A FORÇA DA ORAÇÃO DE NOSSA SENHORA
As orações ardentes de Maria anteciparam por algum
tempo a minha Ressurreição.
Eu havia dito: “O Filho do Homem está para ser morto, mas no terceiro dia
ressurgirá”, Eu havia morrido às três da tarde de Sexta-feira. Quer
calculeis os dias, dizendo seus nomes, quer os calculeis por horas, não era a
aurora do domingo a que devia me ver ressurgir. Como horas eram somente trinta
e oito, em vez das setenta e duas, as em que o meu corpo permaneceu sem vida.
Como dias, devia pelo menos chegar a tarde deste terceiro dia para se poder
dizer que Eu havia ficado três dias na tumba.
Mas Maria antecipou o milagre. Foi quando como, com
sua oração, Ela abriu os Céus, com a antecipação de cerca de um ano sobre a
época prefixada, para dar ao mundo a sua salvação, assim agora Ele obteve a
antecipação de algumas horas, para dar um conforto ao seu coração, que estava
morrendo.
E Eu, ao primeiro alvorecer do terceiro
dia, desci como o sol e, com o meu fulgor, desfiz os selos humanos, tão inúteis
diante do Poder de Deus, de minha força Eu fiz uma alavanca, para fazer revirar
a pedra, que inutilmente estava sendo velada, com meu aparecimento fiz um
fulgor, que aterrorizou os três vezes inúteis guardas, lá postos para vigiarem
uma morte que era vida, e que nenhuma força humana podia impedir que assim o
fosse.
Passo por entre os guardas desfalecidos, símbolos
das almas em culpa mortal, que não percebem a passagem de Deus.
É a Páscoa, Maria. Esta é a passagem do Anjo de Deus! A sua passagem da morte
para a vida. Sua passagem para dar a vida aos que crêem em meu Nome. A Páscoa.
A paz que passa pelo mundo. A paz, não mais velada pela condição de homem. Mas
livre, completa em sua eficiência divina que voltou.
E
eu vou à minha Mãe. É bem justo que Eu vá a Ela. Isto foi justo também para com
os meus anjos. Mas bem mais justo o é para com aquela que, além de ser minha
guarda e conforto, ainda foi para mim quem me deu vida. Antes
de voltar ao Pai com a minha veste de homem glorificada, Eu vou à minha Mãe. Eu,
no meu fulgor da minha veste paradisíaca e das minhas jóias vivas. Ela
pode tocar em Mim, Ela as pode beijar, porque Ela é a Pura, a Bela, a
Amada, a Bendita, a Santa de Deus.
O Novo Adão vai à Nova Eva. O mal entrou no mundo pela mulher, e pela Mulher
foi vencido. O Fruto da Mulher desintoxicou os homens da baba de Lúcifer.
Agora, se eles quiserem, podem ser salvos. Ele salvou a mulher, que ficou tão
frágil depois da ferida mortal.
E depois de ter ido à Pura, à qual, por direito de Santidade e Maternidade, é
justo que se dirija o Filho de Deus, Eu me apresento à mulher redimida [Maria
Madalena], ao tronco de nossa raça, à representante de todas as criaturas
femininas que Eu vim livrar das mordidas da luxúria.
Eu
não me faço tocar por ela. Ela não é a Pura que, sem contaminá-lo, pode tocar
no Filho, que está de volta para o Pai. Muito ela tem que purificar-se por sua
penitência. Mas o seu amor bem que merece esse prêmio.
Estás
vendo como Eu amo até quem foi culpado mas que quis sair da culpa? Nem
a João Eu me mostrei em primeiro lugar, mas sim a Madalena.
Madalena, a que ressuscitou para a Graça, foi a que teve, por primeiro, a visão
da Graça ressuscitada.
Quando me amais, a ponto de vencer tudo por Mim,
Eu vos seguro pela cabeça e pelo coração adoentado, entre minhas mãos
traspassadas, e sopro em vosso rosto o meu poder. E
Eu vos salvo, vos salvo, ó filhos que Eu amo. Vós, já tornados belos, sãos,
livres, ó filhos que Eu amo. Vós vos tornais os filhos queridos do Senhor. Eu
faço de vós os portadores da minha Bondade por entre os pobres homens, aqueles
a quem dais testemunho da minha Bondade para com eles, a fim de que eles fiquem
persuadidos dela e de Mim.
Tende,
tende fé em Mim. Tende amor. Não tenhas medo. Que vos faça confiantes no
Coração de vosso Deus tudo o que Eu padeci para salvar-vos.
(Valtorta, Maria. O
Evangelho como me foi revelado. v. 10. p. 232-236)

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