A ÚLTIMA CEIA
17 de fevereiro de 1944.
Diz Jesus:
“Do episódio da Ceia, além da
consideração da caridade de um Deus que se faz alimento para os homens, põem-se
em evidência quatro ensinamentos principais.
Primeiro: a necessidade para todos os filhos de Deus de obediência à Lei.
A Lei dizia que se devia pela Páscoa
consumir o cordeiro, segundo o ritual dado pelo Altíssimo a Moisés, e Eu, Filho
verdadeiro do Deus Verdadeiro, não me julguei, por minha qualidade divina,
estar isento dessa Lei. Eu estava na Terra como um homem entre os homens e
Mestre dos homens. Por isso, Eu devia cumprir meu dever de homem para com Deus,
como e melhor do que os outros. os favores divinos, não eximem da obediência
nem do esforço de procurar uma santidade cada vez maior. Se comparais a mais
excelsa santidade com a perfeição divina, sempre a encontrareis cheia de
defeitos, e por isso obrigada a esforçar-se a si mesma para eliminá-los e a
procurar atingir um grau de perfeição, tanto quanto for possível, semelhante ao
de Deus.
Segundo: o poder da oração de Maria.
Eu era Deus feito carne. Uma carne
que por ser sem mancha, possuía a força espiritual para dominar a carne.
Contudo, Eu não recuso, mas, pelo contrario, até invoco a ajuda da Cheia de
Graça, a qual, mesmo naquela hora da expiação, teria encontrado, é verdade, o
Céu fechado dobre sua cabeça, mas não tanto, a ponto de Ela não conseguir
arrebatar dele um anjo, Ela, a Rainha dos Anjos, para o conforto de seu Filho.
Oh! Isso não foi para Ela, pobre Mãe! Pois também Ela teve que sentir o sabor
amargo do abandono do Pai, mas, por aquela sua dor, oferecida para a Redenção,
Ela me conseguiu a graça de poder passar pela angústia do Horto das Oliveiras e
de levar a termo a Paixão em todas suas multiformes asperezas, das quais cada
uma estava destinada a lavar uma forma e um meio de pecado.
Terceiro: O domínio sobre nós mesmos e aceitando o sofrimento pela ofensa,
que é a caridade mais sublime de
todas, e que sé pode ser praticada unicamente por aqueles que fazem de sua vida
a Lei da Caridade que Eu tanto ha via apregoado.
E não só apregoado, mas praticado
realmente. o que tenha sido para Mim ter comigo a minha mesa o meu Traidor, o
dever de dar-me a Ele, de humilhar-me diante dele, de dividir com ele o cálice
ritual, e pôr os meus lábios onde ele havia posto os dele, e fazer que minha
Mãe fizesse o mesmo é coisa em que vós nem podeis pensar. Os vossos médicos
discutiram, e ainda discutem sobre o meu rápido fim, e acham que a origem disso
estava em uma lesão cardíaca, devida às pancadas recebidas na flagelação. Sim,
é verdade que também por isso o meu corpo ficou enfraquecido. Mas ele já estava
assim desde a Ceia. Ele foi sendo despedaçado pelo esforço que Eu fazia para
ter ao meu lado o Traidor. Foi assim que Eu comecei a morrer fisicamente. Tudo
mais não foi senão um aumento da agonia que já havia começado. Tudo o que Eu
pude fazer Eu o fiz, porque eu era alguém que tinha caridade. Até na hora em que
Deus-Caridade se afastava de Mim, Eu soube ser caridade nos meus trinta e três
anos não se pode chegar a uma perfeição como a que se requer para perdoar e
suportar nosso ofensor, se não se tiver o hábito da caridade. Mas Eu o tinha e
pude perdoar e suportar esta obra-prima de Ofensor, que foi o Judas.
Quarto: o Sacramento opera quanto mais alguém for digno de recebê-lo.
Se ele for digno disso com um
constante vontade, que dobra a carne e faz que o espírito seja superior e
senhor dela, vencendo as concupiscências, acostumando o seu próprio ser na
prática das virtudes e esticando-lhe a corda como a de um arco, visando à
perfeição das virtudes, sobretudo da caridade.
Porque, quando alguém ama, procura
fazer que fique alegre o ser amado. João, que me amava como ninguém, e que era
puro, recebeu do Sacramento o mais alto grau de transformação. Começou desde
aquele momento a ser a águia para a qual é uma coisa familiar e fácil alcançar
as alturas do Céu de Deus e fitar o Sol eterno. Mas ai de quem recebe o Sacramento
sem estar digno de recebê-lo, mas tendo até aumentado sua humana indignidade
com as culpas mortais. Então o Sacramento se torna, não uma semente de
preservação, mas de corrupção e de morte. Morte do espírito e putrefação da
carne, pela qual ela “se arrebenta”, como diz o Pedro, falando da de Judas. Ela
não espalha sangue, esse liquido sempre vital e belo em sua cor de púrpura, mas
expõe o seu interior escurecido por todas sensualidades, uma podridão que sai
para fora da carne podre, como quando sai da carniça de um animal imundo, como
um objeto de náusea para os que passam. A morte do profanador do Sacramento é
sempre a morte de um desesperado e por isso ele não conhece a plácida morte de
quem está em graça, nem a morte heróica da vítima que sofre profundamente, mas
com seu olhar fixo no Céu, e a alma tranquila na paz. A morte do desesperado é
atroz, contorções e terrores, é uma convulsão horrível da alma que, agarrada
pela mão de Satanás, que a sufoca, para separá-la da carne com o seu bafo
nauseabundo.
Esta é a diferença entre quem passa
para a outra vida, depois de ter praticado nesta a caridade, a fé, a esperança,
todas as outras virtudes e a doutrina celeste, nutrido com o Pão dos Anjos, que
o acompanha com seus frutos, ou melhor, com a sua presença, na viagem extrema.
E quem morre, depois de ter levado uma vida de animal, tem uma morte de animal,
que não é confortado pela Graça e pelo Sacramento. A primeira é o fim sereno do
santo, para o qual se abre o Reino Eterno. A segunda é a espantosa queda do condenado
que percebe estar sendo precipitado na morte eterna, e fica conhecendo, num
instante, o que foi que ele quis perder, e que não tem mais remédio. Para um a
morte foi uma aquisição, e para o outro foi um despojamento. Para um foi
alegria. E para o outro, um terror.
Isto é o que podereis receber, conforme for a vossa fé e o vosso amor,
ou, então, a vossa falta de fé e zombaria dos meus dons. E este é o ensinamento
que recebemos nesta contemplação.”
(De Jesus à Valtorta, Vol. 9 –O
Evangelho como me foi Revelado)

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