VENCER AS TENTAÇÕES, PARA SE OBTER OS MÉRITOS QUE NOS LEVA AO REINO DE DEUS
A PARÁBOLA DAS LEPRAS
NAS CASAS(O espírito
é forte, mas a carne é fraca)
25 de Janeiro de 1946.
No caminho de volta para a casa de Joana, enquanto estão um
pouco isolados, indo pelo meio das pessoas que se aglomeravam nas estradas, e
se separam um do outro os que vão acompanhando a Jesus. Pedro, que vai ao lado
do Mestre e com os dois filhos de Alfeu, pergunta: “Eis aí, Senhor. Agora que
podemos falar um pouco entre nós, dize-me uma coisa em que desde ontem à tarde
estou pensando.”
“Sim, Simão. Dize-me, que Eu responderei.”
“Desde ontem à tarde, eu estou pensando na grande graça que
Tu concedeste a João, em Antigônio. Mas, sabes Tu que ela é bem grande? É uma
coisa extraordinária. E concedida somente a ele! E, no entanto, também Síntique
a merece muito... Pois, afinal, há tantas pessoas boas que mereceriam ver-te...
e que não Te vêem a não ser quando já estão perto de Ti. Nós, por exemplo, como
seríamos consolados quando nos tiveres mandado pelo mundo? E por vezes chegamos
a certos momentos em que a Tua palavra nos teria tirado da incerteza. Mas Tu a
nós não vens nunca... Por que essa diferença?”
“Concluindo, tu, meu Simão és um pouco ciumento?”
“Naaão! Mas... em resumo, eu quereria saber três coisas:
Porque a João de Endor. Se é só a ele. E se não é possível que um dia isso
aconteça também conosco, comigo por exemplo, podendo eu ver-te milagrosamente e
saber de Ti como é que devo proceder.”
“E Eu vou te responder. A João, porque um espírito muito cheio
de boa vontade, apesar de suas desventuras passadas. Ele tem suas fraquezas,
mais as físicas do que outras, e elas poderiam arruinar o edifício que ele
construiu de sua elevação a Deus. Vê, meu amigo? O passado que ficou durante
muito tempo sobre nós, como uma crosta penetrada até às suas profundezas,
gravou nele sinais indeléveis, não só isso, como deixa tendências indeléveis em
cada homem. Olha por exemplo aquele casebre construído ao pé do morro. As águas
do solo e as que escorrem do muro durante as chuvas, pouco a pouco foram
penetrando nele. Agora o sol está quente, e durante meses assim estará. Mas o
mofo que penetrou na cal estará sempre presente, parecendo-se com as manchas da
lepra. E a casa é, então abandonada, porque é declarada leprosa. Em outros
tempos menos zombeteiros do que estes, a casa teria sido demolida
completamente, segundo a Lei. Por que aconteceu uma coisa assim aquela casa?
Porque os proprietários dela não tiveram cuidado de abrir valetas ao redor
dela, para não deixarem que se empoçasse a água ao pé das paredes, desviando,
para longe do lado que a casa se apóia no monte, as águas que dele descem. Mas
agora a casa, não só está feia, mas solapada pela umidade. Se alguém, cheio de
boa vontade, pensasse em todos aqueles trabalhos, e depois a limpasse, raspando
as paredes, substituindo os tijolos mofados por outros novos, ela poderia ser
ainda usada. Mas ela apresentaria sempre certas fraquezas, e, no caso de haver
um terremoto, seria a primeira a desmoronar. João foi penetrado, durante anos
pelos venenos do mal do mundo. Ele procurou, com sua vontade, cerceá-los de sua
alma, que havia voltado à vida. Mas na base escondida na carne, em sua parte
inferior, haviam ficado algumas fraquezas. O espírito é forte, mas a carne é
fraca, e ela também desencadeia suas tempestades quando aos seus estímulos se
unem aos elementos do mundo, capazes de comover o eu: João. Tentar remover
partículas do passado, foi o que causou tudo o que lhe aconteceu! Eu ajudo a
resistência dele, sua depuração, a vitória sobre o passado, que sempre quer
reerguer-se, dou-lhe consolo em seu grande sofrimento, como posso. Pois ele o
merece. E porque é justo ajudar a uma vontade santa, contra a qual se lançou de
assalto toda a maldade do mundo. Estás persuadido?”
“Sim, Mestre. E... é só a ele que te mostras?”
Jesus sorri, olhando para Pedro, que está olhando para Ele,
de baixo para cima, e parecendo um menino, que olha para o rosto do pai.
“Não é só a ele. Também a outros que estão longe, tentando
construir a sua santidade, com muita dificuldade, fazendo isso sozinhos.”...
(De Jesus à Valtorta, Vol. 6, pgs. 56, 57)

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