“NO TERCEIRO DIA, UMA LUZ VINDA DOS CONFINS DO UNIVERSO, COMO UM METEORO, VAI DIRETO ATÉ O SEPULCRO, QUANDO UM ESTRONDO SACODE A TERRA, AFASTANDO A ENORME PEDRA QUE O SELAVA, E OS GUARDAS ROMANOS FICAM ATORDOADOS. A LUZ ENTÃO ENTRA NO CORPO INERTE DE JESUS, QUE EM SEGUIDA LEVANTA, TRANSPASSANDO OS PANOS DA MORTALHA COM SEU CORPO IMATERIAL FULGURANTE. RESSUSCITANDO DOS MORTOS COM UMA MATÉRIA INCORPÓREA DE INTENSA LUZ, CONHECIDA APENAS POR DEUS, DE UMA BELEZA INDESCRITÍVEL.”

segunda-feira, 15 de junho de 2015

PROFECIA DIANTE DE UM POVOADO DESTRUÍDO.


PROFECIA DIANTE DE UM POVOADO DESTRUÍDO.


Maria Valtorta viu e ouviu o que se segue por um milagre de Deus.

“Porque ficas aqui Mestre? Este lugar de causa aflição, como estamos vendo. Eu me arrependo de ter-te feito passar por aqui, porque é um caminho mais curto”, diz Cléofas de Emaús.
Oh! Não vejo aquilo que vós vedes!
“E o que vês Senhor? Talvez revês algum evento passado? Certamente foi amedrontador. É esse o sistema de Roma...”, diz o outro de Emaús.
E isto devia fazer refletir. Vede todos vós. Aqui foi uma cidade, não muito grande, mas bonita. Era composta mais de casas senhoris, do que de casas humildes. E eram de ricos estes campos esterilizados, agora cobertos de sarças, de joio, de urtigas... Antes havia belos pomares e campos cheios de messe. E as casas de então eram bonitas, com jardins cheios de flores, e com poços e fontes, onde se banhavam os pombos, e os meninos brincavam. Eram felizes todos os habitantes deste lugar, mas a felicidade não os fez ficar justos. Eles se esqueceram do Senhor e de suas palavras... E eis o que aconteceu. Não há mais casas, não mais flores, nem fontes, nem messes, nem frutas, só focaram os pombos, e não mais felizes como naquele tempo, pois, em lugar do trigo loiro e do cominho, dos quais eles eram gulosos, e com que se saciavam, agora eles têm que lutar para conseguirem um pouco de ervilhas ásperas e de joios amargos. E é uma festa quando ainda encontravam uma espiga de cevada, nascida por entre os espinhos.
E, olhando não vejo mais nem mesmo os pombos. Mas rostos e mais rostos. Dos quais muitos ainda não nasceram... e vejo ruínas e mais ruínas, e sarças e lambrusca e ervilhacas selvagens, que cobrem as terras da Pátria. E tudo isso porque não quis escolher ao Senhor. Ouço choros de meninos definhados, mais infelizes do que estes passarinhos, para os quais Deus provê ainda com um mínimo de ajuda, para viverem, enquanto que os pequeninos ficarão privados de toda ajuda, feridos pelo castigo geral, enfraquecidos junto aos peitos enxutos das mães, que estão morrendo de inédia, de dor e de um espanto sem nome. E ouço os lamentos das mães por seus filhos, que estão morrendo de fome, agarrados aos seus seios. E os lamentos das esposas sem esposo, das virgens capturadas para darem prazer aos vencedores, dos homens amarrados com correntes, depois de terem passado por toda a humilhação da guerra, e de velhos que viveram até verem cumprida a profecia de Daniel.
E ouço a voz incansável de Isaías, ao sopro deste vento sobre as ruínas, nos queixumes dos pombos por entre os escombros: “ Em palavras bárbaras, em uma língua estrangeira, falará o Senhor a este povo, ao qual Ele disse: “ Aqui é o meu repouso. Restaurai o cansado. Este é o meu refrigério.” Mas eles não quiseram escutar. Não. Não quiseram, e o Senhor não pôde achar repouso do meio de seu povo. O cansado que se cansou percorrendo as suas regiões e ensinando, curando, convertendo e confortando, não acha restauração, mas perseguição. Não refrigério, mas ciladas e traições. O Pai e o Filho formam uma única unidade. E, se a Verdade vos ensinou que até um copo d”água dado a um homem terá recompensa, porque todo ato de misericórdia feito ao irmão é feito ao próprio Deus, que castigo não será então, para aqueles que brigam até pela pedra do caminho, usada como travesseiro pelo Filho do Homem, e a fonte da montanha, que jorra por bondade do Criador, e o fruto que ficou esquecido no ramo, lá deixado, porque estava doente ou verde, a espiga disputada aos pombos, e já estão com o laço pronto para fechar a respiração na garganta, e com a respiração, a vida?
Oh! Infeliz Israel, que em ti perdeste a Justiça, e que perdeste a misericórdia de Deus!
Eis, eis de novo a voz de Isaías neste vento da tarde, mais tremenda do que o grito do pássaro da morte, tremenda, quase como aquela que soou no Paraíso Terrestre para condenação dos dois culpados, e, oh! Que coisa horrível! E não está unida esta voz do Profeta á promessa de um perdão, como naquele tempo, como naquele tempo! Não. Não há perdão para os escarnecedores de Deus, para aqueles que dizem: “ Nós fizemos aliança com a Morte, fizemos um pacto firme com o Inferno. Os flagelos quando vierem, não virão sobre nós, porque nós pusemos nossas esperanças na Mentira e por ela, que á poderosa, estamos protegidos.”
Eis Isaías, repetindo o que ouvira do Senhor: “ Eis que Eu, como fundamento de Sião, porei uma pedra angular, escolhida, preciosa. E farei julgamento quanto ao peso e a justiça, quando á medida, e o granizo destruirá a esperança na Mentira, e as águas destruirão os diques, e vossa aliança será destruída pela Morte, e não existirá mais o vosso pacto com o Inferno. Quando passar o tempestuoso flagelo vos matará, e vos matará cada vez que passar, a cada hora, e somente o castigo vos fará aprender a lição.”
Infeliz Israel! Assim como estes campos, nos quais persistem somente as áridas ervilhacas e o amargo joio, não há mais trigo, assim será em Israel, e a terra que não quis o Senhor, não terá pão para os seus filhos, e os filhos que não quiseram acolher aos cansados, aos feridos, escravizados como os galeotes aos remos, súbditos daqueles que eles desprezavam como inferiores, irse-ão embora. Deus triturará verdadeiramente o povo soberbo, sob o peso de sua justiça, e o despedaçará com a máquina de seu julgamento.
Eis o que Eu estou vendo nestas ruínas. Ruínas e mais ruínas.
Ao norte, ao sul, a leste e a oeste, e sobretudo no centro, no coração, onde a cidade culpada será transformada em uma fossa fétida.
E lentas vão descendo as lágrimas sobre o rosto pálido de Jesus, que levanta o seu manto para enxugá-lo, deixando descobertos somente os olhos, que estão dilatados pela horrível visão.
E Ele começa a andar, enquanto os que estão com Ele cochicham, gelados de espanto.

A paz de Jesus.

Antonio Carlos Calciolari.

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