A FORÇA DO AMOR DE NOSSA SENHORA
- Filho, ela fala baixinho, chamando a atenção de Jesus com aquela palavra: -
Filho, eles não têm mais vinho.
- Mulher, o que ainda há entre Mim e ti? Jesus,
ao dizer esta frase, sorria ainda mais docemente e Maria também sorri; fazem
como duas pessoas que sabem uma verdade que é para elas um alegre segredo
ignorado por todos os outros.
Jesus me explica [a Maria Valtorta] o
significado da frase.
- Aquele "ainda", que muitos tradutores omitem, é a chave da frase e
a explica em seu verdadeiro significado.
Eu
era o Filho sujeito à mãe até o momento em que a vontade do meu Pai me mostrou
que havia chegado a hora de ser o Mestre. Desde o momento em que teve início a
minha missão Eu não era mais o filho sujeito à mãe, mas o servo de Deus.
Estavam rompidos os laços morais para com a minha genitora. Estes tinham sido
mudados em outros mais altos e todos se haviam refugiado no espírito. Aquele
chamava sempre o nome de "mamãe" Maria, a minha santa. O amor não teve
parada, nem esfriamento; ao contrário, nunca ele foi tão perfeito como quando,
separado dela como por uma segunda filiação, ela me deu ao mundo para o mundo,
como Messias, como Evangelizador. Essa sua terceira, sublime e mística
maternidade se deu quando, na angústia do Gólgota, ela gerou-Me à Cruz fazendo
de Mim o Redentor do mundo.
"Que é que ainda há entre mim e ti?" Antes, Eu era teu, unicamente
teu. Tu me dava as ordens, Eu obedecia. Eu te estava "sujeito". Agora
Eu sou da minha missão.
Será que Eu não disse isto? "Quem, tendo posto a mão no arado, vira-se
para trás para saudar a quem fica, não é apto para o Reino de Deus". Eu
tinha posto a mão no arado para abrir com a relha não as glebas, mas os
corações para semear neles a palavra de Deus. Eu teria levantado aquela mão,
somente quando me tivessem arrancado de lá para pregá-la na cruz e abrir com
meu torturante prego, o coração do meu Pai, fazendo sair o perdão para a
humanidade.
Aquele "ainda", geralmente esquecido, queria dizer o seguinte:
"Tudo tens sido para mim, ó mãe, enquanto Eu fui unicamente o Jesus de
Maria de Nazaré, e tudo és em meu Espírito; mas, desde que Eu sou o Messias
esperado, sou de meu pai. Espera um pouco ainda que, terminada a missão, serei
de novo todo teu; ter-me-ás de novo nos braços, como quando Eu era menino e
ninguém te disputará mais este teu Filho, considerado um opróbrio da
humanidade, a qual te jogará os despojos dele, para cobrir-te a ti também do
opróbrio de ser a mãe de um condenado à morte. E depois, Me terás de novo,
triunfante, depois me terás para sempre, triunfante tu também, no Céu. Mas
agora eu sou de todos os homens. Eu sou do pai que a eles me enviou".
Eis o que quer dizer aquele "ainda", pequeno e tão denso de
significado.
Maria pede aos serventes:
- Fazei aquilo que Ele vos disser.
Maria já tinha lido nos olhos sorridentes de seu Filho o assentimento velado
pelo grande ensinamento a todos os "vocacionados". E Jesus ordena aos
serventes
- Enchei as bilhas de água.
Vejo os serventes enchê-las com água trazida do poço (ouço o ranger do sarilho,
que leva para baixo e para cima o balde gotejante). Vejo o mordomo, com olhos
de grande espanto, servir-se daquele líquido, prová-lo com atos de ainda maior
espanto, saboreá-lo e falar ao dono da casa e ao noivo (eles estavam perto).
Maria está ainda olhando para o Filho e sorrindo; depois, ao receber um sorriso
Dele, inclina a cabeça, enrubescendo levemente. Ela está feliz.
Pela sala passam um murmúrio, as cabeças se voltam todas para Jesus e Maria,
alguns se levantam para vê-los melhor, outros vão ver as bilhas. Faz-se um
grande silêncio. Depois se ergue um coro de louvores a Jesus.
Mas
Jesus se levanta e diz uma palavra: "Agradecei a Maria" e, em
seguida, sai do banquete. Os discípulos o seguem. Já na porta, Ele repete:
- A paz esteja nesta casa e a Bênção de Deus sobre vós; e acrescenta:
- Mãe, eu te saúdo.
Cessa a visão.
Jesus me instrui assim:
- Quando Eu disse aos discípulos: "Vamos fazer feliz minha mãe", Eu
tinha àquela frase um sentido mais alto do que o que parecia. Não a felicidade
de me ver, mas de ser ela a iniciadora de minha atividade de
fazer milagres e a primeira benfeitora da humanidade. Lembrai-vos
disso sempre. O meu primeiro milagre aconteceu por causa de Maria. O primeiro.
Sinal de que Maria é a chave dos milagres. Eu não recuso nada à minha mãe, e
pela sua oração antecipo também o tempo da graça. Eu conheço minha mãe, a
segunda em bondade depois de Deus. Eu sei que conceder-vos uma graça é fazê-la
feliz, porque ela é a Toda Amor. Eis porque Eu disse, Eu que tudo sabia:
"Vamos fazê-la feliz".
Além disso, Eu quis manifestar o seu poder ao mundo, junto com o
meu. Destinada a ser unida a Mim na carne - pois nós fomos uma só carne: Eu
nela, e ela ao redor de Mim, como as pétalas de um lírio ao redor do pistilo
perfumado e cheio de vida unida a Mim na dor, porque estivemos sobre a cruz: Eu
com a carne e ela com seu espírito, assim como o lírio exala perfume com sua
corola e com a essência extraída dela, era justo que estivesse unida a Mim no poder que se
mostra ao mundo.
Digo a voz é o que eu disse àqueles convidados: "Agradecei a Maria. Foi
por ela que tivestes o dom dos milagres e as minhas graças, e especialmente as
do perdão".
(Valtorta, Maria. O
Evangelho como me foi revelado. v. 1. p. 328-330)

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