A CARIDADE
DO PERDÃO
“A que compararei Eu aqueles que, depois
de terem sido pecadores, se convertem? Eu os compararei a uns doentes, que
ficam sãos. E a que compararei os outros que publicamente não pecaram, ou,
então, raros como pérolas negras, nunca cometeram, nem mesmo ocultamente,
culpas graves? Eu os compararei a pessoas sãs. O mundo é composto dessas duas
categorias. Tanto em seu espírito, como na carne e no sangue. Mas, se iguais
são as comparações, diferente é o modo que o mundo usa com os doentes curados,
que estavam doentes em sua carne, do modo que ele usa para com os pecadores
convertidos, isto é, com os doentes em seu espírito e que voltam a ter saúde.
Nós vemos que quando, por exemplo, um
leproso que é o doente mais perigoso, e o mais isolado por ser perigoso, obtém
a graça da cura depois de ter sido examinado pelo sacerdote e purificado, é
readmitido no convívio das pessoas, até os da sua cidade se congratulam com ele,
porque ficou são, porque ressuscitou para a vida, para a família, para os
negócios. Grande festa se faz na família e na cidade, quando alguém que era
leproso consegue obter graça, e sarar! É uma competição o que se faz os
parentes e os concidadãos para levar-lhe isto ou aquilo, e procuram saber se
ele está só, ou sem casa, ou sem móveis, e lhe oferecem cama ou mobília, e
todos dizem: “Ele é um predileto de Deus. O dedo de Deus o curou. Prestemos-lhe
pois, uma homenagem, honremos Aquele que o curou e recriou.” É justo fazer
assim. Mas quando, desventuradamente alguém tem os primeiros sinais de lepra,
com que amor angustiado os parentes e os amigos o acumulam de ternuras,
enquanto ainda é possível fazê-lo, como que para dar-lhe tudo de uma vez, o
tesouro dos afetos que lhe teriam dado durante muitos anos, para que ele o leve
consigo, para o seu sepulcro de vivo.
Mas, por quê então, não se faz assim com
os outros doentes? Um homem começa a pecar, e seus familiares, e sobretudo os
concidadãos, não o estarão vendo? Por quê então, não procuram com amor,
arrancá-lo do perigo do pecado? Uma mãe, um pai, uma esposa, uma irmã, ainda o
fazem mas é mais difícil que o façam os irmãos, e não digo que o façam os
filhos do irmão do pai ou da mãe. Os concidadãos afinal, só sabem criticar,
escarnecer, xingar, ficar escandalizados, exagerar os pecados do pecador,
mostrá-lo com o dedo, conservá-lo afastado como um leproso aqueles que são mais
justos, ou, então tornaram-se seus cúmplices, para gozarem ás costas dele
aqueles que não são justos. Mas não há, a não ser raramente nem uma boca, e
muito menos um coração, que vá ao infeliz com piedade e firmeza, com paciência
e amor sobrenatural, e se empenhe em frear a queda dele no pecado. E como? Por
acaso não é mais grave, verdadeiramente grave e mortal, a doença do espírito?
Não nos priva ela, e para sempre do Reino de Deus? A primeira das caridades
para com Deus e para com o próximo não deve ser este trabalho de curar um
pecador para o bem de sua alma e para a glória de Deus?
E quando um pecador se converte, para que
aquela obstinação de julgá-lo, aquele quase amargurar-se por ter ele voltado à
saúde espiritual? Será porque vedes desmentidos os vossos prognósticos certos
da condenação de um vosso concidadão? Mas vós deveríeis sentir-se felizes com
isso, porque Quem vos está desmentindo é o Deus misericordioso, que vos dá a
medida de sua bondade, para dar-vos coragem em vossas culpas mais ou menos
graves. E, por quê ficar persistindo em querer ver que está sujo, desprezível,
digno de ficar num isolamento aquilo que Deus e a boa vontade de um coração fazem
puro, admirável, digno da estima dos irmãos, antes, de sua admiração? Bem que
vos rejubilais se um boi vosso, um asno ou camelo, ou uma ovelha da grei, ou o
pombo preferido se curam de uma doença! Bem que vos alegrais, se um estranho,
de cujo nome mal vos lembrais, porque o ouvistes falar no tempo em que ele
ficou isolado como leproso, mas tendo saído do isolamento curado. E, por que,
então, não vos alegrais com essas curas do espírito, com essas vitórias de
Deus? O Céu se alegra, quando um pecador se converte. O Céu: Deus, os anjos
puríssimos, aqueles que não sabem o que é pecar. E vós, vós homens, quereis ser
mais intransigentes do que Deus?
Tornai, tornai justo o vosso coração, e
reconhecei o Senhor, não somente como estando presente por entre as nuvens de
incenso e os cânticos do Templo, no lugar onde somente a Santidade do Senhor,
no Sumo Sacerdote, é que deve entrar, e deveria ser santo, como o seu nome o
indica. Mas também no prodígio desses espíritos ressuscitados, desses altares
reconsagrados, sobre os quais o amor de Deus desce, com os seus fogos, para
acender o fogo do sacrifício.
...E, se de um pecador que, há tempo, vos
fez ver um espetáculo escandaloso, recebeis agora espetáculos edificantes, não
queirais zombar dele, mas imitá-lo, porque nunca ninguém foi tão perfeito, que
fosse impossível a um outro poder ensiná-lo. E o Bem é sempre uma lição que se
acolhe, mesmo quando aquele que está praticando, em tempos passados era objeto
de reprovação. Imitai e ajudai. Porque assim fazendo dais glória ao Senhor, e
demonstrareis que entendestes o seu Verbo. Não queirais ser como aqueles que em
vossos corações, vós criticais, porque as ações deles não correspondem ás suas
palavras. Mas fazei que toda vossa boa ação seja o coroamento de toda boa
palavra. E, então, verdadeiramente sereis olhados e ouvidos benevolamente pelo
Eterno.”
( de Jesus à Valtorta, Vol 8, pgs. 181 a
183)

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