SEDE ASTUTOS COMO AS SERPENTES E TAMBÉM
SIMPLES COMO AS POMBAS
Escutai:
Está
escrito que não devemos confiar nosso coração a um estranho, porque não
conhecemos os costumes dele. Mas poderíamos dizer que conhecemos o coração pelo
menos de quem é nosso compatriota? Ou o coração do amigo? Ou do parente?
Somente Deus conhece de modo perfeito o coração do homem, e o homem só tem um
meio para conhecer o coração de seu semelhante e conhecer se ele é um
verdadeiro seu compatriota, ou amigo verdadeiro, e verdadeiro parente. Qual é
esse meio? Onde é que ele se encontra? No próximo mesmo e em nós. Nas ações e
nas palavras dele e em nosso reto juízo.
Quando
nas palavras do próximo, em suas ações, ou nas ações que ele quereria de nós,
percebemos com o nosso reto juízo, que não há nada de bem, então podemos dizer:
“Este homem não tem um coração bom, e eu devo desconfiar dele.” Deve-se
tratá-lo com caridade, porque é um infeliz, doente da mais grave das
enfermidades: a do espírito doente, mas não devemos acompanhá-lo em suas ações,
não aceitar as suas palavras como verdadeiras e sábias, e, menos ainda seguir
os seus conselhos. Que não vos arruíne este orgulhoso pensamento: “Eu sou
forte, e o mal dos outros não penetra em mim. Eu sou justo e, mesmo ouvindo o
que dizem os injustos, justo eu me conservo.”
O
homem é um abismo profundo, no qual estão todos os elementos do bem e do mal.
Ajudam a crescer e a se tornarem reis, os primeiros: são as ajudas de Deus.
Ajudam a se desenvolver e a reinar fazendo mal as paixões e as amizades más.
Todos os germes do mal e todos os anseios do bem estão latentes no homem pela
vontade amorosa de Deus e pela vontade malvada de Satanás, que sugestiona, que
tenta, que odeia, enquanto que Deus ara, conforta, ama. Satanás tenta seduzir.
Trabalha para tomar de Deus. E nem sempre Deus vence, porque a criatura é
pesada, enquanto não escolhe o amor e sua Lei, e, sendo pesada, desce, e apetece
mais facilmente o que dá uma satisfação imediata e nas partes mais baixas do
homem.
Vós
pelo que Eu digo sobre a fraqueza humana, podeis compreender quanto é
necessário desconfiar de vós mesmos e prestar muita atenção ao nosso próximo,
para não ajuntar o veneno de uma consciência impura com o que já fermenta
dentro de nós. Quando se compreende que um amigo está sendo ruína de um
coração. Quando os seus conselhos nos escandalizam, é preciso abandonar aquele
amizade, que nos está sendo nociva. Se ela persistisse acabaria perecendo em
seu lado espiritual, porque começaria a praticar ações que afastam de Deus,
pois que impedem à consciência endurecida de compreender as inspirações de
Deus. Se todos os homens culpados de graves pecados pudessem e quisessem falar
como foi que chegaram aqueles pecados, ver-se-ia que no começo sempre houve uma
má amizade.”
...Desconfiai
daqueles que, depois de haver-vos combatido sem motivo de repente passam a
cumular-vos com honras, e presentes. Desconfiai daqueles que louvam todas as
vossas ações, e são homens que tudo louvam, isto é, louvam tanto o preguiçoso,
como o bom trabalhador, o homem adúltero, como o marido fiel, como o péssimo
discípulo, como se estes fossem uns modelos. Fazem assim para arruinar-vos e
servirem-se de vossa ruína para os seus planos astutos. Fugi daqueles que vos
querem embriagar com louvores e promessas, para levar-vos a praticar ações que,
se não estivésseis embriagados, não aceitaríeis fazer. E, quando juraste
fidelidade a alguém, não fiqueis tratando com os inimigos dele. Estes não fazem
outra coisa, senão ajuntarem-se para fazer mal àquele que eles odeiam, e fazer
esse mal com a vossa própria ajuda.
Abri
os olhos. Eu disse. Sede astutos como as serpentes e também simples como as
pombas. Porque para tratar das coisas do espírito é santa a simplicidade. Mas
para viver no mundo, sem prejudicar a si mesmo e aos amigos, requer-se astúcia
para se saber descobrir as astúcias de quem odeia os santos. O mundo é um ninho
de serpentes. Sabei conhecer o mundo e seus sistemas. E depois, ficando como as
pombas, não sobre a lama onde estão as serpentes, mas na parte alta do rochedo,
conservai o coração simples de filhos de Deus. E rezai, rezai, porque em
verdade Eu vos digo que a Grande Serpente está assobiando ao redor de vós, que
estais em grande perigo, e quem não vigiar, perecerá. Sim. Entre os discípulos
haverá quem perece, para grande júbilo de Satanás, e uma dor infinita do
Cristo.”
(de
Jesus à Valtorta, Vol. 7, pgs. 193, 194 e 195)

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