“NO TERCEIRO DIA, UMA LUZ VINDA DOS CONFINS DO UNIVERSO, COMO UM METEORO, VAI DIRETO ATÉ O SEPULCRO, QUANDO UM ESTRONDO SACODE A TERRA, AFASTANDO A ENORME PEDRA QUE O SELAVA, E OS GUARDAS ROMANOS FICAM ATORDOADOS. A LUZ ENTÃO ENTRA NO CORPO INERTE DE JESUS, QUE EM SEGUIDA LEVANTA, TRANSPASSANDO OS PANOS DA MORTALHA COM SEU CORPO IMATERIAL FULGURANTE. RESSUSCITANDO DOS MORTOS COM UMA MATÉRIA INCORPÓREA DE INTENSA LUZ, CONHECIDA APENAS POR DEUS, DE UMA BELEZA INDESCRITÍVEL.”

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O PREDILETO


O PREDILETO, O PERFEITAMENTE FIEL

Diz Jesus:
Eis que os retos de coração foi dada esta página do Evangelho, desconhecida, mas muito, muito instrutiva. João, ao escrever depois de muitos lustros o seu Evangelho, faz uma breve alusão a esse fato. Obediente ao desejo do seu Mestre, do qual ele põe em evidência, mais do que os outros evangelistas, a natureza divina, revela aos homens um ponto particular e ignorado, e o revela com aquele seu recato virginal, que adornava todas as suas ações e palavras, e com um pudor humilde e penitente.
João, o meu confidente nos fatos mais graves de minha vida, nunca quis ficar se gloriando desses meus favores. Antes, pelo contrário, lede bem, parece que ele sofre, quando precisa revelá-los, e chega a dizer: “Devo dizer isto, porque é uma verdade que exalta o meu Senhor, mas eu vos peço perdão por dever mostrar-me como o único a saber dela”, e, com palavras bem concisas vai fazendo alusão a uma verdade da qual só ele foi feito conhecedor.
Lede o primeiro capítulo do seu Evangelho, onde ele narra o seu encontro comigo: “João Batista estava novamente com dois de seus discípulos... Os dois discípulos, tendo ouvido estas palavras... André, irmão de Simão Pedro, era um dos que tinham ouvido as palavras de João, e haviam acompanhado a Jesus. O primeiro com quem André se encontrou... Ele não diz o seu próprio nome, pelo contrário, ele se esconde atrás de André, cujo nome ele faz aparecer.
Em Caná ele estava comigo, e diz: “Jesus estava com os seus discípulos que creram nele.” Eram os outros que tinham necessidade de crer. Ele já cria. Mas ele se ajunta aos outros como uma criatura necessitada de ver milagres para crer.
Testemunha da primeira expulsão dos mercadores do Templo, durante o colóquio com Nicodemos, no episódio da Samaritana, ele nunca diz: “Eu estava lá”, mas conserva a linha de conduta que ele escolheu em Caná, e diz: “os seus discípulos”, mesmo quando ele estava sozinho, ou ele e algum outro, E assim continua, não dizendo nunca o seu nome, pondo sempre na frente os companheiros, como se ele não tivesse sido o mais fiel, o sempre fiel, o perfeitamente fiel. Lembrai-vos da delicadeza com que ele faz alusão ao episódio da Ceia, do qual se conclui que ele era o predileto, reconhecido como tal até pelos outros, que a ele recorrem, quando querem saber os segredos do Mestre: “Começaram, então, os discípulos a olhar uns para os outros, não sabendo a quem o Mestre se referia. Estava um deles, o predileto de Jesus, pousando a cabeça sobre o peito dele. E a ele Simão Pedro fez um sinal perguntando: “De quem é que Ele está falando?” E ele, encostado como estava sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: “Mas, quem é, Senhor?”
Ele nem mesmo põe o seu nome como tendo sido chamado no Getsêmani, junto com Pedro e Tiago. Também ele não diz: “ Eu acompanhei o Senhor”, mas diz: “Acompanhou-o Simão Pedro e um outro discípulo, e esse outro discípulo sendo conhecido do Pontífice, entrou com Jesus no átrio do Pontífice”. Sem João, Eu não teria tido o conforto de vê-lo, junto com Pedro nas primeiras horas da captura. Mas João não se gaba disso. Sendo um dos personagens principais nas horas da Paixão, o único apóstolo que esteve sempre presente, amorosamente, piedosamente, heroicamente presente, perto do Cristo, perto de sua Mãe, enfrentando uma Jerusalém desenfreada, omite o seu nome até no episódio tão relevante da Crucifixão e das palavras do moribundo: “Mulher, eis aí o teu filho.” “Eis aí a tua Mãe. E o “discípulo”, o sem nome, sem outro nome senão aquele que é a sua glória, depois de ter a sua vocação: discípulo.”
Tendo-se tornado o “filho” da Mãe de Deus, nem mesmo depois de receber essa honra, ele se exalta, e na Ressurreição ainda diz: “Pedro e o outro discípulo(ao qual Maria de Lázaro havia falado do sepulcro vazio) saíram e foram andando... iam correndo... mas aquele outro discípulo correu mais do que Pedro, chegou antes, inclinou-se e viu... mas não entrou..., e esta passagem está cheia de uma suave humildade! Pois ele deixa, ele, o fiel, que Pedro, o chefe, embora pecador por covardia, entre em primeiro lugar. Ele não o julga. Pois é o seu Pontífice. Mas o socorre com a sua santidade, porque também os “chefes” sentem necessidade dos seus súditos, e de serem socorridos. Quantos súditos existem melhores do que os seus “chefes”, os chefes que não sabem suportar, ou nos quais a fumaça da honra produz cegueira e embriaguez. Sede, ó súditos santos, sede os cireneus dos vossos Superiores, sede, e sê tu, ó meu pequeno João, porque a ti Eu falo para todos os Joãos, que guiam os Pedros, que não sabem compreender e crer, e chegam a mostrar-se e a fazer crer que são uns obtusos e incrédulos, eles também, como os “Pedros.”
Lede o episódio sobre o lago de Tiberíades. É ainda João que, repetindo um ato feito outras vezes, reconhece o Senhor no Homem que está de pé sobre a margem e, depois de ter partido o pão junto com os outros, a pergunta de Pedro: “E a este que é que acontecerá, é sempre o discípulo”, e nada mais.
Em tudo o que se refere a ele, ele se anula. Mas, quando é preciso dizer alguma coisa, que faça resplandecer, com uma luz cada vez mais divina o Verbo de Deus Encarnado, eis que João levanta os véus, e revela um segredo.
No sexto capítulo do Evangelho ele diz: “Tendo percebido que queriam arrebatá-lo para o fazerem rei, fugiu de novo sozinho para o monte. E tornou-se conhecida para os que tinham fé, esta hora do Cristo, para que os que têm fé saibam como multíplices e complexas foram as tentações e as lutas contra o Cristo, nas suas diversas características de Homem, de Mestre, de Messias, de Redentor, de Rei, e que os homens e Satanás, o eterno instigador dos homens, não pouparam nenhuma cilada ao Cristo, para diminuí-lo, abatê-lo, destruí-lo. Contra o Homem, o Eterno Sacerdote, o Mestre, o Senhor, moveram-se em assalto as malícias satânicas e humanas mascaradas com os preceitos que podiam ser mais aceitáveis como bons, e assim as paixões dos cidadãos, dos patriotas, do filho, do homem, tudo foi instigado ou tentado para descobrirem algum ponto fraco, por baixo do qual introduzissem a alavanca.
Oh! Filhos meus, que não refletis senão na tentação inicial e na última tentação, e que das minhas fadigas só foram as extremas, e que amargas e decepcionantes só o foram as últimas experiências, tomai por uma hora o meu lugar, fazei de conta que sois vós aqueles aos quais vem a projetada paz com os compatriotas, a ajuda deles, a possibilidade de completar as purificações necessárias para tornar santo o Pais amado, a possibilidade de restaurar, reunir os membros espalhados de Israel e de pôr um fim a dor, a escravidão política e ao sacrilégio. E Eu não digo: tomai o meu lugar, pensando que vos está sendo oferecida uma coroa. Eu só vos digo que tenhais o meu Coração de Homem, por uma hora e digais: “é uma proposta sedutora”. Como tereis vós ficado? Triunfadores, fiéis à divina ideia, ou, antes, uns vencidos? Nem teríeis ficado santos e espirituais, ou teríeis destruído a vós mesmos, aderindo à tentação, ou cedendo às ameaças? E, com que coração teríeis depois de haverdes verificado até que ponto Satanás arremessava suas armas, para ferir-me em minha missão e em meus afetos, desviando-me para um caminho errado e também aos discípulos bons, e pondo-me em luta aberta com os inimigos, agora desmascarados, e tornados ferozes, por terem sido descobertos em suas tramas.
Não fiqueis com o compasso e a régua na mão, com o microscópio e a ciência humana, não fiqueis com argumentações pedantes de escribas, a medir, a confrontar, a discutir se João falou bem, a até onde é verdade isto ou aquilo. Não apliqueis a frase de João ao episódio acontecido ontem, a fim de poderdes ver se os contornos das coisas se ajustam. João não errou por uma fraqueza de velho, como não errou o pequeno João por sua fraqueza de enferma. Este disse o que viu o grande João, muitos lustros depois do fato, narrou o que sabia, e, com uma fina concatenação dos lugares e dos fatos, revelou o segredo, conhecido só por ele, da tentada, e não sem malícia coroação do Cristo.
Em Tariquéia, depois da primeira multiplicação dos pães, surge no meio do povo a ideia de fazer do Rabi de Nazaré o Rei de Israel. Estão presentes Manaém, o escriba e muitos outros que, imperfeitos ainda no espírito, mas honestos no coração, acolhem a ideia, e dela se fazem fautores, para prestar honra ao Mestre e pôr um fim à luta injusta contra Ele, por um erro de interpretação das Escrituras, erro difundido por todo Israel, encegueirado por sonhos de uma realeza humana e pela esperança de santificar a Pátria contaminada por muitas coisas.

E muitos, como é natural, aderem simplesmente a esta ideia. Mas muitos outros fingem, traiçoeiramente que aderem a ela, para me prejudicarem. Unidos estes últimos pelo ódio contra Mim, esquecem-se dos seus ódios de casta, que sempre os obrigou a ficar separados e se aliam para tentar-me, a fim de depois poderem dar uma aparência legal ao delito, que já estava decidido em seus corações. Eles estão esperando por alguma minha fraqueza, por algum ato meu de orgulho. Estes, o orgulho e a fraqueza e a minha aceitação da coroa a Mim oferecida, teriam servido como uma justificação para as acusações que queriam lançar contra Mim. E depois... Depois procurariam dar paz ao seu espírito traiçoeiro e castigado pelos remorsos, porque teriam dito uns aos outros, esperando que se pudesse crer: “Foi Roma e não nós, quem puniu o agitador Nazareno.” A eliminação legal do seu inimigo, pois assim era considerado por eles o Salvador deles... Eis as razões da proclamação que tentaram fazer. Eis a chave que abriu caminho para os mais fortes e sucessivos ódios. Eis, enfim, a alta lição do Cristo. Vós a compreendeis? É uma lição de humildade, de justiça, de obediência, de fortaleza, de prudência, de fidelidade, de perdão, de paciência, de vigilância, de tolerância para com Deus, para com sua própria missão, para com os amigos, para com os decepcionados, para com os inimigos, para com Satanás, para com os homens, seus instrumentos de tentação, para com as coisas, para com as idéias... Tudo deve ser contemplado, aceito, respeitado, amado, ou não, olhando-se para o fim santo do homem: O Céu, a vontade de Deus.
Pequeno João. Esta foi uma das horas de Satanás para Mim. Como as teve o Cristo, assim as têm os pequenos cristos. É preciso sofrê-las e superá-las sem soberbas e sem desconfianças. Elas não são sem uma finalidade boa. Mas não temas. Deus durante essas horas, não abandona, mas ajuda a quem é fiel. E depois desce o Amor para transformar os fieis em reis. E, mais ainda, tendo terminado o tempo desta Terra, sobem os fiéis para o Reino em paz para sempre...
A minha paz, pequeno João, coroado de espinhos.
A minha paz.”


(de Jesus à Valtorta, Vol. 7, pgs. 257 a 261)

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