e vós também, ultrajados e caluniados por terdes sido de Deus, tereis o triunfo no Céu e, quando o tempo terminar e completo estará o Paraíso, então, sim, todas as lágrimas serão por vós bem estimadas, porque por elas é que tereis conquistado esta glória eterna, que Eu, em nome do Pai, vos prometo.
 Ide. Amanhã eu vos falarei ainda. Fiquem aqui agora somente os doentes para que Eu os socorra em seus sofrimentos. A paz esteja convosco, e a meditação sobre a salvação, através do amor, vos encaminhe pela estrada, cujo fim é o Céu."


( O Evangelho come me foi Revelado – Maria Valtorta, Vol 3 pgs,78,79,80,81,82,83,84,85,86,87,88,89)

OS DISCÍPULOS DO BATISTA SE ENCONTRAM COM JESUS.


Os discípulos do Batista se encontram com Jesus.


Está quase na soleira quando é barrado por um grupo de homens anciãos, que o saúdam com respeito, dizendo: "Podemos fazer-te uma pergunta, Senhor? Somos discípulos de João e como ele sempre fala de Ti, e também porque chegou até nós a fama dos teus prodígios, tivemos vontade de conhecer-te. Agora, depois de te termos ouvido, surgiu diante de nós uma pergunta que te queremos fazer".
 "Dizei qual é. Se sois discípulos de João, já deveis estar no caminho da santidade".
 "Tu disseste, quando estavas falando das idolatrias comuns entre os fiéis, que há pessoas entre nós que fazem comércio entre a Lei e os que estão fora da Lei. Porém, Tu também és amigo deles. Sabemos que não desprezas os romanos. E então?".
 "Não o nego. Mas podeis vós dizer que o faço para obter alguma vantagem? Podeis dizer que os acaricio, para conseguir deles, ainda que seja só uma proteção?".
 "Não, Mestre. E disso estamos mais do que certos. Mas o mundo não é composto só por nós, que só queremos crer no mal que vemos e não naquilo que nos é apontado como mal. Agora, diz-nos quais as razões que tornam plausível o aproximar-se aos gentios. Diz, para ser uma norma para nós e para tua defesa, se alguém te caluniar em nossa presença".
 "É um mal, que se façam contatos, quando isso é feito com intenções humanas. Não é mal, quando nos aproximamos deles para levá-los ao Senhor nosso Deus. Eu faço assim. Se vós fôsseis pagãos, poderia demorar-me para explicar como todos os homens vêm de um único Deus. Mas vós sois hebreus e discípulos de João. Por isso, sois a flor dos hebreus, e não precisais de que Eu vos explique isso. Podeis, portanto, compreender e crer que é meu dever, sendo Eu o Verbo de Deus, levar a sua palavra a todos os homens, filhos do Pai universal". "Mas eles não são filhos, porque são pagãos... ".
"Pela Graça, eles não o são. Pela fé errada, eles não o são. É verdade. Mas, enquanto Eu não vos tiver redimido, o homem, ainda que seja hebreu, terá perdido a Graça, estará privado dela, porque a Mancha de origem será um impedimento para que os raios inefáveis da Graça desçam até os corações. Contudo, pela criação, o homem é sempre filho de Adão, primeiro antepassado de toda a humanidade, vêm tanto os hebreus como os romanos, e Adão é filho do Pai que lhe deu sua semelhança espiritual".
"É verdade. Uma outra pergunta, Mestre. Por que os discípulos de João fazem grandes jejuns e os teus não? Não queremos dizer que Tu não devas comer. Também o profeta Daniel foi santo aos olhos de Deus, ainda que tenha sido um dos grandes na corte da Babilônia, e Tu és mais do ele. Mas eles...".
 "Muitas vezes uma coisa, que não se consegue com rigorismo, consegue-se com alguma cordialidade. Há pessoas que nunca viriam ao Mestre, e o Mestre deve ir a elas. Outros há, que viriam ao Mestre, mas se envergonham de ir no meio da multidão. Também a esses o Mestre deve ir. E, desde que eles me digam: "Vem ser meu hóspede, para que eu possa conhecer-te", Eu vou, tendo em mente não o gozo da mesa opulenta e das conversas às vezes tão penosas para Mim, mas ainda e sempre, o interesse de Deus. Isto quanto a Mim. E, visto que frequentemente ao menos uma das almas, de que Eu me aproximo, se converte, e cada conversão é como uma festa de núpcias para a minha alma, uma grande festa da qual tomam parte todos os anjos do Céu e que é abençoada pelo eterno Deus, assim os meus discípulos, os amigos de Mim-Esposo, jubilam-se com o Esposo e Amigo. Quereríeis ver os amigos de luto, enquanto Eu jubilo? Enquanto Eu estou com eles? Mas tempo virá em que não me terão mais. E então, farão um grande jejum.  Para tempos novos, métodos novos. Até ontem, com o Batista eram as cinzas da Penitência. Hoje, neste meu hoje, é o doce maná da Redenção, da Misericórdia, do Amor. Não poderiam aqueles métodos estar enxertados no meu, como também o meu não poderia ter sido usado então, apenas ontem. Porque ainda a Misericórdia não existia na terra. Agora existe. Não mais o Profeta, mas o Messias está na terra, ao qual tudo foi deferido por Deus. A cada tempo as coisas que lhe sejam úteis. Ninguém cose um pedaço de pano novo em uma veste velha, porque de outro modo, especialmente ao lavá-la, o pano novo encolhe e arrebenta a veste velha e o rasgão se torna ainda maior. Igualmente ninguém põe vinho novo em odres velhos, porque, se assim fizer, o vinho arrebenta os odres, incapazes de suportar a efervescência do vinho novo, o qual se derrama fora dos odres que arrebentaram. Mas o vinho velho, que já passou por todas as suas mudanças, é colocado em odres velhos, e o novo em novos. Porque uma força há de ser enfrentada por outra igual. Assim é agora. A força da nova doutrina aconselha métodos novos para difundi-la. E Eu, que sei disso. faço uso deles".
"Obrigado, Senhor. Agora estamos contentes. Reza por nós. Nós somos uns odres velhos. Poderíamos resistir à tua força?".
"Sim. Porque o Batista vos preparou e porque as orações dele, com as minhas, vos tornarão capazes de tudo. Ide com a minha paz, e dizei ao João que Eu o abençôo".
 "Mas... no teu parecer, é melhor para nós estarmos com o Batista ou Contigo?".
"Enquanto ainda há vinho velho, bebam dele se agrada ao paladar acostumado ao seu sabor. Depois... como a água podre, que está por toda parte, vos dará nojo, então passareis a gostar do vinho novo."
 "Achas que o Batista vai ser preso de novo?".
 "Com certeza. Eu já mandei a ele um aviso. Ide, ide. Alegrai-vos com o vosso João, enquanto podeis e fazei-o feliz. Depois, amareis a Mim. E isso também vos será Venoso... porque ninguém, depois de acostumado com o vinho velho, vai querer logo o vinho novo. Ele diz: "O velho era melhor". E, de fato, Eu terei sabores especiais, que vos parecerão ásperos. Mas apreciareis, dia por dia, o sabor vital. Adeus, amigos. Deus esteja convosco".


( O Evangelho como me foi Revelado – Maria Valtorta)

domingo, 26 de julho de 2015

EU SOU A PEDRA ANGULAR E ETERNA.


EU SOU A PEDRA ANGULAR E ETERNA.


" Vós dizeis: "Não te abandonaremos nunca, porque abandonar-te seria abandonar a Deus". Mas, ó povo de Gergesa, lembra-te de que nada é mais mutável do que o pensamento humano. Eu sou convicto que neste momento realmente vós estais tendo este pensamento. A minha palavra e o milagre que aconteceu vos entusiasmaram neste sentido e, neste momento. estais sendo sinceros em tudo o que estais dizendo. Mas Eu vos recordo um episódio, poderia citar mil deles antigos e novos. Vou citar-vos somente este. Josué, servo do Senhor, antes de morrer, reuniu ao seu redor todas as tribos com os seus chefes, príncipes, juízes e magistrados e lhes falou, na presença do Senhor, lembrando-lhes todos os benefícios e prodígios feitos pelo Senhor, através do seu servo. E depois de ter enumerado todas essas coisas, convidou-os a repudiarem todo deus, que não fosse o Senhor, ou pelo menos a serem sinceros em sua fé, escolhendo com sinceridade, ou o verdadeiro Deus, ou os deuses da Mesopotâmia e dos Amorreus, de modo que houvesse uma nítida separação entre os filhos de Abraão e os paganizantes. Sempre é melhor um erro com convicção do que uma hipócrita profissão e mistura de fés, que é uma afronta a Deus e uma morte aos espíritos. E nada é mais fácil e comum do que essa mistura. A aparência é boa; debaixo dela está a substância não boa. Ainda agora, filhos. Ainda agora. Aqueles fiéis que misturam a observância da Lei com o que a Lei proíbe, aqueles infelizes, que vacilam como bêbados entre a fidelidade à Lei e o interesse de negócios e compromissos com os que estão fora da Lei e dos quais esperam alguma vantagem, aqueles sacerdotes, ou escribas, ou fariseus, que não fazem mais do serviço de Deus a meta de suas vidas, mas sim, uma astuta política para triunfar sobre os outros e ter todo o poder, sobre os outros mais honestos, porque são servos não de Deus, mas de um poder que eles sabem que é forte e precioso aos seus propósitos, não são senão hipócritas, que misturaram o nosso Deus com os deuses estrangeiros.
O povo respondeu a Josué: "Nunca aconteça que nós abandonemos o verdadeiro Deus para servir a deuses estrangeiros". Josué disse a eles o que Eu acabei de vos dizer sobre o santo ciúme do Pai, em sua vontade de ser amado com exclusividade por nós com todo o nosso ser, e de sua justiça em punir os que são mentirosos.
 Punir! Deus pode punir, como pode premiar. Não é preciso que se tenha morrido para se receber um prêmio ou um castigo. Olha, povo hebreu, se Deus, depois de haver-te dado tanto, livrando-te dos Faraós, levando-te a salvo através do deserto e das ciladas dos inimigos, permitindo que te tornasses uma grande e temida nação, rica de glórias não te puniu depois nem uma, nem duas, nem dez vezes pelas tuas culpas! Olha o que te tornaste agora! E Eu, que vejo te precipitar na mais sacrílega das idolatrias, vejo também em que abismo estás para precipitar-te, por este teu perseverar sempre nas mesmas culpas. E Eu te chamo a atenção por isso, ó povo, que és duas vezes meu, por ser Eu o Redentor e por ter nascido de ti. Não é ódio, não é rancor, não é intransigência. É de amor este meu chamado, ainda que seja severo.
 Josué então disse: "Vós sois testemunhas disto: vós escolhestes o Senhor", e todos responderam: "Sim". E Josué, sábio, além de destemido, sabendo quanto é fraca a vontade do homem, escreveu no Livro todas as palavras da Lei e da aliança e as colocou no Templo e também neste santuário do Senhor, que está em Siquém, em que naquela ocasião se guardava o Tabernáculo, colocou uma grande pedra como testemunha, dizendo: "Esta pedra, que ouviu as vossas palavras ao Senhor, ficará aqui como testemunha, para que não possais negar e mentir ao Senhor vosso Deus". Uma pedra, por maior e mais dura que seja, sempre pode ser pulverizada pelo homem, por um raio ou pela erosão das águas e do tempo. Mas Eu sou a Pedra angular e eterna. E não posso sofrer destruição. Não mintais a esta Pedra viva. Não a ameis só porque faz prodígios. Amai-a porque por Ela chegareis ao Céu. Eu gostaria que fôsseis mais espirituais, mais fiéis ao Senhor. Não digo a Mim. Eu não sou outra coisa, senão a Voz do Pai. Se me espezinhardes, ferireis Aquele que me enviou. Eu sou o Meio. Ele é Tudo. Recolhei de Mim e conservai em vós tudo o que é santo, para que possais ir a este Deus. Não ameis o Homem, amai o Messias do Senhor, não pelos milagres que faz, mas porque quer fazer em vós o milagre íntimo e sublime da vossa santificação".


( O Evangelho como me foi Revelado – Maria Valtorta.)