segunda-feira, 23 de março de 2020

VIGILÂNCIA, PERSPICÁCIA, OBEDIÊNCIA.







VIGILÂNCIA, PERSPICÁCIA, OBEDIÊNCIA.



Diz Jesus:

“Crede, que somente desse enriquecimento de virtudes é necessário preocupar-se. E prestai atenção que vossa preocupação nunca seja cheia de angústia nem de inquietação. O bem é inimigo da inquietação, dos medos, daquelas pressas que muito têm ainda de avareza, de ciúme, de desconfiança humana. O vosso trabalho seja constante, confiante, pacífico. Sem partidas bruscas, nem paradas repentinas. Quem faz assim são os burros selvagens. Mas ninguém faz uso deles, a não ser que seja algum doido, para ir fazer uma viagem sem segurança. Pacíficos nas vitórias, pacíficos nas derrotas. Até o choro por causa de algum erro cometido e que vos entristece, porque com tal erro desagradastes a Deus, deve também ele ser pacífico, confortado pela humanidade e pela confiança. A prostração, o rancor contra si mesmo é sempre um sintoma de soberba e, portanto, de desconfiança. Se alguém é humilde, sabe que é pobre homem sujeito às misérias da carne, que as vezes triunfa. Se alguém é humilde, tem confiança, não somente em si mesmo, mas em Deus, e fica calmo nas derrotas, dizendo: “Perdoa-me Pai. Eu sei que Tu conheces a minha fraqueza, que me vence de vez em quando. Eu creio que Tu tens compaixão de mim. Tenho a firme confiança de que Tu me ajudarás no futuro, ainda mais do que antes, apesar de eu ter satisfeito tão pouco a Tua Vontade.”
E não sejais nem apáticos, nem avarentos com os bens de Deus. De tudo o que tiverdes de sabedoria e virtude, distribuí. Sede ativos nas coisas espirituais, como os homens o são nas coisas da carne.
E, quanto à carne, não fiqueis imitando os que são do mundo, que estão sempre tremendo por causa do seu amanhã, pelo medo de que lhes falte o supérfluo, de que os pegue uma doença, de que chegue a morte, de que os inimigos lhes possam fazer mal, e assim por diante. Deus sabe do que precisais. Não temais, pois, pelo vosso dia de amanhã. Ficai livres daqueles medos, que pesam mais do que ao grilhões dos galeotes. Não fiqueis preocupados com vossa vida, nem com o que havereis de comer, ou beber, nem com que vestir-vos. A vida do espírito é mais do que a do corpo e do que as vestes, porque é com o corpo, e não com as vestes que vós viveis. E com a mortificação do corpo, ajudais o espírito a conseguir a vida eterna. Deus sabe até quando vai deixar a alma no corpo e até que hora vos dará o necessário. Ele o dá aos corvos, animais impuros, que vivem de comer cadáveres, e que tem sua razão de existir justamente nessa sua função de eliminar as podridões. E Ele não o dará a vós? Aquelas aves não tem dispensas nem celeiros, e assim mesmo Deus as nutre. Vós sois homens e não corvos. Atualmente vós sois a flor da humanidade, pois sois discípulos do Mestre, os evangelizadores do mundo, os servos de Deus. E podeis pensar que Deus cuida até dos lírios dos vales, e os faz crescer, e os veste com a veste mais bela do que as que teve Salomão, sem que eles tenham outro trabalho senão o de exalar o seu perfume, adorando, poderá Ele deixar de pensar também em vossa veste? Vós que, por vós mesmos, não sois capazes nem de pôr mais um dente nas bocas desdentadas, nem de encompridar com mais uma polegada uma perna encolhida, nem de dar mais agudeza de vista a uma pupila enevoada. E, se não podeis fazer nem estas coisas, como achais que podereis afastar de vós a miséria e a doença e fazer brotar alimento da poeira? Não podeis. Mas não sejais gente de pouca fé. Vós tereis sempre o que vos é necessário. Não fiqueis aflitos como as pessoas do mundo que ficam excitadas, querendo prover-se do que querem gozar. Vós tendes vosso Pai que sabe de que precisais. Vós só tendes que procurar, e que seja a primeira e vossas procuras, o Reino de Deus e a sua justiça, pois tudo mais vos será dada, sem que o procureis.
Não temais, ó vós do meu pequeno rebanho. Aprouve a meu Pai chamar-vos para o Reino, para que tenhais esse Reino. Podeis, pois, aspirar a ele e ajudar o Pai com a vossa vontade e uma santa operosidade. Vendei os vossos bens, fazei com eles esmola, se estais sozinhos. Daí aos vossos um conforto, abandonando vossa casa para seguir-me, pois é justo não tirar o pão aos filhos e às esposas. E, se não podeis assim fazer sacrifício de riquezas em dinheiro, sacrificai as riquezas do afeto. Estas também são riquezas que Deus avalia bem, por serem o que são: ouro mais puro que qualquer outro, pérolas mais preciosas do que as que foram arrebatadas aos mares, rubis mais raros do que os que foram extraídos das vísceras do solo. Porque renunciar a família por Mim é caridade perfeita, mais do que o ouro sem impurezas, é pérola nascida no pranto, rubi feito de sangue que geme da ferida do coração, lacerado pela separação do pai e da mãe, da esposa e dos filhos. Mas estas bolsas não se desgastam, este tesouro não míngua nunca. Os ladrões não penetram no Céu. O caruncho não rói o que lá é depositado. E, tende o Céu no coração, e o coração no Céu. Junto ao vosso tesouro. Porque o coração, tanto para o bem, como para o mal, estará lá onde estiver aquilo que lhe parece ser o seu querido tesouro. Porque assim como o coração está onde está o tesouro (no Céu), assim o tesouro está onde estiver o coração (isto é, em vós), ou melhor, o tesouro está no coração e, com o tesouro dos santos, está no coração o Céu dos santos.
Estai sempre prontos, como quem está preparado para viagem ou à espera do patrão. Vós sois servos do patrão que é Deus. A qualquer hora Ele pode chamar-vos para onde Ele está, ou vir aonde vós estais. Estai, pois, sempre prontos para ir ou prestar-lhe honras, estando com vossos lados cingidos com cintos de viagem e de trabalho e com as lâmpadas acesas nas mãos. Se sairdes de uma festa de núpcias com alguém que tenha ido à vossa frente para os Céus, ou antes de vós se tenha consagrado a Deus nesta terra, Deus poderá lembrar-se de vós, que estais esperando, e pode dizer-vos: “Vamos para onde está Estevão, ou João, ou então Tiago ou Pedro.” E Deus é sempre rápido para vir e para dizer: “Vem”. Portanto, estai prontos para abrir-lhe a porta quando Ele chegar, ou para partir, quando Ele vos chamar.
Felizes aqueles servos que o Patrão, quando chegar, encontrar vigilantes. Em verdade, para recompensá-los por sua espera fiel, Ele se cingirá com sua veste, e fazendo-os assentar-se à mesa, pôr-se-á a servi-los. Ele pode vir na primeira vigília, ou na segunda, ou na terceira. Vós não o sabeis. Por isso estais sempre vigilantes. E felizes sereis vós se assim o Patrão vos encontrar. Não vos enganeis, dizendo: “Há muito tempo! Esta noite Ele não vem.” Vós vos sairíeis mal. Vós não sabeis. Se alguém soubesse quando o ladrão haveria de vir, não deixaria de guardar a casa, porque o malandro poderia forçar a porta e os ferrolhos. Vós também estais preparados, porque, quando menos pensardes, virá o Filho do homem dizendo: “Chegou a hora.”
Pedro, que quase já se esqueceu de acabar de comer, para ficar ouvindo o Senhor, vendo que Jesus se cala, pergunta: “Isto que estás dizendo é para nós, ou para todos.”
“É para vós e para todos. Mas é mais para vós, porque vós sois os intendentes colocados pelo Patrão à frente dos servos e tendes o duplo dever de estar preparados, seja para vós como intendentes, seja para cós como simples fiéis. Como deve ser o intendente posto pelo Patrão à frente de seus familiares para dar a cada um, a seu tempo, a justa porção? Ele deve ser perspicaz e fiel. Para cumprir o seu próprio dever e para fazer que os que lhe estão submissos cumpram o dever deles. Se assim não fosse, ficariam prejudicados os interesses do patrão, que paga ao intendente para que faça as suas vezes e, em sua ausência zele por seus interesses.
Feliz daquele servo que, quando o patrão voltar para casa o encontrar fielmente em seu trabalho, com diligência e justiça. Em verdade, Eu vos digo que ele o fará intendente de mais outras propriedades e até mesmo de todas as suas propriedades, e ficará tranqüilo e se alegrando em seu íntimo pela segurança que aquele servo lhe dá. Mas, se aquele servo disser: “Oh! Que bom! O patrão está muito longe e me escreveu que vai tardar a voltar. Por isso, eu posso fazer o que eu achar bom e depois, quando a volta dele estiver próxima, tomarei minhas providências.” E, assim pensando, se ele começar a comer e a beber até ficar bêbado, e a dar ordens aos servos como um ébrio, confiando na bondade deles, pois lhe são submissos, mas se recusarem a cumprir suas ordens quando elas são em prejuízo do patrão, e ele, então passar a bater nos servos e nas servas, até fazê-los cair doentes e debilitados, e ele, crendo ainda que é feliz, disser: “ Afinal, eu gosto de ser patrão e de ser temido por todos”, que será, então, que lhe vai acontecer? Vai-lhe acontecer que o patrão logo chegará, quando ele menos esperar, e talvez até surpreendendo-o no ato de pôr o dinheiro dele no bolso ou de estar subornando algum dos servos mais pobres. E nesse caso, Eu vo-lo digo, o patrão o tirará do cargo de intendente, e até do rol dos seus empregados, pois não é justo conservar os infiéis e traidores no meio dos honestos.
E agora o patrão o punirá tanto quanto antes o havia amado e instruído. Porque quem mais conhece a vontade e o pensamento do patrão. Mais está obrigado a cumpri-los exatamente. Se não fizer assim, como o patrão lhe mandou, e de modo mais exato do que todos os outros, ele receberá muitas pancadas, enquanto que os que, como servos menores, pouco sabem ou erram pensando que estão fazendo o bem, terão castigos menores. A quem muito foi dado, muito será exigido, e deverá prestar conta de muito quem tomou conta de muito, pois vão ser exigidas dos meus intendentes contas até de um pequenino, que tem apenas uma hora de nascido.
A escolha que Eu fiz dele não foi para ele ir descansar em algum pequeno bosque fresco e florido. Eu vim trazer fogo a esta terra. E que é que Eu posso desejar, a não ser que ele se acenda? Por isso Eu me canso, e quero que vós canseis até a morte, e até que a terra toda seja uma fogueira de fogo celeste. Eu devo ser batizado com um batismo. E, como estarei angustiado, enquanto ele não for feito! Vós não me perguntais por quê? Porque para isso Eu poderei fazer de vós os portadores do Fogo, agitadores que se haverão de mover em todos e contra todos os estratos sociais, para fazer deles uma só coisa: O Rebanho de Cristo.
Credes que Eu tenha vindo para trazer a paz à terra? E para estar de acordo com o modo de ver da terra? Não. Pelo contrário, venho trazer discórdia e separação. Porque de agora em diante, e enquanto a terra toda não for um único rebanho. De cinco pessoas que houver em uma casa, duas estarão contra três, o pai estará contra o filho e esse contra o pai, a mãe contra as filhas e estas contra aquela, as sogras e as noras terão um motivo a mais para não se entenderem, porque uma linguagem nova estará sobre certos lábios e se tornará uma Babel, pois que uma agitação profunda sacudirá o reino dos afetos humanos e sobre-humanos. Mas depois virá a hora em que tudo se unificará em uma língua nova, falada por todos os que foram salvos pelo Nazareno, e se depurarão as águas dos sentimentos, indo para o fundo as escórias, e brilhando na superfície as límpidas ondas dos lagos celestes.
É verdade que servir-me pode não ser tomar repouso, conforme o sentido que o homem der a esta palavra. É preciso ter heroísmo, e ser incansável. Mas Eu vos digo: no fim será Jesus, sempre e ainda Jesus, que cingirá a veste para vos servir, e depois sentar-se-á convosco para um banquete eterno, e ficarão esquecidas todas as fadigas e dores.
Agora, visto que ninguém mais nos procurou, vamos para o lago. Repousemos em Magdala. Nos jardins de Maria de Lázaro há lugar para todos, e ele pôs a sua casa à disposição do Peregrino e de seus amigos. Não é preciso que Eu vos diga que Maria de Magdala morreu com o seu pecado e renasceu em seu arrependimento, sendo agora Maria de Lázaro, discípula de Jesus de Nazaré. Vós já o sabeis, porque a notícia correu ruidosa, como vento por uma floresta. Mas Eu vos digo o que não sabeis: que todos os bens pessoais da Maria de Lázaro são para os servos de Deus e para os pobres de Cristo. Vamos...”



(O Evangelho como me foi revelado – Maria Valtorta – Vol. 4, pg. 352 a 357)

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