QUEM SOUBER PERSEVERAR NA MINHA DOUTRINA
VIVERÁ PARA SEMPRE NO REINO DE DEUS
Jesus
faz sinal de que vai falar, e todos guardam silêncio.
“Está
escrito: “Tu te moveste para salvar o teu povo, para salvá-lo com o teu Cristo.”
Está escrito: “Eu me alegrarei no Senhor, e exultarei em Deus meu Jesus.”
O
povo de Israel tomou para si esta palavra, e deu a ela um significado nacional,
pessoal, egoísta, que não corresponde à verdade sobre a pessoa do Messias. Deu
um significado limitado, que avilta a grandeza da ideia messiânica,
rebaixando-a a ideia de uma manifestação comum de poder humano e de violência
contra os dominadores encontrados em Israel por Cristo.
Mas
a verdade é diferente. É grande, ilimitada, vem do Deus verdadeiro, do Criador
e Senhor do céu e da terra, do Criador da humanidade, daquele que, como
multiplicou os astros no firmamento e cobriu de árvores de todas as espécies a
terra, e a povoou de animais, colocando peixes nas águas e pássaros no céu,
assim multiplicou os filhos do homem por Ele criado para que fosse o rei da
criação e sua criatura predileta. Agora, como poderia o Senhor, Pai de todo
gênero humano ser injusto com os seus filhos, para os filhos dos filhos
nascidos do Homem e da Mulher por Ele formados com a matéria, a terra, e com a
alma, o seu hálito divino? E como tratar a estes de modo diferente daqueles,
como se eles não viessem da mesma fonte, como se não viessem dele, mas de algum
outro ser sobrenatural, e seu antagonista, é como se tivessem sido criados de
outros ramos, e portanto fossem uns estrangeiros, uns bastardos, uns
desprezíveis?
O
verdadeiro Deus não é um pobre deus deste ou daquele povo, um ídolo, uma figura
irreal. É a sublime realidade, a realidade universal, e o Ser Único, Supremo,
Criador de todas as coisas e de todos os homens... É, portanto, o Deus de todos
os homens. Ele ama, ainda que eles, por não o conhecerem, não o amam ou, se o
conhecem mal e o amam mal, ou conhecendo-o, não o sabem amar. A paternidade não
deixa de existir, quando um filho é ignorante, é estulto ou malvado. O Pai
procura instruir o filho, porque instruí-lo é amor. O Pai se sacrifica para
tornar menos estulto o filho deficiente. O Pai, com lágrimas, com
condescendências, com castigos salutares, com perdões misericordiosos, procura
corrigir o filho mau, e torná-lo bom. Este, o pai-homem. O Pai-Deus ama a todos
os homens e quer que eles se salvem. Ele, que é Rei de um Reino infinito, Rei
eterno, olha para o seu povo, formado por todos os povos espalhados pela face da
Terra, e diz: “Aí está o povo de minhas criaturas, o povo que vai ser salvo com
o meu Cristo. Eis o povo para o qual foi criado o Reino dos Céus. E eis que
chegou a hora de salvá-lo com o Salvador.”
Quem
é o Cristo? Quem é o Salvador? Quem é o Messias? Muitos são os gregos aqui
presentes, muitos também os não gregos, e que sabem o que quer dizer a palavra
Cristo. Cristo, pois, quer dizer o consagrado, o que foi ungido com óleo para
cumprir a sua missão. Consagrado a quê? Talvez a pequena glória de um trono?
Talvez à glória maior de um sacerdócio? Não. Consagrado para reunir sob um
único cetro, em um só povo, sob uma única doutrina, a todos os homens para que
sejam irmãos entre si e filhos de um único Pai, e que seguem a Lei Dele, para
terem parte no seu Reino.
Rei,
em nome do Pai, que no-lo enviou, o Cristo reina como convém a sua natureza,
isto é, divinamente, porque é de Deus. Deus pôs tudo como escabelo dos pés de
seu Cristo, mas não para que Ele oprima e sim para que salve. De fato, o seu
nome é Jesus, que em língua hebraica quer dizer Salvador. Quando o Salvador
salvar das insídias e da ferida mais violenta, um monte estará sob os seus pés
e uma multidão de todas as raças cobrirá o monte, para simbolizar que Ele reina
e se eleva sobre toda a Terra e sobre todos os povos. Mas o Rei estará nu, sem
outra riqueza, a não ser o seu sacrifício, para simbolizar que Ele não se
inclina senão para as coisas do espírito e que as coisas do espírito se
conquistam e se redimem com os valores do espírito e a heroicidade do
sacrifício não com a violência e o ouro. Assim será para dar a resposta àqueles
que temem, como aqueles que o odeiam sem outra razão, a não ser o tremor que
sentem de serem despojados daquilo que por eles é querido, a resposta é que Ele
é um Rei espiritual, somente isso, mandado para ensinar aos espíritos a
conquistar o Reino, o único Reino que Eu vim fundar.
Eu
não vos dou novas leis. Para os israelitas Eu confirmo a Lei do Sinai. Aos
gentios, Eu digo: a lei para possuir o Reino nada mais é do que a lei da
virtude que toda criatura de moral elevada a si mesma se impõe? E quer pela fé
no verdadeiro Deus, se transforma de lei moral e de virtude em lei de moral
sobre-humana.
Ó
gentios! Vós gostais de proclamar deuses os grandes homens de vossas nações e os
colocais nas fileiras dos numerosos e irreais deuses com que povoais o Olimpo
que criastes para vós, a fim de terdes alguma coisa em que crerdes, por que a
religião, uma religião é necessária AL homem, assim como é necessária uma fé,
sendo a fé o estado permanente do homem, e a incredulidade uma anomalia
acidental. E nem sempre esses homens elevados à divindade valem, nem mesmo como
simples homens, sendo grandes as vezes, por sua força bruta, outras vezes por
sua astúcia poderosa, outras ainda, pelo poder que de algum modo adquiriram. E
assim sendo, eles levam consigo como dotes de super-homens, as misérias que o
homem sábio valoriza por aquilo que elas valem: podridão de paixões
desenfreadas.
Que
Eu esteja dizendo a verdade, mostra o fato de que no vosso Olimpo quimérico,
vós não soubestes colocar nem um só daqueles grandes espíritos que souberam
intuir o Ser supremo, e foram agentes intermediários entre o homem animal e a
Divindade, que eles instintivamente perceberam, com seu espírito meditativo e
virtuoso. Do espírito do filósofo que raciocina, do verdadeiramente grande
filósofo para o do verdadeiro crente, que adora o verdadeiro Deus, o passo é
curto, enquanto que do espírito do crente para o eu do astuto, do prepotente ou
do materialmente herói, há um abismo. Contudo, não foram colocados por vós
aqueles que pela virtude de sua vida se elevaram tanto acima da massa humana
até se aproximarem dos reinos do espírito, mas o foram aqueles que vós temestes
como patrões cruéis, ou que quisestes adular por servilismo de escravos, ou
então admirastes como modelos vivos daqueles libertadores de instintos animais,
que aos vossos apetites anormais parecem um escopo e uma meta de vida. E tendes
invejado àqueles que foram escritos na lista dos deuses, desprezando aqueles
que mais se aproximaram da divindade pela prática e a doutrina ensinadas e
vividas em uma vida virtuosa.
Agora,
em verdade, Eu vou dar-vos o modo de tornar-vos deuses. Aquele que fizer o que
Eu digo e crer no que ensino, esse subirá para o verdadeiro Olimpo, e será
deus, deus filho de Deus, em um Céu onde não existe corrupção nenhuma, e onde o
Amor é a única Lei. Em um Céu onde nos amamos espiritualmente, sem obtusidade e
sem as insídias dos sentidos, que poderiam fazer os habitantes de lá inimigos
uns dos outros, como acontece nas vossas religiões. Eu não venho pedir atos
rumorosamente heróicos. Venho para dizer-vos: Vivei como criaturas dotadas de
alma e razão, e não como animais. Vivei de modo que mereçais viver, viver
realmente com a parte imortal de vós, no Reino daquele que vos criou.
Eu
sou a vida. Venho para ensinar-vos o caminho para irdes para a vida. Venho dar
a vida por vós todos, e a dá-la, para dar-vos a ressurreição da vossa morte, do
vosso sepulcro de pecado e idolatria.
Eu
sou a Misericórdia. Venho chamar-vos, reunir-vos todos.
Eu
sou o Cristo Salvador. O meu Reino não é deste mundo. Contudo a quem crer em
Mim e na minha palavra, nasce-lhe no coração um reino que está preparado desde
o princípio do mundo, e é o Reino de Deus, o Reino de Deus em vós.
De
Mim foi escrito que Eu sou Aquele que estabelecerá a justiça entre as nações. É
verdade, porque se os cidadãos de cada nação fizessem o que Eu ensino, os ódios,
as guerras, as violências teriam fim.
Está
escrito de Mim que Eu não levantarei a voz para maldizer aos pecadores, nem a
mão para destruir os que são como umas canas fendidas, ou umas torcidas que já
estão soltando fumaça, por sua maneira indecorosa de viver. É verdade. Eu sou o
Salvador, e venho para robustecer aos que estão feridos, para dar o combustível
àqueles cuja lâmpada estiver fumacenta, Poe falta do que é necessário.
Foi
dito de Mim que Eu sou Aquele que abre os olhos aos cegos e tira do cárcere os
prisioneiros, levando à luz aos que estavam nas trevas do cárcere. É verdade.
Os cegos mais cegos são aqueles que nem com a vista da alma vêem a Luz, isto é,
o verdadeiro Deus. Eu venho como Luz do mundo, para que vejam, os prisioneiros
mais prisioneiros são aqueles que têm por correntes as suas paixões más.
Qualquer outra corrente se torna inútil, se o prisioneiro morrer. Mas as
correntes dos vícios duram e acorrentam até além da morte da carne. Eu venho
para despedaçá-las. Eu venho para tirar das trevas do cárcere subterrâneo a
ignorância para com Deus, todos aqueles que o paganismo sufoca sob acumulação
de suas idolatrias.
Vinde
a Luz e à Salvação. Vinde a Mim, porque o meu Reino é verdadeiro e a minha Lei
é boa. Não se vos pede senão que ameis o único Deus e ao vosso próximo e por
isso, que repudieis os ídolos e as paixões que vos endurecem os corações
áridos, sensuais, ladrões e homicidas. O
mundo diz: “Oprimamos o pobre, o fraco, o que está só. Que seja a força o nosso
direito, a dureza o nosso hábito, a intransigência, o ódio, a ferocidade as
nossas armas. O justo como não reage, seja conculcado, e oprimidos sejam a
viúva e o órfão, que têm uma voz fraca.
Eu
digo: “ Sede doces e mansos, perdoai aos inimigos, socorrei aos fracos, sede
justos no vender e no adquirir e até no direito sede magnânimos, não
aproveitando-vos do vosso poder para oprimir os outros. Sede moderados em todas
as vossas tendências, pois a temperança é prova de força moral, enquanto que a
concupiscência é prova de fraqueza. Sede homens, e não animais, e não temais
que estejais decaídos demais, a ponto de não poderdes levantar-vos de novo.”
Em
verdade Eu vos digo que assim como a lama pode virar água pura, evaporada pelo
sol, purificando-se ao deixar-se esquentar, e elevar-se ao céu para tornar a
cair em forma de chuva ou de orvalho, livre de impurezas e sadia, com a
condição de que saiba deixar-se golpear pelo sol, assim também os espíritos que
se aproximarem da grande Luz que é Deus, e gritarem a Ele> “Eu pequei, sou
uma lama, mas desejo a Ti, que és Luz”, tornar-se-ão espíritos que sobem
purificados para o seu Criador. Tirai da morte o horror que ela causa, fazendo
de vossa vida uma moeda para adquirir a Vida. Despojai-vos do passado como de
uma veste suja, e revesti-vos de virtude. Eu sou a Palavra de Deus e em seu
Nome vos digo que quem tiver fé nele e boa vontade, quem tiver arrependimento
do passado e um propósito reto para o futuro, seja ele hebreu ou gentio, tornar-se-á
filho de Deus e possuidor do Reino dos Céus.
Eu
vos disse no princípio: “Quem é o Messias?” E agora Eu vos digo: “Sou Eu, que
vos estou falando, e o meu Reino está em vossos corações, se o acolherdes, e
depois estará no Céu, que Eu abrirei para vós, se souberdes perseverar na minha
Doutrina. Isto é o Messias, e nada mais. Rei de um Reino espiritual, do qual
com o seu sacrifício abrirá as portas para todos os homens de boa vontade.”
(de
Jesus à Valtorta, Vol 7, pg. 232 a 236)

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