JESUS É MESTRE, PASTOR E AMIGO
Diz Jesus:
“Não me perguntais para onde é que
estamos indo? A preocupação pelo dia de amanhã terá feito ficar muda a vossa
língua, e Eu não vos pareço mais ser vosso Mestre?”
Os doze levantam a cabeça. São doze
rostos aflitos, ou pelo menos estonteados, os que se viram para o rosto
tranqüilo de Jesus, e ouve-se apenas um “Oh!”, que sai das doze bocas. E,
depois dessa exclamação de todos, faz-se ouvir a palavra de Pedro, que fala por
todos: “Mestre, Tu sabes que és para nós sempre o mesmo. Mas é que, desde ontem
de tarde, estamos como quem recebeu uma grande pancada na cabeça. E para nós
está parecendo um sonho. E Tu, nós vemos e sabemos que és Tu, mas Tu nos parece...
como se estivesses longe. Um pouco já nos tinha ficado essa sensação, quando
falaste com teu Pai, antes de chamar Lázaro, e desde quando o tiraste de lá,
todo amarrado, usando apenas de tua vontade, e o tornaste vivo só com a força
do teu poder. Tudo isso nos dá medo. Eu falo por mim... mas creio que o mesmo
se dê com todos. Agora, enfim... Nós... Aquela partida tão rápida e misteriosa!”
“Será que tendes dois medos? Percebeis
que está chegando o perigo? Não tendes, não sentis a falta de força para enfrentar
e superar as últimas provas? Dizei-o com toda a liberdade. Ainda estamos na
Judéia, mas também estamos perto das estradas baixas para a Galiléia. Cada um
pode ir-se embora, se quiser ir em tempo para não ser odiado pelo Sinédrio.”
Os apóstolos se agitam com essas
palavras. Os que estão estendidos sobre a grama, que os raios do sol fizeram
ficar morna, se assentam. Os que estavam sentados põem-se de pé. E Jesus
continua: “ Porque, a partir de hoje, Eu sou o Perseguido pelo Sinédrio. Ficai
sabendo disso. A estas horas está para ser lido nas quinhentas tantas sinagogas
de Jerusalém, e daquelas cidades que o puderem receber, edital emitido ontem à
hora sexta, onde consta que Eu sou o grande pecador que cada um que souber onde
Eu estou, tem o dever de denunciar-me ao Sinédrio, para que ele me capture...”
Os doze apóstolos gritam, como se já o
estivessem vendo preso. João se agarra ao pescoço de Jesus, gemendo: “Ah! Eu
sempre previa!”, e soluça fortemente. Alguns fazem imprecações contra o
Sinédrio, outros invocam a Justiça divina, outros choram, e outros ficam como
umas estátuas.
“Calai-vos. Escutai. Eu nunca vos
enganei. Eu sempre vos disse a Verdade. Como Eu pude, vos defendi e protegi. A
vossa proximidade de Mim foi-me sempre amável, como a de uns filhos. Também Eu
não escondi de vós a minha última hora. Os meus perigos... a minha Paixão. Mas
aquilo eram coisas minhas, exclusivamente minhas. Agora, são os vossos perigos,
a vossa segurança e a de vossas famílias que hão de ser postos em consideração.
E Eu vos pelo que o façais. Tendes para isso liberdade completa. Não
considerarei essas coisas, pensando no amor que tendes por Mim, nem na escolha
que de vós foi feita por Mim. Fazei de conta que Eu vos dispenso de todas as
obrigações para com Deus e para com o seu Cristo. Fazei de conta que nos
encontramos aqui, agora, pela primeira vez, e que vós, depois de me terdes
ouvido, trocais idéias uns com os outros sobre se convém ou não acompanhar o
Desconhecido, cujas palavras vos haviam comovido. Fazei de conta que Me estais
ouvindo e vendo pela primeira vez, e que Eu vos diga: “Olhai como Eu sou
perseguido e odiado e que quem me segue é perseguido e odiado como Eu, em sua
pessoa, em seus interesses, em seus afetos. Vede bem que a perseguição pode
terminar até com uma morte e com o confisco dos bens da família.” Pensai, e
decidi. Eu vos amarei igualmente, mesmo se me disserdes: “Mestre, eu não posso
ir contigo.” Ficais entristecidos? Não deveis ficar assim. Sejamos bons amigos,
que decidem em paz e com amor o que há de fazer, com uma compaixão recíproca.
Eu não posso deixar-vos ir ao encontro com o futuro, sem fazer-vos refletir
antes. Eu não tenho falta de estima para convosco. Eu vos amo a todos. Mas Eu
sou o Mestre. E o Mestre obviamente conhece os seus discípulos. Eu sou o
Pastor, e o pastor obviamente conhece os seus cordeiros. Eu sei que os meus
discípulos, expostos a uma prova, sem estarem suficientemente preparados para
ela, não somente pela sabedoria que vem do Mestre, e que por isso é boa e
perfeita, mas também pela reflexão, que deve provir deles, poderiam fracassar,
ou, pelo menos, deixar de triunfar, como alguns atletas nos estádios.
Moderarem-se a si mesmos e controlarem-se, é sempre uma sábia medida. Tanto nas
pequenas, como nas grandes coisas. Eu, como Pastor, devo dizer aos meus
cordeiros: “Agora Eu vou entrar em uma terra de lobos e de sanguinários. Tereis
vós coragem de andar pelo meio deles? Eu poderia até dizer-vos já, quem é que
não vai ter coragem de passar pela prova, por mais que Eu vos possa garantir, e
com toda a certeza que nenhum de vós cairá pela mão dos carrascos que irão
sacrificar o Cordeiro de Deus. A minha captura será de tal valor para eles, que
só ela lhes bastará. Por isso, Eu vos digo: “Refleti”.
Há tempo, Eu vos dizia: “Não temais
aqueles que matam”. Eu vos dizia: “Aquele que põe a mão no arado, e se vira
para considerar o passado e o que pode perder ou adquirir, não está apto para a
minha missão.” Mas aquilo eram normas para dar-vos a medida do que era ser
discípulos, eram normas para o futuro, que virá quando Eu não for mais o
Mestre, mas serão mestres os que me forem fiéis. Aquelas normas vos eram dadas
para formar em vós uma alma forte. Mas, mesmo essa fortaleza, que não se pode
negar que vós a devais ter, junto com o nada que vós éreis – Eu falo do vosso
espírito – é ainda muito pouca, em comparação com o tamanho da prova. Oh! Não
fiqueis pensando em vossos corações: “O Mestre está escandalizado conosco!”. Eu
não me escandalizo. Pelo contrário, Eu vos digo que nem mesmo vós deveis, nem
devereis escandalizar-vos com vossa fraqueza. Em todos os tempos futuros, entre
os membros da minha Igreja, tanto os cordeiros como os pastores serão pessoas
inferiores à grandeza de sua missão. Haverá épocas em que os pastores ídolos
serão mais do que os verdadeiros pastores e do que os verdadeiros fiéis. Haverá
épocas de eclipses do espírito de fé no mundo. Mas o eclipse não é a morte de
um astro. Depois a beleza dele reaparece, e parece até mais luminosa. Assim é
que vai ser o meu Ovil. Eu vos digo: “Refleti.” Eu vo-lo digo como Mestre,
Pastor e Amigo. Eu vos deixo em plena liberdade de discutir entre vós. Agora
vou lá para o meio daquela vegetação para rezar. E, um por um, cada um me irá
dizer o seu pensamento. Eu abençoarei a vossa honestidade sincera, seja qual
for. E vos amarei por tudo o que até aqui já me destes.
Adeus.”
(de Jesus á Valtorta, Vol. 8, pgs. 446 a 450)
OBS: A resposta à esta reflexão que Jesus propôs aos Apóstolos, todos nós já sabemos qual foi. Não só prosseguiram ensinando a doutrina de Jesus, mas deram suas vidas por ela. Graças a Deus!
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