EU VEJO O QUE VÓS NÃO
VEDES
“Mas Tu dizes que é logo... Como? Mas Tu realmente vais ser
imolado como um cordeiro. Não é uma linguagem figurada a tua? Pois a vida de
Israel é toda tecida com símbolos e figuras?...”
“E tu quererias que assim fosse comigo. Mas a minha não é uma
figura.”
“Não é. Tens certeza disso? Eu poderia... Muitos de nós
poderíamos repetir gestos antigos e fazer de Ti o Messias ungido, e
defender-te. Bastaria uma palavra e aos milhares e dezenas de milhares
surgiriam logo os defensores do verdadeiro Pontífice santo e sábio. Não estou
falando de um rei terreno, visto que agora eu sei que o teu reino é todo
espiritual. Mas, uma vez humanamente fortes e livres não seremos nunca mais,
pelo menos que seja a tua santidade que reja e restitua a saúde ao corrompido
Israel. Ninguém, e Tu sabes disso, ninguém ama o atual sacerdócio, nem os que o
sustém. Não o queres, Senhor? Dá tuas ordens, e eu as cumprirei.”
“Já muito te tens adiantado em teu pensamento, ó Manaém, mas
ainda estás tão longe da meta, como a terra está do sol. Eu serei Sacerdote, e
para sempre. Pontífice imortal em um organismo que Eu vivificarei até o fim dos
séculos. Mas não será com óleo de alegria que Eu serei ungido, nem proclamando
e defendido com a violência de atos desejados por um punhado de fiéis, para
lanças a Pátria no mais feroz dos cismas, e torná-la mais escrava do que como
nunca foi. A verdadeira Autoridade, que me ungirá Pontífice e Messias é a
daquele que me mandou. Nenhum outro, a
não ser Deus, poderia ungir a Deus como Rei dos reis e Senhor dos senhores para
sempre.”
“Então, nada? Nada que fazer? Oh! Que dor!”
“Tudo. Amar-me. Nisto está tudo. Amar, não a criatura que se
chama Jesus, mas o que é Jesus. Amar-me com a humanidade e com o espírito,
assim como Eu, com o Espírito e a Humanidade vos amo, para estardes comigo
acima da Humanidade.
Olha que bela aurora. A luz pacífica das estrelas não chegava
até aqui dentro. Mas a luz triunfante do sol, sim. Assim acontecerá com os
corações daqueles que chegarem a amar-me com justiça. Vem aqui fora. No
silêncio do monte, livre de ficar ouvindo vozes humanas, já roucas, devido aos
seus interesses.
Olha lá aquelas águias como, em longos vôos, se afastam indo
em busca de presas. Estamos vendo aquela presa? Não. Mas elas sim. Porque o
olho da águia é mais poderoso do que o nosso e, lá do alto onde ela se move
livremente, ela vê um grande horizonte, e sabe escolher o que quer. Eu também. Eu vejo o que vós não vedes e, do alto onde
paira o meu espírito, Eu sei escolher as minhas agradáveis presas. Não para
dilacerá-las, como fazem os abutres e as águias, mas para levá-las comigo. E
seremos muito felizes lá no Reino de meu Pai, nós que nos amamos!...”
E Jesus que, falando, foi saindo para ir assentar-se ao sol,
na entrada da caverna, tendo a seu lado Manaém, e o puxa para Si, em silêncio,
sorrindo, talvez por alguma visão que está tendo...
(De Jesus à Valtorta, Vol. 9, pgs. 43, 44- O Evangelho como
me foi Revelado)

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