“NO TERCEIRO DIA, UMA LUZ VINDA DOS CONFINS DO UNIVERSO, COMO UM METEORO, VAI DIRETO ATÉ O SEPULCRO, QUANDO UM ESTRONDO SACODE A TERRA, AFASTANDO A ENORME PEDRA QUE O SELAVA, E OS GUARDAS ROMANOS FICAM ATORDOADOS. A LUZ ENTÃO ENTRA NO CORPO INERTE DE JESUS, QUE EM SEGUIDA LEVANTA, TRANSPASSANDO OS PANOS DA MORTALHA COM SEU CORPO IMATERIAL FULGURANTE. RESSUSCITANDO DOS MORTOS COM UMA MATÉRIA INCORPÓREA DE INTENSA LUZ, CONHECIDA APENAS POR DEUS, DE UMA BELEZA INDESCRITÍVEL.”

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

JESUS E O MENINO JOSÉ


JESUS E O MENINO JOSÉ

Ainda não chegou a aurora, quando Jesus se encontra com os onze, que têm no meio deles o pequeno carpinteiro José, o qual parte como uma flecha, logo que vê Jesus e se agarra aos joelhos dele, com aquela simplicidade de quem é ainda uma criança. Jesus se inclina para beijá-lo na fronte e depois, segurando-o pela mão, vai para onde está Pedro com os outros.
“A paz esteja convosco. Eu não esperava encontrar-vos aqui.”
“O menino despertou, quando ainda era noite, e quis vir, porque ficou com medo de chegar atrasado”, explica Pedro.
“A mãe estará aqui daqui a pouco, com os outros filhos. Ela te quer saudar”, acrescenta Judas de Alfeu.
“E também a mulher que era encolhida, a filha de Isaque, a mãe de Elias, e outros que tu curaste. Eles nos hospedaram...”
“E os outros?”
“Senhor...”
“Corozaim continua conservando o seu espírito duro. Eu compreendo. Não importa. A boa semente está lançada, e um dia germinará... pelo merecimento destes...”, e olha para o menino.
“Será discípulo e saberá converter?”
“Discípulo ele já é, não é mesmo José?”
“Sim, mas não sei falar, e, por ser o que sou, não me darão ouvidos.”
“Não importa. Tu falarás com a tua bondade.”
Jesus toma entre as suas longas mãos o rostinho do menino, e lhe fala, estando um pouco inclinado sobre o rostinho virado para cima.
“Eu já me vou, José. Sê bom. Sê trabalhador. Perdoa a quem não vos ama. Sê reconhecido a quem te faz benefícios. Pensa sempre assim: que em quem te faz bem, Deus está presente e, por isso recebe com respeito todo benefício, sem pretendê-lo, sem ficar dizendo: “Vou viver sempre à toa, porque há quem pense em mim”, e, sem estragar o socorro recebido. Trabalha, porque o trabalho é uma coisa santa, e tu menino, és o único homem da família. Lembra-te de que ajudar à mãe é honrá-la. Lembra-te de que dar um bom exemplo aos irmãozinhos e velar pela honra das irmãs é um dever. Procura desejar ter o que é justo, e trabalha para possuí-lo, mas não tenhas inveja do rico, nem tenhas desejo de riquezas, para poderes gozar muito. Lembra-te do que o teu Mestre te ensinou, não somente a palavra de Deus, mas também o amor ao trabalho, a humildade e o perdão. Sê sempre bom, José, e tornaremos a ficar juntos um dia.”
“Mas, não voltas mais? Para onde vais, Senhor?”
“Vou para onde a vontade do Pai do Céu quer. A vontade dele sempre é mais forte do que a nossa, e mais querida por nós do que a nossa, porque é sempre uma vontade perfeita. Tu também, na vida, não ponhas a tua vontade na frente da vontade de Deus. Todos os obedientes se reencontrarão no Céu, e será então, uma grande festa. Dá-me um beijo, menino.”
Um beijo! Muitos beijos e lágrimas é o que o menino lhe dá, e assim pendurado ao pescoço de Jesus, é como vem encontrá-lo a mãe que vem chegando, rodeada pela ninhada dos filhos e por muito poucas pessoas: são sete ao todo, de Corozaim.
“por quê está chorando o meu filho?”, pergunta a mulher, depois de ter saudado o Mestre.
“Porque todo adeus é doloroso. Mas, mesmo se estivéssemos sempre separados, sempre estaremos unidos, se o vosso coração continuar a me amar. Vós sabeis como e em que é que consiste o amor a Mim. Consiste em fazer o que vos ensinei, porque fazer, o que alguém ensinou demonstra ter-lhe estima, e estima é sempre amor, por aquela pessoa. Fazei, pois, aquilo que Eu vos ensinei pela palavra e pelo exemplo, e fazei aquilo que vos ensinarão os meus discípulos, em meu Nome. Não choreis. O tempo é breve, e logo estaremos reunidos e de um modo melhor. E também não choreis por egoísmo. Pensai em quantos ainda estão esperando, em quantos deverão morrer, sem me terem visto, em quantos deverão amar-me, sem me terem conhecido. Vós me tendes tido mais de uma vez, e podeis ter facilitado a fé e a esperança pela caridade que há entre nós. Eles, no entanto deverão ter uma fé grande, uma fé cega, para poderem chegar a dizer: “Ele é verdadeiramente o Filho de Deus, o Salvador, e a sua palavra é veraz.” Uma grande fé para poder ter a grande esperança da vida eterna e da imediata posse de Deus, depois de uma vida de justiça. Deverão amar a quem não conheceram, a quem não ouviram, a quem não viram operar prodígios. Pois bem. Eles, somente se amarem assim é que terão a vida eterna. Vós, bendizei ao Senhor, que vos beneficiou, dando-vos o conhecimento de Mim.
Agora ide. Sede fiéis à Lei do Sinai e à minha ordem nova de amar-vos todos como irmãos, porque no amor está Deus. Amar até a quem vos odeia, porque Deus por primeiro vos deu o exemplo de amar os homens que com o pecado mostraram seu ódio a Deus. Perdoai sempre, como Deus perdoou os homens, mandando o seu Verbo Redentor para cancelar a Culpa, motivo de rancor e separação. Adeus. Em vós esteja a minha paz. Lembrai-vos das minhas ações, em vossos corações, para fortificá-los contra as palavras de quem quiser persuadir-vos de que Eu não sou o vosso Salvador. Conservai a minha bênção, para terdes força nas provações da vida futura.”
Jesus estende as mãos dizendo a bênção de Moisés, sobre o pequeno rebanho, que está prostrado a seus pés. Depois Ele se vira, e lá se vai...


(de Jesus à Valtorta, Vol 7, pgs. 292 a 294) 

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