Quem se arrepende de seus pecados, limpa a alma e a eleva próxima de Deus
CUIDAI DAS ALMAS QUE PECARAM
Depois
de uma cura espiritual em Simeão na cidade de Guerguesa, Jesus começa a falar:
“Não.
Ele não está morto, nem está curado quanto ao corpo. O seu espírito refletiu
sobre suas culpas, deu uma justa direção ao seu pensamento. E foi perdoado,
porque pediu expiação para ter o perdão. Vós todos ajudai-o no seu caminho para
Deus.
Pensai
que todos nós temos uma responsabilidade para com a alma do nosso próximo. Ai
de quem der escândalo! Mas ai também de quem, com um tratamento intransigente,
amedronta alguém, que mal acabou de nascer para o Bem, repelindo-o com
intransigência do caminho em que ele se colocou. Todos podem ser um pouco
mestres, e mestres bons de seu próximo, e sê-lo tanto mais quanto mais o
próximo for fraco e ignorante da sabedoria do Bem.
Eu
vos exorto a serdes pacientes, longânimes com Simeão. Não mostreis ódio para
com ele, nem rancor, nem desprezo, nem ironia. Não vos lembreis do passado, nem
em vós nem nele. O homem, que surge depois de um perdão, depois de um
arrependimento, depois de um propósito sincero, tem uma vontade, mas tem também
um peso, como herança das paixões e hábitos do passado. É preciso saber
ajudá-lo a livrar-se dela. E com muita discrição. Sem ficar fazendo alusões ao
seu passado. Isto seria ser imprudentes na caridade para com a criatura humana.
Recordar ao culpado a sua culpa é aviltá-lo. Resta a sua consciência, agora
despertada, para fazer isso. Ficar fazendo que uma criatura se lembre do seu
passado, é suscitar lembranças de paixões e, as vezes trazer de volta as
paixões que já estavam superadas e o consentimento nelas. No melhor dos casos,
sempre seria despertar tentações.
Não
tenteis o vosso próximo. Sede prudentes e caridosos. Deus não terá querido que
vós cometêsseis certos pecados? Daí graças a Ele. Mas não fiqueis fazendo
ostentação de vossa santidade, para humilhar a quem não foi santo. Sabei
compreender o olhar do arrependido que implora, e que quereria que vos esquecêsseis
daquilo, e que, vendo que vós não vos esqueceis, pelo menos vos suplica que não
o fiqueis humilhando, ao lembrar-vos do seu passado. Não digais: “ Ele foi
leproso em seu espírito”, para vos justificardes, ao abandoná-lo. O leproso
pela doença, depois das purificações pela cura obtida, é admitido de novo no
meio do povo. Que a mesma coisa aconteça com quem foi curado do pecado. Não
sejais como aqueles que se julgam perfeitos, mas que não o são, porque não tem
caridade para com os seus irmãos. Rodeai, pelo contrário, com o vosso amor, os
irmãos que ressurgem pela graça, a fim de que a boa companhia impeça novas
caídas.
Não
queirais ser mais do que Deus, que não repele o pecador que se arrepende, e o
perdoa, e o readmite em sua companhia. E, mesmo que o pecador vos tenha feito
algum mal, que não pode ser reparado, não vos vingueis dele, agora que ele não
é mais um prepotente tímido, mas perdoai, e tende uma grande piedade, porque
ele foi pobre daquele tesouro que todos os homens podem ter, contanto que o
queiram: a bondade.
Amai-o,
porque com a dor que vos deu, deu-vos também um meio de merecerdes um prêmio
maior no Céu. E não desprezeis a ninguém, nem mesmo se ele for de outra raça.
Vós vedes que, quando Deus atrai um espírito, ainda que ele seja de um pagão,
transforma-o de tal modo, que ele supera a muitos do povo escolhido na
santidade.
Eu
já me vou.
Lembrai-vos sempre destas e das outras palavras.”
(de
Jesus à Valtorta, Vol. 7,pgs. 187, 188, 189)

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