“NO TERCEIRO DIA, UMA LUZ VINDA DOS CONFINS DO UNIVERSO, COMO UM METEORO, VAI DIRETO ATÉ O SEPULCRO, QUANDO UM ESTRONDO SACODE A TERRA, AFASTANDO A ENORME PEDRA QUE O SELAVA, E OS GUARDAS ROMANOS FICAM ATORDOADOS. A LUZ ENTÃO ENTRA NO CORPO INERTE DE JESUS, QUE EM SEGUIDA LEVANTA, TRANSPASSANDO OS PANOS DA MORTALHA COM SEU CORPO IMATERIAL FULGURANTE. RESSUSCITANDO DOS MORTOS COM UMA MATÉRIA INCORPÓREA DE INTENSA LUZ, CONHECIDA APENAS POR DEUS, DE UMA BELEZA INDESCRITÍVEL.”

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

SOU AQUELE QUE VOS AMOU MAIS DO QUE A SI MESMO


 

SOU AQUELE QUE VOS AMOU MAIS DO QUE A SI MESMO

Diz Jesus:

“De fato, é inutilmente que os homens se agitam, se Deus não estiver ajudando os esforços deles. Ao passo que, sem se agitar, quem vence é aquele que confia no Senhor, pois o Senhor sabe quando é justo premiar com a vitória, e quando é justo punir com a derrota. Estulto é o homem que quer julgar a Deus, dar conselhos a Deus, ou criticá-lo. Pensai em uma formiga que, observando a obra de um cortador de mármore, lhe dissesse: “Tu não sabes fazer isso. Eu farei melhor e mais depressa do que tu.” A mesma coisa faz o homem que quer ensinar a Deus. E a esse papel ridículo ele ainda acrescenta o papel de um ingrato e prepotente, esquecido do que é: uma criatura, e de que Deus é o Criador. Pois bem. Se Deus criou um ser bem criado, que ele pode achar-se capaz de dar conselhos ao próprio Deus, qual será então, a perfeição do Autor de todas as criaturas? Só este pensamento já deveria bastar para fazer a soberba baixar a cabeça, e destruir esta má e satânica planta, esta parasita que, tendo-se insinuado em uma inteligência, a invade e suplanta, a sufoca e mata toda árvore boa, toda virtude que faz o homem grande sobre a terra, verdadeiramente grande, não por seus rendimentos, nem pelas coroas conquistadas, mas por uma justiça e uma sabedoria sobrenatural, e feliz no Céu por toda eternidade.

E prestemos atenção em um outro conselho, que é dado pelo grande Judas Macabeu e pelos acontecimentos daquele dia nesta planície. Tendo-se travado a batalha, as fileiras de Judas, com as quais Deus estava, venceram e destruíram os inimigos, uma parte pondo-os em fuga até Jezeron, Azoto, Iduméia e Jâmia, dita a história. E a outra parte, transpassando-os à espada e deixando-os mortos no campo em número de mais de três mil. Mas os seus homens armados, desejosos de vitória, Judas disse: “Não fiqueis parados, a fazer presa, porque a guerra ainda não acabou, e Górgias com o seu exército, está na montanha, perto de nós. Por enquanto temos que combater ainda contra nossos inimigos e vencê-los completamente, para depois, tranquilamente fazer presa.” E assim fizeram. E tiveram uma vitória segura e uma grande presa, e a libertação, e, ao voltarem cantaram bênçãos de Deus, porque Ele é bom, e porque sua misericórdia é eterna.

Também o homem, qualquer homem, é como os campos que estão ao redor da cidade santa dos Judeus. Rodeado pelos inimigos externos, e tendo contra si os internos, todos cruéis, todos na esperança de combater contra a cidade santa, que é cada homem, isto é, contra a sua alma, para ataca-la de repente, para toma-la de surpresa, com mil astúcias e destruí-la. As paixões, que Satanás cultiva e excita, e que o homem não vigia com todo cuidado, para pôr nelas um freio, e que são perigosas se ele não souber domá-las, mas são inócuas, se forem vigiadas como um ladrão acorrentado, e, por outro lado, que, do lado de fora conjura com elas por meio de suas seduções, pela carne, os bens materiais, o orgulho, são todos estes coisas bem parecidas com os poderosos exércitos de Górgia, encouraçados, munidos de torres de guerra, de arqueiros que acertam bem os alvos, de cavaleiros velozes, sempre prontos a iniciar o ataque, ás primeiras ordens do Mal.

Mas, que pode o Mal, se Deus estiver com o homem que quer ser justo? O homem sofrerá, poderá ser ferido, mas salvará a liberdade e a vida, e conhecerá a vitória, depois de uma boa batalha, Contudo, essa vitória não há de ser só uma vez, e sim, há de renovar-se sempre, enquanto durar a vida ou enquanto ele se despojar da sua humanidade, e se tornar mais espírito do que carne, um espírito mais unido a Deus do que às flechas, às feridas, ou às fogueiras da guerra, que não podem fazer-lhe mal em seu interior, mas caem, depois de o terem atingido superficialmente, como faz uma gota sobre uma pedra dura e brilhante de jaspe.

Não fiqueis preocupados de fazer presa. Não vos distraiais, enquanto não estiverdes nas soleiras da vida. Não desta da terra, mas da verdadeira Vida dos Céus. Então, vitoriosos, apanhai as vossas presas, entrai, andai para frente, gloriosos, diante do Rei dos reis, e dizei: “Eu venci. Aqui estão minhas presas. Eu as consegui com a sua ajuda e com a minha boa vontade, e te bendigo, Senhor, porque és bom e a tua misericórdia é eterna.”

Isto quanto à vida em geral para todos. Mas para vós, para vós que em Mim credes, vos está esperando de emboscada, uma outra batalha. E mais outras batalhas. A batalha contra a dúvida. A batalha contra as palavras que vos serão ditas. A batalha contra as perseguições.

Eu estou para ser levado ao lugar para o qual Eu vim do Céu. Esse lugar vos fará medo, e vos parecerá um desmentido às minhas palavras. Não! Olhai com olhos espirituais o que irá acontecer. E vereis que o que vai acontecer será a confirmação do que realmente Eu sou. Não o pobre rei de um pobre reino, mas Rei predito pelos Profetas, aos pés de cujo trono, imortal, como uns rios para o oceano, virão todos os povos da terra dizendo: “Nós te adoramos, ó Rei dos reis e Juiz eterno, porque pelo teu Santo Sacrifício redimiste o mundo.”

Resiste a dúvida. Eu não minto. Eu sou Aquele, do qual falam os Profetas. Como a mãe de João há pouco, levantai a lembrança do que Eu vos fiz, e dizei: “Estas obras são de Deus. Ele no-las deixou para lembrança, como uma confirmação, uma ajuda para crer, e crer justamente nesta hora.” Lutai e vencerei na luta contra as dúvidas, que sufoca a respiração das almas, Lutai contra as palavras que vos serão ditas. Recordai-vos dos Profetas e das minhas obras. E às palavras inimigas respondei com os Profetas e com os milagres, que me vistes fazer. Não tenhais medo. E não sejais ingratos, tendo medo de falar daquilo que Eu vos fiz. Lutai contra as perseguições. Mas não luteis perseguindo a quem vos persegue. E sim, praticando o heroísmo de confessar que sois meus, diante de quem com ameaças de morte quiser persuadir-vos a rogar-me. Lutai sempre contra os inimigos. Todos. Contra a vossa humanidade, isto é, contra os vossos medos, contra os compromissos indignos, as alianças interesseiras, as pressões, as ameaças, as torturas e a morte.

A morte! Eu não sou como o chefe de um povo, que diz ao seu povo: “Sofrei por mim, enquanto eu gozo.” Não. Eu sofro em primeiro lugar, para dar-vos o exemplo. Eu não sou alguém que está à frente de exércitos, e diz aos exércitos: “ Combatei para defender-me. Morrei para me dardes a vida.” Não. Eu sou o primeiro que combate. EU morrerei em primeiro lugar, para ensinar-vos a morrer. Assim como Eu tenho sempre feito o que Eu disse que se deve fazer e, pregando a pobreza. Eu permaneci pobre, pregando a continência, Eu permaneci casto, pregando a temperança, fui sóbrio, pregando a justiça, fui justo, pregando o perdão, perdoei e perdoarei, como fiz tudo isso, farei também a última coisa. Eu vos ensinarei como é que se redime.

Ensinar-vos-ei, não com palavras, mas com fatos. Eu vos ensinarei a obedecer, obedecendo na mais dura obediência, a da minha morte.

Eu vos ensinarei a perdoar, perdoando no meio dos meus últimos sofrimentos, como perdoei, quando estava sobre a palha do meu berço, à Humanidade, que me havia arrancado dos Céus.  Eu perdoarei como sempre perdoei. A todos. A todos por minha conta. Aos pequenos inimigos, aos inertes, aos indiferentes, aos volúveis e aos grandes inimigos que, não só me causam a dor de ficarem apáticos diante do meu poder e do meu desejo de salvá-los, mas que me dão e darão o último espasmo de serem deicidas. Eu perdoarei. E, visto que aos deicidas impenitentes em vão poderei dar a absolvição, pedirei ainda, com os últimos espasmos ao Pai por eles... para que os perdoe...pois ficaram embriagados por um licor satânico...Perdoarei...E vós, perdoai em meu nome. E amai como Eu amo, como Eu vos amo e vos amarei para sempre.

(O Evangelho como me foi Revelado – Valtorta –Vol. 6,pgs.296/299)  


Sem comentários:

Enviar um comentário