A COMUNHÃO DOS SANTOS
A sempre angustiada mãe de Judas pergunta: “E se uma não
consegue ainda o que queria? Qual vai ser a sua sorte?”
“Vai ser a sorte que a sua alma boa merece.”
“O Céu? Mas, ó Senhor, uma esposa, uma irmã ou uma mãe que...
que não conseguisse salvar aqueles que ela ama e os visse ser condenados,
poderia ter o Paraíso, estando no Paraíso? Não achas Tu que ela não terá nunca
mais alegria, porque... a carne de sua carne e o sangue do seu sangue terão
merecido condenação eterna? Eu penso que ela não poderá gozar, vendo quem ela
amou sofrer penas atrozes...”
“Estás errada, Maria. A vista de Deus, a posse de Deus são
fontes de uma felicidade tão sem limites, que não é possível haver pena para os
bem-aventurados. Sempre agindo com atenção, na obra de ajudarem ainda aos que
podem ser salvos, eles não sofrem mais por causa dos que forem afastados de
Deus e, portanto, afastados também deles, que já estão em Deus. A Comunhão dos
Santos é para os Santos.”
“Mas, se ajudam aos que ainda podem ser salvos, isto é sinal
de que estes que estão sendo ajudados ainda não são santos”, objeta Pedro.
“Mas eles têm vontade de serem. Os santos de Deus ajudam até
nas necessidades materiais, a fim de fazerem passar os seus ajudados de uma
vontade passiva a uma ativa. Tu me compreendes?”
“Sim e não. Eis aqui um exemplo: se eu estivesse no Céu, e
visse, suponhamos, um movimento fugaz de bondade em... Eli, o fariseu, por
exemplo, que eu faria?”
“Usarias de todos os meios para aumentar os seus movimentos
bons.”
“E, se não desse resultado? Que faria depois?”
“Depois quando ele fosse condenado, tu não te interessarias
mais por ele.”
“E se, como ele está agora, ele estivesse completamente digno
de condenação, mas fosse querido por mim, --- uma coisa que não acontecerá
nunca, --- o que Eu deveria fazer?”
“Antes de tudo, fica sabendo que há perigo de te condenares
tu, uma vez que disseste que não o tens, nem o terás como querido. Depois, fica
sabendo que, se estivesses no Céu unido intimamente com a Caridade, rezarias
pela sua salvação até o momento do seu julgamento. Pois haverá espíritos que
serão salvos até no último momento depois de uma vida inteira de orações feitas
por eles.”
( De Jesus à Valtorta, Vol. 6, pgs. 118, 119)
OBS: Como pudemos observar neste pequeno trecho,
onde o Mestre Jesus explica a mãe de Judas Iscariotes, que no Céu, ela não vai
chorar a ausência de seu filho condenado, pois estará em comunhão com Deus,
numa felicidade tão grande, que será incapaz de sentir tal ausência.
A mãe de Judas Iscariotes fez esta pergunta,
porque sabia que seu filho não era nenhum santo, e sim cheio de defeitos, os
quais ela sempre que podia, tentava preveni-lo, aconselhando-o à se endireitar.
A Comunhão dos Santos, é o desejo daqueles
que já estão no seio de Deus, em ajudar com orações, todos aqueles que na terra
tenham ou poderão ter no futuro, uma boa vontade de serem bons, e também aos de má vontade. Esta onda de
amor que do Céu desce para cativar as almas, e ajudá-las a encontrar o
Verdadeiro Caminho da Verdade e da Vida, tem a capacidade de mudar o destino delas,
a não ser que, de livre e espontânea vontade não queiram, mesmo diante destas
flechadas de amor. Como já sabemos, o querer do homem, o livre arbítrio, está
acima das influências do Bem e do Mal.
Não só a dor da perda de um filho será
suplantada no Céu pelo Amor imensurável de Deus, mas também todo defeito físico
ou mental, cor, raça, que a pessoa possuía nesta vida. No Céu não existem tetraplégicos,
doentes mentais, cegos, mudos, atrofiados, ou qualquer outra deformidade. No
momento em que o espírito deixa o corpo e se eleva diante de Jesus para ter seu
julgamento, sendo absolvido, ou levado a purificar-se no Purgatório, ficará na
espera da sentença do julgamento final, do último dia, onde todos os corpos
serão reconstituídos e, estando à direita, terão a felicidade de sentir seus
corpos completamente perfeitos, ainda mais do que antes. E mesmo para aqueles
que foram deficientes durante toda uma vida, não se lembrarão disso quando
estiverem em Comunhão com Deus no Céu.
Acredito que não seja necessário dizer,
o que acontecerá com os corpos dos condenados que estiverem a esquerda.
É simplesmente inimaginável o que acontecerá
com nossos espíritos quando estiverem com Deus no lugar mais lindo do universo:
o Paraíso. Como o próprio Jesus em outras passagens ditas à Valtorta, já nos
esclareceu que, a nossa imaginação de homem-carne é incapaz de atingir a
definição do que nos espera, porque tudo lá é espiritual e numa intensidade inatingível
pela nossa imaginação.
Fiquemos portanto na esperança de sermos
escolhidos, para gozarmos destas bem-aventuranças inimagináveis descritas por
Jesus. Na paz, com Deus.
A paz de Jesus.
Antonio C. Calciolari.

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