“NO TERCEIRO DIA, UMA LUZ VINDA DOS CONFINS DO UNIVERSO, COMO UM METEORO, VAI DIRETO ATÉ O SEPULCRO, QUANDO UM ESTRONDO SACODE A TERRA, AFASTANDO A ENORME PEDRA QUE O SELAVA, E OS GUARDAS ROMANOS FICAM ATORDOADOS. A LUZ ENTÃO ENTRA NO CORPO INERTE DE JESUS, QUE EM SEGUIDA LEVANTA, TRANSPASSANDO OS PANOS DA MORTALHA COM SEU CORPO IMATERIAL FULGURANTE. RESSUSCITANDO DOS MORTOS COM UMA MATÉRIA INCORPÓREA DE INTENSA LUZ, CONHECIDA APENAS POR DEUS, DE UMA BELEZA INDESCRITÍVEL.”

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A FORÇA DO AMOR DE NOSSA SENHORA




A FORÇA DO AMOR DE NOSSA SENHORA



      - Filho, ela fala baixinho, chamando a atenção de Jesus com aquela palavra: - Filho, eles não têm mais vinho.

      - Mulher, o que ainda há entre Mim e ti? Jesus, ao dizer esta frase, sorria ainda mais docemente e Maria também sorri; fazem como duas pessoas que sabem uma verdade que é para elas um alegre segredo ignorado por todos os outros.

      Jesus me explica [a Maria Valtorta] o significado da frase.

      - Aquele "ainda", que muitos tradutores omitem, é a chave da frase e a explica em seu verdadeiro significado.

      Eu era o Filho sujeito à mãe até o momento em que a vontade do meu Pai me mostrou que havia chegado a hora de ser o Mestre. Desde o momento em que teve início a minha missão Eu não era mais o filho sujeito à mãe, mas o servo de Deus. Estavam rompidos os laços morais para com a minha genitora. Estes tinham sido mudados em outros mais altos e todos se haviam refugiado no espírito. Aquele chamava sempre o nome de "mamãe" Maria, a minha santa. O amor não teve parada, nem esfriamento; ao contrário, nunca ele foi tão perfeito como quando, separado dela como por uma segunda filiação, ela me deu ao mundo para o mundo, como Messias, como Evangelizador. Essa sua terceira, sublime e mística maternidade se deu quando, na angústia do Gólgota, ela gerou-Me à Cruz fazendo de Mim o Redentor do mundo.

      "Que é que ainda há entre mim e ti?" Antes, Eu era teu, unicamente teu. Tu me dava as ordens, Eu obedecia. Eu te estava "sujeito". Agora Eu sou da minha missão.

      Será que Eu não disse isto? "Quem, tendo posto a mão no arado, vira-se para trás para saudar a quem fica, não é apto para o Reino de Deus". Eu tinha posto a mão no arado para abrir com a relha não as glebas, mas os corações para semear neles a palavra de Deus. Eu teria levantado aquela mão, somente quando me tivessem arrancado de lá para pregá-la na cruz e abrir com meu torturante prego, o coração do meu Pai, fazendo sair o perdão para a humanidade.

      Aquele "ainda", geralmente esquecido, queria dizer o seguinte: "Tudo tens sido para mim, ó mãe, enquanto Eu fui unicamente o Jesus de Maria de Nazaré, e tudo és em meu Espírito; mas, desde que Eu sou o Messias esperado, sou de meu pai. Espera um pouco ainda que, terminada a missão, serei de novo todo teu; ter-me-ás de novo nos braços, como quando Eu era menino e ninguém te disputará mais este teu Filho, considerado um opróbrio da humanidade, a qual te jogará os despojos dele, para cobrir-te a ti também do opróbrio de ser a mãe de um condenado à morte. E depois, Me terás de novo, triunfante, depois me terás para sempre, triunfante tu também, no Céu. Mas agora eu sou de todos os homens. Eu sou do pai que a eles me enviou".

      Eis o que quer dizer aquele "ainda", pequeno e tão denso de significado.

      Maria pede aos serventes:

      - Fazei aquilo que Ele vos disser.

      Maria já tinha lido nos olhos sorridentes de seu Filho o assentimento velado pelo grande ensinamento a todos os "vocacionados". E Jesus ordena aos serventes

      - Enchei as bilhas de água.

      Vejo os serventes enchê-las com água trazida do poço (ouço o ranger do sarilho, que leva para baixo e para cima o balde gotejante). Vejo o mordomo, com olhos de grande espanto, servir-se daquele líquido, prová-lo com atos de ainda maior espanto, saboreá-lo e falar ao dono da casa e ao noivo (eles estavam perto).

      Maria está ainda olhando para o Filho e sorrindo; depois, ao receber um sorriso Dele, inclina a cabeça, enrubescendo levemente. Ela está feliz.

      Pela sala passam um murmúrio, as cabeças se voltam todas para Jesus e Maria, alguns se levantam para vê-los melhor, outros vão ver as bilhas. Faz-se um grande silêncio. Depois se ergue um coro de louvores a Jesus.

      Mas Jesus se levanta e diz uma palavra: "Agradecei a Maria" e, em seguida, sai do banquete. Os discípulos o seguem. Já na porta, Ele repete:

      - A paz esteja nesta casa e a Bênção de Deus sobre vós; e acrescenta:

      -  Mãe, eu te saúdo.

      Cessa a visão.

      Jesus me instrui assim:

       - Quando Eu disse aos discípulos: "Vamos fazer feliz minha mãe", Eu tinha àquela frase um sentido mais alto do que o que parecia. Não a felicidade de me ver, mas de ser ela a iniciadora de minha atividade de fazer milagres e a primeira benfeitora da humanidade. Lembrai-vos disso sempre. O meu primeiro milagre aconteceu por causa de Maria. O primeiro. Sinal de que Maria é a chave dos milagres. Eu não recuso nada à minha mãe, e pela sua oração antecipo também o tempo da graça. Eu conheço minha mãe, a segunda em bondade depois de Deus. Eu sei que conceder-vos uma graça é fazê-la feliz, porque ela é a Toda Amor. Eis porque Eu disse, Eu que tudo sabia: "Vamos fazê-la feliz".

      Além disso, Eu quis manifestar o seu poder ao mundo, junto com o meu. Destinada a ser unida a Mim na carne - pois nós fomos uma só carne: Eu nela, e ela ao redor de Mim, como as pétalas de um lírio ao redor do pistilo perfumado e cheio de vida unida a Mim na dor, porque estivemos sobre a cruz: Eu com a carne e ela com seu espírito, assim como o lírio exala perfume com sua corola e com a essência extraída dela, era justo que estivesse unida a Mim no poder que se mostra ao mundo.

      Digo a voz é o que eu disse àqueles convidados: "Agradecei a Maria. Foi por ela que tivestes o dom dos milagres e as minhas graças, e especialmente as do perdão".


(Valtorta, Maria. O Evangelho como me foi revelado. v. 1. p. 328-330)

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