PROFECIA DIANTE DE UM POVOADO DESTRUÍDO.
Maria
Valtorta viu e ouviu o que se segue por um milagre de Deus.
“Porque
ficas aqui Mestre? Este lugar de causa aflição, como estamos vendo. Eu me
arrependo de ter-te feito passar por aqui, porque é um caminho mais curto”,
diz
Cléofas de Emaús.
Oh! Não vejo aquilo que vós
vedes!
“E
o que vês Senhor? Talvez revês algum evento passado? Certamente foi
amedrontador. É esse o sistema de Roma...”, diz o outro de Emaús.
E isto devia fazer refletir.
Vede todos vós. Aqui foi uma cidade, não muito grande, mas bonita. Era composta
mais de casas senhoris, do que de casas humildes. E eram de ricos estes campos
esterilizados, agora cobertos de sarças, de joio, de urtigas... Antes havia
belos pomares e campos cheios de messe. E as casas de então eram bonitas, com
jardins cheios de flores, e com poços e fontes, onde se banhavam os pombos, e
os meninos brincavam. Eram felizes todos os habitantes deste lugar, mas a
felicidade não os fez ficar justos. Eles se esqueceram do Senhor e de suas
palavras... E eis o que aconteceu. Não há mais casas, não mais flores, nem
fontes, nem messes, nem frutas, só focaram os pombos, e não mais felizes como
naquele tempo, pois, em lugar do trigo loiro e do cominho, dos quais eles eram
gulosos, e com que se saciavam, agora eles têm que lutar para conseguirem um
pouco de ervilhas ásperas e de joios amargos. E é uma festa quando ainda
encontravam uma espiga de cevada, nascida por entre os espinhos.
E, olhando não vejo mais nem
mesmo os pombos. Mas rostos e mais rostos. Dos quais muitos ainda não
nasceram... e vejo ruínas e mais ruínas, e sarças e lambrusca e ervilhacas
selvagens, que cobrem as terras da Pátria. E tudo isso porque não quis escolher
ao Senhor. Ouço choros de meninos definhados, mais infelizes do que estes
passarinhos, para os quais Deus provê ainda com um mínimo de ajuda, para
viverem, enquanto que os pequeninos ficarão privados de toda ajuda, feridos
pelo castigo geral, enfraquecidos junto aos peitos enxutos das mães, que estão
morrendo de inédia, de dor e de um espanto sem nome. E ouço os lamentos das
mães por seus filhos, que estão morrendo de fome, agarrados aos seus seios. E
os lamentos das esposas sem esposo, das virgens capturadas para darem prazer
aos vencedores, dos homens amarrados com correntes, depois de terem passado por
toda a humilhação da guerra, e de velhos que viveram até verem cumprida a
profecia de Daniel.
E ouço a voz incansável de
Isaías, ao sopro deste vento sobre as ruínas, nos queixumes dos pombos por
entre os escombros: “ Em palavras bárbaras, em uma língua estrangeira, falará o
Senhor a este povo, ao qual Ele disse: “ Aqui é o meu repouso. Restaurai o
cansado. Este é o meu refrigério.” Mas eles não quiseram escutar. Não. Não
quiseram, e o Senhor não pôde achar repouso do meio de seu povo. O cansado que
se cansou percorrendo as suas regiões e ensinando, curando, convertendo e
confortando, não acha restauração, mas perseguição. Não refrigério, mas ciladas
e traições. O Pai e o Filho formam uma única unidade. E, se a Verdade vos
ensinou que até um copo d”água dado a um homem terá recompensa, porque todo ato
de misericórdia feito ao irmão é feito ao próprio Deus, que castigo não será
então, para aqueles que brigam até pela pedra do caminho, usada como
travesseiro pelo Filho do Homem, e a fonte da montanha, que jorra por bondade
do Criador, e o fruto que ficou esquecido no ramo, lá deixado, porque estava
doente ou verde, a espiga disputada aos pombos, e já estão com o laço pronto
para fechar a respiração na garganta, e com a respiração, a vida?
Oh! Infeliz Israel, que em ti
perdeste a Justiça, e que perdeste a misericórdia de Deus!
Eis, eis de novo a voz de
Isaías neste vento da tarde, mais tremenda do que o grito do pássaro da morte,
tremenda, quase como aquela que soou no Paraíso Terrestre para condenação dos
dois culpados, e, oh! Que coisa horrível! E não está unida esta voz do Profeta
á promessa de um perdão, como naquele tempo, como naquele tempo! Não. Não há
perdão para os escarnecedores de Deus, para aqueles que dizem: “ Nós fizemos
aliança com a Morte, fizemos um pacto firme com o Inferno. Os flagelos quando
vierem, não virão sobre nós, porque nós pusemos nossas esperanças na Mentira e
por ela, que á poderosa, estamos protegidos.”
Eis Isaías, repetindo o que
ouvira do Senhor: “ Eis que Eu, como fundamento de Sião, porei uma pedra
angular, escolhida, preciosa. E farei julgamento quanto ao peso e a justiça,
quando á medida, e o granizo destruirá a esperança na Mentira, e as águas
destruirão os diques, e vossa aliança será destruída pela Morte, e não existirá
mais o vosso pacto com o Inferno. Quando passar o tempestuoso flagelo vos
matará, e vos matará cada vez que passar, a cada hora, e somente o castigo vos
fará aprender a lição.”
Infeliz Israel! Assim como
estes campos, nos quais persistem somente as áridas ervilhacas e o amargo joio,
não há mais trigo, assim será em Israel, e a terra que não quis o Senhor, não
terá pão para os seus filhos, e os filhos que não quiseram acolher aos
cansados, aos feridos, escravizados como os galeotes aos remos, súbditos
daqueles que eles desprezavam como inferiores, irse-ão embora. Deus triturará
verdadeiramente o povo soberbo, sob o peso de sua justiça, e o despedaçará com
a máquina de seu julgamento.
Eis o que Eu estou vendo
nestas ruínas. Ruínas e mais ruínas.
Ao norte, ao sul, a leste e a
oeste, e sobretudo no centro, no coração, onde a cidade culpada será
transformada em uma fossa fétida.
E lentas vão descendo as lágrimas
sobre o rosto pálido de Jesus, que levanta o seu manto para enxugá-lo, deixando
descobertos somente os olhos, que estão dilatados pela horrível visão.
E Ele começa a andar, enquanto os
que estão com Ele cochicham, gelados de espanto.
A paz de Jesus.
Antonio Carlos Calciolari.

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